22 de março de 2016, terça-feira Atualizado em 24/10/2025 04:16:17
•
•
•
Fontes (0)
MAR.
22
HOJE NA;HISTóRIA
59
Parte 3 - Duas Questões Exemplares - De Erro Estórico - Questão Itavuvu
Durantes as pesquisas em torno do Morro Berassucaba, na região iperoniana de Ipanema, deparamo-nos constantemente com a designação itavavuvu (ou itavuu) e itapebuçu, e sempre desconfiamos que itavuvu e itapebuçu seriam a mesma ´coisa´, mas, como essa ´coisa´ diferenciada vinha de muitos e dignos historiadores achamos melhor não mexer até podermos entender e colocar os pingos historiográficos nos ii dos contos oficiais, como diz o pesquisador Adolfo Frioli.
Até porque esta questão tem a ver com a historiografia sorocabana... O próprio Friioli, em 2011, pôs em ´cheque´ a história de Sorocaba, mas o fez por e com ilações (embora justas) diante dos resultados das pesquisas no complexo geomorfológico e histórico do Morro Berassucaba (ou Araçoiaba).
E agora? Ele, como eu, e também o biólogo Luciano B. Regalado, ficamos diante da prova que faltava para dar um trato historiográfico final àquela ´coisa´ indefinida entre itavuvu e itapebuçu – a saber: o cacique guarani Tukumbó Dyeguaká, colocado diante das designações explicou que “itavuvu e itapebuçu dão significado a uma mesma coisa, porque trata-se de caminho de pedra e caminho de pedra preta no mesmo lugar”.
Então, o Governador Francisco de Souza instalou no arraial mineiro da Família Sardinha o povoado denominado Nª Sª do Monte Serrat, em 1599, com pelourinho, e logo depois, em 1611, transferiu o mesmo pelourinho para Itavuvu, ou Itapebuçu, localidade que recebeu o nome de S. Felipe.
O que significa isto em termos historiográficos? Que a região hoje conhecida como sorocabana teve início com o pelourinho no arraial mineiro do Morro Berassucaba e continuidade em Itavuvu: a fundação histórica da região sorocabana só pode ser datada de 1599 quando se instalou o primeiro pelourinho.
Tinha razão Adolfo Frioli e nós, parceiros de pesquisas, já sabíamosque algo teria de ser alterado nas estorietas oficiais da regiãosorocabana, como têm que ser alteradas as relacionadas àfundação da Vila de Piratininga.
Questão Goayanás
Do mesmo modo, sempre pensamos que goayanás designava uma nação nativa, ou uma linguagem predominante. Nada disso: goayanás não é nação, é gente vizinha da gente na linguagem guarani. Esta verdade altera profundamente a história que conhecemos do planalto piratiningo, pois, e principalmente vários religiosos com ênfase no padre “historiador” Madre de Deus, tentaram “desguaranizar” a essência nativa da região Piratininga.
A ´descoberta´ não altera as ações historiograficamente conhecidas em que esses povos vizinhos (goayanases) estiveramenvolvidos, pois, o que vai ser alterado é o mapa das tribos e linguagens dos povos florestais, principalmente dos povosconhecidos ao longo do Piabiyu (ou Peabiru).
Após 20 anos de pesquisas e vários livros publicados, entreacertos e erros e uma infinita paciência com o que o caciqueguarani aqui citado chama de phdeuses (acadêmicos que se achamno direito de dizer que conhecem, e ponto final), chegar à certezade que a chave historiográfica para a compreensão social doPiabiyu (ou Peabiru) estava e está no conhecimento doser/estar Guarani, é para mim uma celebração cultural. Primeiro,porque nenhuma academia forja o escritor nem o historiador;segundo, porque só as pesquisas de campo e o amor ao passadoque nos fez transforma a vivência em sobrevivência pelo cântico daespiritualidade. A tentativa de “branquear” a história é uma questão comum amuitas nações que tentam delimitar a importância dos povosancestrais, mas tem mais peso sociopolítico no Mundo Novo, e,obviamente, no Brasil. [Páginas 8 e 9 do pdf]
Parte 4
Não foi por acaso que os padres jesuítas quiseram, e tentaram (é verdade), transformar o Piabiyu (ou Peabiru) no “caminho de São Tomé”, pois, para suavizar a colonização luso-católica era preciso catequizar os povos nativos e fazê-los crer no deus ocidental. Seria impossível pregar a ordem e a hierarquia sem um deus punitivo, oposto à divindade libertadora da gente nativa que preconizava até um caminho que leva à terra sem mal...
Muitos povos caíram na armadilha de Manoel da Nóbrega e de Anchieta, mas a essência guarani da trilha que leva à terra sem mal ficou intocada mesmo com a sobreposição artificial de um santo católico, e isso no momento em que Tumiaru virava São Vicente e Piratininga virava São Paulo, entre centenas de outros exemplos da toponímia colonial ibero-católica. Entretanto, e porque obrigada a dialogar com nativos para sobreviver, as gentes colonizadoras trataram de aprender a língua e, nisso, configuraram uma língua geral dita tupiguarani, que seria jogada no lixo, a partir do Século 18, com a determinação imperial de se falar português.
Com a maioria das etnias destruídas, as gentes florestais nãotiveram como se opor à ordem e à hierarquia impostas pelacolonização, assim, a evolução daquela “ilha” de Sancta Cruzinventada por Cabral teve o seu eixo urbano centrado naexploração de pedras preciosas e assentamentos agropecuários. Enquanto isso, só a Língua guarani resistia – e resistia porque era a língua de um povo nômade e continentalcom estrutura social e espiritual própria, tanto que o Impérioteve que, e já em 1563, mandar fechar a trilha Piabiyu para evitarmais contatos entre nativos, castelhanos e portugueses... E nemisso conseguiu, porque do cunhadismo nasceu uma raça mistaque começou a gerar a Nação brasileira: a gente mameluca. Efoi com a gente mameluca (filhos de João Ramalho, do Bacharelde Cananéia e do ´velho´ Affonso Sardinha, entre outros) que oPiabiyu continuou como trilha do progresso socioeconômicoluso-paulista e da sinalização tupi-guarani.Parte 5 Diante do mapeamento mental e da orientação espiritualguarani percebe-se como o Ocidente ibero-católico perdeu orumo do diálogo social, pois, sem aferir quem era quem noespaço a ocupar preferiu neutralizar quem não era dos seus, ede quem não conseguiu se livrar, particularmente do tronco tupiguarani, sofreu influências socioculturais tupi-guaranis quemoldaram a Língua portuguesa no Falar brasileiro, o quefavoreceu o nascimento da Cultura brasileira sob Línguaportuguesa.Sociedade & PHD[euse]s Quando se pega em questões como as aqui relacionadas(“itavuvu” e “goayanás”) para aferir situações historiográficaspontilhadas por estorietas oficiais que visam ´branquear´ ageografia lingüística dos povos ancestrais e sobrepor a línguada dominação, pega-se em questões de Poder absolutista: faça-sea crônica segundo o desejo do Poder. E se o Poder não é nativonem dele tem sequer resquício histórico (apesar da gentemameluca e afro-brasileira), o óbvio é que a Nação possua umaestorieta de cartilha escolar, e pronto. As gerações que vêm nãoprecisam saber que tivemos povos florestais e negros..., ou que aindústria brasileira nasceu numa forja de ferro num morro distanteentre sorocas e arraia-miúda escrava. [Páginas 9, 10 e 11 do pdf]
Em alguns casos – e anote-se a importância singular de TheodoroSampaio para os primeiros estudos – verifica-se a boa intenção deir buscar dados para compor um mapeamento do histórico nativoparalelo ao desenvolvimento colonial e, a partir dele, conceberuma historiografia para além da cultura oral tupi-guarani. Óbvio,era difícil para os primeiros técnicos e historiadores um diálogoíntimo com as gentes nativas, em plenos Séculos 19 e 20, ainda emextinção; e de tal expedição surgiram teorias e mapas cujaprecariedade ressalta aos olhos de qualquer pessoa nativa ilustradaentre os Saberes ocidentais, mas a preservar a sua linguagem, oser/estar nativo. Por exemplo, ouçamos o cacique guarani CafuzoTukumbó Dyeguaká: “[...] e quando olho para o mapa das tribosfeito por Theodoro Sampaio eu rejeito a maioria das informaçõesnele gravadas”, porque “nome guarani ou tupi não é como nome de rua ou praça, é uma orientação espaço-espiritual”, e“guarani não escolhe o lugar da casa por ser um lugar bonito,mas porque no local recebeu a boa vibração espiritual”. Poroutro lado, “quando os tupis querem dizer de um povo quechegou primeiro dizem tamoio, ou se querem dizer mais antigodizem tupinambá”. Assim, tanto tupinambá quanto tamoiodesignam praticamente o mesmo sentido de mais antigo, e nãoum povo, uma nação. Isto altera o sentido historiográfico estabelecido entre os Séculos19 e 20. A questão é idêntica à do Século 17, quando franceses, emParis, gravavam mapas “do Brasil” sob narrativas de padresjesuítas... Nesses “mapas” percebe-se o aportuguesamento depalavras tupi-guaranis que, em alguns casos, alteram a história! Mas, por que a intelectualidade ocidental-brasileira não buscouentre os povos nativos os Saberes que facultariam uma melhorcompreensão sociocultural? Porque, para a intelectualidadeocidental o Conhecimento foi endeusado na Universidade. Estácerta, muito certa, certíssima, a designação de phdeuses dada pelocacique guarani a essa intelectualidade empantufada e pançudaque se alimenta do erário público, mas pouco produz em prol dascomunidades, e que quando ´desce´ a uma comunidade nativa já ofaz na certeza de não buscar informações, mas de introduzir (o seu)“conhecimento” de cartilhas pseudo pedagógicas. O professor AzizAb´Sáber dizia que “o estudo teórico só tem validade quando apessoa sai do laboratório e enfrenta a realidade social e físicaquando, então, se o souber (ou se aprendeu), produz trabalhoscientíficos dignos da sociedade” [in “Conversas com o MestreAb´Sáber” – João Barcellos, 2011]. Sabe quem sabe, ensina quemsabe.E a terminar... Entre as preocupações legítimas do Instituto Histórico eGeográfico de São Paulo (IHGSP) quanto ao remapeamento dageeografia lingüística guarani e tupi, e o retorno da regiãosorocabana à sua origem berassucabana, ou itavuvuana, existeum espaço de estudos de extraordinária profundidade socioculturale étnica, a par de uma geomorfologia afim, no qual se podem abrirnovos horizontes para a Cultura e a História do Brasil. [Páginas 12 e 13 do pdf]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]