A 1 de setembro de 1531, de Cananéa mandou o mesmo Martim Afonso de uma tropa de quarenta besteiros e quarenta espingardeiros, de Pero Lobo, a descobrir pela terra dentro. Levou-o a dar este passo Francisco de Chaves, companheiro de João Ramalho, que se obrigou a tornar dentro de dez meses com quatrocentos escravizados carregados de ouro e prata. Tudo quanto se sabe do destino ulterior desta expedição é que foi completamente destroçada pelos Carijós. [Página 126 do pdf]
OS SEIS PRIMEIROS DOCUMENTOSDAHISTORIA DO BRAZIL
CARTA A EL-REI D. MANUEL Escripta por Pero Vaz de Caminha, de Porto Seguro da Ilha de Vera- Cruz, no dia 1o de Maio do anno de 1500
Desta carta que se pode considerar como o auto do nasci- mento do Brazil, bem como de outra que abaixo menciona- mos, foi portador Gaspar de Lemos, que por ordem de Cabral regressou a Portugal, para communicar a nova da importante acquisição que fizera o navegador para a corôa desse Reino.Por mais de tres seculos esteve tão precioso documento, o primeiro de nossa historia, entregue ao mais absoluto es- quecimento e ignorancia, até que o erudito Padre Manuel Ayres do Casal, pesquisando e esmerilhando memorias e ma-1 Pero Vaz de Caminha ia na armada de Pedro Alvares Cabral, que se dirigia á India, na qualidade de escrivão da feitoria que ferião de estabe- lecer em Calicut, junctamente com Gonçalo Gil Barboza.* J. Norberto de Souza e Silva. Mem. sobre o descobrimento do Brazil publicada na Revista do Instituto Historico. Tomo IV, 9a serie, pag. 128.Digitized byGoogleOriginal from CORNELL UNIVERSITY[p. 7]
IICARTA DO MESTRE JOÃOÁ El-Rei D. Manoel, escripta de Porto-Seguro, da Ilha de Vera-Cruz, nodio 1 de Maio do anno de 1500.
Com a precedente foi levada a El-Rei pelo capitão Gaspar de Lemos, que por ordem de Cabral voltou á metropole, com o já citado fim.Á guisa do Mestre Paulo Toscanelli, ia o bacharel Mestre João na armada de Cabral como astronomo e chirurgião‘, e como tal dá noticia tão somente das observações astronomicas que, segundo elle, forão quasi impossiveis, em vista dos óbices que passa a expôr.Assim, de sua narrativa rapida e concisa, se póde tirar argumentos para provar que o desco- brimento do Brazil não foi mais do que obra do mero acaso. Éra defendendo esta opinião que em, 1851, o mui erudito Sr. Dr. J. Caetano da Silva nessa carta se apoiava, como uma das provas que corroboravam seu tão valioso juizo.1 Segundo se deprehende de sua propria carta que começa: O bacharel mestre Johan fisico e cirurgyano de vossa alteza beso vossas reales manos... etc. Rev. do Inst. Tomo 5, pag. 342.2 Appendice ao parecer do Sr. D. Soares da Silva Bivar sobre o In- dice chronologico do Sr. Dr. A. M. Perdigão Malheiro. Rev. do Inst. Tomo 20, 3a serie, pag. 90.A proposito, cumpre-nos lembrar que o Sr. J. Norberto de S. e Silva pro-[p. 11]
12A carta do bacharel mestre João appareceu pela primeira vez impressa na Revista do Instituto Historico e Geographico Brazileiro em 1843, no tomo 5o, pag. 342, segundo uma copia que enviou de Lisboa o zeloso investigador o Sr. F. A. de Varnhagen, que mais uma vez a deu a luz, inserindo-a na sua Historia geral do Brazil (Tomo 1o, pag. 423, nota 6"); devendo-se observar que esta reimpressão foi melhorada, achando-se nella decifrada a assignatura (Johannes Emene- laus), que na primeira ficara ainda incognita pela obscuridade. da lettra.(Vide: Varnh. Tom. I, p. 466, nota 4O seu original existe no Real Archivo da Torre do Tombo. (Corpo chronologico, Past. 9, Maço 2.o, Documento 2.)Foi tudo quanto pudemos colher acerca de tão antigo ma- nuscripto.cura encontrar n‘um dos topicos dessa carta materia sufficiente para funda- mentar a sua opinião em contrario, desinvolvida na sua citada memoria so- bre o descobrimento do Brazil. Rev. do Inst. Tomo 2, 2 serie. Pag. 169.Digitized byGoogleOriginal from CORNELL UNIVERSITY ;[p. 12]
IV - CARTA D‘EL-REI D. MANUEL datada de 9 de Julho de 1501, dirigida á el-rei e rainha de Castella
Viu pela primeira vez a luz esta carta na obra de D. Martin Fernandez de Navarrete, intitulada : — Coleccion de los viages y descubrimentos que hicieron por mar los españoles, em cinco volumes-1825 a 1837, no tomo 3o, pag. 94. Esta trans- cripção foi feita segundo uma copia tirada por D. Joaquim Traggia.
Foi depois novamente reproduzida pelo Visconde de San- tarém, chronista-mór do Reino, no seu — Quadro Elementar das relações politicas e diplomaticas, no tomo 2o, pag. 398.Dizem que foi esta carta escripta em Santarem, reputada por alguns patria de Cabral, e Navarrete é um dos que tal afiançam.
Entretanto, a tal respeito nos diz o Sr. Varnhagen o se- guinte, na sua Historia geral do Brazil 1:<< Pelo que respeita á carta de D. Manuel aos Reis Catholi- cos, publicada por Navarrete (Viajes II, 94, doc. 13), estamos hoje convencidos que não foi ella escripta de Santarem, como julgou Navarrete, ao encontrar uma copia na Collecção1 Historia geral do Braz. T I, pag. 424, nota 7aDigitized byGoogleOriginal from CORNELL UNIVERSITY-16de Muñoz que dizia S...nt..a. Quanto a nós devia ler-se Syn- tra (assim se escrevia antigamente Cintra), pois ahi segundo Goes (160) estava el-rei D. Manuel quando Cabral recolheu da Asia, justamente no mez de Julho de 1501, que vem na data deste documento. Uma copia desta carta que possuia Rich tinha a tal terra em claro e dizia só: « Escripta em.....
Tambem o dia do mez era 9 e não 29 como traz Navarre- te. Vej. Catalogue of Manuscripts principally in Snish, relating to America, in the p ss ssin of Fich;-pag. 39e 40. »O seu original conserva-se no archivo da antiga deputação de Aragão, em Saragoça e que foi destruida na guerra da independencia.
Em um jornal que publica o Sr. Dr. Mello Moraes, sob a denominação de Brazil Historico, encontra-se ainda transcripta esta carta.
A carta d‘El-Rei D. Manoel de Portugal aos Reis catholi cos, dando-lhes conta de todo o succedido na viagem de Pedro Alvares Cabral pela costa d‘Africa até o mar Vermelho, toca ligeiramente no descobrimento do Brazil, dizendo só- mente que Cabral "chegou a uma terra que novamente descubriu, á qual pôz o nome de Santa-Cruz, em que encontrou gente núa como na primeira innocencia, mansas e pacificas; e parece que Nosso Senhor quiz milagrosamente que se achas- se esta terra, porque é muito conveniente e necessaria à navegação da India, porque ali reparou seus navios e se refez de agua; e pela extensão do caminho que ainda tinha que andar não se deteve para informar-se das cousas da dita terra, só- mente me enviou d‘ali um navio a me participar como a encontrou e continuou seu caminho na direcção de Boa-Espe- rança."[p. 16]
Eis tudo quanto relativo ao Brazil nos refere a carta que deixamos indicada; os demais periodos della versam apenas sobre instrucções á Cabral e a administração de Calicut que dever-se-hia de estabelecer. [p. 17]
- 21 -VIAs quatro navegações do pilato Florentino Americo VespucioA carência de documentos incontestaveis, a variedade de juizos, a nossa incompetência, eram motivos de sobra para tornarem tarefa menos facil a discussão das controvérsias suscitadas acerca das obras, das viagens e do mérito ainda do infatigavel viajor florentino.
Não nutrimos a pretenção de haver illuminado tão nebu- loso assumpto patrio, resta-nos, entretanto, a convicção de que tentamos tornar patente o que de verdadeiro existe acerca da vida de Americo Vespucio e das suas quatro navegações.Aguardamos dos nossos preclaros historiadores, os quaes muito folgamos de invocar neste capitulo, novas luzes que consigam por uma vez firnar a verdade sobre tão debatidas questões da nossa patria historia.Discordes, como avançamos, se mostram os historiadores e chronistas acerca da epocha da publicação das viagens do navegador florentino Americo Vespucio, como ainda da pessoa a quem dedicára elle o fructo de tantas lucubrações.Á tal respeito, acreditam uns que dirigiu elle as suas cartas a Renato, Rei de Jerusalém e da Sicilia, Duque de Lorena e de Bar; pensam outros que foram ellas dedicadas ao seu com-22patriota e amigo Pedro Soderini, gonfaloneiro da republica de Florença, e que enviára depois alguns exemplares a diver- sas pessoas gradas da mesma cidade de Florença, chegando então um delles ás mãos do referido Duque de Lorena.Segundo o texto da edição de 1509, reproduzida na sua Collecção de viagens e descobrimentos, diz o sr. Navarrete que não se pode aceitar a ultima das duas pretenções aponc- tadas.
Assim, explica-se elle: Canovai, enthusiasta apaixonado de Americo Vespucio, propõe como não repugante a conjectura de que os editores de suas viagens, encontrando frequente- mente as iniciaes V. M., lèssem l‘ossa Magestade em vez de Vossa Magnificencia, que era o tractamento correspondente a Soderini; conjectura, prosegue o mesmo, que está em oppo- sição com o texto presente, onde algumas das vezes que se dá o titulo de Rei á pessoa com quem se falla, lê-se outras mui- las com todas as suas letras Tua Magestas, Vestra Magestas, Vestra Magestas regis.Não encontramos argumentos que nos decidam a abraçar uma das duas pretenções, por isso que não prestamos grande credito á citada edição, reputada por Navarrete a mais veridica, e ninguem nos poderá contestar que es editores traduzissem algumas vezes as iniciaes V. M. por Vossa Ma- gestade e outras as conservassem, sem explicar o sentido.Obscuras sombras envolvem ainda as primeiras publicações das viagens do piloto florentino; entretanto, parece-nos terem ellas apparecido ainda em vida deste, e na verdade, Randiui contemporaneo e panegerista de Vespucio nos dá noticia de um pequeno folheto publicado em vida daquelle, mas não declara, infelizmente, em que lingua estava escripto, nem tão pouco a dacta de sua impressão.Enat L et latILDigitized byGoogleOriginal from CORNELL UNIVERSITY
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]