Fazendas e Engenhos do litoral vicentino: traços de uma economia esquecida (séculos XVI-XVIII), 2020. Vera Lucia Amaral Ferlini. Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho
Qual a produção desses engenhos? Dos 13 listados (ver Quadro 1) não sabemosem que momento e quantos funcionaram. Se tomarmos uma média anual de 6engenhos, até 1590, e cada um produzindo 900 arrobas, teríamos 5.400 arrobasanuais, período em que, a capitania de São Vicente teve significação pioneira naprodução de açúcar, quase o equivalente à totalidade das exportações coloniaisentre 1532 e 1548.19 Os dados sobre a população vicentina são variados, maspermitem algumas estimativas. Entre 1546 e 1548, seriam 600 portugueses e 3.000índios, em seis engenhos. Os colonos, em 1570, eram 2.750, mas se estimava quatroengenhos funcionando. Com a diminuição da lucratividade açucareira na região, em1585, estariam em funcionamento quatro engenhos, e a população de portuguesesera de 1.650 habitantes, com cerca de 1.000 indígenas.20Uma economia esquecidaEm 2011, em uma visita técnica ao sítio Quatinga, na área continental de Santos,cerca de três quilômetros da Rodovia Rio-Santos, já na encosta da Serra do Mar,constatou-se a existência de ruínas, que acreditavam ser a de um antigo engenho21.Buscando na historiografia, pode-se verificar ser a área resíduo da antiga propriedadejesuítica, onde, no século XVIII, os inacianos haviam erguido duas casas de farinhae um pequeno engenho (LEITE, 1954). No caso, as edificações remanescentes, quesugerem um moinho, montado em um assoalho, tendo por baixo um depósito, comsaída direta a um riacho, parece ser uma casa de farinha.A partir dessa evidência, chamou atenção uma economia esquecida, encobertapela vigorosa vegetação da Mata Atlântica. Estudos posteriores apontaram outrasfazendas e engenhos na região, a demandar pesquisas históricas e arqueológicas. Coma formação de uma equipe de alunos de Iniciação Científica de História e Geografiae de uma pesquisadora em estágio de Pós-doutoramento, iniciou-se um Projeto paraa criação de Plataforma Digital sobre as Fazendas e Engenhos da Baixada Santista:construção de atlas digital interativo, contendo dados de sesmarias e datas de terrasda região, com localização, proprietário, ano e forma de aquisição e indicação dedocumentos.Importante notar que se a pesquisa sobre propriedades no período colonial é muitodifícil, pela natureza da documentação cartorial, no caso do litoral das Capitanias deSanto Amaro e São Vicente, o desaparecimento dos registros de seus Cartórios exigea busca de outros caminhos para sua reconstituição em Processos de Herança, Livrosde Tombo de Instituições Religiosas, dentre outros. Tomou-se como ponto de partidadados referentes à Fazenda Geral dos Jesuítas, inicialmente através da dissertaçãode Mestrado de Francisco Rodrigues Torres e da documentação relativa ao processoProcuradoria da Fazenda Nacional de Sa~o Paulo Fazenda Cubata~o Histo´rico Dominial22,utilizando, ainda, Livro de Tombo de Colégio do Rio de Janeiro, da Biblioteca Nacional,Registros de Sesmarias, cronistas coloniais.
A Fazenda Geral dos Jesui´tas é interessante elemento de estudo. No início, erasesmaria de Pero Correa, que, ao professar junto à Ordem, doou a ela todos os seusbens.23 Com o tempo, através de herança, novas doações e aquisições, constituiu a maior propriedade da povoação.
A constituição de seu patrimônio deu-se pela anexação de terras de Pero Correa, em 1553; Cornélio de Arzão, em 1628; Antonio Rodrigues de Almeida, em 1643; Francisco Pinto, em 1664; Pero de Go´es, em 1674; Domingos Leite de Carvalho, em 1687; Agostinho Rodrigues de Guerra, em 1687; Diogo Pinto do Rego, em 1743; Manuel Antunes Bele´m de Andrade, em 1743.
4 Situada estrategicamente no sope´ da serra doMar, possui´a va´rios rios em seu peri´metro, sendo o rio Cubata~o o principal, que fazia aligac¸a~o com a Vila de Santos. O transporte de passageiros, bagagens e mercadorias,entre o planalto e o porto, fazia-se por ele, daí o interesse dos inacianos em manteremum servic¸o exclusivo de aluguel de barcos, transformando o local em fonte de recursosperene. Pouco sabemos de suas atividades. No documento de confisco dos bens,diferentemente de outras propriedades no planalto (como Santana e Araçariguama,com grande número de escravos e produtoras de milho, feijão, trigo, açúcar e criaçãode gado), na~o ha´ relato de plantac¸o~es ou criac¸a~o de animais que gerassem rendapara os religiosos, constando apenas “a fazenda do Cubatão situada no caminho quevai para Sa~o Paulo na~o tem legado algum” (MORAES, 1979, p. 40)”. De onde se infereter sido o controle do transporte sua fonte de renda.
Mar, possui´a va´rios rios em seu peri´metro, sendo o rio Cubata~o o principal, que fazia aligac¸a~o com a Vila de Santos. O transporte de passageiros, bagagens e mercadorias,entre o planalto e o porto, fazia-se por ele, daí o interesse dos inacianos em manteremum servic¸o exclusivo de aluguel de barcos, transformando o local em fonte de recursosperene. Pouco sabemos de suas atividades. No documento de confisco dos bens,diferentemente de outras propriedades no planalto (como Santana e Araçariguama,com grande número de escravos e produtoras de milho, feijão, trigo, açúcar e criaçãode gado), na~o ha´ relato de plantac¸o~es ou criac¸a~o de animais que gerassem rendapara os religiosos, constando apenas “a fazenda do Cubatão situada no caminho quevai para Sa~o Paulo na~o tem legado algum” (MORAES, 1979, p. 40)”. De onde se infereter sido o controle do transporte sua fonte de renda.A partir dos dados da Fazenda Geral das propriedades que foram a ela anexadae dos mapas elaborados por Cincinato Braga (1910) para a disputa pela Fazenda dosPilões25, a equipe rastreou as doações originais, eventuais vendas, heranças, doações,disputas, elaborando fichas individuais e organizando as fichas em planilhas. Naelaboração do Atlas Digital, o georreferenciamento é fundamental e para isso contamoscom estudantes de Geografia. A dificuldade no estabelecimento das localizações dassesmarias reside na toponímia, que está sendo pesquisada em mapas antigos doacervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo. Com os levantamentos noRegistro de Sesmarias e consequentemente o aumento de propriedades identificadas,haverá necessidade de ampliar a busca em Arquivos no Brasil e no exterior.A pesquisa feita até agora, levantou 85 propriedades de 69 proprietários (vejase um exemplo no Quadro 2), especialmente das áreas de Cubatão, Santos, SãoVicente, Guarujá e Bertioga, provavelmente por ter partido da documentação daFazenda Geral. São raras, ainda, as sesmarias de Itanhaém, Peruíbe e São Sebastião.Por outro lado, essa concentração mostra o interesse dos colonos na área açucareirae no eixo Piratininga ao Porto de Santos. Dentre as requisições de terras, pode-sedistinguir alguns tipos de solicitantes: Cavaleiros Fidalgos, Membros da BurocraciaLocal, Sertanistas, Artesãos, Comerciantes, Lavradores. Cavaleiros Fidalgos, Membroda Burocracia Local e Sertanistas tinham na aquisição de grandes lotes o elementode enobrecimento de ascensão social. Os Cavaleiros Fidalgos, que acompanharamMartim Afonso, foram os primeiros a requererem e receberem terras, grandes lotesque em geral justificavam para plantio de canas e erguimento de engenhos.
É o caso de Pero de Goês, que também foi Capitão Mor da Costa do Brasil, e recebeu, em 1532, a primeira sesmaria doada no Brasil, tendo erguido o Engenho Madre deDeus. Jerônimo Leitão, que veio na armada de Martim Afonso, recebeu terras na áreacontinental de São Vicente, onde ergueu um engenho, e um ancoradouro, conhecidocomo Porto das Naus.26 Ambos foram sertanistas, e constituíram a camada residentedetentora de recursos e que arcou com os custos do empreendimento colonial, atravésda apropriação privada de terras e homens (RICUPERO, 2009, p. 321). A captura deindígenas aparece constantemente citada, como nos casos de Cristóvão Monteiro,Fidalgo que exerceu vários cargos de confiança na vila de Santos, onde foi vereadorem 1562; Manuel Fernandes, que em 1608 requereu terras em Santos; Domingos [Páginas 14 e 15]
Leite de Carvalho, Capitão, foi ao sertão e foi dono de fazenda, possuindo “peças dogentio da terra” em 1687.27As sesmarias correspondiam a extensas áreas, sempre articuladas à área açucareira,ao porto e às vias de transporte. Francisco Torres detalhou, no caso da Fazenda Geralde Cubatão, a área ocupada pela propriedade dos Jesuítas 105,16 km2, ou 71,03 %do territo´rio. Frisamos que a propriedade jesui´tica possui´a uma extensa~o maior,conforme mapa a seguir (Figura 1), pore´m a ause^ncia de limites demarcato´rios impedeo levantamento da a´rea total (TORRES, 2008).
Apesar da abundância de terras, a ocupação deveria obedecer às diretrizes daCoroa, tanto em relação às áreas, como à produção. Lavouras de mantimentos sãocitadas em pedidos de sesmarias, mas já em 1548, documento relativo ao Engenhodos Erasmos, apontava terras ocupadas por posseiros, que o missivista chama deladrões, na propriedade desse Engenho. Nos pedidos e confirmações constam roças,mantimentos e gado, além de engenhos e canaviais. A divisão entre canaviais eengenhos, que se consolidou no Nordeste, não parece ter sido comum ou desejávelna área.
O Missivista de 1548 considera ser oneroso comprar cana dos moradores e relata providências para aumentar os canaviais do próprio Engenho (STOLS, 1968). Já no início do século XVII, quando a rentabilidade do açúcar da região declinara e muitos colonos saiam da região, aparecem pedidos de concessão de terras devolutas. É o caso de Francisco Nunes Cubas, em 1605, de Manuel João Branco, em 1614, e Francisco Alves Corrêa, em 1617.(28)
Em relação a engenhos, a pesquisa encontrou menção ao de Afonso Sardinha, que em 1577 requeria a confirmação de terras, com canavial e roça e, em 1607, uns alagados, ao longo de suas terras com açúcares de sua fazenda e trapiche29. A documentação permite ainda reconhecer alguns feitores, mestres de açúcar, oleiro e ferreiro.30
Espera-se, na continuidade da pesquisa, oferecer, além de importantes materiaispara novas investigações, esboçar o perfil econômico da região, no período colonial,e sua trajetória de predominância de produção açucareira, para o domínio dos fluxoscomerciais da Capitania. [Página 17]
16 Cf. Ferlini (2017, p. 27). Veja-se, também, Ferlini (2019a). O engenho teve várias denominações:do Governador, do Trato, dos Armadores e, finalmente, São Jorge dos Erasmos. Consulte-seCordeiro (2007).17Frei Gaspar cita 12 engenhos instalados na baixada durante o século XVI, por nome, proprietárioe localização, mas sem as datas de início. Começa pelo Engenho de São Jorge, a seguirdenominado Engenho do Senhor Governador, fundado por Martim Afonso de Souza em 1532;e os engenhos de Estevão Pedrozo, Jerônimo Leitão, Salvador do Vale e dos Guerras, todoseles localizados no termo da Vila de São Vicente. O engenho da Madre de Deus localizava-seno distrito de Santos, defronte da Vila. O engenho São João, de José Adorno, ficava na Ilha deSão Vicente; o de Estevão Raposo, Bartolomeu Antunes e Nossa Senhora da Apresentação, nailha de Santo Amaro. O beneditino diz que havia ainda mais dois engenhos, de Santo Antonio eo de Manuel Fernandes, cuja localização ignorava. MADRE DE DEUS (1975, p. 86). Veja-se Atlasdo Estado do Brasil”. Fac-simile existente na Biblioteca do Ministe´rio das Relac¸o~es Exteriores, Riode Janeiro. Reprodução em Novo Mile^nio. http://www.novomilenio. inf.br/santos/ mapa05.htm.18 Cf. Cordeiro (2007). Em janeiro de 1615, quando o almirante holandês Joris van Spilbergatacou o litoral paulista, o engenho foi ocupado, saqueado e incendiado e seus proprietáriosterminaram por abandoná-lo.19 A produção por engenho era, portanto, superior à produção madeirense, mas seria inferioraos engenhos do Nordeste, que variaram entre 2.000 a 10.000 arrobas anuais. Veja-se Couto(1995) e Schwartz (1988).20 c.1546/1548: Archivo General de Índias, Mapas, planos, documentos iconográficos y documentosespeciales, Buenos Aires, 261; Arquivo Nacional Torre do Tombo. Corpo Cronológico, Parte I,mç. 80, n.º 110; e Cortesão (1933, p. 402). 1570: Gândavo (2008, p. 33-50). 1583: Cardim (1939,p. 249-318). 1585: José de Anchieta (1933, p. 409-447).21 Sítio Quatinga (Prefeitura Municipal de Santos - Secretaria de Turismo e proprietária)22 Procuradoria da Fazenda Nacional de Sa~o Paulo. Fazenda Cubata~o Geral – histo´rico dominial.Sa~o Paulo: s/n, s/d. p. 3-10. Disponi´vel em: .Acesso 05 Jan. 2020.23 Pero Correa, mais tarde jesuíta, foi, inicialmente, chefe de entradas para capturar indígenas, oque indica que Correa possui´sse recursos para implementar uma jornada pelos serto~es. Doouseus bens para a Companhia de Jesus e em fins de 1554, com outro jesuíta, irmão João deSousa, foi morto a flechadas pelos índios Carijós, na região de Cananeia, quando em missãode catequese. Cf. Leite (1965, p. 22-24); Santos (1986, p. 19).24 A constituição de seu patrimônio deu-se pela anexação de terras de Pero Correa, em 1553;Corne´lio Arza~o, em 1628; Antonio Rodrigues de Almeida, em 1643; Francisco Pinto, em 1664;Pero de Go´es, em 1674; Domingos Leite de Carvalho, em 1687; Agostinho Rodrigues de Guerra,em 1687; Diogo Pinto do Rego, em 1743; Manuel Antunes Bele´m de Andrade, em 1743.25 Procuradoria da Fazenda Nacional de Sa~o Paulo. Fazenda Cubata~o Geral, op. cit.
26 - Reunindo portugueses e índios da capitania de São Vicente, auxiliou Antônio Salema, governador do Rio de Janeiro, na extinção dos tamoios em Cabo Frio. Em 1585, por solicitação da Câmara, marchou à frente de uma grande bandeira contra os carijós do Paranapanema e chegou até Paranaguá. Durante seis anos, destruiu, na região do Anhembi, trezentas aldeias de tupiniquins, com cerca de trinta mil habitantes. Pôs assim em segurança as duas principais vias de penetração paulista no século XVII: os rios Tietê, rumo ao Guairá, e o Paraíba, visando as nascentes do rio São Francisco. Foi, no século XVI, talvez o maior lutador contra os assaltos dos índios na capitania de São Vicente. Cf. Porchat (1993, p. 87).
27 Manuel Fernandes; Sertanista e povoador de Santana do Parnaíba.; 1608; Santos.; Lhe désseum pedaço de terra na prainha de Cecric... e começando do rio de Aguai... correndo para abanda do nordeste ... de Tobatinga e outro tanto pela terra a dentro quanto...; Carta de dadade terras.; Estado de São Paulo. Sesmarias. Documentos do Archivo do Estado de São Paulo.São Paulo: Typographia Piratininga, 1921. V. 1, p. 47. Domingos Leite de Carvalho; Capitão, foi aosertão e foi dono de fazenda, possuindo “peças do gentio da terra”.; 1687; Por titulo de compra,possuia umas terras da outra banda do Cubatão, termo da villa de S. Vicente, que ficam defrontedo Porto Geral do Cubatão partindo arriba com terras do Capitão Pedro da Guerra, e Rio abaixotoda terra até chegar aos mangues. Suas terras, mantidas em parcerias com outros proprietários,são compradas em 1687, pelo Reverendo Padre Reitor Manuel Corrêa (TORRES, 2008, p. 59-63).Cristóvão Monteiro; Fidalgo e exerceu vários cargos de confiança na vila de Santos, onde foivereador em 1562.; 1567; Desde “Çupya Yguoera”, aldeiia que foi dos índios, até Goaratiba, quesão quoatro legoas boas ao longo da costa do mar e estarão oito legoas boas da boca do Rio deJaneiro, pera contra Angra dos Reis, a quoal terra que êlle tem hum rio d’água dosse quaize nomeio o qual se chama na língoa dos índios ‘Nhunda’.; Guerra contra índios, apropriando-os comoescravos provavelmente. Anais da Biblioteca Nacional - Vol. 82 (1962/ Divisão de Publicações eDivulgação - 1968), “Livro de tombo do colégio de Jesus do Rio de Janeiro”, p. 152-154 (Doc. 81).~[Páginas 28 e 29]
23 - Pero Correa, mais tarde jesuíta, foi, inicialmente, chefe de entradas para capturar indígenas, oque indica que Correa possui´sse recursos para implementar uma jornada pelos serto~es. Doouseus bens para a Companhia de Jesus e em fins de 1554, com outro jesuíta, irmão João deSousa, foi morto a flechadas pelos índios Carijós, na região de Cananeia, quando em missãode catequese. Cf. Leite (1965, p. 22-24); Santos (1986, p. 19).
28 - Francisco Nunes Cubas; 1606; Santos; Terreno de cinco braças em quadra (121 m²) situado navila onde residia - cinco braças de testada e outras tantas pouco mais ou menos dentro ao pé doOuteirinho que est’as defronte de sua ... ção as quaes cinco braças.; Pede terras devolutas emfrente ao Outeirinho.; Estado de São Paulo. Sesmarias. Documentos do Archivo do Estado deSão Paulo. São Paulo: Typographia Piratininga, 1921. V. 1, p. 84 e 85. Manuel João Branco; 1614; Cubatão; Muitas terras devolutas saindo do esteiro ... Peacava donde ... vacas e cavalgaduras qu... abaixo ... que vem do Cubatão rio abaixo ... direita ... pegando com os primeiros outrossim um ribeiro que vae ... Peaçava fica da banda da ilha – Pede a vossa uma légua em quadra porquanto ele suplicante quer fazer engenho e correndo para os outeiros acima ... da outra parte parta prª ... ou parta mais declaração de meia légua para uma parte do esteiro e a outra pela outra banda que venha o dito.; Pedido de terras devolutas.; Canaviais.; Estado de São Paulo. Sesmarias. Documentos do Archivo do Estado de São Paulo. São Paulo: Typographia Piratininga, 1921. V. 1, p. 212. Francisco Alves Correa, Gonçalo Vogado em 1617. Requer Légua ... nos limites do Jerabati rio acima partindo ... ando todas as pontas e voltas que o rio tiver e sendo ... correrá acima aonde melhor for ficando o rio em meio tanto para uma banda como para a outra ficando em quadra de légua e meia ...; Pedido de terras devolutas.; Lavrar mantimentos para sustentar.; Estado de São Paulo. Sesmarias. Documentos do Archivo do Estado de São Paulo. São Paulo: Typographia Piratininga, 1921. V. 1, p. 227. [Fazendas e Engenhos do litoral vicentino: traços de uma economia esquecida (séculos XVI-XVIII), 2020. Vera Lucia Amaral Ferlini. Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. Página 29]
As Sesmarias de Cubatão (1567-1687) Data: 01/01/2020 Página 18
ID: 13460
EMERSON
01/01/2020 ANO:285
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Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]