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autor:2143
Manuel Aires de Casal
Corografia Brazilica ou Relação Histórico-geográfica do Reino do Brasil. Composta e dedicada a Sua Majestade Fidelíssima, tomo I, 1817

mencio ()

    1817
    Atualizado em 27/11/2025 02:39:53

Fontes (1)


JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
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A Armada, depois de ter reconhecido o Cabo de Santo Agostinho, e navegado ao longo da costa, apostou na Bahia de Todos os Santos, onde encontrando dois navios franceses, fez preza nele: do que Martim Afonso deu logo notícia ao Soberano por João de Souza, capitão de um dos navios da Armada, com a qual ficou alí até chegar a monção de poder continuar a viagem para o Sul. Depois de ter refrescado em Porto Seguro, foi entrar na bahia de Santa Luzia, á qual trocou o nome pelo de Rio de Janeiro, por ser no primeiro dia do ano de 1532. [Página 51]

(...) Onde meses gastou Martim Afonso por estas paragens em diversas operações, e em acabar de correr a Costa até o Rio da Prata, onde se achava, quando o Sol chegou ao trópico de capricórnio em 1533, segundo a dúvida que propôs ao Doutor Pedro Nunes, quando voltou ao reino.

Não encontrando estabelecimento algum Castelhano em toda a Costa, tornou á colonia estabelecida sobre a entrada meridional da bahia de Santos, e aumentou-a consideravelmente, dando terrenos e todos os que quiseram estabelecer-se, segundo a ordem que levava.

Não sabemos se foi antes de ir ao Rio da Prata, se depois da chegada, quando os Carijós lhe assassinaram oitenta portugueses, que expedira a descobrir, ou conquistas as minas de Cananéa. [Página 52]

Rio dos Patos lhe chamaram os primeiros descobridores, porque servia de limite entre os nativos deste nome, que se estendiam até o de São Pedro, e os Carijós para o Norte até Cananéa. [Página 187]

A maior parte da população desta Província é oriunda das Ilhas dos Açores: os negros não são numerosos, e os mestiços ainda menos. Dos aborígenes os Patos entranharam-se pelo continente; os Carijós, por serem afáveis, foram os primeiros apreendidos pelos Vicentistas: e daqui procedeu fazerem-lhes o nome comum a todos os domesticados de qualquer nação que fossem. [Página 192]

Montes. Este país não é montuoso, se excetuarmos a parte oriental, onde em todo o seu comprimento, ao longo do mar tem a cordilheira geral, a que ás vezes dão o nome de Cubatão. Esta serra não é em toda a parte de uma mesma altura, nem corre sempre em igual distância da praia. Tem muitas quebradas, por algumas das quais descem torrentes para o Oceano, e curvidades para o interior, deixando alguns pedaços de terreno médio; e é em toda a parte coberta de mato. Sendo quase geralmente alta para a bana do mar, tem pouco declívio para o Poente; e é o terreno mais alto da Província, depois de excetuarmos alguns montes dispersos no interior; pois que os mais caudalosos rios, que a regam, tem nela suas origens, e correm para o Poente.

A serra Araassoiava, por corrupção Guarassoiava, que significa cobertura do sol, aludindo á grande extensão de terreno, que fia debaixo da sua sombra muito tempo antes que o Planeta se aproxime ao horizonte. Esta montanha, que tem três léguas de comprimento, e largura proporcionada, toda é um um puro mineral de ferro; e está no distrito da Vila de Sorocaba. [Página 203]

Junto á cabeceira do Jaguariquatú está o alto Monte Pirapirapuan, que se avista de muito longe, e tem ouro. O Monte Thahó, sobranceiro ao Rio Thajahi, também é alto, e tem o mesmo metal. A Serra Dourada fica no campo de Guarapuaba ao Poente do Tibagí. [Página 204]

O Rio Iguassú, que na língua brasílica significa água grande, e cuja principal cabeceira é a Ribeira de São José, quando atravessa a estrada real das Lages para Sorocaba, já é de canoa, e corre com o nome de Curytiba. Seu curso é sempre ao Poente, formando muitas cachoeiras, que interrompem a navegação, engrossando sensivelmente com os que lhe juntam por um e outro lado, principalmente pelo meridional; e limitando pelo Sul os vastos campso de Guarapuába, habitados de Gentio.

A primeira cachoeira grande, denominada Cayacanga, fica quatro ou cinco léguas abaixo da mencionada estrada, e a maior dez milhas acima da sua embocadura, onde tem cento e treze braças de largo. Esta catadupa tem duzentos pés de altura perpendicular. As margens do rio neste lugar são de rocha a prumo; e a corrente furiosa.

Um sertanista, que desceu por este rio, diz que ele é navegável sem embaraço desde Cayacanga até o salto da Victoria; mas não declara a extensão deste intervalo, nem os nomes, e situações de sete grande cachoeiras, que encontrou até a sua confluência com o Paraná.

No ângulo da sua confluênci existiu por alguns anos a Aldeia de Santa Maria de Iguassú. Uma fome a fez desaparecer.

O que neste rio se encontra de mais provável além da derradeira catadupa, é o chamado Funil no centro do país, onde corre rapidamente apertado por entre ribanceiras de rocha talhada a pique com forma de uma rua de mediana largura. Na sua vizinhança vive uma horda de nativos Purys, e outra de Guayanhás com alguns homens alvos, e espadaúdos. [Páginas 207 e 208]

O Rio Paranapanêma tem princípio na cordilheira do mar ao Poente de Itanhaém; e quando atravessa a estrada real de Sorocaba já não dá vau. Seus primeiros tributários consideráveis são o Itapitininga, que se lhe une pela direita, e o Apiahy pela esquerda, com cujas águas fica caudaloso, e largo. [Página 209]

O Rio Tieté, em outro tempo Anhemby, nome que lhe deu uma tribo nativa, tem sua nascença obra de vinte léguas a Leste da Cidade de São Paulo, da qual passa não muito arredado, e obra de quatro milhas abaixo recolhe pela margem esquerda o Rio dos Pinheiros, que vem do Sudeste com seis léguas de curso. Depois de treze léguas recebe pela direita o Jundiahy, quje passa pela villa de seu nome. Junto desta confluência forma o Tieté uma grande cadadupa, que impede a subida aos peixes: e quinze léguas adiante se lhe junta o Capibary por uma boca de seis braças de largura, depois de ter atravessado um extenso bosque de majestoso arvoredo. Duas léguas abaixo, desagua na margem esquerda com oito, ou nove braças de largura o Rio Sorocába, que nasce na serra do Cubatão ao Poente de São Vicente, e passa pela Vila, que lhe toma o nome.

Obra de quinze léguas adiante do precedente sai na margem direita, e por uma boca de quatorze braças o considerável Pirassicaba, que é formado pelo Tybaia, e Juaguary, cujas cabeceiras ficam no Nordeste de São Paulo, e atravessa vastíssima mata de corpulentas árvores, de cujos troncos, assim como das que se criam nas beiradas do mencionado Capibary, se fazem ali mesmo as grandes canoas de oitenta palmos de comprimento, sete e meio de largura, e cinco de alto, em que se navega para o Cuiabá, e carregam quatrocentas arrobas, afora o mantimento necessário para oito homens de tripulação; e ás vezes passageiros. [Página 210]

No intervalo, que medêa do Rio Jaguariquatú até o mencionado Apiahy, encontram os viajantes da Vila do Príncipe para Sorocaba, entre outros menores o Tereré, o Verde, e o Taquary, correndo também para o Poente a engrossas o Tibagy, ou o Paranapanema. O primeiro e meridional, quando cruza a estrada, passa escondido por baixo de uma Ponte alta de rochedo, obra da natureza, e uma das raridades da Província. [Página 213]

A parte oriental desta Província era possuída por duas nações aborígenes: Carijós, e Guayanás era os seus nomes: estes ficavam ao Norte daqueles. Toda a ocidental ainda está em poder do gentio bárbaro. Os paulistas tinham o nome de Bugres aos que dominam o terreno, que se estende do Rio Tieté até o Uruguay. A setentrional é ainda ás vezes visitada pelos Cayapós, cujos alojamentos estão da outra banda do Paraná. [Página 220]

Sorocaba, situada na paragem, onde o rio do seu nome atravessa a estrada real da Curytiba para a Capital, da qual dista dezoito léguas para o Poente, é uma vila considerável, e florescente, ornada com uma Igreja Paroquial da Invocação de Nossa Senhora da Ponte, um recolhimento de mulheres, um Hospício de Bentos, uma ermida de Santo Antônio: os Pretos continuam na fatura de outra para colocar Nossa Senhora do Rosário.

A sua atual população compõe-se de 1.777 vizinhos, dos quais dois terços são brancos: uns criam gado vacum, e cavalar; outros cultivam algodoeiros, canas-de-açúcar, milho com os mais víveres comuns do país; mas assuas riquezas provêm-lhes das negociações do gado, que vem do sul, e cujos direitos aqui se cobram.

Nos seus contornos há pedra calcárea, e boas pederneiras. O que há de fazer esta vila mui grande, célebre e famosa, é a Real Fábrica de Ipanema, que em distância de duas léguas, ou pouco mais, se está levantando junto à ribeira deste nome, para aproveitar as riquíssimas minas de ferro da Serra Guarassoiava.

No distrito de Birassoiava descobriu-se há largo tempo uma mina de prata,que foi abandonada em razão da sua pobreza, e difícil extração. [Páginas 243 e 244]



Sorocaba/SP
São Paulo/SP
Rio Paranapanema
Rio Anhemby / Tietê
Itapetininga/SP
Caminho de Curitiba
O Sol
Itanhaém/SP
Piracicaba/SP
Buraco de Prata
Santos/SP
Estrada Real
Rio Paraná
Guaianás
Rio Tibagi
Rio Jundiaí
Caiapós
Rio da Prata
Carijós/Guaranis
Cachoeiras
Cuiabá/MT
Guarapuava/PR
Serra de Paranapiacaba
Morro do Tayó
Montanhas
Montanha Sagrada DO Araçoiaba
Martim Afonso de Sousa
1500-1564
Cayacangas
Itapeva (Serra de São Francisco)
Ermidas, capelas e igrejas
Estradas antigas
Manuel Aires de Casal
1754-1821
Rio Sorocaba
Rio de Janeiro/RJ
Lages/SC
Jundiaí/SP
Curitiba/PR
Cananéia/SP
Araçoiaba da Serra/SP
Apiaí/SP
Rio Iguassú
Serra de Cubatão
Ouro
Porto de Santa Luzia
Rio Jaguari
Descobrimento do Brazil
Rio Capivari
Rio Apiay
Prata
Pero Vaz de Caminha
1450-1500
Trópico de Capricórnio


EMERSON


01/01/1817
ANO:82
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]