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autor:21/10/2023 14:54:19
Notas para a História de Santana de Parnaíba

mencio ()

    2 de outubro de 2022, domingo
    Atualizado em 24/10/2025 02:17:59
  
  


OUT.
02
HOJE NA;HISTóRIA
54

Notas para a História de Santana de ParnaíbaSuzana DiasEducada num meio ainda inculto, apenas desbastado pela sabedoria jesuitica, não pudera Suzana Dias formar sua intelligencia no conhecimento das sciencias e nem mesmo nos rudimentos das lettras. As suas doações posteriores são todas assignadas a rogo "por não saber lêr nem escrever". Não é cousa admiravel maxime em mulheres daquelles tempos primitivos. Recebiam, sem duvida, a doutrina christã. com grande aproveitamento para a sua natural piedade. Lêr e escrever, julgavam, era mais para homens!No entretanto, pelo altissimo espirito de sua religiosidade, salientava-se Suzana Dias entre as matronas paulistas. Basta lembrar que a acta da camara de S. Paulo de 6 de Agosto de 1593, sobre a posse do almotacel Antonio Roiz, diz que este era genro de Suzana Dias, bastando seu nome para dar importancia ao genro. É uma das raras vezes que o escrivão cita o nome de uma mulher (este bem a conhecia, pois, Belchior da Costa fora o segundo marido de Suzana Dias, a quem consagrava verdadeira paixão). Eis, a meu vêr, o motivo porque nomeia, a mulher e não o marido Manoel Fernandes Ramos!No mesmo anno, em 1593, é novamente citada em acta para mandar entupir duas covas feitas na praça por um de seus filhos de nome Francisco, que o linhagista Silva Leme não menciona. Dahi a conclusão do Dr. Americo Brasiliense Antunes de Moura, que nesse tempo já Suzana Dias era viuva e dirigia os negocios da familia. Diz Pedro Taques que o Padre Lourenço Dias Machado, primeiro vigario de S. Paulo, era primo directo de Suzana Dias. Tudo, emfim, fazia desta senhora a mais illustre matrona paulista! Herdara de seu avô, o primelro cidadão de S. Paulo, Tibiriçá, a coragem varonil, e de seu pae, Lopo Dias, a generosa piedade.Quando estava prompta a sua fazenda na Parnahyba transferiu sua residencia para 1á, como se vê no inventario de seu irmão Belchior Carneiro, de 1608, quando seu segundo marido notava aos juizes que apressassem o andamento do processo, pois deviam voltar a Parnahyba. Apontam como sua residencia uma casa a margem do Tietê, em frente a Santa Casa, propriedade da familia Aquilino de Moraes. Contava a tradição que seus filhos lhe offereceram riquissimo sofa engastado de ouro e prata.Assistiu ao engrandecimento do povoado, fez, com seu filho André Fernandes, grandes doações de terras a Sant´Anna, levantando-lhe uma igreja e procurando fosse elevada a Matriz. Presenciou a rivalidade de sua Parnahyba com S. Paulo, e, quando esta fora elevada a Villa, assistiu as festas, mas, no mesmo anno, perdera seu segundo marido. Nove annos depois, a 8 de Setembro de 1634, passou desta terra para o céu, onde foi receber o premio de suas virtudes. Seu corpo fôra depositado na capella-mór de sua igreja de Sant´Anna, após solemnissimas exequias. Ensina com seus exemplos como deve ser a vida de uma senhora christan - paulista verdadeiramente ciosa da nobre tradição de sua terra e de sua gente.Manoel Fernandes RamosEra natural de Moura, Portugal. Chegou a S. Vicente quasi em éra martim-affonsina, na segunda metade do seculo XVI.Nas actas da Camara de S. Paulo encontra-se a assignatura - Manoel Fernandes, não poucas vezes, porém, em nenhuma dellas encontrei o sobrenome Ramos. Dahi a confusão e a difficuldade de identificação exacta.A 25 de Agosto de 1564, ha o substituto de João Fernandes, servindo de "escriban da camara desta vila he dallm° tacaira e orfãos he do publico judicial he de todos os hoficios q nesta vila soia haver cõforme a uma provisam q os ditos aficiaes apresentarão em Camara" (Actas da Camara de S. Paulo, vol. 1, pag. 45).Tem-se tomado este Manoel Fernandes como sendo o primeiro marido de Suzana Dias, o segundo tabellião de S. Paulo.Em 1572 occupava o importantissimo cargo de juiz ordinario. Sorteado quasi sempre, muito cooperou na governança de S. Paulo primitivo. Casara-se com Suzana Dias. O Dr. Americo Brasiliense A. de Moura traz até a data approximadamente em 1570. É provavel, no entretanto, é conjectura apenas, nada se sabe ao certo. De seu consorcio tivera treze filhos.

Sao conhecidos oito: André Fernandes casou-se corn Antonia de Oliveira, Balthazar Fernandes casou-se com Isabel de Proença, Domingos Fernandes casou-se com Anna da Costa, Custodia Dias casou-se com Geraldo Beting, Benta Dias casou-se com Paulo de Proença e depois com Antonio Furtado de Vasconcellos, Angela Fernandes casou-se corn Antonio de Oliveira, Isabel Fernandes casou-se com Gonçalo Ferreira, e Francisco Dias que a acta da Camara de S. Paulo menciona.

Assim, Manoel Fernandes Ramos, bem velho, tendo dado ao paiz a sua mocidade, o seu trabalho maravilhoso e a luzida descendencia, partiu para a Patria eterna, marcando na genealogia paulista aquelle capitulo glorioso: "Fernandes Povoadores", capitulo esse que enche o paiz de orgulho e a historia de sua riqueza maravilhosa!Gloria à villa capaz de lembrar ao mundo as façanhas de seus heróes, dignos de serem escriptos com lettras de ouro nas paginas da historia nacional! O rio Tieté, si falar pudesse, lembraria episodios magnificos, sendo o malor de todos a evangelisaçao dos nossos selvicolas pelos abnegados padres jesuitas. Por favor, mande sugestões e correções para nossoCoordenador ParnaibanoCopyright 2002 - SPGenWeb ProjectEspaço patrocinado porrootsweb



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EMERSON


02/10/2022
ANO:334
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Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]