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João Capistrano Honório de Abreu
Capítulo da História Colonial, 1907. Capistrano de Abreu (1853-1923)

mencio (4)

    1907
    Atualizado em 20/12/2025 02:44:35



Fontes (2)


JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

1536, como se conclue do foral de sua capitania datado de 26de Fevereiro.

Desde Bertioga até o Cabo-Frio continuavam implacáveis os Tupinambás, combatendo e atacando por terra e por mar contra os Peró, e a favor dos Máir. N´um dos combates succumbiu Ruy Pinto. Cunhambebe, truculento maioral tamoyo, guardava entre os outros tropheus o habito e a cruz de Christo d´este cavalleiro.

Apparece-nos entre os primeiros povoadores Braz Cubas,joven criado de Martim Affonso que aportou aS. Vicente em 1540governou mais de uma vez a terra, guerreou contra ©s Tamoyos,fortificou Bertioga, entrada preferida por estes inimigos, e fundoua villa de Santos, que possuia melhor porto e facilmente superoua primogênita de Martim Affonso. Mais tarde empenhou-se nacata de minas, e consta haver achado algum ouro.Á roda d´estas villas fundaram engenhos, além dos portuguezes, os flamengos Schetz ou Esquertes, como o pronunciavao povo, e os Dorias, genovezes. Diz-se até, porém não deveser exacto, que d´esta procedem as cannas plantadas em outrascapitanias. Taes engenhos, com as distancias e a raridade decommunicações, deviam ter desenvolvimento mediocreDa villa fundada em Piratininga conhecemos a mera existência ou pouco mais. A situação no descampado difficultavasurpresas inimigas. O transito do Paraguay dava-lhe algummovimento. As cabanas de João Ramalho e dos mamalucos seusfilhos e parentes, no outro lado da serra donde as águas já corriam para o Prata, apregoavam a victoria alcançada sobrea matta virgem do littoral, victoria obtida aqui mais cedoque em qualquer outra parte do Brasil, porque os colonos apenascontinuaram a obra dos indígenas, já achando aberto por cimade Paranapiacaba e aproveitando a trilha dos Tupiniquins.Na capitania de Pernambuco, depois de estabelecidoIgaraçu, Duarte Coelho passou algumas léguas mais ao Sul, eassentou a capital de seus domínios em Olinda. O porto de somenos capacidade bastava ás pequenas embarcações. A visinhançados Tabajaras (Tupiniquins) compensava as investidas constantesdos Potiguares (Tupinambás). A energia do donatário continha aturbulência dos colonos. Nas várzeas surgiam cannaviaes e [Página 41]

índios forneciam-lhes os suplementos necessários, e destruí-las era um dos meios mais próprios parasujeitar os donos.Se encontravam algum rio e prestava para a navegação, improvisavam canoas ligeiras, fáceis devarar nos saltos, aliviar nos baixios ou conduzir à sirga. Por terra aproveitavam as trilhas dos índios; emfalta delas seguiam córregos e riachos, passando de uma para outra banda conforme lhes convinha, eainda hoje lembram as denominações de Passa-Dois, Passa-Dez, Passa-Vinte, Passa-Trinta; balizavamse pelas alturas, em busca de gargantas, evitavam naturalmente as matas, e de preferência caminhavampelos espigões. Alguns ficaram tanto tempo no sertão que “volviendo a sus casas hallaron hijos nuevos,de los que teniendolos ya a ellos por muertos, se habian casado com sus mujeres, llevando tambienellos los hijos que habian engedrado en los montes”, informa-nos Montoya. Os jesuítas chamam àgente de S. Paulo mamalucos, isto é, filhos de cunhãs índias, denominação evidentemente exata, poismulheres brancas não chegavam para aquelas brenhas.Faltaram documentos para escrever a história das bandeiras, aliás sempre a mesma: homensmunidos de armas de fogo atacam selvagens que se defendem com arco e frecha; à primeira investidamorrem muitos dos assaltados e logo desmaia-lhes a coragem; os restantes, amarrados, são conduzidosao povoado e distribuídos segundo as condições em que se organizou a bandeira. Nesta monotoniatrágica os Caiapós introduziram mais tarde uma novidade: “a de nos cercar de fogo quando nos achamnos campos, a fim de que impedida a fuga nos abrasemos: este risco evitam já alguns lançando-lhecontrafogo, ou arrancando o capim para que não se lhe comuniquem as suas chamas; outros se untamcom mel de pau, embrulhados em folhas ou cobertos de carvão, por troncos verdes ou paus queimados”.À parte geográfica das expedições corresponde mais ou menos o seguinte esquema: Osbandeirantes deixando o Tietê alcançaram o Paraíba do Sul pela garganta de São Miguel, desceram-noaté Guapacaré, atual Lorena, e dali passaram a Mantiqueira, aproximadamente por onde hoje transpõea E. F. Rio e Minas. Viajando em rumo de Jundiaí e Mogi, deixaram à esquerda o salto do Urupungá,chegaram pelo Paranaíba a Goiás. De Sorocaba partia a linha de penetração que levava ao trecho superior dos afluentes orientais do Paraná e do Uruguai. Pelos rios que desembocam entre os saltos doUrubupungá e Guaiará, transferiram-se da bacia do Paraná para a do Paraguai, chegaram a Cuiabá e aMato-Grosso. Com o tempo a linha do Paraíba ligou o planalto do Paraná ao do S. Francisco e doParnaíba, as de Goiás e Mato-Grosso ligaram o planalto amazônico ao rio-mar pelo Madeira, peloTapajós e pelo Tocantins.As bandeiras no século XVI devastaram sobretudo o Tietê, cujos numerosos Tupiniquins depressadesapareceram, e o alto Paraíba, chamado rio dos Surubis em Piratininga, segundo informa Glimmer;com o tempo foram-se alongando os raios do despovoamento e depredação, característico essencial einseparável das bandeiras.O movimento paulista para o sertão ocidental chocou-se com o movimento paraguaio à procurado mar: Ciudad Real, no Piqueri, próximo do salto das Sete Quedas, Vila Rica, no Ivaí, datam dasegunda metade do século XVI, antes do Brasil cair sob o domínio da Espanha. Com estes colonos agente de São Paulo cultivou a princípio boas relações; nas caçadas humanas foram às vezes sóciosaliados. Além disso a viagem por terra do Paraguai para a costa fazia-se mais facilmente procurandoPiratininga, do que repetindo a incômoda travessia de Cabeza de Vaca. A harmonia entrava assim nointeresse de ambas as partes. Só mais tarde houve conflitos e as duas povoações desapareceram.

Por 1610, jesuítas castelhanos partidos de Asunción começaram a missionar na margem oriental do Paraná. Fundaram Loreto e San Ignacio, no Paranapanema, e em compasso acelerado mais onze reduções no Tibagi, no Ivaí, no Corumbataí, no Iguaçu. Transposto o Uruguai, assentaram outras dez entre o Ijuí e o Ibicuí, outras seis nas terras dos Tape, em diversos tributários da lagoa dos Patos. De San Cristóbal e Jesús María, no rio Pardo, poucas léguas os separavam agora do mar.

Esta catequese grandiosa não consistia simplesmente em verter as orações da cartilha para alíngua geral, fazê-las repetir pela multidão ignara, submetendo-a à observância maquinal do culto externo.“Reduções, escreve um dos jesuítas contemporâneos que mais concorreram para avultarem, chamamosaos povoados dos índios, que vivendo à sua antiga usança, em matos, serras e vales, em escondidosarroios, em três, quatro ou seis casas apenas, separados, uma, duas, três e mais léguas uns de outros, osreduziu a diligência dos padres a povoações grandes e a vida política e humana, a beneficiar algodãocom que se vistam, porque comumente viviam em nudez, ainda sem cobrir o que a natureza ocultava”.

Não se imagina presa mais tentadora para caçadores de escravos. Por que aventurar-se a terras desvairadas, entre gente boçal e rara, falando línguas travadas e incompreensíveis, se perto demoravam aldeamentos numerosos, iniciados na arte da paz, afeitos ao jugo da autoridade, doutrinadas no aba-nheen?

Houve alguns salteios contra as reducções desde o seu começo, mas a energia e o sangue frio dos jesuitas contiveram os arreganhos dos mamalucos, que se retiraram proferindo ameaças. Para pol-as em pratica precisavam, porém, da connivencia da gente de Asuncion. Isto conseguiram em fins de 628, e muito concorreu para assegural-a Luis Cespedes Xeria, governador do Paraguay, casado em familia fluminense, senhor de engenho no Rio. Fez por terra a viagem para seu governo; esteve em Loreto do Pirapó, e Santo Ignacio de Ipãumbuçu, admirou as igrejas, «hermosísimas iglesias, que no Ias he visto mejores en Ias índias que he corrido dei Peru y Chile», e fez signal aos bandeirantes para avançarem. A primeira das reducções invadidas, a de S. Antônio, demorava na margem direita do Ivahy; invadiram depois San Miguel, Jesus Maria, San Pablo, San Francisco Xavier, no Ti-bagy; as outras ainda mais depressa do que as aggremiara uma inspiração ideal foram successivamente destruidas pela fúria de-vastadora. Restavam apenas as de Loreto e San Ignacio, no Parapa-nema ; os jesuitas resolveram transplantal-as para abaixo do salto das Sete Quedas, entre o Paraná e o Uruguay, doloroso êxodo cuja narrativa ainda hoje penalisa. Depois de devastadas as mis-sões de Guairá os mamalucos passaram ás do Uruguay e dos Tapes. A entrada em Jesus Maria, no rio Pardo, já em águas da lagoa dos Patos, qual a descreve Montoya, dará idéa resumida dos processos empregados nestas expedições.

No dia de São Francisco Xavier (3 de Dezembro de 1637), estando celebrando a festa com missa e sermão, cento e quarenta paulistas com cento e cincoenta tupis, todos muito bem armados de escopetas, vestidos de escupis, que são ao modo de dalmaticas estofadas de algodão, com que vestido o soldado de pés a cabeça peleja seguro das setas, a som de caixa, bandeira tendida e or-dem militar, entraram pelo povoado, e sem aguardar razões, acom-mettendo a igreja, disparando seus mosquetes. Pelejaram seis horas, desde as oito da manhã até as duas da tarde. Visto pelo inimigo o valor dos cercados e que os mortos seus eram muitos, determinou queimar a igreja, aonde se acolhera a gente. Por trez vezes tocaram-lhe fogo que foi apagado, mas áquarta começou a palha a arder, e os refugiados viram-se obriga-dos a sahir. Abriram um postigo e sahindo por elle a modo de rebanho de ovelhas que sae do curral para o pasto, com espadas, machetes e alfanjes lhes derribavam cabeças, truncavam braços, desjarretavam pernas, atravessavam corpos. Provavam os aços de seus alfanjes em rachar os meninos em duas partes, abrir-lhes as cabeças e despedaçar-lhes os membros. Compensará taes horrores a consideração de que por favor dos bandeirantes pertencem agora ao Brasil as terras devastadas?

Apenas vagamente se conhece o caminho seguido nas bandeiras contra Guairá, Uruguay e Tapes. Certamente Sorocaba, ultimo povoado, representava papel importante. Em canoas ou balsas feitas no planalto desciam os rios, e uma ou outra que garrava servia de aviso do perigo imminente ás reducções; eram, pois, viagens mixtas. Á volta, as jornadas deviam ser inteiramente por terra; de outro modo não poderiam trazer as chusmas de prisioneiros de colleira, amarrados uns aos outros.

Que destino davam a esta gente ? Diz-nos Montoya que eram empregados em transportar nas costas para a marinha carne de vacca e porco; naturalmente carregariam sal na volta; outros passavam para o Rio, onde havia interessados nestas piratarias; outros finalmente juntavam-se nas fazendas dos administradores. Em campanha «Ias mujeres de buen parecer, casadas, solteras ó gentiles, ei dueho Ias encerraba consigo en un aposento, con quien pasaba Ias noches ai modo que un cabron en un curral de cabras ». O numçro considerável dos escravisados nas reducções je-suiticas manifesta-se na freqüência de Carijós, posteriormente en-contrados nos logares mais distantes de sua primitiva assistência: Carijós chamavam, em São Paulo aos Guaranys. Estes indios, devidamente amestrados, serviam também para as conquistas de outros; eram o grosso das forças dos bandeirantes, cujo papel se limitava ao de officiaes. Os successos dos Tapes provaram mais uma vez não haver remédio en Asuncion, Rio ou Bahia. Os missionários esperavam ser mais felizes no alem-mar e embarcaram Antônio Ruiz de Montoya para Madrid, Francisco Dias Taho para Roma. Conseguio este bul-las e censuras fulminantes, trouxe aquelle as ordens mais precisas [Página 104]

Não se imagina presa mais tentadora para caçadores de escravos. Por que aventurar-se a terras desvairadas, entre gente boçal e rara, falando línguas travadas e incompreensíveis, se perto demoravam aldeamentos numerosos, iniciados na arte da paz, afeitos ao jugo da autoridade, doutrinados no abanheem?

Houve alguns salteios contra as reduções desde o seu começo, masa energia e o sangue-frio dos jesuítas contiveram os arreganhos dosmamalucos, que se retiraram proferindo ameaças. Para pô-las em práticaprecisavam, porém, da conivência da gente de Asunción. Isto conseguiram em fins de 628, e muito concorreu para assegurá-la Luís CéspedesXeria, governador do Paraguai, casado em família fluminense, senhor deengenho no Rio. Fez por terra a viagem para seu governo; esteve emLoreto do Pirapó e Santo Ignacio de Ipãumbuçu, admirou as igrejas,"hermosísimas iglesias, que no las he visto mejores en las Indias que he corrido delPerú y Chile", e fez sinal aos bandeirantes para avançarem.A primeira das reduções invadidas, a de S. Antônio, demorava namargem direita do Ivaí; invadiram depois San Miguel, Jesús María, SanPablo, San Francisco Xavier, no Tibagi; as outras, ainda mais depressado que as agremiara uma inspiração ideal, foram sucessivamente destruídas pela fúria devastadora. Restavam apenas as de Loreto e San Ignacio, no Paranapanema; os jesuítas resolveram transplantá-las parabaixo do salto das Sete Quedas, entre o Paraná e o Uruguai; dolorosoêxodo cuja narrativa ainda hoje penaliza. Depois de devastadas asmissões de Guairá, os mamalucos passaram às do Uruguai e dos Tape.A entrada em Jesús María, no rio Pardo, já em águas da lagoa dosPatos, qual a descreve Montoya, dará idéia resumida dos processos empregados nestas expedições.

No dia de São Francisco Xavier (3 de dezembro de 1637), estando celebrando a festa com missa e sermão, cento e quarenta paulistas com cento e cinqüenta tupis, todos muito bem armados de escopetas, vestidos de escupis, que são ao modo de dalmáticas estofadas de algodão, com que vestido o soldado de pés à cabeça peleja seguro das setas, a som de caixa, bandeira tendida e ordem militar, entraram pelo povoado, e sem aguardar razões, acometendo a igreja, disparando seus mosquetes. Pelejaram seis horas, desde as oito da manhã até as duas da tarde. [Página 111]

Visto pelo inimigo o valor dos cercados e que os mortos seus eram muitos determinou queimar a igreja, aonde se acolhera a gente. Por três vezes tocaram-lhe fogo que foi apagado, mas à quarta começou a palha a arder e os refugiados viram-se obrigados a sair.

Abriram um postigo e saindo por ele a modo de rebanho de ovelhas que sai do curral para o pasto, com espadas, machetes e alfanjes lhes derribavam cabeças, truncavam braços, desjarretavam pernas, atravessavam corpos. Provavam os aços de seus alfanjes em rachar os meninos em duas partes, abrir-lhes as cabeças e despedaçar-lhes os membros.Compensará tais horrores a consideração de que por favor dos bandeirantes pertencem agora ao Brasil as terras devastadas?

Apenas vagamente se conhece o caminho seguido nas bandeiras contra Guairá, Uruguai e Tape. Certamente Sorocaba, último povoado, representava papel importante. Em canoas ou balsas feitas no planalto desciam os rios, e uma ou outra que garrava servia de aviso do perigo iminente às reduções; eram, pois, viagens mistas.

À volta, as jornadas deviam ser inteiramente por terra; de outro modo não poderiam trazer as chusmas de prisioneiros de coleira, amarrados uns aos outros.

Que destino davam a esta gente? Diz-nos Montoya que eram empregados em transportar nas costas para a marinha carne de vaca eporco; naturalmente carregariam sal na volta; outros passavam para oRio, onde havia interessados nestas piratarias; outros finalmente juntavam-se nas fazendas dos administradores. Em campanha "las mujeresque en este, y otros pueblos (que destruyeron) de buen parecer, casadas, solteras o gentiles, el dueño las encerraba consigo en un aposento, con quien pasaba las noches almodo que un cabron en un curral de cabras".O número considerável dos escravizados nas reduções jesuítas manifesta-se na freqüência de carijós, posteriormente encontrados nos lugares mais distantes de sua primitiva assistência: carijós chamavam emSão Paulo aos guaranis. Esses índios, devidamente amestrados, serviamtambém para as conquistas de outros; eram o grosso das forças dos bandeirantes, cujo papel se limitava ao de oficiais.Os sucessos dos Tape provaram mais uma vez não haver remédioem Asunción, Rio ou Bahia. Os missionários esperavam ser mais felizesno além-mar e embarcaram Antonio Ruiz de Montoya para Madri, Francisco Dias Taño para Roma. Conseguiu este bulas e censuras fulminantes, trouxe aquele as ordens mais precisas e encarecidas para as autoridades coloniais. Tudo perdido. Conhecidas as letras pontifícias no Rio,alborotou-se a população, e a bula ficou suspensa. A irritação propagouse pela marinha e intensificou-se em serra acima. Defendidos por seucaminho inexpugnável, os paulistas expulsaram os jesuítas que só voltaram anos depois, à força de negociações e concessões. Implantou-se,portanto, o sistema seguido nas terras espanholas de encomendas ou administração dos índios; algumas encomendas por testamento couberamfinalmente à Companhia de Jesus. Imagina-se mal neste figurino oportunista a consciência heróica de Manuel da Nóbrega.Montoya conseguiu licença para aparelhar os índios com armas defogo e adestrá-los na arte militar. Em breve os bandeirantes perderam asuperioridade: derrotados, procuraram conquistas mais fáceis, na serrade Maracaju, no alto Paraguai, entre os chiquitos, e por fim entre o gentio de corso, de língua travada. Esta caçada não rendia tanto, as bandeiras foram perdendo parte dos primeiros atrativos e decaíram. Das reduções destruídas nunca mais se restabeleceram as de Guairá e dosTape; no Uruguai foram novamente fundados sete povos, mais tarde incorporados ao Brasil, como veremos.Melhores serviços prestaram os paulistas na Bahia e ao norte do rioSão Francisco. Em torno do Paraguaçu reuniram-se tribos ousadas e valentes, aparentadas aos aimorés convertidos no princípio do século, queinvadiram o distrito de Capanema, trucidaram os moradores e vaqueirosdo Aporá, e avançaram até Itapororocas. Pouco fizeram expediçõesbaianas mandadas contra eles, e houve a idéia de chamar gente de SãoPaulo. Acudindo ao convite Domingos Barbosa Calheiros embarcou emSantos; na Bahia se dirigiu para Jacobinas, mas deixou-se iludir porpaiaiás domesticados, e nada fez de útil. Acompanhando-o na jornadamais de duzentos homens brancos, raros tornaram do sertão.

Com este malogro não admira se repetissem as incursões de tapuias, a ponto de a 4 de março de 1669 ser-lhes declarada guerra e outravez convidados paulistas para fazê-la. Em agosto de 1671 chegou a genteembarcada, com cuja condução a câmara do Salvador despendeu maisde dez contos de réis. Eram dois os chefes principais, Brás Rodrigues deArzão e Estêvão Ribeiro Bairão Parente. [Páginas 112 e 113]



Sorocaba/SP
Estradas antigas
Konyan-bébe
Assunção/PAR
Bertioga/SP
Braz Rodrigues de Arzão
1626-1692
Cabo Frio/RJ
Carijós/Guaranis
Guayrá
Antonio Ruiz de Montoya
1595-1652
João Capistrano Honório de Abreu
54 anos
Tupinambás
Luis de Céspedes García Xería
n.1588
Missões/Reduções jesuíticas
Ordem de Cristo
Rio Paranapanema
Rio Sorocaba
Ruy Pinto
f.1549
Tordesilhas
Inhapambuçu


EMERSON


01/01/1907
ANO:37
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]