Junto ao porto a que d. Luís de Céspedes chamou em 1629 de Nossa Senhora de Atocha, evocativo da padroeira da Casa d’Áustria, encontrou o governador do Paraguai, segundo ele próprio o diz, troncos de desmedida corpulência. De um deles fez-se a principal canoa para sua viagem a Assunção, e mediria esta 75 palmos de comprimento por seis de boca.
Como as medidas castelhanas eram diferentes das lusitanas e, em geral, mais moderadas — e não seriam estas, mas aquelas, sem dúvida, as de que, espanhol, escrevendo para espanhóis, se serviria d. Luís —, importa ter isso em conta quando se queiram estimativas verossímeis para as dimensões da embarcação que, de outra forma, iriam a 16,5 metros de comprido. Admitindo, no entanto, que o palmo castelhano equivalia, tal como o português, à quinta parte da vara, e que a vara de Burgos, medida de jure para Castela desde 1560 e de facto muito antes, correspondia a 84 centímetros,77 resulta que a dita canoa não mediria mais de 12,5 metros, que será comprimento normal nas futuras monções de povoado. Ainda menos compridas eram as outras, se atingiram respectivamente 66 e 55 palmos, como faz crer o mesmo depoimento.
A largura da boca seria inferior ao que se poderia esperar dessas dimensões, pois chega, na canoa maior, a uma relação de oitenta centímetros para dez metros e nas outras nem a tanto. É possível que o hábito de lidarem os moradores do lugar com rios algumas vezes mais estreitos do que o Tietê já então tivesse imposto a silhueta que vai distinguir constantemente a canoa paulista, mesmo se oriunda de tronco volumoso.
Para esperar que terminasse a confecção desses barcos, tiveram d. Luís e sua gente de ficar todo um mês naquele porto da Senhora de Atocha. Não parece demais, quando se considere a espessurados madeiros que deviam ser derrubados, falquejados, escavados, bordados e aviados. Um mês e pouco mais também é o tempo que se gastará no fabrico de cinco canoas que hão de servir em 1749 na expedição mandada por S.M. Fidelíssima do Pará às minas do Mato Grosso. Principiado seu fabrico em um porto do Madeira a 21 de outubro do dito ano, já a 19 de novembro estarão abertos os cascos e, não fossem as importunações do fero gentio mura, se achariam prontas bem antes. Naquele dia 19 de novembro mudam-se os estaleiros para uma ilha mais sossegada, a quatro horas de distância, rio acima, e a 1o de dezembro, finalmente, poderão ser carregadas as canoas novas.78
É praticamente impossível, aliás, uma determinação rigorosa do tempo requerido para fazer-se uma canoa monóxila. Não só as dimensões do tronco originário e sua maior ou menor resistência aofalquejo hão de importar no caso, mas também o número e qualidade, assim dos operários como dos instrumentos de que se sirvam. Sabe-se que os companheiros do emboaba José Peixoto da Silva Braga, quando, no sertão dos Goiases, se apartaram do Anhanguera, tiveram meios de fazer em dois dias apenas sua embarcação de pau de ximbouva para substituir outra que se tinha perdido numa sirga .79 Trata-se, certamente, de caso excepcional.
Quaisquer previsões exatas acerca do prazo necessário para se aprontar e meter no rio uma canoa são excluídas, não só pela dificuldade de se acharem troncos apropriados, mas até pela desídia muitofrequente dos homens chamados a fazê-la. Persistirá esse embaraço até mesmo em casos onde as perspectivas de maior proveito deveriam parecer um incentivo à diligência dos operários e empreiteiros. É ilustrativo o que se deu por exemplo em Piracicaba, onde Antônio Correia Barbosa,para atender às despesas com a incipiente povoação, que tem a seu cargo, se propõe em agosto de [p. 261]
EMERSON
ANO:59
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