 | | | Sérgio Coelho de Oliveira |
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“Baltazar Fernandes: Culpado ou Inocente?”. Sérgio Coelho de Oliveira, jornalista e historiador
Mas, o grande sonho de Balthazar era ver o seu povoado transformado em vila, como já havia acontecido com a Parnaíba do seu irmão André e a Itú de Domingos Fernandes.
E a paragem de Sorocaba estava madura para mais este passo. Estabelecia a legislação da época que um povoado poderia reivindicar a
elevação à vila, com direito à Câmara, vereadores, juízes e pelourinho (símbolo do poder), desde que contasse, no mínimo, com 30 fogos, o mesmo que quer dizer 30 casas ou famílias.
Quanto a isso não havia dúvida e a providência seguinte seria solicitar, oficialmente, a
criação da Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba. Ou, simplesmente, a
transferência do pelourinho e dos poderes simbolizados por ele, de
Itavuvu para o povoado de Sorocaba, atual região central de Sorocaba.
Como se fosse coisa de Deus, a oportunidade de se fazer o pedido surgiu "de bandeja", com a visita do capitão Salvador Correa da Sá Ybenavid (e Benavides), governador da Repartição Sul, a que pertencia a São Paulo. Na versão mais correta, ele esteve fugindo de problemas que enfrentaria com os moradores do Rio de Janeiro, sede do governo da Repartição Sul.
Salvador, uma das pessoas mais influentes do Brasil da época, era muito amigos dos Fernandes, desde os tempos do Paraguay. Balthazar não teve dúvidas, encilhou o cavalo e seguiu para São Paulo, levando consigo um pedido para
elevação de Sorocaba à Vila. Alguns historiadores defendem outra versão, mais viável, de que ele não foi, por estar muito idoso e adoentado. Teria mandado uma representação. Afinal, era uma cavalgada de três dias, quase 100 quilômetros, um sacrifício, um heroísmo para um homem de 80 anos.
Mas, se ele não foi, pessoalmente, é possível que os seus assessores tenham levado do documento preparado por ele e dirigido ao Administrador Geral da Repartição Sul. [Páginas 84, 85]