12 de agosto de 2020, quarta-feira Atualizado em 20/01/2026 18:46:21
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AGO.
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HOJE NA;HISTóRIA
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95 dias de viagem, 1.200kmArthur de Sá e Meneses Assume o governo em 12 de julho de 1697
E ele também escreveu, foi ele que escreveu essa carta no dia 20 de maio de 1696, elemandou uma carta pro rei de Portugal dizendo "chegou a tal necessidade e a tal extremoa fome daqueles que cavocavam, ou mandavam cavocar as minas, que eles se aproveitavamde qualquer forma de comida, inclusive dos mais imundos animais cuja ingestão resultavana sua própria morte.E, por causa disso, muitos abandonaram as minas".
E aí em 1698, no dia 10 de outubro de 1698, ele parte em direção às minas, esse Arturde Sá e Meneses, com um séquito de 70 pessoas!Bah, e tudo pago pelo erário!Eu queria ir junto nessa expedição, tal, papapá, passa por SP, pacifica SP, São Paulosempre enchendo o saco, ali o tal "Tigre", a briga entre os Camargo e os Pires, uma loucuraem SP, matança criando engarrafamento ali na margem do Tietê, ele apazigua SP e partepara as minas.
E em 1699, ele autoriza que um cara chamado Garcia Rodrigues Pais, que era filho do FernãoDias Pais, né, que um dia vai ganhar um episódio, abra um novo caminho, abra um novo caminholigando as minas, né, ali a região dos Cataguases e do Caeté até Barbacena, de Barbacena praJuiz de Fora, de Juiz de Fora pro Rio de Janeiro.Esse vinha a ser chamado o "caminho novo", né.Só que o Garcia Rodrigues, ele abriu esse caminho das minas pro Rio, e não ao contrário,isso acabou causando um problema porque eu vou te dizer como é que era esse caminhodo Rio pras Minas.Era assim: primeiro, partia ali do Cais dos Mineiros (olha o nome), que é o que, é aatual Praça Mauá!O Cais dos Mineiros era um cais bem pequeninho numa prainha, chamava prainha, que ficavaentre o morro de São Bento e o morro da Conceição, era dali que partiam os baleeiros, tambémna época que eles mataram tudo que era baleia da Baía de Guanabara, né, partia de barcodali pela Baía de Guanabara e ia... dava uma paradinha na Ilha do Governador, da Ilhado Governador seguia e entrava pelo rio Iguaçu, que na época era fundo e que agora tá todoassoreado e horroroso, e ia do rio Iguaçu até um lugar chamado Pilar de Iguaçu, queera um porto que fica no município hoje de Duque de Caxias.Inutilizado como porto, tudo assoreado, tudo podre, tudo horroroso, que nem ali o fundoda Baía de Guanabara, e a Baixada Fluminense, que é um retrato do Brasil, né.Tu quer um retrato mais fiel do Brasil do que as condições sanitárias, do que o esgotoa céu aberto, do que aquele horror do fundo da maravilhosa, da mágica, da transcendenteBaía de Guanabara!?Não, né.Tu não quer.É esse o retrato.E aí do Pilar de Iguaçu ia a pé, mais ou menos 12km, até Xerém.Xerém também no município de Nova Iguaçu, e daí de Xerém também subia a serra, sóque subia a serra com um radicalismo total, até um lugar chamado Pati do Alferes, queainda existe!Era uma subida radical, e as pessoas caíam ali, e um monte de índio puri e índio colorado...Coroado!13:14Colorado aqui não tem!Índio coroado...Hehe.13:19Se bem que podia ter uns índio colorado ali também né.13:23E aí atacavam as mulas, atacavam as pessoas, era horroroso, né, e aí foi construído13:29com tempo ali depois o tal Caminho dos Correias, que daí chegava lá no fundo da baía, no13:34Porto da Estrela, um lugar incrível, tá lá abandonado, jogado, onde o Barão de Mauá13:40anos depois faria a sua ferrovia, chegava ali no Porto da Estrela, do Porto da Estrela13:44ia ali por um rio, hoje assoreado, e subia a serra como quem vai hoje para Petrópolis,13:51e aí o caminho realmente se solidificou.13:53Esse caminho deu mil rolos, mil coisas, porque o Garcia Rodrigues Pais ganhou o direito de14:04estabelecer ali uma série de pedágios, né, direitos de entrada e direitos de saída,14:14né, pra ganhar dinheiro com aquele caminho que ele tinha aberto às próprias expensas,14:20né.14:21E não queriam pagar e aí começaram os tais descaminhos.14:24Não é maravilhoso?14:26Foram proibidos os descaminhos.14:29Descaminhos eram as trilhas alternativas que não seguiam aquele caminho ali, né, que14:34era o caminho oficial onde ficavam os registros, onde ficavam os pedágios e os registros,14:42as casas onde você tinha que registrar o ouro, embora se saiba que pelo menos um terço,14:45um terço do ouro achado nas gerais se extraviou por contrabando, por desvios de rota e de14:52verba porque os caras não queriam pagar o quinto, né, uma quinta parte era da Coroa,mas além de tudo tinha impostos de entrada, qualquer galinha, qualquer gado, qualquercomida que fosse levada pagava um dinheirão pra entrar e os impostos de saída que vocêtambém pagava pra respirar, como a Coroa portuguesa sempre fez com os seus súditos,né.E aí tem um relato que eu vou te ler, muito incrível...O próprio livro tem uma história incrível, sabe.
Em 1711 foi publicado o primeiro livro do primeiro cara que realmente coletou toda ahistória dessas minas, embora nunca tivesse estado lá.Porqueo Artur de Sá e Meneses esteve lá.Não apenas esteve lá....Vou dizer antes o Artur de Sá e Meneses: o Artur de Sá e Meneses ele foi a primeiravez em agosto de 1700 e ficou até julho de 1701, nas minas.Tentando colocar ordem nas coisas, mas na verdade assim né, se aliou com os grandesmineradores, estabeleceu uma finta.Uma finta (virou de futebol, né), uma finta é uma coisa que tu pagava como se fosse assimum imposto prévio, né, ó, provavelmente nós vamos conseguir tanto ouro, né, a gentejá paga antes a finta, né, e aí não paga mais nada, não tem mais fiscalização.E claro que os caras negociaram essa finta, assim, e além de tudo eles driblavam a finta.16:19Entendeu!?16:20Drible e finta viraram dois jargões do futebol, né, o cara que dribla a finta, né, é por16:26isso que o futebol arte brasileiro, até ele, pelo menos nas suas origens etimológicas,16:32é corrupto.Aliás, o futebol brasileiro bem corrupto mesmo, como tu sabe, basta ver a cor da camisetaque os caras andam por aí.Bom, depois ele esteve nas minas de novo, o Artur de Sá e Meneses, de setembro de 1701e voltou pro RJ no dia 12 de julho de 1702.E quando ele voltou, ele voltou com quarenta arrobas de ouro!Quarenta arrobas de ouro!Vai calcular quanto é que é.
Tem um livro maravilhoso da Laura de Mello e Souza, "Os Desclassificados do Ouro", quemostra o quanto o ouro gerou de pobreza, de miséria, de morte, né.Inclusive esse caminho que eu te falei, ali de Paraty, o caminho velho...Os escravos desembarcaram antes em Paraty, era o caminho também primordial pra entradados escravos nas minas, porque em março de 1709, o rei Dom João V enfim "franqueou"aos paulistas o direito de trazer escravos da África, né, escravizados lá da África.Que antes era de 200 escravos por ano, não podia entrar mais de 200 escravos por anoem SP, trazidos por paulistas.E os caras disseram assim "mas pelo amor de Deus!200 escravos não dá nem pra uma semana!", né.E também teve uma lei que se você deixasse os escravos, os chamados "escravos do açúcar",ou "escravos da mandioca", saírem do engenho ou das plantações de mandioca e irem prasminas, cê tinha que pagar uma taxa pra Coroa, bem grande, porque os caras disseram "não,elas tem que continuar plantando o açúcar, colhendo o açúcar, fazendo o açúcar, quetambém é uma das fontes de renda da Coroa, e plantando mandioca que é o que alimentaeles mesmos e todo mundo e paparará".Então não podia, né, tinha que vir novos escravos.
Eu ia, já tô aqui em 20 minutos e não vou mais falar, do livro do Antonil, né, sóque ele não chama Antonil, né.Um jesuíta italiano que veio pro Brasil cujo nome era Antonio Andreoni, escreveu um livrosobre o pseudônimo de André Antonil.Esse livro maravilhoso chamado "Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas".O Brasil tem muita droga, né, ele falava das drogas do Brasil... as drogas são os21:01produtos naturais da terra, não são as drogas que tu tá pensando com essa tua mente sórdida...21:05E suas minas.21:06E ele é o cara que melhor descreve as minas, embora nunca tenha visitado.21:16Mas ele coletou os depoimentos de todas as pessoas letradas, com algum discernimento,21:23que tivessem estado lá.21:24E ele disse o seguinte, que eram minas de aluvião que não requeriam "mente amestrada".21:30Hahaha!21:31Ele quis dizer o seguinte: qualquer burro cata.21:37É só catar, porque é ouro de aluvião.21:41Não requer uma "mente adestrada".21:43
Mas é o seguinte, isso indica também o quão mal essas minas foram exploradas, de que jeito21:50que elas foram malbaratadas, desbaratadas, entendeu, a exploração foi feita dum jeito21:55totalmente equivocado, só um século depois quando os ingleses...22:00Não bem um século, mas em 1845 que elas passam pras mãos da iniciativa privada, basicamente22:07de ingleses e de alguns alemães, que daí eles ficam "como é que os caras exploraram..?".22:13Ah, então, contei isso aqui nesse livro aqui, não adianta tu querer comprar porque não22:20tem à venda, a história da indústria no Brasil, e eu conto a história das minas de22:22ouro aqui também evidentemente, então aqui tá a Mina da Passagem, ó, olha que incrível22:27que é a Mina da Passagem, que é a mina de ouro mais profunda do mundo aberta à visitação22:32pública, né.22:33Tão aqui as ruínas da Mina da Passagem, né, que foi arrendada pelos ingleses, e também22:40um alemão que veio antes, Ludwig Eschwege, e dizem "como é que exploraram isso aqui22:47tão mal?".
Mas eu não vou contar mais essa história, só vou dizer que o livro do Antonil (que na verdade chamava Andreoni, né) foi censurado 11 dias depois de ter sido publicado, em 1711, porque eles davam o mapa da mina! Porque eles contavam tudo e deixavam claro a riqueza das minas, né, e como era só se abaixar e CATAR aquele ouro, de tanto ouro que havia nas Gerais, ouro branco, ouro preto, ouro de 23 QUILATES de qualidade! Era um ouro excelente, excelente! [O Brasil em busca do vil metal, 12.08.2020. Eduardo Bueno youtube.com/watch?v=OMpEqEaWNcE]
Que foi todo mal gasto, malbaratado, tudo mal feito, uma mortandade, um horror, um suplício.Vou terminar te dizendo que dá pra fazer mais um episódio sobre o ouro, porque eusei, tem ali os comentários, me mandam, minha equipe me manda, Guerra dos Emboabas, e euvou fazer um episódio sobre a Guerra dos Emboabas, que é a guerra..."Emboabas" quer dizer "estrangeiro", né, e os paulistas reagiram à chegada dos portuguesese de brasileiros vindos de outros rincões dizendo "nós que descobrimos essas minas,agora que a gente descobre vocês chegam aqui e querem explorar!?".
Posso falar mais do livro do Antonil, que foi proibido, e só foi redescoberto e republicado em 1898, né, que é um livro lindo que eu quero te recomendar, que descreve toda essa história das minas.
Então já falei num outro episódio: não tivemos Jack London, não tivemos filmes incríveis,24:13 [O Brasil em busca do vil metal, 12.08.2020. Eduardo Bueno youtube.com/watch?v=OMpEqEaWNcE]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]