setembro de 2010, quarta-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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As três unidades e os demais sítios propostos para comporem o Geoparque têmassociação com o ciclo da exploração do ouro em Guarulhos, que começou em 1597 eteve duração de 250 anos. A área é considerada de alta prioridade para proteção nomunicípio por possuir registros arqueológicos, alto valor de biodiversidade, recursoshídricos e cenários geomorfológicos com mirantes e cachoeiras, incidindo restriçõeslegais, estando a Prefeitura desenvolvendo ações para preservar e promover o manejoadequado em ações de educação e turismo na região”.• Sítio Marundito do Pico PeladoTrata-se de proposta de reconhecimento de sítio geológico (geossítio) proposto por umaequipe de geólogos (Aguillar, A. P.; Juliani, C.; Bettencourt, J. S.; Barros, E. J.; Andrade,M. R. M.; Oliveira, E. S.; Ribeiro, R. R. e Ezaki, S.). A significância do local fica por contada presença de vestígios de mineração de ouro em afloramentos de antigo marpaleozóico (coordenadas: 23° 24’ 56” S e 46° 31’ 46” W). Insere-se no chamadoGeoparque do Ciclo do Ouro, instituído pelo município de Guarulhos.• Árvore Chorisia speciosa (Paineira)De acordo com o Decreto Municipal Nº 19.880/97, a Prefeitura de Guarulhos declaraimune de corte a árvore Chorisia speciosa (Paineira), devido ao seu valor ecológico,histórico e paisagístico. De acordo com o mesmo Decreto, a Secretaria Municipal de MeioAmbiente é definida como responsável pela sua proteção e conservação. A “Paineira”está localizada num imóvel particular, à estrada da Parteira, no bairro de Bonsucesso.Município de São PauloEm função de seu tamanho (extensão territorial e população), o município de São Paulo éum caso à parte no contexto deste diagnóstico. Desse modo, embora o Trecho Norte doRodoanel Mario Covas tenha mais a ver com a zona norte da cidade, ou seja, os setoressituados na margem direita do rio Tietê, seria interessante recapitular o históricoresumido da antiga São Paulo dos Campos de Piratininga. A partir daí, serão arroladosos bens tombados pelas esferas municipal, estadual e/ou federal abrangidos pela AII doempreendimento (há de se entender, porém, que a área diretamente afetada peloempreendimento não atinge nenhum dos bens arrolados).A Capitania de São Vicente, segundo Varnhagem, deveria ter cerca de 2.500 léguasquadradas na soma de suas duas porções - uma desde Paranaguá, ao sul, até Bertioga,e outra da foz do rio Juqueriquerê até a Foz do Macaé, ao norte, tendo encravada entreas duas a Capitania de Santo Amaro, de Pero Lopes, irmão de Martim Afonso. NessaCapitania de proporção média, o povoamento, embora iniciado oficialmente na ilha queleva seu nome, já encontrou outro foco de concentração no Planalto de Piratininga, ondeJoão Ramalho mantinha o reduto de índios pacificados sob a tutela de Tibiriçá, seusogro, e de Caiuby o "Folha Verde", com aldeamento cerca de duas léguas para ointerior.Martim Afonso de Souza viu no bravo João Ramalho um forte aliado na conquista emanutenção das terras de São Vicente, constantemente hostilizadas por tamoios ecarijós ou saqueada por corsários. [Página 216]
Ao chegar com a Companhia de Jesus, em 1553, Padre Manuel da Nóbrega vislumbrougrandes possibilidades de catequese junto aos nativos pacificados de João Ramalho,primeiro com o Colégio de São Vicente e depois no próprio Planalto. Trilhando o caminhodo Cubatão, subiu a Serra do Mar com outros jesuítas, entre eles o noviço José deAnchieta, ultrapassou a aldeia de Santo André e num outeiro que se projetava sobre avárzea entre o rio Tamanduateí e seu afluente, o córrego do Anhangabaú, ergueu umamodesta capela de pau-a-pique coberta de palha, com a ajuda de Tibiriçá e Caiuby. E,em 25 de janeiro de 1554, foi rezada a primeira missa pelos religiosos e todos aquelesíndios, que viriam a ser o esteio da nova civilização.A topografia do local escolhido pelo Padre Manoel da Nóbrega, em acrópole, dentro dastradições portuguesas, o clima tropical, a vegetação campestre dominante no Piratininga,a presença de água abundante e os rios voltados para o interior, demonstraram o acertode condições propícias ao povoamento, apesar do isolamento político impostoinicialmente pela Coroa Portuguesa.Os fatores de escolha do local para a fundação de São Paulo, embora originalmente deinteresse do trabalho catecumênico dos jesuítas, explicam a futura penetração para ointerior, pois, além dos elementos de defesa, abastecimento, população nativa mais oumenos pacífica, havia o vasto curso do rio Tietê, que nascendo nos contrafortes do altoda Serra do Mar, caminha como uma estrada líquida em direção ao oeste.Para leste, vencido o divisor das bacias do rio Tietê e Paraíba, tinham acesso para aspenetrações no sul de Minas e no próprio Vale do Paraíba. A despeito de todas essascondições favoráveis, o crescimento do povoado foi lento e trabalhoso, limitado pelo ladodas várzeas por grosso muro de taipa, à guisa de defesa ou fortificação.Os constantes ataques dos tamoios e carijós, que com outros grupos formaram aConfederação dos Tamoios, combatendo desde o Rio de Janeiro até Piratininga,tornaram penosa a catequese jesuítica no pequeno núcleo.
Segundo descrição do Padre Serafim Leite, em 9 de julho de 1562 deu-se um grande ataque, vindo do Alto Tietê e do Paraíba, salvando-se São Paulo graças à pronta intervenção de Tibiriçá e Caiuby.
Iniciado o século XVII, São Paulo contava com uma população branca de menos de duascentenas de pessoas, para um grupo de milhares de índios e um efetivo tambémnumeroso de mamelucos que deixaram marcas de sua influência tupi nos nomes defamílias, ruas e topônimos, até os dias presentes. Durante essa fase de lento crescimentoda aldeia que se formava no "Triângulo", junto ao colégio, a história de São Paulo apontaum verdadeiro líder que a amou, com seu povo indígena, sua capela, defendendo-os nãosó na crença religiosa, mas muitas vezes empenhando-se fisicamente nas lutas - o PadreJosé de Anchieta, que deixou de sua passagem, grande número de cartas e informaçõesretratando o nascimento e a vida da aldeia.Se por um lado o isolamento geográfico de Piratininga levava a uma economia desubsistência, por falta de intercâmbio com outras capitanias ou mesmo a Metrópole, poroutro, motivou seus habitantes sempre acossados pelos ataques indígenas aorganizarem expedições bélicas de caça aos agressores, transportando-os cada vez paramais distante - foi o início do bandeirismo. [Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental, 2017. Programa Rodoanel Mário Covas - Trecho Norte. Página 217]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]