30 de março de 2020, segunda-feira Atualizado em 17/11/2025 23:41:23
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MAR.
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HOJE NA;HISTóRIA
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Quanto a Pedro Álvares Cabral parcamente se conhece: nasceu em 1467 ou 1468; em 1479 foi enviado para a corte, onde recebeu educação em humanidades e armas; em 1484 D. João II fê-lo moço fidalgo ; três anos após, el-rei D. Manuel reiterou-lhe tença outorgada por seu antecessor, el-rei D. João II (falecido em 1495); na mesma altura ingressou no conselho real e tornou-se cavaleiro da Ordem de Cristo; viajou em 1500 para o que veio a ser o Brasil e para a Índia; enjeitou o comando (em 1502) de outra expedição para a Índia ou D. Manoel retirou-lhe a invitação de comandá-la; de então por diante foi marginalizado; casou-se em 1503; retirou-se para o Ribatejo, onde morreu em 1520.
De sua indústria na expedição de 1500 dão conta, até certo ponto, Pero Vaz de Caminha em sua célebre missiva a el-rei D. Manuel e um dos pilotos (anônimo) da armada, autor de extensa relação de toda a viagem.
Rareiam documentos acerca de Cabral, virtualmente perdidos ao longo de sucessivos sinistros: incêndio de Lisboa (1570), batalhas da restauração portuguesa (1640), terremoto de Lisboa (1755), invasões francesas (1808), incêndio do solar dos Cabrais ou do castelo de Belmonte (ou ambos) em que ardeu o arquivo da família (após o regresso de D. João VI para Lisboa, em 1821).
Algumas circunstâncias de sua vida e de seu tempo justificam importante ilação: ignora-se qual lhe haja sido a atuação cívica ou de qualquer natureza, anterior a 1500; D. Manuel (em 1497) mantém mercê financeira atribuída aos irmãos João Fernandes Cabral e Pedro Álvares Gouveia por seu antecessor (D. João II) que, por sua vez, morrera em 1495.
Logo, até este ano ambos haviam se distinguido por serviços que o rei galardoou e que o monarca seguinte confirmou. Cabral prestou serviços cívicos anteriormente a 1495 e possivelmente no intervalo entre tal ano e 1500. Vigia, então, política de sigilo relativamente a tudo quanto se relacionasse com as navegações: conhecimentos de cartografia, geografia, náutica, astronomia, construção naval eram mantidos em rigoroso hermetismo na alta administração portuguesa, como segredos de Estado, enquanto D. João II prosseguia explorações secretas nos mares atlânticos. Conhecem-se as navegações coevas ao infante D. Henrique, o Navegador, na costa da África, a de Bartolomeu Dias até o extremo meridional africano (1488), a de Vasco da Gama (1497) até a Índia, a de Cabral, bem como as de Cristovão Colón, empreendidas a serviço ostensivo dos reis espanhóis, mas secretamente agentes da dissimulação encabeçada pela coroa portuguesa.
Há três fatos certos: 1) D. João II recompensou Cabral, 2) no reinado deste monarca prevalecia hermetismo quanto às navegações
3) Cabral comandou importante esquadra, destinada a entabular relações diplomáticas com os soberanos indús e a instaurar feitoria portuguesa na Índia. A missão de Cabral correspondia ao culminar de décadas de explorações marítimas empreendidas persistentemente, como programa de governo e realização nacional, promovidas por sucessivos reis: D. Dinis, o regente D. Pedro, D. João II e D. Manoel, e também pelo infante D. Henrique
A que Cabral comandou foi a mais importante frota organizada pelos portugueses, à luz da política diplomática, mercantil e religiosa de Portugal . Já não se destinava a explorar os mares nem a aprender caminhos, senão a instituir vínculos comerciais e de amizade internacional.
A responsabilidade de Cabral era náutica, como chefe da esquadra; militar, porque apto a atuar belicamente; diplomática, pois atuava como embaixador do rei português; comercial, posto que encarregado de iniciar a importação de especiarias. Para desempenhar-se nestes múltiplos aspectos seria preciso alguém à altura, dotado de tirocínio, determinação, tato e superior perícia náutica: Cabral capitaneava a embarcação em que viajou e chefiava todas treze, e bem cumpriu sua missão como navegador, diplomata e combatente. Seria absurdo aceitar-se que o rei houvesse confiado o comando de tão importante missão a navegador bisonho, inexperiente na vida marítima.
Somente marinheiro bastante traquejado mereceria a confiança do rei para chefiar treze velas em viagem longínqua e de magna relevância. Assim como a pilotagem de aeronave exige formação específica e treino suficiente, assim ao comando de navio é inerente a condição de marinheiro com experiência à altura. Jamais D. Manuel teria investido na chefia da frota alguém alheio à náutica, marinheiro novato, carente de excelência náutica que não houvesse, precedentemente, navegado e provavelmente comandado, por mais assinaláveis que fossem suas virtudes de caráter .
Segundo Fernão Lopes de Castanheda , Cabral era “experimentado nas cousas do mar” . Não se tornou tal em 1500; ao invés: em 1500 já o era e porque o era comandou a esquadra. Se Cabral era marinheiro habilidoso; se mereceu recompensa de D. João II (que morreu em 1495); se notadamente ao tempo deste rei e de seu sucessor (D. Manuel) adotava-se apertado secretismo em relação às navegações; se se ignora a atuação de Cabral que o tornou merecedor da recompensa régia e suas atividades até 1500; se nos reinados de D. João II e D. Manuel houve pesquisas secretas no oceano Atlântico, então é verossimíl e provável a conclusão de que a agência de Cabral anterior a 1500 consistiu em explorações marítimas ocultadas como segredo de estado, desenvolvidas antes de 1495 e possivelmente até 1500.
Eduardo Metzer Leone pondera: [...] repugna-me aceitar a ideia de que Pedrálvares, em 1500, não fosse já um mareante com largos serviços prestados a D. João II, que primeiro o galardoou sem que se saiba porquê — o que me leva à ideia de que esses serviços teriam algo de secreto. E o que havia de secreto na política de D. João II eram as explorações do Atlântico. Adiante:Ora D. João II morreu em 1495 e Pedrálvares estava na sua corte desde 1484; entre estas duas datas foram, Pedrálvares e seu irmão primogénito, galardoados pelo Rei sigiloso, por feitos desconhecidos, embora relembrados depois por D. Manuel I, antes de 1500 [em 1497] mas também por este monarca não revelados [o que] muito logicamente me induz a ver um Pedrálvares sigilosamente embarcado no Atlântico [...]
Ainda: “Pedrálvares era, já antes de 1500, um mareante com bastantes provas dadas em navegações de alto mar [...]”. Acresce: “O que me parece deslocado e intencionalmente depreciativo e de todo improvável, é apresentar-se Pedrálvares como necessariamente ignorante de marinharia, quando é certo ele provar durante toda a sua viagem que o não era.” Ele houve-se “no seu comando, quer quanto à navegação quer quanto aos combates — os que trava e os que evita — como um capacitado Capitão-Mor” .
Ignora-se o critério por que D. Manuel elegeu especificamente Cabral como chefe da armada de 1500. Poderia haver escolhido outros navegadores exímios como Vasco da Gama, Bartolomeu Dias, Nicolau Coelho. Em sua viagem, o primeiro (em 1497) avistou aves que voejavam para terras a oeste (na direção do atual Brasil) que, contudo, não inspecionou; o segundo (em 1488) alcançou a ponta sul da África, sem tocar no Brasil; o terceiro (Caminha no-lo atesta) precedeu Cabral em sua vinda ao Brasil.
Antes de 1500, Cabral certamente navegou no Atlântico. Em 1490 havia feitoria portuguesa em Pernambuco, altura em que Cabral contava 22 ou 23 anos. Terá integrado a expedição que a instalou?
O mapa de Juan de la Cosa, de 1500, exibe minuciosamente toda a costa leste das três Américas e a América do Sul quase por inteiro na sua porção oeste, prova irrecusável de que todo o oceano Atlântico vinha sendo navegado e suas terras mapeadas desde antes. Cabral possivelmente participou de uma ou de mais de uma expedição sigilosa que resultou na ciência documentada por aquele mapa.
Ele recebeu o comando da frota que tocou o Brasil, cujo descobrimento oficializou. Terá sido por que já cá estivera ? Teria vindo com Nicolau Coelho ? Teria sido este chefe de expedição e Cabral um seu integrante ou o inverso?
Graças à navegação de Cabral divulgou-se na corte portuguesa, para os reis de Espanha e para o mais mundo, a existência das novas terras e sua pertença a Portugal. Desembarcar no futuro Brasil e noticiá-lo à corte correspondeu a uma de suas missões. Recebeu-a por haver sido realmente o pioneiro achador do Brasil, antes de 1500 ? É possível. Por que reconhecesse a costa do futuro Brasil em inspeção minuciosa e sigilosa ? Também é possível. Indubitável é o conhecimento exatíssimo que detinha do trecho da costa baiana que percorreu e onde fundeou, como se já lá houvesse estado . (Leia o texto com notas em meu blogue, em PDF).
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]