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Autor/fonte: Jornal Correio Paulistano
Jornal Correio Paulistano: “As minas de ouro do Jaraguá”, tema da conferência realizada em 21 de junho de 1929, no Instituto Histórico e Geográfico, pelo coronel Pedro Dias de Campos

    22 de junho de 1929, sábado
    Atualizado em 20/12/2025 05:13:49




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Corria o ano de 1597, cheio de dificuldades financeiras para a península ibérica e de aperturas para a brilhante e fútil côrte de Felippe III, rei de Castella, quando as descobertas de minas de ouro se amiudavam, na Capitania de São Paulo. Só a uma esperança se apegavam os cortezãos e o próprio monarca espanhol, eram as famosas minas de ouro assinaladas no Jaraguá e no Araçoiaba e a lendária mina de prata, que Robério Dias dissera, ao próprio rei, ter descoberto a Bahia.

Nomeado a Dom Francisco de Sousa para o governo do Brasil, incumbira-lhe o monarca de averiguar e descobrir o roteiro da mina de Robério e de impulsionar a exploração do ouro do Jaraguá e do Araçoiaba, prometendo a D. Francisco o marquesado que Robério Dias exigira, para entregar o roteiro.

Não tardou o governador em dar inicio a tarefa que lhe havia sido imposta e que lhe sorria, por estar no seu propósito vindo ao Brasil, providenciar bandos para o descobrimento do ouro.Achando-se D. Francisco de Sousa no Rio de Janeiro, dirigiu-se para o planalto de Piratininga em fins de 1598. Foi a Araçoiaba acompanhado por Antonio Raposo Tavares, onde examinou as minas de pedras, e, em seguida, fundou uma povoação no vale das furnas, a que deu o nome de São Felippe, em homenagem ao monarca que o nomeara. Ali fez levantar pelourinho, simbolizando o predicamento de Villa. Essa povoação foi pouco depois transferida para a margem esquerda do Rio Sorocaba, onde está edificada a cidade desse nome.

Coube ao paulista Clemente Alvares, ativo, audaz e perseverante sertanista descobrir em 16 de dezembro de 1606, nos contrafortes do Jaraguá-Guassú e do Jaraguá-mirim, veios de ouro que acreditavam fossem inesgotáveis, tais as pistas que encontrara.

Requereu ele á Câmara o registro dessas posses, cujas mantas de ouro vira a sudoeste da primeira serra, "que se trilha quando de São Paulo se demanda o interior, passando pela serra do Jaraguá-mirim, no braço do último ribeiro á direita".

Registrou também as minas e betas de Voturuna, alta e bela elevação situada nas proximidades de Parnaíba, a noroeste da cidade. Outras minas constatou ele cuja descrição fez no seu pitoresco linguajar.

"As betas e mantas principais", declarou Clemente Alvares, ficavam no sertão "a caída do nosso mato no campo do caminho de Ibituruna (Voturuna) do nosso rio de Anhemin (Tietê), até o ribeiro grande seis betas de minas, as duas betas arrevesão o caminho do rumo de Norte e Sul as outras duas ficam no próprio rumo de outra banda dos outros morros quando o "omonies" com o rosto para a banda do Norte ficam elas para as costas do omem e as outras duas para a banda do rio Angemin cortando o rumo de sol do nascente para o poente pouco mais ou menos por uma quebrada grande de uma serra as quais no longo uma da outra".

Pouco depois, novas solicitações foram feitas por outros sertanistas, no sentido de serem autorizadas minerações em vários pontos.

Em carta que dirigiram ao donatário, em 6 de janeiro de 1620, afirmavam os mineradores, aos juízes e vereadores, "que havia na serra de Araçoyaba, 25 léguas daqui para o sertão, em terra mais larga e abastada, e perto dali com três léguas está a Cahatyba de onde se tirou o primeiro ouro e desde ali ao Norte haverá 60 léguas das cordilheiras de terra alta, que toda leva ouro principalmente a serra do Jaraguá, Nossa Senhora do Monserrata, a de Voturuna e outras".

O sítio Jaraguá, desde a primeira concessão de sesmaria, feita em 12 de outubro de 1580 a Antonio Preto, passou por sucessivas transmissões. Em 1615, encontrava-se dono do sítio, Manuel Preto, filho do primeiro possuidor, o qual erigiu a igreja Nossa Senha da Espectação do Ó.

Em 1617, eram proprietários de parte dessa gléba, por troca que fizeram de terras com os nativos de Pinheiros, o casal Manuel Pires. Em 5 de junho de 1648, foi o sítio do Jaraguá, com sua casa de dois lances, de taipa de mão, atribuído em partilha, avaliado tudo, pomar e roça, em 55$000, no inventário dos bens deixados pelo paulista Raphael de Oliveira.

Muitos anos decorridos, em 1749, eram os proprietários os alferes Sebastião do Prado Cortez e sua mulher, e em 1770, o seu filho Maximiano Pereira Martins. Nesses últimos anos, tinha lavra de ouro no Itay, dentro da gléba, Antonio Bicudo, que adquirira do coronel Francisco Pinto do Rego, que explorava essas minas ha vários anos.

A partir de 1670 começaram a escassez nas minas do Jaraguá, operários práticos na mineração, pelo êxodo verificado de grande parte do elemento que minerava nesse ponto, para as longínquas paragens onde faiscavam ouro e se garimpavam pedras, em maior escala e com maior abundância.

Os escravizados africanos e descendentes, foram levados pelos respectivos senhores, para as novas minas. Os mamelucos acompanhavam os bandeirantes nas expedições pelo sertão e os paulistas, faziam descobertas valiosas em todos os setores do país.

Os administradores das minas de Jaraguá e imediações, atormentavam-se por verem despovoadas as minas, onde até então era população adventícia, numerosa, ativa e ruidosa.

Para remediar essa diminuição nos trabalhos das minas, lançavam mão de todos os recursos, principalmente dos nativos aldeados, com autorização da Câmara paulistana.

Desse modo conseguiu, em 18 de agosto de 1680, o administrador geral d. Rodrigo Castelbranco, autorização para retirar das diferentes aldeias de Piratininga, vinte selvícolas para acompanhar ás minas do Jaraguá, em serviço de mineração, afim de suprir, em parte, a deficiência de braços. Sem isso, todos os trabalhos ficariam paralisados.

Desde o ano de 1700, vinham os arrecadadores do quinto do ouro e os diretores das casas de fundição, preocupados com as constantes fraudes que as notavam, quando davam entrada os torrões de ouro, afim de serem reduzidos a barras e delas retirados os impostos devidos. Dai o procuraram os meios de remediar o mal, que trazia grandes prejuízos para o fisco. Foi por isso, baixado um aviso ministerial, datado de 13 de março de 1735, dando os modos de serem frustradas as fraudes e os meios práticos de serem elas reconhecidas.

Era assim concebido o aviso: "Os vícios que se tema achado em o ouro em pó, que vem do Brasil, são Simalha de Lotação, e cobre, que dizem lhe botão os negros, esta se conhece tomando alguma porção de ouro suspeito, e se vota em uma xícara ou vasilha vidrada, e nela uma porção de água forte, e se tiver Simalha de metal, logo ferve e faz uma escuma verde, e com esta diligência se desfaz a dúvida.

A outra falsidade conforme a informação é de granalha, que fazem, botando Liga de ouro e deduzi-lo a granitos, as quais ficam como grãos de munição maiores e menores, porém diferentes das faíscas de ouro, por que estas são ásperas, e a granalha é um granito redondo, o que é fácil de conhecer, e examinar, tomando um granito destes, e pegar-lhe com um alicate, (que estes se podem mandar) e tirar o dito grão roçando-o na pedra de toque e logo junto a ele tocar outro granito ou faísca de ouro bom, e logo se reconhece a diferença de um e outro".

A esse tempo as cinco minas do Jaraguá, estavam ainda em plena e intensa atividade. Por toda a parte se abriam canais, mudavam-se os leitos dos córregos, cavavam-se furnas na encosta do morro, furavam-se poços nas planícies e arrancavam-se das entranhas da terra, arrobas de ouro, em todas as formas. nesse penosos trabalhos eram empregados os mestiços, os aborigenes forros e os escravizados de origem africana.

Os escravizados e os selvícolas, postados em turmas de oito e dez, distanciadas umas das outras, trabalhavam desde o romper da aurora até o crepúsculo, tendo por alimento, duas vezes no dia, feijão e angu de fubá. Vestiam um simples calção de algodão, que apenas alcançava o joelho e um "surtum" de baeta ordinária, que tiravam ao começar o trabalho.

E cantava, cada uma das turmas, as dolentes e tristes meiopéas de seus países de origem. Com o canto, cadenciavam o ritmo do trabalho nas canaletas das minas, fazendo coincidir a última sílaba expressada, com o tinir da picareta no terreno pedregoso.

Os capatazes, sanhudos, ferozes, desalmados, empunhando látegos, que consistiam em compridas açoiteras de couro crú trançado, terminando em ponta de seis tentos de quinas vivas, cortantes como navalha, estimulavam os africanos no alto da desagregação do cascalho, fazendo estalar, em voltas rápidas e sibilantes do relho sobre suas emaranhadas carapinhas, as tiras de couro crú dos açoites cruéis.

A esses estalidos irritantes, correspondiam as ásperas e soezes injurias dos feitores. Não raro os estalos se faziam no torno nu e suarento do escravizado quebrantado pelo mormaço e pela fadiga, deixando-o zebrado de riscas cinzentas, de onde brotavam, como doloridas lágrimas, aljofares de rubi.

Até 1800 continuou intenso o trabalho nas minas, que produziam, anualmente, a partir de 1790, uma média de 500 marcos de ouro em barras. Anteriormente, porém, era essa média cinco ou mais vezes elevada.

Segundo mapa apresentado pelo escrivão Felix Cazemiro de Figueiredo, relativo ao ano de 1791, "em que se mestra toda o ouro que foi apresentado nesta Real Casa de Fundição de Saõ Paulo, o quinto que dele se retirou para sua Majestade em cada um dos meses do ano de 1791", as entradas montaram a 591 marcos, cinco onças, 1 oitava e 14 grãos, e o quinto rendeu 100 marcos, 5 onças e 5 oitavas.

Esse ouro foi remetido para o Tesouro Geral do Real Erário de Lisboa, por intermédio da Junta da Real Fazenda da Capital do Rio de Janeiro. Foi todo ele acomodado em quatro borrachas-surrões, sendo entregues à escolta comandada pelo tenente da Legião de Voluntários Renes, Manuel Pacheco Gato, em 18 de abril de 1792.

A fama das fabulosas riquezas minerais, que a cada passo eram assinaladas, ultrapassava, havia séculos, todas as fronteiras da colonia portuguesa, indo ecoar nos mais longínquos países de além mar, despertando a curiosidade dos sábios, a cobiça dos comerciantes e a ganância dos aventureiros.

Levas de homens de todas as castas e condições, aportavam nos desembarcadouros das nossas povoações marítimas, a procura do El-Dorado brasílico. Entre os sábios que visitaram São Paulo, destaca-se pela "arguela" das observações, delicadeza e segurança da exposição, o viajante frandes Engenheiro de Saint Hilaire, que atingiu as nossas piagas em 1819, em viagem de estudos

Demorou-se ele pouco tempo em São Paulo, internando-se depois pelo interior da província. Regressando á pauliceia, após haver percorrido várias cidades e vilas e visitado as suas minas de ouro mais importantes, esteve no Jaraguá, onde se demorou muitos dias, estudando e examinando os resíduos deixados pelos lavradores de ouro.

Assim, vejamos como o grande observador gaulês se expressou sobre as minas do Jaraguá e sobre o que vira durante sua permanência em São Paula e nas lavras do famoso morro.

"É triste ver-se uma região", dizia ele, "que pela fertilidade e beleza de seu clima, merecia ser chamada um paraíso, tão deserta e abandonada pelos insensatos proprietários, devorados, unicamente pela sede do ouro".

Descrevendo o itinerário percorrido, noticia o visitante: "Depois de feitas quatro léguas, chegamos ás minas do Jaraguá, famosas pelos imensos tesouros que elas produziam ha duzentos anos. Era o ouro embarcado para a Europa nos portos de Santos e de São Vicente e esse local era tido como o Peru do Brasil. O aspecto do local é irregular e mesmo montanhoso. A rocha, onde ela está á mostra, parece granito primitivo, aproximando-se dos (...) entremelado do (...), frequentemente de mica.

lendas

É possível que alguns fenômenos impressionantes se tenham produzido corporizando, na imaginação visionária dos mineradores, a crença na manifestação de fatos sobrenaturais, indicativos dos pontos onde a terra haveriam ocultados os seus tesouros. É mesmo possível que a coluna de fogo e fumo entrevistados (? é assim que está escrito) pelos paulistanos em 1869, se tivessem reproduzido, anteriormente, muitas e muitas vezes, dando aquela maravilhosa ilusão de ótica, origem á lenda da "mãe do ouro", que era uma bola de fogo voando no espaço, com formas humanas.

Um nativo já idoso, doméstico e cristão, residente em Cananéa, profetizava que em 1709, de que entre outras maravilhas, havia de aparecer muito ouro no morro do Itapitanguy, enriquecendo todos os habitantes da cidade. Olhando em êxtase para o morro Itapitanguy, cuja tradução é "monte de pedraria", exclamava o nativo: "Oh! Tudo, cabeça de pedra, barriga de ouro, tempo virá, que por teu ouro, destripado serás".

Ainda hoje são esperadas a realização desta e de outras profecias, porque as que o nativo formulara sobre várias coisas, entre as quais a de que junto ao morro, na praia, uma nau seria construída e "nela sinos se tangeriam, missa cantada nela haveria, que muita gente ouviria", verificou-se tempo depois. E de fato, nesse lugar foi construído um estaleiro e nele a nau "Cananéa", que foi lançada ao mar, com repiques de sino e missa cantada. [Página 5]



Sorocaba/SP
Afonso Sardinha, o Velho
1531-1616
São Paulo/SP
Ouro
Francisco de Sousa
1540-1611
Santos/SP
Araçoiaba da Serra/SP
São Vicente/SP
Léguas
São Roque/SP
Bituruna, vuturuna
Clemente Álvares
1569-1641
Bacaetava / Cahativa
Itapeva (Serra de São Francisco)
“o Rio Grande”
Lisboa/POR
Pedro Sardinha
1580-1615
Peru
Robério Dias
n.1600
Serra de Jaraguá
O Sol
Cananéia/SP
Auguste de Saint-Hilaire
1779-1853
Antonio Raposo, o Velho
1557-1633
Antonio Gomes Preto
1521-1608
Antônio Bicudo
1580-1650
Portos
Manuel Preto
1559-1630
Jornal Correio Paulistano



Correio Paulistano
Data: 22/06/1929
Página 5


ID: 12516



EMERSON


22/06/1929
ANO:83
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]