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Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII, 1958. Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos

    1958
    Atualizado em 28/12/2025 04:38:40




Fontes (0)


Nossa Senhora do Monte Serrate ou Monserrate - É devoção local espanhola, do célebre santuário junto a Barcelona, e se espalhou entre os povos da Panínsula. No Brasil, o propagandista foi D. Francisco de Sousa, Governador-Geral na Bahia e Governador do Sul, séculos XVI e XVII. No século da imagem original, era comum os artistas representarem Nossa Senhora sentada com o Menino, como as Virgens de ajestade, o morro ou serra sob os pés de acordo com o nome do título, tal como se usa uma escada para Nossa Senhora da Escada.

115. - Cutia - A primeira capela foi fundada pelos paulistas Fernão Dias Pais e Gaspar Godoy Moreira, de 1640 a 1670, com o nome de Acutia. Em 1713, foi mudada a capela para o atual local, sendo fundador desta segunda capela o cel. Estevão Lopes de Camargo, sendo feita capela curada nesta data. Por uma portaria de D. José de Alarcão, parece que já era paróquia em 1684 (A. G. C.).

Do Santuário Mariano, X, 165; "Em outras cinco léguas de distância de São Paulo se vê outra aldeia, que hoje será vila, e dilatada, a quem dão o nome de bairro da Cutia. nesta povoação se fundou uma igreja que hoje é a paróquia e se dedicou à Nossa Senhora do Monte Serrate..."

Em uma ocasião, refere o Padre Miguel de São Francisco, em que se fazia a festa da Senhora; pregava um virtuoso religioso e repreendendo com muita severidade a sua preguiça (que é muito grande a que por lá há e causa a abundância e delícias das terras) e o pouco que cuidam das casas de Deus, e de plantar virtudes para recolher merecimentos que lhe aproveitem para a Salvação, lhe disse: "Homens da Cutia, carapuças de ferro com martimengas de prata, talim de onça, borzeguins de couro, plantai, plantai, que quem planta recolhe".

A imagem é de escultura de madeira. Existe ainda no altar e parece ser a primeira, em seu alto nicho. Sentada. Aliás, a iconografia mais própria é assim, sentada a Virgem Santíssima com o Menino no joelho esquerdo, na mão direita o certo. Não aparece o troco ou cadeira, é como se estivesse, esclareceu o "Santuário Mariano" a respeito de outra imagem, nos penhascos do Monte Serrate.

A primitiva capela de Pinheiros tinha por orago "Nossa Senhora" apenas. Coma passagem da capelania para os Beneditinos, no século XVII, estes adotaram a invocação Monte Serrate. Teve origem numa aldeia de nativos da nação Guaianás, criada pelo Padre José de Anchieta.

118 - Salto, ex-Salto de Itú - Instituída paróquia por provisão de 6 de março de 1886 (A. G. C.). Frei Agostinho (X, 174) depois de comparar o Salto de Itu às catapultas do Nilo - que exagero! - e contar que dai para baixo ainda há povoadores até cinco léguas (Porto Feliz) refere que a Senhora do Monte Serrate é imagem de madeira com o Menino sobre o braço esquerdo, cultuado com amor pelos moradores.

- A capela do mesmo orago adiante referida é localizada numa fazenda entre Itú e Sorocaba. Talvez seja a primitiva capela do povoado Cajuru, ou confusão dos frades escritores. Também não existiu jamais em Sorocaba uma capela do Desterro. Como ela está logo após à do Monte Serrate (no livro) e o caminho de Itú para Jundiaí passava pelo Salto, não é fora de compasso e medida levá-la para outra branda.

Todavia, os autores do manuscrito e do livro, insistem em que se trata de fazenda. Por outro lado, na página referente a Araçariguama não deixam de referir que o caminho à direita do de Itu levava a Jundiaí, onde não havia igreja de Nossa Senhora o que era um erro deles. Se a colocarem à esquerda de Itú o que era um erro deles. Se a colocarem à esquerda de Itu erradamente, tudo se explica. [Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII, 1958. Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos. Páginas 251 e 252]

Sorocaba, Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba - O primeiro homem branco que construiu sua primeira casa na região de Sorocaba foi o paulista Afonso Sardinha que, em 1589, fundou um engenho de ferro no Vale das Furnas, morro do Araçoiaba e tirou algum ouro de lavagem nas adjacências. Trabalhavam com ele escrevos nativos, ou quase todos nativos. Há quem diga ter estado no Araçoiaba também Afonso Sardinha, o pai.

No mesmo local, o Governador-Geral do Brasil, Dom Francisco de Souza, fundou a vila de Nossa Senhora do Monte Serrate, em dezembro de 1599, com alguns mineradores brancos e nativos trazidos do Espirito Santo.

Em 1611, estando em São Paulo, como Governador das capitanias e das minas do Sul, Dom Francisco de Souza autorizou a mudança do povoado para o campo, à beira do Rio Sorocaba, no Itavuvu, tendo a vila de efêmera duração, o nome de São Felipe em honra do Rei da Espanha.

Pelos anos de 1646, diz o Livro do Tombo, estabeleceram-se os primeiros moradores na atual Sorocaba: Baltasar Fernandes e seus genros, André de Zunega, Gabriel "Dona de Leon", Dom Diogo do Rego e Mendonça, Bartholomeu de Zunega e Leon, mais alguns netos casados e filhos, bem como o filho Manuel Fernandes de Abreu; Baltasar Fernandes, quando transmigrou de Parnaíba para Sorocaba com sua parentela, já era septuagenário e avô.

A sua casa ainda hoje, embora no perímetro urbano, é considerada chácara. Está à beira do rio. Construiu na colina a capela à Nossa Senhora da Ponte, invocação única no Brasil, e que já assim se chamava de algum outro lugar da Ponte, em Portugal ou Espanha. A casa e a capela existiam em 1951, sem alteração substancial.

Em 21 de abril de 1660, em casa de um seu genro, no Apotribú, a meio caminho de Parnaíba, com a presença do seu sobrinho Padre Francisco de Oliveira Fernandes, vigário de Parnaíba, do escrivão Antônio Rodrigues de Matos e os monges Beneditinos daquela vila, Frei Tomé Batista e Frei Anselmo da Anunciação, Baltasar fazia doação à Ordem de São Bento, da Capela de Nossa Senhora da Ponte, na paragem de Sorocaba, e um patrimônio de terras, que começavam no Rio Sorocaba e seguiam para o campo entre Diogo do Rego e Brás Teves, abrangendo a lavoura, criação e escravizados para construção e manutenção de um convento.

Impôs , como condição construírem os padres o convento à sua custa, rezarem-lhe por alma 12 missas anuais e darem aulas de latim e cantochão aos meninos festejarem anualmente Nossa Senhora da Ponte. Tudo foi cumprido, a festa passou a fazer-se na matriz a 21 de novembro e o convento estava pronto em 1695. Nunca se poderá saber ao certo o dia da primeira missa em Sorocaba. Poderia ser comemorada a 15 de agosto atual e liturgicamente festa da padroeira.

A pedido de Baltasar Fernandes ao Governador Salvador Correia de Sá e Benevides, fêz-se a terceira mudança da vila, nomeando aquele Governador a primeira Câmara Municipal, para que a seguir viessem anualmente as outras por eleição. Assinou em São Paulo, 23 de março de 1691(?), a provisão permitindo a mudança e nomeou os primeiros juízes e vereadores, tudo a requerimento de Baltasar Fernandes, que é, evidentemente, o fundador ou o principal de Sorocaba. Em 1770, Sorocaba estava reduzida exatamente aos atuais municipais de Araçoiaba da Serra, Piedade e Sorocaba e mais algumas terras que depois ficaram para Ibiúna e São Roque.

A maior extensão do território fôra cortada, mas não o centro, onde era maior a densidade de população e onde havia fazendas mais ricas. Em 1780, o recenseamento acusava o total de 6.614 habitantes, dos quais 1.136 escravizados.

A matriz fundada por Balthazar Fernandes em 1767 estava em ruínas. Reconstruída, sob a direção do capitão José Ferraz de Arruda, em 1778, já recomeçou o sepultamento "na matriz nova", que devia estar emadeirada e coberta. Em 9 de fevereiro de 1783, o Vigário Domingos José Coelho benzeu a nova matriz. A 10, fez-se a transladação do S.S. e das imagens. A 11 rezou-se a primeira missa. Em 20 de janeiro de 1797, a paróquia passou a categoria de colada. [Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII, 1958. Páginas 261 e 262]

A matriz fundada por Balthazar Fernandes em 1767 estava em ruínas. Reconstruída, sob a direção do capitão José Ferraz de Arruda, em 1778, já recomeçou o sepultamento na "na matriz nova", que devia estar emadeirada e coberta. Em 9 de fevereiro de 1783, o vigário Domingos José Coelho benzeu a nova matriz. A 10, fêz-se a transladação do S.S. e das imagens. A 11 rezou-se a primeira missa. Em 20 de janeiro de 1797, a paróquia passou a categoria de colada. [Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII, 1958. Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos. Página 262]

Nossa Senhora Del Populo - No Brasil, em São Paulo, há uma Senhora del Populo. No mundo português metropolitano, é mais conhecido o santuário de Nossa Senhora do Populo de Braga; nas ilhas há um só, o da Telhada, em São Miguel, fundado cerca de 1650. Nessa época, já era adulto em São Paulo, lá para as bandas da Cotia e de Santo Amaro, Pascoal Moreira Cabral, paulista notável que, por volta de 1670, avançou pelo planalto até o rio Sorocaba, no ponto em que este se despenha no Itupararanga. O bairro chamava-se Itapeva. Aí fundou aquele sertanista a Capela do Populo, fazendo-lhe patrimônio com nativos, com a condição, porém, de os não levarem do sertão, pelos muitos pecados que isso acarretava. Faleceu ele em 1690 e jaz na Igreja de São Bento, em Sorocaba. [Página 263]

Em último de abril de 1654 fez em Lisboa o Conde da Ilha do Príncipe Luís Carneiro, procuração a seu sobrinho Dom Luís de Almeida para tomar posse em nome dele dito Conde, da Ilha da Capitania de 100 léguas, que Sua Majestade lhe confirmara pela renúncia, que lhe fizera o Donatário D. Diogo de Faro e Sousa em parte do dote da Condessa, mulher dele Conde da Ilha do Príncipe, a prima do dito Donatário Dom Diogo de Faro e Sousa; e pelo dito Conde da Ilha do Príncipe foi provido em Capitão-Mór Governador, e Ouvidor da Capitania de Itanhaém, Simão de Moura em 1654. (7° Donatário) [Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII, 1958. Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos. Página 305]



Sorocaba/SP
São Roque/SP
Ermidas, capelas e igrejas
Rio Sorocaba
Afonso Sardinha, o Velho
1531-1616
Santana de Parnaíba/SP
Francisco de Sousa
1540-1611
Itu/SP
José de Anchieta
1534-1597
Frei Agostinho de Jesus
1600-1661
Diogo de Mendonça Furtado
Diogo de Faro e Souza
Catedral / Igreja Matriz
Capela de São Bento
Capela “Nossa Senhora da Ponte”
Frei Miguel de São Francisco
Cachoeiras
Bartolomeu de Contreras y Torales
n.1610
Balthazar Fernandes
1577-1670
Bairro Itavuvu
Aldeia de Pinheiros
Cajurú
Pascoal Moreira Cabral II
1655-1690
Colinas
Porto Feliz/SP
Lisboa/POR
Ibiúna/SP
Cotia/Vargem Grande/SP
N S do Desterro
Represa de Itupararanga
Guaianás
Nossa Senhora do Pópulo
Nossa Senhora do Desterro de Santana de Parnaíba
Nossa Senhora de Montserrate
Antônio Raposo Tavares
1598-1659
Nossa Senhora da Escada
Afonso Sardinha "Moço"
f.1604
Simão Dias de Moura
Instituto histórico e geográfico de São Paulo



Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 251


ID: 12440


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 251


ID: 12439


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 252


ID: 12441


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 262


ID: 12442


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 263


ID: 12443


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 301


ID: 12888


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 302


ID: 12887


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 303


ID: 12886


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 304


ID: 12889


Revista do Instituto Histórico e Geográfico de SP, vol. LVIII
Data: 01/01/1958
Créditos/Fonte: Comissão de redação: Dácio Pires Correia, Nicolau Duarte Silva e Vinicio Stein de Campos
Página 305


ID: 12890



EMERSON


01/01/1958
ANO:80
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]