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autor:13088
Arquivo Histórico Municipal (SP)
Revista do Arquivo Municipal de São Paulo CLXXVI. Prefeitura do Município de SP

mencio (26)

    1969
    Atualizado em 21/12/2025 15:32:57




Fontes (0)


JAN.
01
HOJE NA;HISTóRIA
\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\hoje\01-01total.txt

Foi doado a este mosteiro no ano de 1811, na fundação do mesmo, pelo senhor Inácio Ferraz Leite Penteado e sua esposa dona Gertrudes de Camargo, como dote de sua filha, dona Maria dos Anjos, que foi uma das educandas, companheira das fundadoras, e filha espiritual do nosso amado e sempre venerado frei Antonio de Santana Galvão. O orgão começou a funcionar no mesmo dia em que pela primeira vez as recolhidas se reuniram no côro em presença do frei Galvão, para entoarem "Te Deum", em ação de graças pelos muitos benefícios, isto a 25 de agosto de 1811. (Página 18)

Em vindo o ano de 1594, reuniram-se a 13 de fevereiro os oficiais da Câmara e outras pessoas da governança, lembrando o procurador a Afonso Sardinha "o recado do senhor capitão para estarem todos prestes a guerra". Ao procurador parecia que tendo Afonso Sardinha "ordem para vigiar os índios", não fora isso necessário por não se haver "apresentado gente do sertão", convinde agora fazê-lo "indo vinte homens brancos a ver o que se passava até o Pirapitinguí" partindo outros a "vigiarem até Sabauna".

Nessa incerteza em que andavam desde que em 1592 fôra Afonso Sardinha nomeado capitão da gente da vila, ora aprontando-se para partirem desde logo; ora aguardando que o capitão mór os viesse acompanhar na entrada contra os índios do sertão do Mogí, ora a indagar se receberiam auxílio dos de Santos e de São Vicente ou se o pediriam aos do Rio de Janeiro, reuniram-se mais uma vez a 22 de maio de 1595 aqueles angustiados moradores da vila de São Paulo de Piratininga.

Alí estavam na Câmara juízes e vereadores e o procurador do Concelho, com o capitão Afonso Sardinha à frente, e alguns homens da governança da terra e outros moradores. Queriam saber se era bem requererem ao capitão mór Jorge Correia, também presente, que "se fizesse guerra com brevidade" e se conveniente seria impedirem a ida de uma canoa que o mesmo capitão queria enviar ao Rio de Janeiro, tendo em vista "a dilação" que daí proviria, pela distância que os separava. E que se os moradores de Santos e de São Vicente não quisessem vir, que Jorge Correia acompanhasse o povo de São Paulo ao qual se juntariam os moradores de Itanhaém e índios da terra.

Houve o capitão mór de prometer que "com brevidade faria a dita guerra e não levaria mão dela e nem sairia da vila", mas desejava, para garantia e "satisfação de seu cargo e ofício", dessem-lhe um documento de todo o combinado. Concordaram os oficiais da Câmara, assinando eles e mais Afonso Sardinha.

Não consignam os documentos ou sejam as atas da Câmara, quando e quais as peripécias dessa entrada dos paulistas, ocasião em que teriam desbaratado o índio que os ameaçava e lhes roubava principalmente a tranquilidade. Consta da patente passada por dom Francisco de Souza a favor de Sebastião de Freitas, armado cavaleiro, que acompanhara no ano de 1594,

"ao capitão Jorge Correia ao sertão desta capitania a dar guerra ao gentio inimigo... vindo a esta vila de São Paulo a dar-lhe guerra e pô-lo em cêrco".[p. 607, 608]

A 5 de fevereiro de 1595 reunia-se a Câmara para que tratassem "das coisas pertencentes ao bem comum e principalmente sobre um mandado do provedor Pero Cubas em que manda apregar nesta vila que todos os moradores e estantes desta vila fossem ou mandassem levar todas as peças índios e índias e escravos desta guerra de Bougi e de outras guerra e entradas...".

(...) Deixando o cargo de vereador ficava livre, mais uma vez, Afonso Sardinha para ocupar -se todo, de seus grandes negócios.Muitos anos antes iniciara- se no comércio de múltiplos artigos, quer produzidos na sua fazenda, quer importados. Assim é que do tes:tamento que fizera antes de partir para a guerra declarara que ocapitão Jorge Correia devia-lhe, além de um empréstimo de 10 cruzados, outros 50 provenientes de cincoenta caixas de marme lada e de quarenta alqueires de farinha, que " êle levou a seu cunhado Francisco Rodrigues" . Devia-lhe mais o capitão, quarenta e seis alqueires de farinha, pedidos por intermédio de João Rodrigues, quando do assalto dos piratas inglêses, e mais cinco cargas de vinte e três alqueires, “ que levou seu compadre Francisco Domingues”.

Do mesmo testamento consta que negociava em sal, um dos produtos mais estimados e raros na época, figurando como seu devedor António Raposo, de 10 cruzados e “mais o resto do sal que lhe vendí”.

De Buenos Aires recebia lãs e peles, por inter médio de António Rodrigues de Barros, parte dos quais pagava com a remessa “de um moço que já embarquei declara no testamento por ele me mandar pedir dois homens do tupí, os quais eu mando nas primeiras embarcações”. Ainda em contrapartida exportava para o mesmo destino a marmelada de sua produção.

Dêsse mesmo correspondente recebia rendas, papel, medicamentos e bainhas de facas fabricadas na Alemanha. Mas, a importação de escravos da África era o seu maior comércio. É certo que já antes de 1592, como declara no testamento desse ano ( 101 ) , fazia o tráfico com Angola, por intermédio de seu sobrinho Gregório Francisco, com quem estabelecera sociedade.

Em 1597, acompanhado pelo filho e com a colaboração de Clemente Alvares, acharia a iniciaria a mineração de ouro de lavagem nas serras de Jaguamimbaba e Jaraguá, em São Paulo e na de Ivuturuna em Parnaíba. Daí o avolumar-se sua opulência.

Em busca do metal aurífero haviam -se internado os sertanistas, indo até Araçoiaba onde encontraram , apenas, o minério de ferro -magnético (magnetita ). No regresso, passando pelo morro do Jaraguá, descobriram os indícios do que andaram a procurar, as para a vila de São Paulo. Em Araçoiaba, no Vale das Furnas,no sopé e setentrional do morro, construiram o primeiro estabeleci mento de siderúrgia brasileiro, constituido por um rústico forno catalão e uma forja , para produção direta de ferro, “ característico da fase inicial da siderúrgia , em que o minério de ferro, geralmenteóxido, sem passar pela fase líquida, era direta e somente transfor mado em ferro maleável" , mediante aquecimento e redução conseguidos pelo carvão de lenha e a remoção da escória e a estruturação da barra por pancadas ( 103 ) . Mas preocupando - o aquela idéia que o não abandonava, de encontrar ouro , retirou- se do Morro do Ferro, ficando aquela primitiva usina metalúrgica entregue a um pequeno grupo de indivíduos, em boa parte elementos servís.

Anos depois, chegaria ao conhecimento de dom Francisco de Souza, sétimo governador geral do Brasil , por volta de 1598, a descoberta de pai e filho. Iniciava- se o século XVII com a chegada dêste à vila de São Paulo donde partia para Araçoiaba a ver as jazidas. Ia acompanhado de vistoso séquito, a visitar a fábrica dos Sardinhas, acompanhado pelo mais moço dêles. No ano anterior para lá enviara o perito Diogo Gonçalves Lasso, a fim de que examinasse os descobrimentos, tendo o técnico chegado a Piratininga a 13 de maio de 1598, na qualidade de Administrador das Minas e Capitão da vila . Era êle portador de um regimento que poste riormente lhe dera o Governador Geral, datado de 10 de setembro de 1601, onde determinava que não consentisse “ que pessoa algumapossa ir às minas já descobertas nem tratem de descobrir outras,salvo Afonso Sardinha o velho e Afonso Sardinha o moço, aos quais deixo ordem do que neste particular poderão fazer que vos mostrarão por serem os ditos descobridores e pessoas que bem o entendem” ( 04)evidenciando o prestígio que ambos desfrutavam junto ao poder governante.

Durante o ano de 1598, quando a tranquilidade fôra restabelecida e em fim podia Afonso Sardinha cuidar de seus interesses, seria ele, por duas vezes convocado aos “ ajuntamentos " levados a efeito na Casa do Concelho. Acorria o povo, a 8 de março a atender a provisão do Governador Geral, dom Francisco de Souza para que, com os moradores da vila de Santos, fossem fazer o caminho do mar, discutindo se o trabalho seria “ de mão comum " , se fintado o povo ou pagando a quem o desejasse. Doze dias após voltava Afonso Sardinha à Câmara, onde novamente tratavam do mesmo assunto e quando, a bem do povo, deliberaram sobre o quanto havia de custar a carne fresca do porco, que tabelaram a "quatorze réis o macho e a fêmea a doze réis e a de vaca fresca a duzentos réis a arroba", confirmando as posturas relativas ao gado e continuando proibida sua venda para Santos, sem licença da Câmara. A partir de então continuara ele afastado da administração da vila, só comparecendo aos ajuntamentos, quando a 25 de novembro de 1601, foi incluído no rol organizado para "se fazer um capitão, conforme ao regimento do senhor governador".

Por mais cinco anos permaneceria Sardinha na obscuridade, cuidando tão somente de seus negócios particulares. E, nesse mistér, viria a tentar, em 1606, sair em resgate a terra dos índios Carijós. Porém, na sessão da Câmara, de 9 de setembro, protestava o procurador Pero Correia, pedindo providências que embargassem a partida de Afonso Sardinha e de outro homem branco e seus escravos. Lembrassem que um enviado do antigo capitão Jerônimo Leitão, com propostas de paz, deles não retornara. Que se proibisse a entrada, evitando-se arriscar novas vidas. Acusava mais. Que o velho Sardinha recebera ultimamente uns chefes da tribo Carijó vindos a pedir pazes e a vassalagem do donatário, ocultando-os em sua morada, sem os apresentar à Câmara e nem mesmo ao capitão da terra, intentando fazê-los partir sem os mostrar. Viu-se satisfeito o procurador do Concelho, sendo Afonso Sardinha notificado para que, desde logo, sob pena de pagar a multa de "seis mil que o haviam condenado", exibisse, até às nove horas do dia imediato, os principais carijós do Paranapanema. [Páginas 610, 611 e 612 do pdf]

No ano seguinte veria Afonso Sardinha aumentada suas propriedades. Tendo requerido a Gaspar Conqueiro, capitão e ouvidor com alçada em São Vicente, loco tenente de Lopo de Souza, que como morador antigo da capitania, que em tudo servira a el-Rei e pronto estava para outra vez o fazer, desse-lhe "uns alagadiços e campos", situados ao longo do rio "Jerobatiba", de ambos os lados, onde tinha sua fazenda e um trapiche de açúcar, deferindo-lhe o ouvidor ao que pedia, mandando passar-lhe a respectiva carta em data de 3 de novembro de 1607. [Página 64]

Da consulta aos Inventários e Testamentos, à Genealogia Paulistana de Silva Leme, aos Apontamentos Históricos de Azevedo Marques, à Nobiliarquia de Pedro Taques, às obras de Américo de Moura e de Carvalho Franco, estão identificados os seguintes filhos do casal Manuel Fernandes Ramos e Suzana Dias, dos quinze filhos vivos em 1589:

1 - André Fernandes
2 - Balthazar Fernandes
3 - Domingos Fernandes
4 - Pedro Fernandes
5 - Custódia Dias
6 - Angela Fernandes
7 - Benta Dias
8 - Maria Machado
9 - Margarida Dias
10 - Catarina Dias
11 - Francisco Dias
12 - Paula Fernandes
13 - Agostinha Dias

Dessa maneira, embora não se sabia a idade exata de cada um deles, ficam identificado treze, dos quinze filhos a que se refere Suzana Dias em seu testamento datado de 1628, ditado na casa do Capitão André Fernandes e aberto em setembro de 1634 de Baltazar Fernandes Alvarenga, como testamenteiro de sua mãe, em Santa Ana de Parnaíba.
[p. 174]

Segundo Américo de Moura, Antônio Rodrigues teria o mesmo nome de seu pai, o que explica os dois nomes Antônio Rodrigues e Garcia Rodrigues em documentos diferentes, referindo-se à mesma pessoa. De qualquer maneira, Antônio Rodrigues estaria identificado como genro de Susana Dias, por uma ata de 17 de julho de 593, e que é empossado como almotacel e citado pelo escrivão Belchior da Costa como "genro de Suzana Dias".

Francisco Dias está perfeitamente identificado por uma ata de 17 de julho de 1593, a propósito de "bequos e covas destampadas", da seguinte maneira:

"... requeria a suas mercês os mandassem tapar e entupir, a saber, mandasse a Susana Dias que entupisse duas covas que estão na praça que seu filho Francisco Dias fez seu filho Francisco Dias fez e um bequo que esta junto com ela..." [p. 175]

Paula Fernandes é identificada, se bem que acompanhada de um ponto de interrogação, por Américo de Moura, que afirma ter sido casada antes de 1596, com Rafael de Oliveira, e falecida em 1614. O mesmo documento que citamos acima, datado 30 de junho de 1594, talvez identifique mais um filho de Manuel Fernandes Ramos e Susana Dias, de nome Manuel Dias Machado. Na carta de venda das casas de Antônio Rodrigues assinam como testemunhas seu cunhado Domingos Fernandes e um outro cunhado, Manuel Dias Machado, morador Rio de Janeiro. [p. 175]

A Sorocaba também se liga o nome dos Fernandes, pois a sua primeira capela foi erigida por Balthazar Fernandes dedicada a Nossa Senhora da Ponte. Sertanista como o pai e os irmãos, Balthazar Fernandes foi companheiro de seu irmão André em 1613 na expedição para o sertão goiano, e, como ele também foi para o Rio Grande do Sul de 1637 a 1639, trazendo de suas expedições, centenas de nativos.

Tornando-se extremamente rico, de acordo com seu inventário, foi proprietário de doze sesmarias em terras do então município de Parnaíba, ao qual pertenciam as terras que formariam posteriormente os municípios de Itu e Sorocaba. Com grandes plantações de algodão e trigo, tinha a seu serviço, mais de quatrocentos nativos. Em Parnaíba também se dedicou à fundição de ferro, onde tinha um engenho que foi sequestrado em 1645.

Casado em primeiras núpcias com a paraguaia Maria de Zunega, e com Izabel de Proença, em segundas, Balthazar Fernandes muda-se em 1654, com sua família e seus genros espanhóis André e Bartholomeu Zunega, para as imediações de Araçoiaba, região onde D. Francisco de Souza, governador geral das minas, desde 1600 tentara estabelecer uma povoação, sendo mesmo concedidas aí algumas sesmarias. Tal povoação não progrediu, e, com a morte de Francisco de Souza, em 1610, ficara abandonada. Aí, na paragem denominada "Sorocava", Balthazar Fernandes funda uma capela dedicada a Nossa Senhora da Ponte, da qual fará doação, a 4 de abril de 1660, aos padres do Patriarca São Bento, do mosteiro de Parnaíba.Com a mesma, ele faz doação de terras, doze escravizados, e cozinheira, doze vacas e um touro, etc., além da têrça de sua herança "depois que Nosso Senhor fôsse servido fazer dêle alguma coisa", conforme consta da escritura lavrada no Livro de Notas de Parnaíba, de 1660, transcrita na íntegra, por Azevedo Marques. A provisão que eleva a povoação à categoria de vila data de 3 de março de 1661, sendo Balthazar Fernandes e Pascoal Leite Paes nomeado juízes, André Zunega e Claudio Furquim vereadores, Domingos Garcia procurador, e escrivão da Câmara Francisco Sanches.

Cabe aqui um pequeno reparo à obra de Azevedo Marques, cujos méritos são indiscutíveis - cita, na íntegra, a provisão de 3 de março de 1661 que nomeia Balthazar Fernandes juiz de Sorocaba, na mesma provisão que a eleva à categoria de vila, e afirma que o mesmo Balthazar Fernandes faleceu em 1660, deixando doze filhos, no mesmo ano em que fez a doação das terras aos beneditinos. São detalhes sem muita importância quando se considera o conjunto do que se sabe sobre a vida dos Fernandes Povoadores, mas pequenas contradições que desnorteiam o leitor. Segundo Carvalho Franco, Balthazar Fernandes teria falecido antes de 1667, mas não dá uma data precisa. [Revista do Arquivo Municipal de São Paulo CLXXVI. Prefeitura do Município de SP, 1969. Páginas 180 e 181]

Capistrano de Abreu já ensinava que os paulistas começaram a descer o Tietê desde os primeiros tempos, provavelmente na primeira metade do século XVI, logo depois de 1532, quando a mando de Martim Afonso foi fundada Piratininga. Alguns subiram os afluentes do Tietê, “o Juqueri, o Jundiaí, o Piracicaba, o Sorocaba. Outros foram até o Paraná”, diz o mestre. [Revista do Arquivo Municipal de São Paulo, 1969. Página 194]

O relatório dessa expedi ção descreve os dezenove dias de viagem cheios de aventuras. Tempos depois seguiu o mesmo percurso Dona Victoria de Sá, da família ilustre de Salvador Correa de Sá, com quem se casara Don Luiz de Xeria no Rio de Janeiro. Foi Dona Victoria de Sá a primeira brasileira branca a penetrar o sertão. Guiada por André Fernandes, sertanista, um dos fundadores de Parnaíba, chegou a Guaira, indo ao encontro do marido em Assunção.

André Fernandes voltou na canôa, com tripulação índia que o comandante de Guairá lhe forneceu. Pelo mapa feito então ( 1628 ), verifica-se que já era rotineira a navegação dos rios Sorocaba, Tietê e Paraná, tanto que Xeria encontrou na confluencia dos rios Paraná e Paranapanema diversos moradores entre os quais o pau lista Simão Mendes. [Revista do Arquivo Municipal de São Paulo, 1969. Página 195]No ano seguinte veria Afonso Sardinha aumentadas suas propriedades. Tendo requerido a Gaspar Coqueiro, capitão e ouvidorcom alçada em São Vicente, loco tenente de Lopo de Souza, quecomo morador antigo da capitania, que em tudo servira a el-Rei epronto estava para outra vez o fazer, desse - lhe “ uns alagadiços ecampos " , situados ao longo do rio " Jerobatiba " , de ambos os lados,onde tinha sua fazenda e um trapiche de açúcar, deferindo- lhe oouvidor ao que pedia, mandando passar-lhe a respectiva carta em data de 3 de novembro de 1607 ( 109 ) . Por mais duas oportunidadesseria ainda lembrado para exercer o cargo de vereador. A primeirapara substituir Martins Rodrigues, que havia ido ao sertão, em setembro daquele ano, quando recebeu um voto ( 110 ) , e pela última vez, a 20 de maio de 1610 quando, por vinte e quatro votos foi eleito para substituir a Garcia Rodrigues, ausente da vila. Não estando na ocasião presente " o não obrigaram a tomar logo jura mento " ( 111 ) , o que não chegaria a ocorrer em razão do regresso do substituido.

Em 1615 devia Afonso Sardinha contar mais de oitenta anos de idade, pois contráira matrimônio em 1510 (o ano correto é 1550), isto é, sessenta e cinco anos antes, quando então não deveria ter menos de dezoito anos. Talvez julgando estar próximo o fim de seus dias, a 9 de julho fêz apresentar-se no mosteiro da Companhia de Jesus o tabelião da vila de São Paulo, para mais uma vez, lavrar seu testa mento, anulando aquele outro escrito vinte e três anos antes. quando partira para a guerra. Naquela igreja, “ diante do altar de Nossa Senhora da Graça, perante testemunhas, ele e Maria Gonçalves declararam:

" que davam e doavam à sua capela que está no Mosteiro da Companhia de Jesus do Padre Santo Inácio, de Nossa Senhora da Graça, que eles tinham feito era sua, porquanto não tinham herdeiros forçados nem naturais nem de legítimo matrimônio ( ... )

por isso constituiam e tinham constituido dita capela de N. Senhora da Graça e a ela movidos de sua pia devoção e para se mostrarem agradecidos a N. Senhora sua mãe pelas mercês que eles tinham recebido e para terem advogada em N. Senhora da Graça disse para todo e sempre de seu moto próprio de ambos juntos estando em seu perfeito juízo que N. Senhora lhe deu faziam uma voluntária doação e escritura em sua vida de ambos como de feitio fizeram de tôda a sua fazenda, movéis e de raiz, peças escravos da Guiné e da terra, terras, casas e gado, e da mais fazenda benfeitorias que possui am e tinham de seu nesta vila de São Paulo e todo o mais que em qualquer parte que estivesse e tivessem e se soubesse ser sua e por algum modo lhe pertencesse tirando o que tinham dado por dotes ou esmolas a saber quinhentas braças de terras que tinham dado a Pero da Silva (Marido de Luzia Sardinha, filha de Afonso Sardinha, o moço, de quem descende em linha reta o grande sertanejo Fernão Dias Falcão, um dos descobridores e capitão mór regente das minas de Cuiabá, de 1718 a 1730.) as quais lhe tinham prometido de dote de casamento , as quais correndo do ... de uma água dá para dentro do mato e por virtude desta lha damos de hoje por diante e tomaram posse delas e porquanto êles dito Afonso Sardinha e Maria Gonçalves não tinham herdeiros havendo tantos anos, faziam como de fato fizeram dita doação e escritura de toda a sua fazenda movéis e de raiz como dito é a sua Capela de N. Senhora da Graca , constituída por eles ditos doadores, na Igreja dos Padres da Companhia de Jesus e declararam eles ditos doadores Afonso Sardinha e Maria Gonçalves que como a Capela que eles tinham constituido estava na Igreja dos ditos Padres e haviam de ter cuidado da conservação e aumento dela êles ditos padres tomariam posse de tudo como sua e da dita fazenda fariam inventário e tomariam cuidado dela dispondo de tudo só para bem e aumento da dita Capela e poderiam vender, dare doar, descambar e trocar tudo ou parte de cada coisa para bem sòmente e proveito da capela e para ornar e aparamentar o altar de N. Senhora da Graça, seriam Administradores e senhores absolutos de tudo sem nenhuma pessoa lhes pedir conta de nada e que em caso que alienassem alguma coisa da dita fazenda em todoou em parte dela fósse somente para que a dita capela tivesse uma perpétua renda e de juros ou qualquer outro rendimento mais cômodo, conforme ao parecerdos ditos Padres e mais declaravam êles doadoresque querem e são contentes que em caso que pelo dis carço do tempo depois sua Capela estar bem provida ede todo o necessário de ornamentos e mais petrechospara o ornato do altar que os ditos padres da Companhia de Jesus apliquem a dita renda acima que já estáposta em Portugal como do que ao diante se fizer parao azeite do Santíssimo Sacramento do altar mór dadita igreja de S. Inácio ou para qualquer outra coisanecessária assim para a igreja e Altares dela como parao provimento da dita casa e Religiosos, visto serem êlestambém donatários e haverem de ter cuidado da ditaCapela , entendendo sempre ser tudo sem prejuízo da dita Capela, entendendo sempre ser tudo sem prejuízoda dita sua Capela e declararam mais os ditos Doadoresque já têm dado uma pouca de prata a saber duascruzes , um alampadario e castiçais de prata e um ornamento de damasco branco e tela e todo o mais que seachar para o serviço da dita Capela e Igreja de S. Inácio e disseram mais êles Doadores que querem e são contentes que eles ditos Padres da Companhia de Jesus tenham cuidado de toda a sua gente fôrros goaramins,como de outras nações e esteja tôda ela debaixo da ad ministração e doutrina dos ditos Padres como sua por assim entenderem convir para bem de suas conciências e mór liberdade dos ditos índios forros sem ninguém osinquietar nem pretender e de hoje por diante lho en tregam para a doutrinarem e encaminharam para o ca minho da sua salvação e administrar sacramentos, edeclaram mais êles ditos doadores que por esta sua liberal Doação em vista dêles ambos doadores anulam todos e quaisquer testamentos que tivessem feito e assen tamentos assim públicos como rasos e que só esta doaçãoe escritura querem que valha e tenha fôrça e por vir tude dela não tenham de que fazer testamento e de claram eles que desde agora para todo o sempre sedesa possam de tôda sua fazenda e se desa possam delas que os ditos Religiosos de hoje tomassem posse porquantoêles Doadores ....... se desa possam dela e queriam queêles ditos Religiosos tomassem posse em nome da ditaCapela, administrassem a dita fazenda e a regessem egovernassem , como sua de hoje em diante e só queriamêles Doadores gozar dos usos e frutos em sua vida deambos e de qualquer dêles em vida de cada um delesem sua vida os frutos da dita fazenda ficando a propriedade de Tôda ela à dita sua Capela e Padres daCompanhia de Jesus e que só as ditas quinhentas braçasde terras que tem dado a Pero da Silva tiradas da ditadoação as quais lhe dão do modo que a êles doadores possuem e declaram que eles tem dado umas casas na Vila de Santos a Gregório Fernandes ( 113) nosso sobrinho por boas obras que dêle têm recebido as quaislhe ficam sem prejudicar a esta doação por boa e valiosade hoje para todo o sempre em fé e testemunho da verdade, etc." ( 114 ) .[Página 613 do pdf]

Meses depois, repartida entre oitenta moradores da vila uma leva de carijós vindos do sul de São Paulo, trazida pelos bandei rantes, tocaram a Afonso Sardinha um índio por nome Senhô sua mulher Tobirí e um filho Caraibaguar e uma índia de nome Taborata. Como os demais beneficiados, devia ele declarar ter recebido os indígenas deixados por forros, conforme obrigações passadas do senhor Governador e os ocupar no benefício das minas, obrigando se, a todo o tempo, dar conta dêles. Dizendo que para tal os queria mas que “por ser muito velho e lhe tremer muito a mão ( ... ) o não podia assinar”, por ele subscreveu o ato o escrivão Belchior da Costa (115).

No ano seguinte desistia Afonso Sardinha ( 116 ) de herdar,no inventário do neto Pedro Sardinha, falecido no sertão em 1615,quando na bandeira de Lázaro da Costa . Estava já senil, perto dos noventa anos de idade, talvez nos últimos dias de uma longa existência , a maior parte dela dedicada aos interêsses dos republi canos da vila de São Paulo de Piratininga.“ Altivo, sagaz e inteligente ", como diz Nuto Santana ( 117 ) ,embora analfabeto, pois nem mesmo o nome chegara a aprender como escrevê- lo , fazendo- o através do sinal da cruz ( 118 ) , galgara ele os elevados postos de direção da vila, onde foi juiz ordinário,vereador, almotacó e capitão das gentes, amealhando largos cabedais no comércio, na lavoura, na indústria, na mineração e nos mais diversos ramos da atividade de então .Falecido Afonso Sardinha e sua mulher Maria Gonçalves se riam seus corpos sido levados à sepultura ao pé do altar de NossaSenhora, junto à capela que fizera construir na igreja dos padres de Santo Inácio, conforme declararam em ambos os testamentos .. Aquela igreja onde foi dita a primeira missa em Piratininga ,a 25 de janeiro de 1554. sofreria várias transformações, até a ex pulsão da Companhia de Jesus, pelo Marquês de Pombal em 1759 .A primitiva construção, feita de madeira e palha, substituidas por taipas e telhas, constava posteriormente de três corpos unidos entre si , mas para diferentes finalidades ; a igreja , que estava ao lado do sul, começada de paus rolicos cobertos de capim sempre aumen tada e melhorada até tornar - se um templo regular, o melhor deentão, mercê das muitas dádivas que lhe eram feitas, como as de Afonso Sardinha e sua mulher, de João Pires, de dona Leonor de Siqueira e de sua filha dona Ângela, de Fernão Dias Pais e outros.As duas outras partes eram o convento, onde habitavam os irmãos e o colégio onde aprendiam os índios e , mais tarde, os meninos davila. Destas últimas parte, uma junta à igreja, corria ao longo de escarpada rampa , por sobre o rio Tamanduateí, formando parte central e principal do prédio ; a outra formava uma ala de avanta . [p. 615 e 616]



Sorocaba/SP
São Paulo/SP
Rio de Janeiro/RJ
Ermidas, capelas e igrejas
Pela primeira vez
Bairro Itavuvu
Martim Afonso de Sousa
1500-1564
Rio Anhemby / Tietê
Itu/SP
Ouro
Fazenda Ipanema
Afonso Sardinha, o Velho
1531-1616
Dinheiro$
Rio Sorocaba
Balthazar Fernandes
1577-1670
Carijós/Guaranis
São Vicente/SP
Martim Rodrigues Tenório de Aguilar
1560-1612
Santana de Parnaíba/SP
Santos/SP
Francisco de Sousa
1540-1611
Suzana Dias
1540-1632
Rio Geribatiba
Caminho do Mar
Cachoeiras
Araritaguaba
Rio Tamanduatei
Rodrigo César de Meneses
São Roque/SP
Manuel Fernandes Ramos
1525-1589
Manuel Eufrásio de Azevedo Marques
1825-1878
Pirapora do Bom Jesus/SP
Pirapitinguí
João Capistrano Honório de Abreu
1853-1923
Clemente Álvares
1569-1641
Jurubatuba, Geraibatiba
Osasco/SP
Engenho(s) de Ferro
Porcos
Porto Feliz/SP
Cuiabá/MT
Cristãos
Mogi das Cruzes/SP
Francisco de Assis Carvalho Franco
1886-1953
Pedro da Silva
1600-1654
Mosteiro de S. Bento de Sorocaba/SP
Sebastião de Freitas
1565-1644
Música
Nicolau Barreto
São José dos Pinhais/PR
Pão d´alho
Paranapanema/SP
Rafael Tobias de Aguiar
1794-1857
Salvador Pires
f.0
Sabaúma
Rio Juquiri
Rio Itaí
Antônio de Sant´Anna Galvão
f.1822
Pedro Cubas
1538-1628
Jerônimo Leitão
Edifício Perseverança III
Elias Ayres Do Amaral
n.1800
Gaspar Gonçalves Conqueiro
Gregório Francisco
Guareí/SP
Guerra de Extermínio
Angela Fernandes
1586-1650
Itanhaém/SP
Cláudio Furquim "Francês"
1590-1665
Jorge Correa
Jorge Tibiriçá Piratininga
1855-1928
Luís António de Sousa Botelho Mourão
1722-1792
Luis de Céspedes García Xería
n.1588
Luzia Sardinha
1580-1620
Manuel Dias Machado
Inácio Ferraz Leite Penteado
Belchior da Costa
1567-1625
Açúcar
África
Ambuaçava
Américo Antônio Ayres
1766-1840
Angola
Diogo Gonçalves Lasso
f.1601
Avecuia, “terra que cai”
Convento/Galeria Santa Clara
Boigy
Bois e Vacas
Cabusú
Caminho São Paulo-Santos
Canôas
Catarina Dias
1558-1631
Thomas Cavendish
1560-1592
Antônio Rodrigues Velho ´o Araá´
f.1616
Arquivo Histórico Municipal (SP)



Revista do Arquivo Municipal de São Paulo
Data: 01/01/1969
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EMERSON


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ANO:122
  testando base


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foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]