356terras denominadas “Tijucas”, que foi confirmada por Filipe II (primeiro de Portugal) em 26 de maio de 1597.
Trinta anos depois, sendo Martim de Sá governador do Rio de Janeiro, seu irmão Gonçalo pediu-lhe outra sesmaria de terras devolutas, que se limitavam com as de Camorim, onde tinha o seu engenho de açúcar, o que lhe foi concedido em 6 de maio de 1627.
No ano seguinte, D. Vitória, filha de Gonçalo Correia de Sá, também, lhe deu Gonçalo Correia de Sá, contraiu matrimônio com D. Luís de Cépedes e houve de dote o engenho “S. Gonçalo e meia légua de terras anexas com os canaviais ali existentes e mais uma légua na restinga da praia”, correndo do pé da serra de Guaratiba para a Tijuca.
Seu tio, Martim Correia de Sá, também, lhe deu como dote 5.000 cruzados, sendo 2.500 em açúcar e os outros 2.500 em um curral de gado nos campos do dito engenho que lhe pertencia e ao seu irmão.
Falecendo mais tarde Gonçalo, que era um dos donatários da referida sesmaria, sua viúva, D. Esperança e sua filha D. Vitória, casada com D. Luís, resolveram vender toda propriedade herdada a Salvador Correia de Sá e Benevides, filho de Martim de Sá, o que se efectuou por escritura pública, de 2 de janeiro de 1653.
Tendo deixado de existir D. Luís Cépedes, sua viúva, D. Vitória, houve por bem vender a Tomé de Sousa uma data de terras “do rio Ipauna para dentro, começando na serra, onde o dito rio sai, até a cancela do caminho real”, bens que lhe tinham sido doados pelo seu tio Martim e herdados de seu pai.
D. Vitória faleceu em 30 de janeiro de 1667 e legou ao Convento de N. S. do Monserrate: “todas as terras com o engenho de açúcar, desde o rio Pavuna até o mar, correndo da costa até junto a Sepetiba, com montes, campos, restingas e lagoas”. Todas estas terras, actualmente, constituem os terrenos do “Camorim”, da Vargem Grande e Vargem Pequena.
As terras no recôncavo do Rio, acima apontadas e vinculadas no Morgado, foram como as da Capitania de São Tomé, pelas provisões régias de 20 de julho de 1820 e de 19 de maio de 1821, aforadas em prazos perpétuos e também vendidas pelo 7.º Visconde de Asseca, autorizado pelo decreto n.º 290, de 16 de agosto de 1843, e assim passaram para o poder de terceiros como bens alodiais.
Salvador Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara (7.º Visconde de Asseca) e sua esposa, D. Mariana de Sousa Botelho, chegaram a Campos em abril de 1847 para assinar a escritura dos bens do Morgado, que constava das duas importantes fazendas de açúcar denominadas Visconde e Cupim, muitos campos de criação, escravos, (420), gado, (2.000 cabeças), e todas as terras aforadas perpetuamente e as arrendadas.
A escritura de venda foi passada em casa do Coronel Gregório Francisco de Miranda, à rua Direita, onde hoje funciona a Repartição Estadual de Força e Luz.
Como o inventário dos bens do 6.º Visconde de Asseca, Antônio Maria Correia de Sá e Benevides Velasco da Câmara, ainda não estava ultimado, seu filho e sucessor (7.º Visconde de Asseca) representou na venda a Viscondessa sua mãe, como tutora de seus filhos José Maria e Maria Rita.
Foram compradores o Coronel Gregório Francisco de Miranda e sua mulher D. Maria Isabel Gusmão de Miranda (Barões de Abadia em 15 de abril de 1847); seus dois genros Domingos Pereira Pinto e sua mulher D. Ana Gregório de Miranda Pinto (Baronesa de S. Vicente de Paula em 11 de abril de 1888) e Dr. Joaquim Manhães Barreto e sua mulher D. Antônia Gusmão de Miranda Pinheiro (Barões da Lagoa Dourada em 9 de janeiro de 1867). Assinaram como testemunhas o Conde da Ponte, D. João Saldanha da Gama, o capitão Manuel de Sousa e Bento Caldas.
Os sete primeiros Viscondes de Asseca tiveram os seus nomes ligados à história de Campos, já como donatários, (os 4 primeiros), já como senhores do Morgado e figuraram nas suas páginas como déspotas, pelos atos praticados pelos seus representantes, administradores, procuradores: extorsões, toda a sorte de violências, amparados pela sua justiça venal.Seus nomes, e os dos que lhes sucederam, serão apontados no próximo artigo.BRASIL AÇUCAREIROMARÇO, 1950 — Pág. 80[p. 80]
plantada está avaliada em quartéis de alqueire paulista.Como submúltiplo do alqueire a medida é em geral conhecida como Quarta, mas, nas actividades canavieiras, sempre a chamam Quartel.Mesmo nos progressistas amanhos da terra paulista as unidades agrárias do sistema decimal são largamente preteridas pelas medidas tradicionais, de antigo uso, as quais sofrem, por isso mesmo, de liberdade de interpretação.Assim, o Alqueire Paulista, de poderosa penetração em Minas-Gerais e Mato Grosso, e cada vez mais usado no sul do país, por entre vigorosa infiltração através as lavouras do Paraná, apresenta nada menos de quatro tipos, sendo preferentemente apelidado de “paulista”, mercê do intenso uso, aquele que mede 100 braças por 50, na equivalente de 2,4200 hectares.QUARTEL DOS CANAVIEIROSUsado em mais de metade dos municípios do mais rico Estado, esse estalão agrário bem merece o apelido regional com que se vai espalhando pelo centro, ocidente e meridião do país.Sai directamente desse padrão a Quarta, necessariamente unidade divisionária que representa 1/4 de alqueire paulista, valendo portanto 50 x 25 braças, o que dá em hectares 0,6050.O Quartel, como o chamam os canavieiros, também figura como outra medida menor, a Tarefa de 25 x 25 braças.Há portanto dois Quartéis, como me acentuava Hannickel, aquele que vale 1/4 do alqueire paulista e o outro representado por um dos seis tipos de Tarefa vigentes no Estado.REABRE-SE A DISCUSSÃO DA TAREFAA maior Tarefa paulista mede 30 x 30 braças e a menor 12 x 12 braças, sempre empregadas como unidade de trabalho, encargo do trabalhador para a jornada que passa no campo.Estas coisas Hannickel vai explicando aos professores ao mesmo tempo em que atende a detalhes do serviço no engenho.Afirma que a Tarefa mais usada é a de 12,5 x 12,5 braças, ao passo que a tarefa-quartel, 1/8 de alqueire paulista, goza de uso regular.Essa tarefa-quartel é a mesma medida apelidada Linha, no Maranhão, e Mil Covas, ou Vinte e Cinco, no Rio Grande do Norte.Quando um dos professores louva os conhecimentos particularizados do senhor de Caaguaçu, o velho e grande descendente de libaneses aponta lá em baixo, na horta, o moço de chapelão que examina os repolhos: é o seu professor, um agrônomo de Campinas, que vem sempre passar as férias naquele risonho recanto da paisagem sorocabana.Concorda nosso gentil hospedeiro em que o pingueiro Caaguaçu é o último de constelação local famosa no Império, quando o Engenho Velho, a nordeste da bacia do córrego dos Martins, lá para as bandas de Itavuvu, destacou-se como máximo produtor da zona.RUMO DE CERRO AZULDepois de delicioso meio-dia no derradeiro aguardenteiro de Sorocaba, o auto com os professores do Clube de Geografia meteu decididamente o rebrilhante nariz da capota no rumo de oeste-sudoeste, afastando-se algo do bordo ocidental da Paranapiacaba, todo injectado de granitos até o Pilar, um dos “boulders” com tal jeito de elefante que lhe juntaram pintura externa acentuando a semelhança: o paquiderme espia a estrada de cima do flanco de uma abóbada.Esses detalhes, porém, não foram fotografados, nem mesmo tomados ao lápis por nosso solerte companheiro, o pintor Israel Cisneiro, pela simples razão de termos continuado pela estrada de Itapetininga, onde a dormida decorreu calma e reparadora.No dia seguinte, ainda bem manhã, já rodávamos dentro do município paranaense de Cerro Azul — mas isto é outra história canavieira. [p. 84]