1 de julho de 2020, quarta-feira Atualizado em 03/12/2025 00:45:31
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JUL.
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HOJE NA;HISTóRIA
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0:01Auuu, auuu, auuu, auuu! Que isso, cara? Acha que enlouqueci? Acha que eu tô doente? Eu0:11tô doente, eu tô doente, eu peguei uma doença terrível, contagiosa! Sabe qual é o nome0:17dela? Auri Sacra Fames! Que que quer dizer Auri Sacra Fames, cara? Tu não sabe o que0:23é Auri Sacra Fames? Quer dizer "febre do ouro"! Febre do ouro, de repente a pessoa0:30tilintando, corrói a pessoa por dentro, transforma o coração numa espécie de cofre de metal,0:39o sangue fica enrijecido, é uma coisa horrível, e sabe o que que é pior!? É contagiosa!0:46É muito contagiosa! Ouro e cobiça, ouro e maldição. Ouro! Auuuu! Auuu! E por que0:54que eu tô dizendo "au", cara? Porque Au é a sigla que define e o ouro na tabela periódica.1:04Sim, cara, tu faltou na aula, eu sei, tu tava matando aula quando teve a aula da tabela1:12periódica, mas o ouro é o número 79 do grupo 11 da tabela periódica, como é que1:20tu não sabe? Mas ouro, eu só penso em ouro, e por só pensar em ouro, esse canal Buenas1:28Ideias agora tem membros, você sabe, e os membros, ao contrário de ti que é um chinelão1:32que não é membro ainda, podem escolher os temas! É a nossa novidade. E a gente abriu1:39uma votação, embora, democracia, tu sabe, seja o pior tipo de regime, excetuados todos1:44os outros... A gente abriu uma votação e os MEMBROS, e tu que é membro não pode,1:51escolheram o tema! E qual é o tema que eles escolheram? Caminhos do ouro, a descoberta1:57do ouro, o ouro no Brasil. Aliás, um dos meus temas favoritos. Vem comigo, vem comigo,2:04tu vai ver onde é que a gente vai caminhar, por que lugares a gente vai percorrer! "Mau2:14agouro, mau agouro, foram descobertas as minas de ouro!". Cara, meu, já vou te avisando,2:39vai dar uns quatro episódios! É sério, falando sério, cara, porque cara, a história2:45do ouro, o ouro na humanidade, o ouro no Brasil, é uma loucura, né. Tu é tão ignorante2:54que tu nem sabe a origem do ouro. Cara, pra contar a história do ouro tem que retroceder2:58no tempo, retroceder até o tempo em que os continentes estavam juntos... Não, não,3:02antes, cara! Antes! Tem que retroceder aos tempos em que a Terra era só uma bola fumegante...3:10Isso antes dela ficar plana, né, deve ter sido no segundo dia, né, Deus criou em sete,3:15no segundo dia a Terra ainda era uma bola fumegante, né cara, girando, né cara, e3:20começou a receber uma série de ataques, um ataque DE!? Meteoros e meteoritos, e foi3:29assim que o ouro chegou na Terra, cara! Não é piada, não é piada, vai lá ver... Claro,3:35na verdade ainda é uma teoria... Não se sabia até pouquíssimo tempo a origem do3:40ouro, essa teoria é dos anos 70, 1970 do século passado! E agora tá muito próximo3:45de se confirmar que o ouro veio do espaço! O ouro veio do espaço! Junto vieram os vírus,3:51junto veio os seres humanos, tudo veio do espaço, cara! Não, mas sério, sem piada,3:56o ouro teria vindo do espaço, meteoros, e caiu lá, pum, papapá, os humanos, cara...4:01Se acha que o ouro é o primeiro metal que os humanos usaram e descobriram. Ouro é uma4:07palavra latina, né, que quer dizer "aurum", que quer dizer "brilhante", "reluzente", talpapapa.4:14E muitos povos antigos, tem registros de exploração de ouro, de piração com o ouro, no Egito4:22lá no ano 2700 a.C., nos sumérios, papapá. Os sumérios piraram com o ouro. Mas de início, cara, o ouro era como se fosse... Tu vê a sabedoria desses povos antigos, e agora sem piada!
Achavam que o ouro representava o sol! Por ser fulgurante, por ser amarelo, por ser reluzente... E representava mesmo as estrelas, né cara!!
E aí os povos do Egito, os povos fenícios, todo mundo "aaa ouro, ouro, ouro!". Mas o ouro ainda não era moeda, não era4:54padrão, era um metal sagrado, porque tem um lado que o ouro é sagrado! E se o ouro5:02fosse considerado apenas sagrado, tudo estaria muito melhor! Mas o ouro virou logo um padrão5:08monetário, virou papapá, os europeu, o ouro, piraram, toda a civilização construída5:13em torno da porra do ouro, rereré rereré.
Tanto é cara, que quando o Colombo, eu digo5:18sempre isso na minha peça, e as pessoas ficam "oh!", quando o Colombo, Cristóvão Colombo,5:24Cristóvão "o portador de Cristo", que maravilha... Cara, falando desse jeito var ter cinco episódios. Porque falta muito ainda pra chegar no Brasil. Quando o Colombo (1451-1506) veio, cara, no diário dele, em 80 e poucas páginas, tem 249 vezes a palavra "ouro". É. "Viemos por Deus e pelo ouro, viemos para catequizar... e o ouro...". Né, tal. E aí chegaram "ouro, ouro, ouro, onde é que tem ouro, ouro!". Tem uma outra história que eu também conto na minha peça e que eu espero que essa pandemia passe e que a peça também possa voltar, porque a peça6:00é simplesmente sensacional, eu conto uma história incrível, verdadeira, que quando
o Hernán Cortes chega no México, em Tenochtitlán, talvez a maior cidade do mundo na época,6:11o Montezuma leva ele pro topo do templo maior, em Tlatelolco, que ainda existe ali as ruínas,6:17papapá, e ele sobe ali em cima e vê essa cidade inacreditável, incrível, com um jardim6:22zoológico, uma cidade toda aquática, com 600 mil habitantes, muito maior que Londres,6:26muito maior que Paris, comparável só com Istambul, Constantinopla, né, Bizâncio,6:34e e e o Cairo, talvez, talvez maior que todas essas... E olha aquele puta visual lá e o6:41tempo inteiro "ouro, ouro, ouro, cadê o ouro!?!?!". E o Montezuma disse "bah cara, qual é que6:48é, cara? Relaxa, papapá, vê aí o visual..." e o Cortês "ouro!!!!". Aí o Montezuma "vem6:53cá cara, por que que vocês só pensam em ouro?". E o Cortês... Eu digo na peça mas7:00vou repetir, pensa, "vou enganar esse índio trouxa" e diz pra ele o seguinte: "porque7:06nós, espanhóis, sofremos de uma doença no coração que só o ouro pode aplacar...".7:14Hahahaha! Sensacional né cara!? Sim, é uma doença, chama COBIÇA! É, e é contagiosa7:20e é uma merda de uma doença. Aliás, abrindo um parêntesis, o ouro foi indicado para tratamentos7:27medicinais, né, de artrite, não sei o que... Só que é pior que a cloroquina! É, cara,7:33o ouro se ingerido, se passado assim, causa um horror, doenças hepáticas... O ouro não7:38é, não dá pra comer ouro! Tu vai ver, porque nós vamos chegar aqui na história da fome,7:42do ouro, da desgraça, da miséria... Tá.
Aí os portugueses chegam no Brasil, logo7:49depois do Colombo oito anos depois, e aí tem uma passagem na carta do Caminha que é7:55maravilhosa, que um índio... Que o Cabral se veste todo pra receber os índios... Vai7:58ler a carta, tu não leu a carta maravilhosa, vai ler essa porra dessa carta, Pero Vaz de8:02Peninha, melhor carta do mundo. Aí o Cabral se veste todo pra receber os índios lá e8:06bota um medalhão de ouro, e aí um dos índios (o Caminha diz) aponta pro medalhão e daí8:14aponta pra terra. Medalhão, terra, terra, medalhão. E aí o Caminha diz "com isso,8:21quisemos entender que ele estava querendo dizer que daquele ouro havia muito naquela8:27terra. Ou pelo menos foi isso que a gente quis entender"! O Caminha diz isso. Mas não,8:32cara, o índio tava dizendo assim "esse medalhão aqui, bah, ia agradar muito a minha patroa8:37lá. Posso levar esse medalhão lá pra dar pra minha mulher? Porque eu dormi aqui (eles8:43dormiram, né), passei a noite fora de casa, me dá o medalhão lá pra eu levar pra patroa",8:46mas eles acharam que era pá. Bom, o fato é que os portugueses chegaram no Brasil sequiosos8:51por ouro, e ficaram procurando ouro durante cento... 200 anos, 193 anos! E tudo que eles9:01achavam aqui, tudo que reluzia, era pirita, o ouro de tolo, né, cara.
Na verdade tu vai9:07ver que não é bem assim. Mas nada do ouro, nada do ouro, e enquanto isso os espanhóis9:14tinham conquistado o México em 1519, 1520, 1521, e conseguiram toneladas e toneladas9:20de ouro saqueado dos astecas, né, o ouro boiando em sangue, né, e o sangue era tão9:27denso que o ouro boiava mesmo, e depois tinham conquistado o Peru de 1532 a 1539, por aí,9:331541, o Pizarro, aquele canalha, papapá, mataram o Ataualpa, e pra esses dois povos,incas e astecas, o ouro era o reflexo do seu deus, porque eram duas sociedades que cultuavam o sol como deus, e o ouro era o metal que representava esse sol na Terra. E achavam que o ouro era sagrado e os protegeria, mas eram tão burros que não tinham ferro, não tinham ferro, e não tinham pólvora, e o que protege e cria a humanidade de fato éo ferro e a pólvora, pra matar, pra destruir, em nome do... ouro! E aí nada de ouro, cara!10:13E os espanhóis... Eu conto isso na peça também, tu tá louco pra ver a peça né,10:18a peça é muito legal, pergunta pra quem já viu. E aí os espanhóis humilhavam os10:24portugueses, diziam "vocês vão ter que ganhar dinheiro do Brasil com o suor do seu rosto".10:30"Ainnhiiii, isso é uma maldição bíblica!", hehehehe! Só o que o ouro existia, tinha10:37muito ouro no Brasil. O Brasil viria em breve (em breve não, porque levaria muito tempo),10:42a se tornar o país, o lugar onde aconteceria a maior descoberta de ouro da história da10:51humanidade até então. O ouro tava ali. Inclusive muitos dos sertanistas de SP provavelmente10:57já sabiam disso, que o ouro estava onde ele estava. A questão é que a legislação em11:03voga ainda dizia que todo o ouro, que todo o ouro encontrado no Brasil pertenceria à11:10Coroa, e não ao descobridor. Aí os caras "ahh, tá brincando né!!!", recursos minerais11:16pertencem à Coroa, aí os caras "tá louco né que eu vou descobrir o ouro e entregar...".11:22Além de tudo, na tua ignorância tu nunca te lembra, tu não faz nem a timeline, tu11:27não faz as associações, não faz sinapses do que que eu falo, tu quer que EU faça tudo11:30pra ti, então eu faço tudo pra ti, em troca de ouro, vire membro do canal Buenas Ideias,11:35que de 1580 a 1640 o Brasil viveu sob a União Ibérica, e aqueles paulistas ali, embora11:41houvessem muitos espanhóis em SP, um dia vou ter que fazer um episódio sobre o Amador11:47Bueno, "o homem que não quis ser rei", por quando... Ai, isso é outra história, mas11:54quando a Espanha virou dona do Brasil os caras disseram "NÃO, nós não vamos!" (São Paulo12:01sempre rebelde) "o nosso rei será o Amador Bueno" e o Amador Bueno "nananão". Era um12:06monte de espanhol, o Salvador Correia de Sá que é um cara que tu na tua constrangedora12:11ignorância não sabe, foi o dono do Brasil, o dono do Brasil por 50 anos, a família Sá,12:17bababá, manda no RJ, ou mandava até pouco tempo, agora é a família Cabral... O Salvador12:24era casado com uma castelhana, né e tal. Mas mesmo assim muitos dos sertanistas bandeirantes12:31que vieram a ser chamados de espanhóis, brasileiros e luso brasileiros, não iam entregar o ouro,12:39literalmente, pros espanhóis. Então quando acaba, em 1640, né, já surge, já pipocam12:44as primeiras minas em 1641, ali, já sabiam que tinham aquelas minas ali, mas não. Aí12:49a história começa, AGORA que vai começar o episódio, cara, agora que vai começar12:55a primeira parte do primeiro episódio, serão sete episódios sobre o ouro. Eu faço o que13:00eu quiser, o canal é meu, tu já sabe. Eu só não faço mais longo porque aí a minha13:05filha quer me matar. E que sucesso que foi a minha filha no canal, né, cê viu aquela13:10pílula. "Cara, a história que eu vou te contar hoje é uma das histórias mais comoventes,13:14tocantes, enternecedoras, comoventes e lindas de toda a fábula da história do Brasil".13:20Bom, ela vai me substituir em breve, as pessoas querem e eu também quero. Aí é o seguinte,13:29em 1679 o Dom Pedro II... Sim, cara, Portugal sempre na frente do Brasil, Portugal já tinha13:39o Dom Pedro II em 1679, era regente, viraria rei em 1684, em Portugal, Dom Pedro II, e13:46ele manda uma carta pros "homens bons" (hehe, maravilha isso, né, "os homens bons"), que13:50eram os membros da Câmara, pra tu ser um membro da Câmara tu tinha que ser um "homem13:54bom", como até hoje né, na Câmara, no Senado, tem que ser, "os homens bons", chamava assim,13:59"homens bons" de São Paulo, dizendo "Portugal está numa crise tão gigantesca que só mesmo14:05o ouro pode nos curar", implorando os caras pra irem lá em busca do ouro. Quando muda14:12a legislação em 1690, as mina papapaá, tem ouro aqui, tem ouro aqui, tem ouro aqui!14:19Claro, né! Mas daí a primeira descoberta oficial é atribuída a um cara chamado Rodrigo14:25Arzão. Que saiu do Espírito Santo e subiu as montanhas... Deve ter passado pelo Pico14:31da Bandeira, tal, e chegou nas nascentes do Rio das Velhas, e depois de alguns meses retorna14:38pro ES, cara, ele e os seus 50 carijós escravos, todos nus e esfarrapados, é, porque tinham14:47sido atacados pelos terríveis índios cataguases, ali na região dos cataguases, mas chegam14:53com 10 gramas de ouro! E dizem "olha aqui, dez gramas de ouro!". E ele entrega, literalmente,
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]