"Teve seu nascimento junto ao Outeirinho de Santa Catarina, e na sua adolescênciaainda não passava do ribeiro do Carmo para o Ocidente; mas ao depois de seaumentar o comércio com a Vila de S. Paulo, e Povoações de Serra acima, aospoucos se foi estendendo para o Oeste; porque os Paulistas, quando vinham a Santos alugavam as casas mais próximas ao Porto do Cubatão. [...] e caminhou a edificação das casas para o Poente, o qual passou o ribeiro de S. Jerônimo, baliza dos dois Sócios, e entrou pela vargem, que fora do Mestre Bartolomeu; ficando por isso quase toda a Vila abafada de montes, o que não sucederia, se os edifícios seguissem o rumo do Oriente: eles tinham principiado onde acaba o outeiro de Montserrat, queimpede as virações refrigerantes [...]. Desta desordem nasceu ficar deserto quasetodo o lugar, que serviu de berço a Vila, o qual se conservou sem moradores até oano, em que edificaram os Quartéis dos Soldados atrás da Matriz. [...] se enganaramos Historiadores em adotarem a Martim Afonso de Souza a fundação da Vila doPorto de Santos; este é o nome próprio, e verdadeiro, com que ela foi criada." (4MADRE DE DEUS, Frei Gaspar. Fundação da Villa do Porto de Santos. In: Memórias para a história da Capitania deSão Vicente: hoje chamada de São Paulo. Lisboa: Typografia da Academia,1797, p. 104.) [0]
"São Vincente [sic] é uma ilha próxima da terra firme e onde há dois logares, umdenominado em portuguez S. Vincente e na língua dos selvagens – Orbioneme24. Ooutro, que dista cerca de 2 leguas, chama-se Ywawasupe25, além de algumas casas nailha que se chamam Ingenio, nas quaes se faz assucar. Os portugueses, que ahimoram, têm por amiga uma nação brasílica de nome Tuppin Ikin, cujas terras seestendem pelo sertão a dentro, cerca de 80 leguas e ao longo do mar umas 40 leguas. Esta nação tem inimigos para ambos os lados, para o Sul e para o Norte. Seus inimigos para o lado do Sul chamam-se Carios [Carijós] e os do lado Norte TuppinInba".
A região da ilha que corresponde a atual cidade de Santos era conhecida no séculoXVI como Enguaguaçu, sendo dividida em forma de ordenações reais por Martim Afonsoentre os colonizadores portugueses Paschoal Fernandes, Domingos Pires, Braz Cubas, Luís deGóes, Mestre Bartholomeu Fernandes Gonçalves e os irmãos genoveses José e FranciscoAdorno.(Página 40)
"1532 - "Capela da Madre de Deus" - junto ao Engenho do mesmo nome - fundadapor Pero de Góes. 1540 - "Capela de Santa Catharina" - junto ao outeiro do mesmonome - primeira capela propriamente santista - fundada por Luís de Góes e suamulher, d. Catharina de Andrade e Aguillar. 1562 - "Capela de Nossa Senhora da Graça" - Em Santos - fundada por José Adorno e sua mulher, d. Catharina Monteiro.
1568 - "Capela de Nossa Senhora do Desterro" - no morro do Desterro, atual S.Bento - fundada por mestre Bartholomeu Fernandes Gonçalves (o Ferreiro). Em1650 foi nela fundada a igreja de S. Bento.
1585 - "Igreja do Colégio" - fundadapelos jesuítas, junto ao Colégio da Vila. Passou a exercer funções de Matriz, emsubstituição à de Santa Catharina, em 1591, depois do saque e depredação deThomás Cavendish. 1599 - "Igreja de Nossa Senhora do Carmo" - com convento.Fundada, parece, por frei Domingos Freire e outros carmelitas, os mesmos que,chegados em 1580, haviam se recolhido provisoriamente à capela de Nossa Senhorada Graça.
1603 - "Capela de Nossa Senhora do Monte Serrate" - fundada por d. Francisco de Sousa, no alto do morro de São Jerônimo, depois Monte Serrate.
1641 - "Igreja de Santo Antônio" - fundada por frei Pedro de S. Paulo e seus companheiros:frei Manoel dos Santos, frei Francisco de Coimbra, frei Bernardino da Purificação,frei Thomás da Madre de Deus, e os leigos: frei Domingos dos Anjos e frei Antôniode S. José, todos franciscanos.
1650 - "Mosteiro de S. Bento" - Igreja e convento, fundada pelos frades beneditinos, sobre a antiga capela do Desterro, em terras e capela doadas por Bartholomeu Fernandes Mourão, neto do "Ferreiro" (Página 45)
composição deste cenário, os franciscanos e os beneditinos, que complementam essadiscussão sobre mediadores culturais, principalmente a ordem franciscana. De acordo comRöwer (1955) baseando-se em fontes históricas da Província Franciscana, os frades menoreschegaram no Brasil logo no início da colonização, entretanto, apenas em 1586 a OrdemSeráfica estabeleceu-se em território brasileiro67. Como sabemos, os franciscanos já tinhamsido precedidos em termos de ocupação permanente na vila, apenas em 1639 esta ordem sefixará definitivamente na região, fundando em 1640 o Convento de Santo Antônio na regiãoque será conhecida posteriormente como Valongo.
"Esses primeiros franciscanos, fundadores do aludido convento, foram recolhidos àsua chegada à Capela de Nossa Senhora do Desterro, propriedade então deBartholomeu Fernandes Mourão, onde estiveram até 12 de junho daquele ano de1640, ocasião em que se passaram para o convento próprio, pronto apenas em parte[...]
O local para a construção do convento franciscano em Santos, foi doado pela Câmarada Vila, sem empecilhos na obtenção do terreno, o processo de doação é descrita porJaboatão."Para a fundação do convento fez a Câmara da Vila h´ua escritura ao custódio fr.Manuel de Sta. Maria, pela qual se obrigava a dar-lhe o sitio que ele escolhesse, e apagar a terra a seus donos, e nesta conformidade se fez a aceitação. Mas escolhidopelo custódio o tal sitio, se achou terem nele parte três, ou quatro pretendentes, JoãoBarbosa, Bartolomeu Fernandes Murrão, Felipe Pereira, e outros mais, que todos porsua devoção vieram a largar o que lhes tocava, de que se fizeram duas escrituras,h´ua por Felipe Pereira, da parte, que corre longo ao Ribeiro, e pelos outros da parte onde vem a água para o sítio do convento"
Segundo Jaboatão, a primeira etapa da construção do convento foi desempenhada porirmãos leigos e alguns mestres de obra, que prosseguiram as obras até o acabamento da casaprovisória. Ainda os mesmos, construíram a fábrica do Convento com a igreja, o que durouem torno de um ano. No dia 1 de julho de 1641, foi realizada a cerimônia de lançamento dapedra fundamental, nesta ocasião foi realizada a missa em um altar armado precisamente no lugar onde seria erguido o altar-mor. Segundo Röwer é certo que essa construção só foipossível pela colaboração da população da vila."Esta obra se continuou concorrendo todos com copiosas esmolas tãosuperabundantes que no livro das esmolas que no arquivo existe se não achavaquantia notável com que os Irmãos (os Religiosos) concorressem para esta fábricamais do que 50.000 que por ano se pagavam ao mestre pedreiro que administravaesta obra, nem consta que se pagavam outros oficiais, sendo hua obra magníficaque... (ilegível)...este Convento de St. Antônio do Rio de Janeiro, e é certo que empoucos anos se concluiu este Convento70.
Ainda em 1642 as obras continuaram no convento, como informa este trecho, [...] Sóem 1642, sendo custódio da Ordem Frei Manuel dos Mártires, foi que se deu início àconstrução definitiva do Convento com a Capela anexa, que são os que se vêem ainda hoje.[...] 71. Porém, o autor não identifica que capela seria esta, já que a capela da VenerávelOrdem Terceira de São Francisco da Penitência seria construída apenas em 1689. Sabe-seainda por Santos, assim como por Röwer que a igreja de Santo Antônio foi construída depoisdo convento, sendo sua primeira missa realizada somente em 24 de março de 169172
Os beneditinos se instalaram na vila do Porto de Santos em 1650, com a fundação doMosteiro de São Bento, efetuada na Capela de Nossa Senhora do Desterro, a mesma capelaconstruída em 1568 pelo mestre Bartholomeu Fernandes Gonçalves e que também serviu deabrigo para os franciscanos quase uma década antes. A doação deste espaço destinado à casados beneditinos é atribuída a Bartholomeu Fernandes Mourão, filho do mestre ferreiro daEsquadra de Martim Afonso. Segundo Andrade (1996), fazia parte da doação, além daermida, 2 casas, 12 vacas, 1 touro, 1 pastor índio, alfaias, entre outras vantagens. Em troca, osbeneditinos deveriam rezar 3 missas por mês pelas almas do doador e seus descendentes, estesgozariam do direito de serem enterrados na Capela de Nossa Senhora do Desterro73.
A licença da construção do mosteiro foi deliberada pela Câmara Municipal, processosimilar com o convento dos franciscanos. Sobre o local da fundação do mosteiro, umaparticularidade Andrade ressalta, os mosteiros beneditinos sempre eram construídos em sítios [Páginas 58 e 59]
Frei Agostinho de Jesus e as tradições da imaginária colonial brasileira Séculos XVI - XVII Data: 01/01/2013 Créditos/Fonte: SCHUNK, Rafael Frei Agostinho de Jesus e as tradições da imaginária colonial brasileira Séculos XVI - XVII. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2013. (Coleção PROPG Digital - UNESP). ISBN 9788579834301 página 181
ID: 5979
EMERSON
01/01/2017 ANO:185
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foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]