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autor:07/12/2023 05:20:23
Gustavo Barroso (1888-1959)

mencio ()

    1993
    Atualizado em 31/10/2025 07:15:56
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Capítulo IIO HOMEM QUE TEVE DOIS TÚMULOSQuem trouxe a mensagem dos Iluminados da Baviera para onosso país? Quem criou a Burschenchaft de São Paulo, que inficionouaté hoje, secretamente, a vida da nação, perturbando a realização deseu verdadeiro destino?Um homem misterioso, que não era nada e foi tudo para osadeptos de seu credo oculto: Júlio Frank, cujo monumento funeráriose encontra num dos pátios da velha Faculdade de Direito de SãoPaulo, honra que nenhum de seus grandes mestres até hoje conseguiu.Quando morreu, em 1841, o maçon e bucheiro, professor daquela escola, Dr. José Tomás Pinto de Cerqueira, fazendo no InstitutoHistórico e Geográfico Brasileiro o elogio dos membros falecidos,pronunciou estas palavras: "Mancebo morto na flor dos anos, mascuja breve passagem neste mundo deixou para sempre recordaçõessaudosas: quero falar do sr. Júlio Frank. Quem era ele? Eu e os queno Brasil o conhecemos o ignoramos (!!!). Era esse o seu verdadeironome? Cuidamos que não. Que terra o viu nascer? Parece que aAlemanha, mas não se sabe que parte dessa vasta região. A quefamília pertencia? Ignora-se. Que motivos o trouxeram ao Brasil?Ainda a mesma obscuridade. Sabemos apenas que chegou ao Rio deJaneiro sem o mais pequeno recurso; e que o primeiro carinho, querecebeu nesta terra hospitaleira, foi uma ordem de prisão, e suaprimeira morada a fortaleza da Lage; e isto por uma queixa que deledeu o comandante do navio que o havia conduzido. Também Epictetoencontrou um senhor que lhe quebrou as pernas. Tendo obtido suasoltura, foi servir numa estalagem. Quem diria, senhores, ao ver essemancebo reduzido a tal penúria que nele se escondia um homem domais raro merecimento! que conhecia a fundo as línguas vivas daEuropa, e mesmo a latina e grega; que era hábil geômetra, que nãoera hóspede nos princípios do direito público e nos do romano, e que tinha perfeito conhecimento da história antiga e moderna? Pois tudoisso era, e o homem que tudo isso sabia era caixeiro em uma estalagem! Tal homem não podia conservar-se muito tempo em tal posição:quando outra coisa não fosse, a elevação natural de seu gênio e aconsciência de seu valimento não o podiam ter por muito tempo emtão baixo estado. O sr. Júlio Frank retirou-se para a província de SãoPaulo, vila de Sorocaba, onde abriu aula de francês, inglês, italiano elatim. Pequeno teatro era aquele para seus conhecimentos. Logodepois foi chamado para a cadeira de história na cidade de São Paulo,e deu começo a seus trabalhos, organizando um compêndio sobreoutro alemão, o qual prova bastantemente o que sobre seu merecimento tenho dito. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro seapressou em o admitir (?) em o número de seus sócios correspondentes, esperando que quem tantas luzes possuiu o coadjuvasse valiosamente em seus importantes trabalhos. Mas a morte nô-lo arrebatou,quando ainda não contava 34 anos de idade (1)."As luzes não eram tantas quantas apregoa o panegirista. Lemoscuidadosamente o seu volume, decalcado ou traduzido de outro alemão, que não é indicado (2). Obra medíocre, deu, contudo, entrada aoautor no glorioso Instituto, fundado em 1839. Uma série de lugarescomuns, tendo, de quando a quando, apesar da disposição legal queobrigava os livros didáticos a não ofender os princípios básicos dasociedade, certos pedacinhos que uma censura avisada poderia suprimir com carradas de razão. À pg. 149, refere-se à HumanidadeDivinizada na capital do cristianismo e nem de leve alude às perseguições e martírios dos cristãos. À pg. 162, denigra o Imperador Constantino e diz que o cristianismo foi somente um meio político de domínio.

A pg. 163, elogia Juliano o Apóstata, embora, pro formula, condeneo erro político de haver abandonado a religião. Às pgs. 170 e 186,detrata os padres e o catolicismo. À pg. 187, mal se refere ao CorpusJuris, como quem pensa com o judeu Caim Buckeburg, vulgo Henri Heine, que é a Bíblia de Satanás. À pg. 188, diz que o maometismo foi benéfico para os cristãos que resvalavam para a idolatria. À pg. 191, afirma que o cristianismo foi um meio de política aplicado por Carlos Magno. Afinal, esses levedos judaicos vêm em mau estilo e péssima língua. Maior do que as gabadas luzes do enigmático personagem era o mistério que o envolvia e que mereceu tantas interrogações na oração fúnebre pronunciada pelo adepto Cerqueira. Quem era? De onde vinha? Qual o seu nome e a sua família? Vamos aclarar esse mistério com abundante documentação. (Páginas 13 e 14)

No seu "Dicionário Bibliográfico Brasileiro" (3), Sacramento Blake depõe: "Júlio Frank. Natural da Alemanha e nascido no ano de 1811, faleceu em São Paulo a 19 de junho de 1841, com 30 anos incompletos (4), depois de naturalizar-se brasileiro, guardando até otúmulo certo mistério quanto à sua família, sua posição social e até quanto à sua verdadeira pátria, e verdadeiro nome que se supõem não serem os designados.

O que é certo é que chegou ao Rio de Janeiro sem que alguém o conhecesse, paupérrimo, sendo logo preso na fortaleza da Lage, por queixa, ou coisa semelhante, do comandante do navio que o trouxe, e, sendo solto, foi caixeiro duma estalagem. Entretanto, conhecia perfeitamente as línguas vivas da Europa, inclusive a latina e a grega, era hábil geômetra e metafísico (?), tinha profundos conhecimentos de história antiga e moderna, e alguns dodireito público e do direito romano. Deixando a estalagem, foi para São Paulo e na vila de Sorocaba abriu uma aula de francês, de inglês, italiano e latim. Já vantajosamente conhecido, foi convidado paraexercer na capital o lugar do professor da cadeira de história anexa àFaculdade de Direito, para a qual escreveu o compêndio que passo amencionar..."Sacramento Blake ou copiou o que disse Cerqueira, mutatismutandis, ou se abeberou na mesma fonte que o orador do Instituto.Afirmou mais uma vez o mistério que deve ser definitivamente desvendado.Em março ou abriu de 1821, o capitão dum navio chegado daEuropa à Guanabara entregou às autoridades policiais um rapaz queembarcara furtivamente num porto alemão, passageiro clandestino,como se diz hoje, o qual deu o nome de Júlio Frank, nada explicousobre a sua pessoa e foi recolhido à fortaleza da Lage, enquantotalvez se procediam a indagações.

Consultamos na Biblioteca Nacional a coleção da "Gazeta do Rio de Janeiro" do ano de 1821 e verificamos que nenhum navio alemão chegou ao Rio em abril. Em março, porém, entraram dois: no dia 13, a galera "Charlota" do capitão João Walff, carregada de vidros e fazendas, vinda de Hamburgo com cento e quinze dias de viagem; no dia 17, o brigue "Indianer" do mestre judeu Berend Meyer, vindo de Bremen com noventa dias...

Como a polícia nada apurasse sobre essa figura cheia de mistério", como a qualifica Spencer Vampré, puseram-na em liberdade. Naturalmente, para ganhar a vida se sujeitou ao primeiro emprego que lhe apareceu, o de caixeiro duma estalagem. Em 1823, passou-se para Ipanema e daí para Sorocaba, onde se fez professor de línguas. Naquele tempo, não precisava ser muito profundo em tais matérias para lecioná-las no interior destes Brasis. À provavel proteção dosenador Nicolau de Campos Vergueiro, manda-chuva em Sorocaba egrande maçon, que o recomendou ao brigadeiro Rafael Tobias deAguiar, deveu ter sido nomeado professor de filosofia e história universal do Curso Anexo da recente Faculdade de Direito, com a qual de talmaneira se identificou que o "seu túmulo demora no claustro maisíntimo da Faculdade, como a sua memória dorme, num nimbo deglória (5), no recesso mais íntimo do coração dos moços", sendo o seunome "o mais altamente querido e respeitado às gerações que passam (6)".O moço misterioso vinha da Alemanha e a Alemanha se enchianaquele começo do século de sociedades secretas que proliferavamsobretudo nos meios universitários. O que elas faziam está pintadoneste trecho do grande escritor que as combateu, Augusto de Kotzebue: "A liberdade acadêmica consiste sobretudo em permitir aosmoços viver na orgia, se endividando, não freqüentando as aulassenão segundo seus caprichos, vestindo-se como malucos e surrandoos burgueses. Os pais de família sensatos deviam tremer no momentode enviar seus filhos à universidade, quando ouvem o relato de taisfaçanhas nas cervejarias e nas sociedades de ginástica. Antes do quedeixá-los pensar que a pátria os espera para se regenerar, melhor fôraensinar-lhes os rudimentos do que ignoram e a polidez de que nãotêm a menor idéia (7)".Essas sociedades — vira-se no processo contra os Iluminados —já se tinham estendido à Itália, especialmente Veneza, à Áustria, àHolanda, à Saxônia, ao Reno, sobretudo ao ninho judaico de Frankfurt, e até mesmo à América (8).

Augusto Frederico Fernando de Kotzebue, nascido em Weimarem 1761, era um dos grandes homens de espírito que puseram, naEuropa aquecida pelas brasas revolucionárias espalhadas por Napoleão, sua vida e sua pena a serviço da causa da Ordem contra aAnarquia, fomentada da sombra, em todos os setores, pelo judaísmoacobertado nas sociedades secretas. Autor de mais de 300 peçasteatrais, na maioria representadas com grande êxito, e de muitosromances, fizera na Rússia parte de sua carreira de advogado. Fôrasecretário do governador de São Petersburgo, presidente de tribunalna Estônia, diretor do Teatro Alemão da capital e Conselheiro Áulico.O barão de Bahor recomendara-o em testamento à Imperatriz Catarina II. O Czar Alexandre I tornara-se seu amigo.Em 1813, começou na Alemanha, por conta do Czar, que era agrande muralha em que esbarravam judeus e maçons, a campanha (Páginas 15 e 16)

idades são dadas para despistar quanto à verdadeira identidade da"figura cheia de mistério". Considerando-o como Carlos Luiz Sand,nascido em 1795, vemo-lo desembarcar com 26 anos, idade em quejá podia ter adquirido a soma de conhecimentos com que o ornam.Dos 10 aos 14 era impossível possuí-los, salvo se fosse, ao Invésduma "figura cheia de mistério", uma criança prodígio.Por que motivo Júlio Frank deixou rapidamente o Rio de Janeiroe foi parar em Ipanema e, depois, em Sorocaba?Augusto de Kotzebue, que assassinara quando se chamava Carlos Luiz Sand, deixara vários filhos que foram homens ilustres: Oto,nascido em Reval, em 1787, o mais velho, oficial da Marinha Russa,grande navegador; Maurício general russo, nascido em 1789 e mortoem 1861; Paulo, nascido em Berlim, em 1801, general russo, falecidoem 1884, após ter feito com brilho as campanhas da Polônia, doCáucaso e da Criméia, e governado a Polônia e a Bessarabia; Alexandre, pintor de batalhas, e Guilherme, diplomata e dramaturgo.Justamente em 1823, Oto de Kotzebue surge de súbito no Rio deJaneiro. Comandava a fragata russa "Enterprise", destinada a descobrimentos e explorações nos mares austrais. No dia 13 de novembrodo ano citado, ancorou à vista da barra devido à calmaria. Entrou naGuanabara no dia 14. Oto de Kotzebue demorou 25 dias no Rio,residindo em Botafogo, na casa dum amigo e deixando, na obra queescreveu sobre a viagem, boas descrições da nossa capital, naqueletempo. Foi para bordo na tarde de 9 de dezembro e fez-se de vela nodia 10, saindo à barra já ao anoitecer (32).A coincidência é sobremaneira curiosa. Chega o navegador russo inesperadamente e quem sabe se com algum fito de que guardoureserva, demora e começa a visitar a cidade, então pequena e atrasada; logo, o jovem passageiro clandestino e suspeito põe o pé nomundo, afundando no interior, onde chega, como veremos adiante,em petição de miséria. Que tinha o moço Júlio Frank a ver com Oto deKotzebue, para fugir dele como o diabo da Cruz? Evidentemente nãodevia ter nada. Mas é muito explicável que Carlos Luiz Sand não desejasse de forma alguma encontrar-se com o filho do homem que covardemente apunhalara. Durante longos anos, não se falou em Bucha no nosso país. Raríssimas pessoas desconfiavam da existência duma organização secreta e poderosíssima em São Paulo ou sabiam alguma coisa a esse respeito. O túmulo de Júlio Frank nem despertava a atenção. A revolução de 1930 acordou as curiosidades. Apareceram boletins e artigos tocando no mistério e, em 1935, um jornalista carioca escreveu o seguinte: "No saguão do antigo edifício da Faculdade de Direito deSão Paulo, existe um único túmulo, que é o do judeu (sic!) alemão,professor contratado de história, organizador da Burschenchaft noBrasil. Durante a revolução de 1930, esse túmulo foi misteriosamenteviolado, ao que dizem, para retirarem de lá os primitivos estatutos eatas de organização, a fim de que tais documentos ultra-secretosescapassem ao conhecimento do público (33)".Não parece verdade que o túmulo tenha sido violado, mas éverdade que sobre ele paira o mistério. Dizem que há documentospreciosos guardados na sua base. De fato, é conservado com extremo carinho. Ainda quando da recente derrubada do velho conventoonde funcionava a Faculdade desde sua fundação, foi todo protegidopor uma armação de madeira e mantido no mesmo local. Ele copianas suas linhas gerais outro monumento misterioso de São Paulo, aPirâmide do Piques, que data de 1814, anterior à Bucha e situado emfrente ao local onde outrora funcionou a loja maçônica mais influentenos destinos paulistas. Muitas vezes, nos momentos de perturbaçãoda ordem pública, aquela pirâmide tem sido guardada até por metralhadoras, como se sob suas pedras centenárias dormisse um segredoperigoso...O mistério que envolveu a vida de Júlio Frank ou Carlos LuizSand acompanha-o além da morte, assegura o iluminado sr. SpencerVampré (34). E prossegue: "Até o túmulo, guardou segredo quanto àsua família, posição social, e até quanto à pátria, presumindo-se quetambém trocara de nome (sic!). Porventura desgostos íntimos ouainda lutas políticas (?) o determinaram a deixar o torrão natal. O certoé que chegou ao Rio de Janeiro paupérrimo, sem que ninguém oconhecesse, sendo logo preso na fortaleza da Lage, por queixa, oucoisa semelhante, do comandante do navio, que o trouxe, quiçá porhaver embarcado furtivamente. Solto, veio para Sorocaba empregando-se como caixeiro numa venda. Segundo outra versão, abriu aliuma aula de francês, inglês, italiano e latim. De Sorocaba veio paraSão Paulo, recomendado ao brigadeiro Rafael Tobias, e entrou para oCurso Anexo. De extrema bondade, cheio de idealismo, conquistoupara sempre (sic!) a mais terna afeição da mocidade, e por isso o seunome se venera ainda na Academia, como o maior e o mais devotadoamigo dos estudantes. Não chegou a cumprir inteiramente o contratode dez anos, pois faleceu aos 19 de junho de 1841, sendo substituído,na cadeira de história universal, por seu discípulo, e amigo, AntônioJoaquim Ribas. (Páginas 24 e 25)

mente graduados, de acordo com o ritual do lluminismo, denominadosos DOZE APÓSTOLOS! O autor, naturalmente conhecedor da Bucha,fez nesse ponto uma alusão destinada a ser unicamente compreendida pelos iniciados na camorra e na magia...Martinez de Pasqualis foi um judeu português, cabalista insigne,que participou do grande movimento das sociedades secretas noséculo XVIII. Seu misticismo abriu as portas ao lluminismo de Weishaupt na Baviera (42) e ao lluminismo de Cláudio de Saint Martin emFrança. É, portanto, o papa dos Iluminados. Sua doutrina forma oalicerce de todas as sociedades secretas iluministas. Nela mergulhamas raízes da Burschenchaft. Martinez de Pasqualis iniciou Saint Martinem Bordéus e este o chamava de mestre (43). O Martinismo oulluminismo francês surge posteriormente a Weishaupt, liga-se aosdogmas de Martinez de Pasqualis (44) e é o criador da trilogia liberal:Liberdade-lgualdade-Fratemidade. Vimos Weishaupt tratar da Liberdade e da Igualdade. Mais tarde ainda, a chamada Estrita Observância se abebera na mesma fonte (45).A novela do "Estado de São Paulo", que traz estas revelaçõesimportantes, baseia-se em investigações do sr. Frederico Sommersobre Júlio Frank. Dizem elas o seguinte: nasceu a 8 de dezembro de1808 (46), na cidade de Gotha, segundo o registro da igreja protestante local de Santa Margarida, filho dum mestre encadernador; cursou oginásio de Gotha; estudou na Universidade de Goettingue de 1825 a1827; fugiu da Alemanha por causa de dívidas e desgostos, vindo parao Brasil. Nas mesmas fontes se desaltera o historiador EscragnolleDória em estudo publicado na "Revista da Semana" (47), acrescentando: "Do Rio de Janeiro se passou Frank a São Paulo, atingindoIpanema, onde viviam muitos patrícios. Assombrava a todos a rapideze correção com que o recem-vindo logo aprendeu e falou português.Ao encanto da inteligência ajuntava o agrado de maneiras distintas,tudo prejudicado pelo abuso do álcool.Em Sorocaba, apareceu Frank de pés no chão, roupa a ir-se docorpo. Caixeiro de venda, desta sentado à porta, divertia-se em chamar escolares e ajudá-los nas lições, quaisquer que fossem.Foi o caixeiro despedido por não dar sossego às garrafas deálcool, a latas de passas e azeitonas. Dinheiro era para Frank coisa denonada, mas o patrão dele tinha outras idéias em Economia Política.De Sorocaba partiu Frank para São Paulo, agasalhado aí emrepúblicas de acadêmicos, ora numa, ora noutra, até ser nomeadoprofessor de história do Curso Anexo à Faculdade de Direito.Preciosas notas recolhidas por um "Velho Sorocabano", Lopesde Oliveira, de parentesco com o Dr. Francisco de Assis Vieira Bueno (Página 28)



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EMERSON


01/01/1993
ANO:85
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]