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De Piratininga a São Paulo de Piratininga, Jornal Diário da Noite, 25.01.1964. Tito Lívio Ferreira

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    25 de janeiro de 1964, sábado
    Atualizado em 06/12/2025 02:35:15



Fontes (0)


JAN.
25
HOJE NA;HISTóRIA
71

Quando o cronista escreve "fez uma vila na ilha de São Vicente", ele quer dizer em linguagem atual: Preside a primeira eleição popular realizada nas Américas e instala a primeira Câmara Municipal americana. Assim, à margem de um "rio que se chama Piratininga", procedeu da mesma forma: Preside a primeira eleição popular no planalto de Piratininga e instala a primeira Câmara de Vereadores na Borda do Campo, em 1532, há 432 anos. Onde era esta vila ou cidade á margem do rio chamado Piratininga?

Este problema histórico-geográfico ainda não foi resolvido, embora pesquisadores tenham quebrado a cabeça com ele. Daí terem surgido hipóteses mais ou menos fantasistas. E apenas tem-se a certeza de que em outubro de 1532, Martim Afonso de Sousa preside a primeira eleição popular no Vale do Tietê e instala a primeira Câmara de Vereadores no planalto de Piratininga.

Decorridos vinte e um anos, em fins de agosto de 1553, Padre Manoel da Nóbrega, primeiro provincial da Companhia de Jesus, sobe o planalto e hospeda-se na casa de João Ramalho, em Santo André da Borda do Campo.

A 8 de abril de 1553, Tomé de Sousa, primeiro Governador-Geral do Estado do Brasil, preside a segunda eleição popular realizada no vale do Tietê e instala a Câmara de Vereadores de Santo André da Borda do Campo. Na companhia do Padre Manoel da Nóbrega estão apenas o Padre Manoel de Paiva, primo de João Ramalho, e o Irmão Antonio Rodrigues, primeiro mestre-escola do Campo de Piratininga.

E na companhia de André Ramalho, filho mais velho do Patriarca dos Bandeirantes, Padre Manoel da Nóbrega desce o rio Tietê até as proximidades da atual cidade de Itu, onde funda a primeira Aldeia do Rei, a Aldeia de Maniçoba, onde se juntam os Tupis a fim de serem catequizados.

Depois, Padre Manoel da Nóbrega remonta o Tietê e escolhe, entre o Tamanduateí e o Anhangabaú, no alto da colina, a cavaleiro da Várzea, o local hoje conhecido pelo nome de Pátio do Colégio, onde funda o Colégio de São Paulo de Piratininga, a 29 de agosto de 1553, segundo se lê na carta do último dia desse mês, escrita no "sertão de Piratininga" e publicada pelo jesuíta Padre Serafim Leite, em "Páginas de História do Brasil", volume 93, da Coleção Brasiliana.

Piratininga

E a vila ou cidade de Piratininga, fundada por Martim Afonso de Sousa, vinte e um anos antes, em outubro de 1532? Ora, tanto Martim Afonso de Sousa como João Ramalho e todos os portugueses residentes no Estado do Brasil, Província da Monarquia Portuguesa, eram vassalos do Rei de Portugal.

Nascidos no Estado do Brasil, ou nascidos no Reino, eram vassalos de Sua Majestade, assim como hoje somos cidadãos da República. Estavam nessas condições os Jesuítas, desde 1539, quando os padres Francisco Xavier e Simão Rodrigues chegam a Lisboa, a mandado de Inácio de Loyola, para de porem a serviço de D. João III, que pedira ao fundador da Companhia de Jesus dois Jesuítas a fim de trabalharem para a Côroa Portuguesa.

D. João III manda em 1542 Francisco Xavier para a Goa, na Ásia. Em 1549 manda Manoel da Nóbrega para a Bahia. Daí, em princípios de julho de 1552, Nóbrega escreve a D. João III de Portugal: "Mande Vossa Alteza muitos (padres) da Companhia (de Jesus), que sustentem este pouco que está ganhado, para que possamos ir buscar tesouro de almas para Nosso Senhor e descobrir proveito para este Reino e Rei (de Portugal), que tão bem o sabe gastar e serviço e glória do Rei dos reis e Senhor dos senhores (Deus)".

Padre Manoel da Nóbrega, em carta da Bahia, 5 de julho de 1559, a Tomé de Sousa, em Lisboa, confessa:

"Porque para isso fui com meus irmãos mandado a esta terra, e esta foi a intenção de nosso Rei, tão cristianíssimo que a estas partes nos mandou."

Os jesuítas

Assim, o padre Manoel da Nóbrega confessa que os Jesuítas foram mandados ao Estado do Brasil para catequizarem e lecionarem nos Reais Colégios na Monarquia Portuguesa. E a Monarquia Portuguesa pagava-lhes, a cada um, mensalmente, um cruzado, quatrocentos réis então, e hoje (1964) cerca de cem mil cruzeiros, pelo seu trabalho.

E a Câmara de Vereadores de Piratininga? Perguntará o leitor. Informa Padre Manoel da Nóbrega, em carta de São Vicente, de setembro ou outubro de 1553: "E do mar (de São Vicente) dez léguas pouco mais ou menos, duas léguas (para lá) de uma povoação (vila ou cidade de Santo André da Borda do Campo) de João Ramalho, que se chama Piratininga (lugar) onde Martim Afonso de Sousa primeiro povoou (em 1532, a Câmara de Vereadores de Piratininga) ajuntamos todos os que Nosso Senhor quer trazer á sua Igreja e aqueles que sua palavra e evangelho engendra pela pregação".

A "vai-se fazendo uma formosa povoação", no mesmo lugar vinte e um anos antes Martim Afonso de Sousa fundara a vila, presidira eleições populares e instalara a primeira Câmara de Vereadores no planalto Piratiningano.

Padre Manoel da Nóbrega escolhera o local e fundara o Colégio de São Paulo de Piratininga. Em seguida manda a Salvador da Bahia, o padre Leonardo Nunes buscar mais companheiros para o Colégio. A 13 de julho de 1553 chegara a Salvador o terceiro grupo de Jesuítas mandados por D. João III, a pedido de Nóbrega. Entre eles está o irmão José de Anchieta, com apenas 19 anos de idade.

Nóbrega era formado em Direito pela Universidade de Coimbra, onde se doutorara. Anchieta fizera quatro anos de estudos de Grego e Latim no Real Colégio de Coimbra. Haviam morado juntos na Casa dos Jesuítas em Coimbra. A 24 de dezembro de 1553, véspera de Natal, Leonardo Nunes chega a São Vicente com os novos Jesuítas, inclusive Anchieta.

Nóbrega escolhe-o para seu secretário. E daí em diante, até 1567, durante 14 anos, Nóbrega e Anchieta ficam unidos na obra de disseminação do Lusocristianismo, onde se vinculam a civilização grega, o espírito jurídico romano e a teologia judeu-cristã.

Manoel da Nóbrega

Passadas as festas de Natal e Ano Bom, Padre Manoel da Nóbrega e seus comandados sobem ao planalto. Pousam na casa de João Ramalho em Santo André da Borda do Campo. Manhãzinha, com Padre Manoel da Nóbrega, João Ramalho e Padre Manoel de Paiva á frente, Jesuítas, Tupis e Mamelucos rumam para o Pátio do Colégio. Seguem-nos Irmãos José de Anchieta e mais dez Jesuítas, com André Ramalho, Bartira, mulher de João Ramalho e filha de Tibiriçá. Padre Nóbrega batizara Bartira com o nome cristão de Isabel, em homenagem a Santa Isabel, Rainha de Portugal, mulher de El-RFei D. Dinis. Batizara Tibiriçá com o nome de Martim Afonso, em homenagem a Martim Afonso de Sousa, donatário da Capitania de São Vicente. Assim o cacique de Piratininga entra para a História Luso-brasileira com o nome de Martim Afonso Tibiriçá.

Designado por Manoel da Nóbrega, Padre Manoel de Paiva celebra a missa padroeira de 25 de janeiro de 1554. Serve-lhe de acólito o Irmão José de Anchieta. A data da instalação oficial do Real Colégio de Piratininga, foi considerada, há cem anos, de 1864, em diante, a data da fundação da cidade de São Paulo. Até então, jamais se comemorara esse dia com tal significado. Restaurado o dia santo de guarda da Conversão de São Paulo, celebrado pela Igreja a 25 de janeiro, em 1563, o Governo da Província e a Igreja passaram a celebrar essa data oficialmente, como dia da fundação da cidade de Manoel da Nóbrega, de há um século a esta parte. Daí festa alguma ter sido feita em 1654, 1754, 1854. E somente em 1954, ter sido comemorado o quarto centenário da fundação da cidade de São Paulo.

Barueri, no entanto, surgira como singular repetição de um grande êxodo bíblico. Houve nesse episódio, vigor e poesia. Foi uma grande cena história esquecida, porque se efetuou sem brados de guerras. Processou-se mansamente como extraordinária manifestação do poder da fé.

O padre João de Almeida recolhera, pelos lados de Cananéa, numeroso grupo de nativos, "um povo gentio", como então se dizia. Eram da nação Guarumins. E então saiu andando pela terra paulista à procura de um pouso acolhedor entre tanta hostilidade e guerra. Três meses jornadeou pelos sertões "qual novo Moysés à frente do seu gentil dócil", escreveria depois um outro sacerdote.

E ao cabo desses noventa dias acampou, nessa terra de promissão. Maruery era chamada. Ensinou o padre João de Almeida o seu gentio a dar as devidas graças ao Senhor, que a todos trouxera e livrara do Egito e perigos do deserto, comentava o padre Simão de Vasconcelos.

E instalou parte deles em um sítio chamado Marueri e os restantes noutra parte chamada Reis Magos. E começaram a plantar mantimentos para que, em estando maduros fosse buscar ao principal. Caracuruçu com toda a demais gente. [Página 6]



Sorocaba/SP
São Paulo/SP
Rio Anhemby / Tietê
Pela primeira vez
Itu/SP
Vila de Santo André da Borda
São Paulo de Piratininga
Aldeia dos Reis Magos
Bartyra/M´Bcy (Isabel Dias)
1493-1580
Capitania de São Vicente
José de Anchieta
1534-1597
Leonardo Nunes
Maniçoba
Manuel da Nóbrega
1517-1570
Rio Piratininga
Manuel de Paiva
f.1584
Lisboa/POR
Salvador/BA
Colinas
Serafim Soares Leite
74 anos
Simão de Vasconcelos
1597-1671
Tomé de Sousa
1503-1579
Barueri/SP
Cananéia/SP
Martim Afonso de Melo Tibiriçá
1470-1562
João Ramalho
1486-1580
João III, "O Colonizador"
1502-1557
Inácio de Loyola
1491-1556
André Ramalho
Martim Afonso de Sousa
1500-1564



Diário da Noite
Data: 25/01/1964
Página 14


ID: 11617



EMERSON


25/01/1964
ANO:96
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]