18 de dezembro de 2019, quarta-feira Atualizado em 15/01/2026 23:30:57
Fontes (0)
DEZ.
18
HOJE NA;HISTóRIA
48
São 6 horas da manhã do dia 23 de abril de 1500, o sol acaba de nascer saindo das águas do oceano Atlântico iluminado a costa brasileira a frente.
As 13 embarcações da esquadra se dirigem lentamente, cerca de 10km/h. Por volta das 10 horas, cerca de 2km da praia, lançam a âncora, que pousa no fundo arenoso, a 19 braças, ou 14 metros, de profundidade.
Um batel (a maior das embarcações miúdas que serviam aos navios antigos, naus e galeões) da nau Capitânia, e nela estão Nicolau Coelho, um veterano que havia viajado á Índia com Vasco da Gama dois anos antes, 4 remadores, sendo um escravizado angolano e um grumete da Guiné, e um homem alto, misterioso, de barba branca, também vestido de branco, com a cabeça coberta com uma touca.Este homem vinha da Índia, mas não era indiano. Falava, se supõe, ao menos dez línguas.
E assim, num barco, os portugueses conseguiram reunir homens de três continente. Nicolau Coelho, que era português, os africanos de Angola e de Guiné, e esse misterioso homem vindo da Índia. Ao todo eles falavam 12 línguas. Talvez mais de 12, porque só um deles falava 10, como eu disse.
Mas nenhum deles falava tupi, então não houve entendimento com aqueles nativos tupiniquins nas praias do sul da Bahia.Pela primeira vez na história um judeu chega ao Brasil. É o homem de branco, o poliglota, é o homem alto, com essa vasta barba.
O Gaspar da Gama faz a sua entrada na história portuguesa, na história ocidental, em setembro de 1498, e de um jeito inacreditável. Mais inacreditável que este que contei, que se deu no dia em que os portugueses pisam, pelo menos oficialmente, pela primeira vez no Brasil.
Em setembro de 1498, Vasco da Gama já estava a vários meses na Índia, ele havia chegado no dia 29 de maio de 1498, enfim descobrindo, após anos, anos e anos de tentativas portuguesas de descobrir um novo caminho marítimo pada as Índias.
Ele teve "mil" problemas em Calicute, então ele foi mais para o sul, numa ilha chamada Angediva. E quando ele está ancorado nas proximidades da ilha de Angediva, vejam o que acontece, está narrado pelos cronistas oficiais:
Estávamos ancorados na ilha de Angediva, 12 léguas da cidade de Goa, quando um homem velho, todo dr branco, grande de corpo e grande de barba, aproximou-se a bordo de una fusta (pequena embarcação da época) e gritou para nós, os portugueses, em castelhano: Dios salve las naves e los señores capitanes cristianismo e toda la compania que nelas vieram.
Os portugueses ficaram surpresos, era inacreditável um homem falando castelhanos (espanhol) onde estavam, em Angediva, na Índia. Ele sempre vestia-se de branco. Vasco da Gama convida-o para subir a bordo e o prende.
Antes de ser preso ele havia dito que viera de Granada, na Esoanha, sua terra natal, e que estava há 40 anos da Índia e tudo o que mais queria era que aparecesse naus dos cristãos para o levarem de volta.
Vasco da Gama era uma pessoa "horrorosa", de uma crueldade boçal, tanto é que ele prende imediatamente Gaspar da Gama, tira sua roupa e o tortura "pingando-o", que quer dizer pingar óleo fervente em sua pele. Afim de saber a verdade, que aparentemente Gaspar da Gama não dizia.
Primeiro ele diz ser nativo de Granada, que depois mudou-se para Alexandria, depois para Jerusalém. Ele vai contando uma história cada vez mais louca. E o tempo inteiro agradecendo por estar apanhando.
Em nenhum momento ele esboça defesa ou ataque, ele se comporta totalmente cordato, e após 12 horas de tortura, Vasco da Gama deu-lhe dois pães e um queijo.
A história desse homem foi registrada por todos os grandes cronistas da Índia. Essas viagens portuguesas foram descritas com detalhes, com minúcias de detalhes, pelos cronistas oficiais do reino.
Fernão Lopes de Castañeda, Damião de Góes, Zurara, que escreveu antes, Gaspar Correia, que é quem escreveu o trecho que acabei de ler aqui. E o grande João de Barros, cronista oficial da Corte, que depois virou donatário do Maranhão.
Todos estes cronistas descrevem a figura de Gaspar da Gama, porque ele realmente era uma pessoa muito impressionante. Estes cronistas, claro, contavam a versão oficial, mas minuciosa do que aconteceu. Então se descobre, ao longo do tempo, que ele
Vasco da Gama descobre que, apesar de aparentar ser um "falastrão", na verdade era uma pessoa que conhecia muito do comércio da Índia, que conhecia todo o Oriente, e resolve leva-lo de volta para Portugal.
Imediatamente não, mas ele logo em seguida é recebido pelo Dom Manuel e passa a frequentar a corte! E olha o que o Dom Manuel escreve sobre ele, cara, é um texto inacreditável.
"Trouxeram muitas especiarias, e ouro e diamantes, mas sobretudo trouxeram um judeu que agora já está tornado cristão, homem de grande descrição e muito engenho, nascido em Alexandria, grande mercador e lapidário (né, lapidava pedras), o qual mais de 40 anos tratava na Índia, e sabe, assim, esmiuçadamente tudo quanto nela há, e assim todas as terras que a cercam e todas as coisas delas, desde Alexandria para lá até o sertão da Índia e da Tartária para lá... E é graças aos conhecimentos dele e para o santo serviço e para o bem da cristandade que vamos descobrir, graças a esse homem, tudo que cerca aquela terra. Deus seja louvado. E esse homem sabe falar hebraico, caldeu, arábico, alemão e polonês, além de falar também italiano misturado com espanhol, mas fala de forma tão clara que para nós soa como se fosse português".
Cabral Data: 01/01/1900 Oscar Pereira da Silva - Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1500, Acervo do Museu Paulista da USP
ID: 13931
EMERSON
18/12/2019 ANO:259
testando base
Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]