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autor:1170
Luís Castanho de Almeida
“Memória Histórica de Sorocaba, parte III”

mencio (16)

    setembro de 1965, quarta-feira
    Atualizado em 25/12/2025 01:32:04




Fontes (0)


SET.
01
HOJE NA;HISTóRIA
219

Ora, em 4 de março de 1747, Cristóvão Pereira de Abreu,em vista de seus méritos, obtivera do Rei a metade dos direitos dos animais que fôssem tocados do Rio Grande do Sul aSão Paulo. Já era tempo de fundar o Registro, pois só haviao de Curitiba, no Iguaçú. Quando os vendedores não tinhamo dinheiro por ainda não terem vendido a tropa, passavam comuma guia de lá para o pagamento em Sorocaba ou Itú e até naProvedoria da Fazenda, que entre 1748 e 1765 esteve em Santos. Por intermédio de Cristóvão, Itú parece que teria o Registrode Animais. Mas em Sorocaba havia muitos campos afunilandonuma ponte. Dava tudo certo e era só fazer um galpão e umportão.

Havia também Luís Teixeira da Silva, português do Pôrto, negociante, que desde 1728 recebera de São Bento um grande quintal na ladeira da Ponte, onde morava, hoje pouco abaixo da nova rua Rodrigues Pacheco . Era casado com Maria deAlmeida Leite. Homem devoto do Santíssimo, fornecia óleode oliveira para a lâmpada na matriz e pediu em testamentoaos herdeiros que o fizessem. Teve um filho padre, José Teixeira de Almeida Leme. Faleceu numa quinta-feira santa, a15 de abril de 1756. A viúva lhe sobreviveu até 1787. Pois bem,êle devia freqüentar o Rio, cujo governador, Gomes Freire deAndrade o era de São Paulo, decaído de suas glórias de capitania e por ser seu amigo. No mesmo documento, que encontramos inédito no Arquivo Nacional em 1942, o Governadorcriava o Registro de Animais de Sorocaba e o nomeava Provedor, aos 3 de setembro de 1750: para passar visto nas guiasde Curitiba a pagar na Provedoria de Santos, e confiscar osanimais que viessem a mais das guias

"para o que serão obrigados a buscarem (os tropeiros) a paragem da ponte da vila".

Sim, foi o rio com a ponte, a única ponte grande desde os campos do sul, o motivo imediato. O fiel ou tesoureiro foi o ituano Salvador de Oliveira Leme, o Sarutaiá, que assim começou sua vida de homem rico.Havia um pequeno destacamento, uma casa para se escreverem as guias e o portão na cabeceira da ponte para a atualavenida São Paulo, que se chamava estrada ou rua de SãoPaulo e também rua da Contagem (contava-se a tropa no portão) e é larga porque a movimentação de animais o exigia.

Falecendo Cristóvão Pereira, Jerônimo Côrte-Real o mesmo que como secretário lhe escrevera a doação assinada pelo Rei, recolheu a herança dos meios direitos, em pagamento de seus serviços à Corôa, como era uso, mas os verdadeiros heróis do caminho e seus frequentadores nada ganharam do Tesouro Público. Casa Doada é o nome da detentora dos meios direitos, pois passou em herança. Os funcionários eram os mesmos, no fim é que se acertavam as contas, repartindo o "bolo". Nem uma das metades fazia o menor serviço na estrada que era horrível. A Câmara de Sorocaba e as que foram nascendo pelo caminho, reparavam anualmente, de mão comum, após o tempo das águas, os pontilhões e trechos piores.

Mais ainda. Quando a Câmara de São Paulo se viu obrigada a construir a grande ponte do rio Pinheiros, recorreu à ajuda das que aproveitavam o passo, inclusive Sorocaba. E ainda mais: Sorocaba e as outras, ajudavam a Câmara paulistana a conservar o terrível caminho do Cubatão. A Casa Doada não seria doada, se fizesse algo...

E quando o famoso terremoto de 1.° de novembro de 1755 destruiu Lisboa, as Câmaras Municipais do Brasil tiveram de auxiliar a sua reconstrução, tirando do pouco que lhes restava, fazendo fintas. A de São Paulo fundou os que ficaram sendo chamados "Novos Impostos" por mais de um século. Paraos animais que entravam no seu município, pequenas taxas de 100 e 120 réis por cabeça (vacum e cavalar ou asininos, respectivamente) . Ora, onde senão em Sorocaba achar o registro e o funcionalismo já pronto? Semente o que foi preciso foram livros e talões à parte. E enfim, a taxação recaía em tôdas as tropas, passassem ou não pela capital.

Entre a passagem da primeira tropa, 1733 e o Registro,1750, os sorocabanos foram ingressando aos poucos no ciclo dotropeirismo. Naquele ano ainda estavam muitos em Cuiabá ecomeçavam a povoar a Vila Bela do Mato Grosso, outros viajavam em canoas para a guerra dos paiaguás, alguns andavampor Goiás e Minas.Mas já havia alguns peões que viajavam entre Sorocabae Curitiba. O domador de cavalos passou a domar burro chucro . O comprador de eqüinos, comprou muares. Nas viagensde um ano e dois anos do Prata a Minas, faziam daqui uma parada: aqui a tropa invernava, por chegar magra. Quando começaram as feiras, invernaram tôdas à espera dos compradores.Agora elas passam apenas e deixam problemas de urbanismo.Não eram muitas tropas por ano. Boiadas, não se sabe.Muares e cavalares até 1822, oscilavam entre 5 000 e 20.000, [Páginas 116 e 117]

umas 30 tropas. Era um belo espetáculo a sua passagem, apesar da poeira.

A vila já começara a estender-se além-ponte, em 1695 havia uma casinha de palha ou sapé junto à ponte. Em 1724 (Livro de Notas no Arquivo Público), João Luís do Passo e sua mulher Luzia de Abreu, venderam por 50.000 réis a João Correia de Oliveira uma casa de taipa e coberta de palha da outra banda do rio de Sorocaba para uma rua deserta, pela mão direita, tudo que se acha da borda do rio Grande para baixo até o ribeirão de Taquarivaí. É a atual avenida São Paulo e estrada de Itú. Rua deserta, uma só casa. Mas aí por 1733 o futuro capitão-mor José Barros Lima construiu as suas casas àdireita da ponte, dando princípio à atual rua cel. Nogueira Padilha.

Em 1770 e poucos, João de Almeida Pedroso aforou da Câmara por 120$ réis anuais um terreno grande que começava na casa dos Barros Lima e se limitava pela rua São Paulo e a estrada de Votorantim e assim ficou parado todo o bairro de Além-Ponte, menos a estrada e rua da Contagem ou de São Paulo que chegou até perto do Lava-Pés até o fim do século XVIII, como eram prova muitas construções de grossas taipas.

O portão da rua dos Morros existia até o século passado, primeiro perto da ponte, depois na altura da atual matriz do Bom Jesus. Pouco mais ou menos de 1780 é a casa de João de Almeida Pedroso, que a fêz com ouro do Paranapanema. Depois de 1800 a chácara dividiu-se em duas, nascendo a Chácara Amarela. De ambos os lados da estrada dos Morros que as dividia em linha reta (daí o belo traçado da rua Cel. Nogueira Padilha, que começou larga por causa das tropas) existia um vale dividindo as chácaras, cujas sedes vêm vencendo o tempo, as chácaras Quinzinho de Barros e Amarela.

Já pouco depois de 1732 surgem reclamações na Câmara pelo estrago das tropas na ponte, que foi reconstruída. No ano de 1818 a Câmara construiu de nôvo, um pouco acima da antiga, uma ponte de madeira. Contribuiram os "homens bons" e ricos com uma dobra e meia dobra, 25 mil réis e 12$500.

Nessa época, a rua mons. João Soares e a da Penha mais a Direita (não havia a Brigadeiro Tobias, a da Penha acabando ali pela rua prof. Toledo) estavam povoadas. O sobradinho que resta na primeira (esquina da rua dr. Braguinha) é francamente do século XVIII. Ao findar essa é que a rua Direita chegou à atual Souza Pereira, ao portão do sôgro do primeiro Antônio Lopes, porque no livro do Procurador há ordem de pagar a primeira desapropriação de que se tem notícia, já com atraso, depois de 1800.

Contemporânea é a abertura do resto da rua da matriz até a nova igreja de Santo Antônio, e pelo tipo da construção derrubada, a abertura, pela travessa do Bom-Jesus, da rua da Penha à atual Álvaro Soares. Tem-se, pois, certeza da época da abertura desta última,não só pelas três perpendiculares (matriz, Cel. Benedito Pires), Bom Jesus (Dom Antônio de Alvarenga) e da Passagem das Tropas (Souza Pereira) antes de 1800, mas também pela, construção dos extremos: nova capela de Santo Antônio, antes de 1800, e Hospital 1805. As ruas dr. Álvaro Soares e Souza Pereira foram usadas desde cêrca de 1750 como estradas, para • tirar por fora do centro a passagem turbilhonante do gado vacum, suíno e asinino. Por isso até o meio era larga arua dr. Álvaro Soares, até que arrumadores querendo transformá-la em rua, a estreitaram.• Hoje, a Prefeitura voltou aalargá-la.O quarteirão maior compreendia a rua dr. Braguinha, ruaMons. Soares, rua do Jogo da Bola (parte da praça Artur Fajardo e rua 15 de Novembro, em cuja esquina o padre vigárioRafael Tobias de Aguiar fêz, lá por 1770, a casa que passou a•seu ilustre sobrinho neto). De um pouco antes de 1783 era a-.casa de Antônio Francisco de Aguiar, feita no quintal do tiopadre com a frente para a rua Mons. Soares ou praça Ferreira Braga. É o primeiro grande senhorio, pois construiu casas baixas de paredes meias até a atual Brigadeiro Tobias, para alugar. Do fôrro de uma passava-se ao de outras. Tinhalojas. O sotão era de um soalho muito forte e servia paraguardar os gêneros, com o nome de armazém, com boa escada. Da mesma época havia até 1940 outro armazém numa casa de esquina da rua Santa Clara. Um assoalho forte antes dotelhado. Chamavam também sobrado ,não diziam sotão, porque podia ser um simples quarto dividido a pouca altura, co-,mo havia um na Aparecida.

Em 1728 não havia rua Santa Clara nem Boa Vista (Nogueira Martins) . Uma só estrada ligava a praça à Santa Cruzé ao Lageado. Supomos que aquêles que armaram a vila em1661, deixaram a abertura da estrada da Boa Vista, que setornou rua ou comêço de rua ao alinharem as duas casas deesquina, uma das quais era do século XVIII. Depois de 1706-as sessões de Câmara já não eram mais na casa de 1661, quefôra derrubada. Na altura do cinema São José atual, atrás,.começava o campo que ia encontrar a faixa de mata do rio além a rua Santa Clara. Um documento fala do tempo emque a cadeia estava no campo. A tradição diz que o pelourinho era na rua Boa Vista onde se alarga em Boa Vista debaixo e Boa Vista de cima. Depois de 1728 certamente alugaram uma casa para cadeia por ali, com tanta maior razãoquanta a estrada fronteava o Curral do Conselho (hoje quintal da São Paulo Eletric) e, pelo desbarrancado, as construçõesseriam em cima. Daí mudarem o pelourinho para a frentedessa cadeia. Em 1812 exigiram um nôvo, mas no mesmo local, pois a ata de ereção não refere o lugar, enquanto o povoo guardou. A cadeia mudara, mas já era ponto central. Ficouali o pelourinho. Não havia a rua Ubaldino do Amaral nema Leite Penteado, mas sim o Beco do Inferno (parte da LeitePenteado), que ia acabar no portão do Curral do Conselho.

A rua de Santa Clara foi aberta para abrir perspectiva àigreja daquele nome, que é ainda do Rosário, sendo Santa Clara o convento. A capela do Rosário foi principiada cêrca de750. Conhecemos muitas casas setecentistas daquela rua. Aliem 1805 — lemos num depoimento do cartório que em certanoite, após uma reza em casa particular, uma fantasma (nofeminino, sim) amedrontou os transeuntes. A casa de esquina com a rua de São Bento conservou rótula até 1940, e erado Sarutaiá, que construiu o sobrado em frente. Se se lembrar que o Sarutaiá, seguindo o costume, conseguiu construiro seu sobrado com frente para uma rua do Rosário (PadreLuís) e esquina para outra (Santa Clara) e que êle comproupor 50.000 réis as taipas da Irmandade do Rosário dos Pretoslá por 1770, tem-se idade mais aproximada de uma rua começada com duas casas do mesmo dono ilustre.

Por que alinharam a igreja na .esquina da rua Padre Luís que ficou sendo do Rosário? Porque esta já existia desde o século da fundação, tanto que a travessa da matriz, que a comunica com a praça, já estava de pé em 1724. A casa de esquina com a rua da Penha, onde foi Farmácia Italiana e Farmácia Gomes era setecentista.

Resta a rua capitão José Dias, paralela à Santa Clara, quenão havia. Em seu lugar, uma travessa da rua Santa Clara,transformava-se em caminho logo adiante do trecho correspondente ao primeiro quarteirão e virava em ângulo reto para a Bica de São Bento, no século passado também Bica doLeão. Em 1809 ainda não fôra arrumada até o fim , Chamava-se Rua da Palha, ou da Bica da Palha, nada tendo a ver [Páginas 118, 119 e 120 do pdf]

senão no fim, com a rua Cel. Moreira César que muito dèpois teve o nome popular de rua da Bica. A rua que depois de 1805 ficou se chamando do Hospital, continuava até o rio e os animais podiam sair na ponte, mas por essa época os ricos proprietários da rua Sousa Pereira levaram seus quintais até a margem, precisando a Câmara abrir de nôvo a rua da Margem lá por 1835, é verdade que sem pagar. Dessa rua desciam dois caminhos para o Supirirí que com o da rua Padre Luís se reuniam no Caminho Fundo, única saída para Ipanema e Pôrto Feliz e os bairros do Ipatinga e Terra Vermelha.

Todo o Supirirí era mato, depois capoeira, enfim brejo,onde a saparia coaxava...Não é fácil relatar os nomes, já não digo dos peões e domadores anôniinos que moravam em ranchos de Sapé, degraça, nos campos reúnos, mas os dos primeiros sorocabanosque foram buscar bestas nos campos do sul, parece fora dedúvida, que foram membros da família Antunes Maciel, mostrando que mesmo genealôgicamente a sucessão do bandeirante foi recolhida pelo tropeiro.

A dificuldade não diminui quando para os anos de 1766 em diante se podem consultar os recenseamentos, porque diziam apenas "vive de seus negócios". Acontece que não havia legista que não empregasse suas rendas nesse jôgo arriscado, mesmo porque as vendas no varêjo eram a crédito em boa parte, e o crédito existia para as pessoas envolvidas nessas "agências".

Pela crítica do contexto verificamos nos recenseamentosque a palavra tropeiro foi nêles usada só para os condutoresde carga. Por exemplo, em Cotia e Santo Amaro moravamtropeiros, no século XVIII, vivendo de transportar cargas aSantos. Pois em 1780, em Sorocaba, residia um só dêsses homens. Chamava-se -José Maria de Moura, nascido em 1744, casado com Genoveva Maria, com seis filhos. Possuia 23 bestasmuares, que davam no máximo 3 lotes e traziam a Sorocaba "fazendas do mar em fora", cada viagem, 164 arrôbas, inclusive sal. Três cavalos, casa coberta de palha em terreno onde plantava de favor. Enquanto viajava, a lavoura crescia.

Tinha quatro escravos, o que dá três tocadores de lote a pau e a pé, e um arrieiro. Era tenente das Ordenanças. Como também "vive de seus negócios" e o movimento é pouco, por certo compra, conduz e vende, freqüentemente. A posse da terra só interessava ao que podia comprar escravos e construir casa grande. Rancho de sapé era portátil e, se o sesmeiro não dava licença, havia campos abertos do Rei, com muitos capões de mato é aguadas, lindas lagoas azuis.

Nesse ano foi recenseado Joaquim Antunes como ausente.À rubrica "vive de seus negócios", acrescentou-se: vender cavalos. João Leite de Godói, que possui um sítio por escritura,"vive de conduzir tropas". E é o capataz que conduz tropaschucras do sul, por conta do capitalista da vila. João Pais vivia de suas viagens.Os Moura e os Antunes eram primos. A sua árvore genealógica abrange os três estados sulinos.Em começos do século XVIII veio de Parnaíba a Sorocaba, estabelecendo-se no Nhumirim (campinho) para o lado doPirapora, Bartolomeu Bueno da Silva, homônimo neto do primeiro e sobrinho do segundo Anhanguera. Acompanhava osôgro Antônio Rodrigues Penteado, que de Araçariguama viera com negócio e loja. Chamava-se Ana de Almeida Lara asua espôsa. Em 1724 comprou o sítio do Nhumirim a SimãoBueno da Silva, seu tio, que no ano seguinte foi para o descobrimento de Goiás. Como dinheiro apurado, Simão adquiriunos limites de Itú e Araçariguama ou Parnaíba, outro sítiono Piragibú, em 1.° de janeiro de 1725. Casa de três lanços,portas e janelas, 200 braças de testada ribeirão acima, sertão1;ara o Mato Dentro. Tudo por 199$000.Em 1761, Maria de Almeida, filha de Bartolomeu e Ana,casou-se em Sorocaba com Pascoal Delgado de Morais, e afilha dêste casal foi a mulher de Manuel Ribeiro de Almeida,do Juquirí. Eis enfim, os pais de Bento Manuel Ribeiro, caudilho do sul, nascido aqui em 1783 e cujo assento de batismose perdeu. Aos dois anos de idade seus pais se mudaram para Curitiba, levando a criança no fundo de um jacá, balouçando qual um berço ao passo da mula. Essa família envolvida nos negócios de animais, de Curitiba passou ao Rio Grande do Sul. O marechal não podia nem sequer lembrar-se deSorocaba e sua formação de herói, ainda que obeso pode explicar-se pelo sangue dos Buenos. A casa talvez seja uma queainda existia em 1936. No recenseamento de 1780 se vê quePascoal Delgado, já viúvo, com 61 anos, morava ainda no mesmo bairro (pela comparação com os vizinhos Antunes e Pais),e sua filha Ana Maria, a mãe de Bento Manuel era ainda solteira, de 15 anos devendo ter-se casado pouco depois.E eis como um herói nacional nasceu ali no Nhumirim. [Páginas 121 e 122]

Iam ao sul, passavam para o centro, retornavam. Por exem-plo, o tropeiro negociante de animais, Pedro Antunes Maciel, filho do bandeirante Miguel, teve uma filha casada com um môço de Pouso Alto e um filho, alferes, Luís Antunes Vieira, um tempo aí residente. E, depois que se abriu a estrada de Laguna, Joana Morei-ra Maciel, filha do não menos famoso bandeirante Antônio Antunes Maciel, casou-se com João Magalhães, lagunense . Nas proximidades de 1800 aumentou a feira. E daí em diante vimos no cartório Pedro Coelho inúmeros documentos. Em 1801 o nosso alferes Luís Antunes e seu irmão Antônio de-puseram que iam anualmente a São João d´El Rei "com seus negócios", isto é, tropas. O sargento-mor Antônio da Mota Car-rão, morador de Paratí, viúvo, em 1798 vira o tropeiro réu em Lorena vendendo bestas . "E o matraquearam, e até os cães da rua o criticaram". O sargento-mor Manuel Ribeiro Pinheiro, morador de Taubaté e natural de Vila Rica. depôs que o tal colega estava "esbandalhando" (vender aos bandos) uma tro-pa que comprou fiada. Em 1802 foi testemunha num processo entre dois tropei-ros, autor José Vaz de Carvalho, capitalista, e réu José Rodri-gues Martins, o capataz, o paulistano aqui residente com loja e com negócios de animais. Bento Gonçalves de Oliveira, coro-nel de milícia, declarou que o autor era da nobreza e "mete grandes negócios nesta capitania". Dera uma casa no Tijuco (Diamantina) ao réu que também negociou com o sargento-mor Antônio de Matos, secretário do governador Luís da Cunha. Éle próprio, cel. Bento Gonçalves, "comprou bestas do réu" . Em Minas vivia de "comprar e vender tropas", mas viajava pouco . Comprou ao réu 600 cabeças de bestas a 20 mil réis, as quais vieram do Rio Grande do Sul e chegaram a 12 mil réis. O Martins reservara as 60 melhores cabeças para ir ven-der em Minas. Aí está o que não é fábula: o tropeiro morava no norte de Minas e na sela. Aí aparece a menção a uma km.- sa no Serro Frio, cujo dono se achava em Goiás. "Per me una patria libera" do brazão sorocabano não é basófia. O tropei-ro unia. No fim do século tinham vindo fixar-se em Soroca-ba as famílias sul-mineiras, Pacheco e Mascarenhas, ainda florescentes, tendo principiado no comércio de animais e am-bas deitando ramos ao sul. De Santos, da ilha do Paquetá, chegou antes de 1815 o capitão José Gomes Pinheiro, casado em São Paulo com Ana Florisbela Machado, negociante de balcão e de animais, avô de Pinheiro Machado que em 1906 [p. 124]

veio do Rio embarcar "na Sorocabana uma tropa de muares do Rio Grande". Foi tropeiro. Engolfaram-se nos negócios com a tropeirada Francisco Ferreira Braga, Antônio Lopes de Oliveira, recém-chegado, os Loureiro, os Aires, todos. En-tão a rua da Passagem das Tropas (Sousa Pereira) se cha-mou também do Comércio. A riqueza manifestou-se na época de 1800, antes e depois, por nada menos que 14 sobradões de taipa que estudamos em 1940 para ver — alguns por lembrança anterior, todos por do-cumentos — porque ainda em 1819 o sábio Saint-Hilaire só fala-ra em casas térreas. A moralidade sofria os seus arranhões. Um João Gomes da Costa Guimarães soube, em 1802, que o sal estava muito caro no Rio. Comprou em conta 203 alqueires em Santa Ca-tarina, mas o condutor Francisco José do Passo "os meteu em surrões e vendeu em Lajes". "Joaquim Ferreira Batista, natural de Minas Gerais, de presente nesta vila a negócios (maio tempo de feira), diz que lhe roubaram no jôgo 17$600 mais um par de es-poras de prata, um par de estribos de picaria, um cha-péu de sol". As testemunhas depuseram que êle costumava jogar ´fa-zendo maços, furtando cartas, "engaviando" os demais (de gavião ou gávia) . Em 1805, Antônio José Matos, de Cotia, de 35 anos, era negociante de animais em Sorocaba e já residia no largo fu-turo dos Lopes, com seu negócio. Manuel José de Matos, êste português bracarense, de 50 anos, depõe sôbre uma execução por dívidas. O fôro civil trabalhava. O capitão Inácio de Almeida Lei-te negociante de loja e capitalista ficava em Sorocaba en-quanto o sócio, Domingos Antunes de Souza viajava e em 1805, estava em Goiás "contratante de animais do continente do sul para esta Capitania", assim se qualifica o depoente Iná-cio, que se refere ao dolo dos tropeiros Alexandre Rodrigues Ferreira e Francisco Garcia, que perderam 30 cabeças na ser-ra do Viamão e, reunindo as restantes em Lajes, combinaram vendê-las no sertão da Bahia. O negociante conseguiu com-prar-lhes as mulas a 8$100, valiam agora 10$000 e 370 eram "marcadas" . Em suma, em apenas quinze anos ou talvez menos, uns dez, a feira modificou a vida econômica de Sorocaba. O seu [p. 125]

morador mais rico, o Sarutaiá, dono de duas capelas, deixa em 1802 um monte-mor de mais de 30 contos. Francisco Manuel Machado possuia 31 éguas de ventre a 2$880 cada uma, um cavalo pastor melado a 6$920, outro, chi-ta, a 6$500, 34 potros criolos a 1$500 cada, 17 potrancas a 2$400, de 2 anos, sendo as de 1 ano a 1$000, 12 éguas velhas e "1 companheira égua de ventre" que deve ser a "madrinha". Em correlação com a feira desenvolve-se o artezanato de artigos para tropeiros e montarias. Prôpriamente não há cur-tumes vendendo couro, mas cada serigoteiro e lombilheiro cur-te para si. Uma canoa e sobe ou desce o rio, amarrando o cou-ro a uma estaca. O Supirirí também serve. As mulheres te-cem baixeiros de lã e rêdes de algodão em teares verticais . Encontram-se homens tecelões, de teares horizontais. A fia-ção do algodão confere aos sorocabanos o epiteto jocoso de "no-velos de fios" . Êles respondem aos de Itú: mas vocês "são mel do tan-que". De fato, a cana que deu riquezas a Itú e a Pôrto Feliz desde antes de 1800 e cuja cultura foi animada pelo Príncipe Regente, em Sorocaba não encontrava terreno para produção , em grande escala. Em 1780 -e antes havia algumas moendas, os engenhos de bugio (pelo ronco) para o gasto da casa, açú-sar amarelinho ou torrado, rapadura e até mesmo aguarden-te, pois a palavra "alambique" se junta à "moenda". Mas onde o terreno favorecia, e o fazendeiro não se ilu-dia pelas negociatas da feira, aparece a casa grande e senzala como nas regiões açucareiras. No caminho de Pôrto Feliz, em Caguaçú no ano de 1807 o sargento-mor, Pedro Vaz Botelho comprou um sítio com dois engenhos, um movido a água, outro a bois, com seus regos de água, seus carreadores para as partes montanhosas, casa de morada "com muita catanduva, exceto pequena porção de campo, com piçarra e pedras". Estava o bom solo no mato já diminuído. Havia uma ponte particular no rio Sorocaba. Èle comprou ao capitão José Pires de Arruda, vizinho de seu irmão Joaquim José de Almeida, tudo por 3.200$000. Mais abaixo no mesmo rio, o padre José de Almeida Leme que morava na rua da Ponte, tinha uma engenho menor, com uma caldeira de cobre de três arrôbas e duas menores, cinco , juntas de bois. De prata, até colheres de chá. Oratório belís-simo com a porta de vidro, imagens do Crucificado e Nossa Senhora, de prata, ornada de ouro e pedras preciosas, e uma[p. 126]

era menos que venda, mas as coisas vendidas eram as mesmas, mais as bebidas, chamadas fazendas molhadas, porquegêneros da terra, até açúcar, todo lavrador tinha e vendia aquem não tivesse. Vendas, eram os armazéns de hoje semente em parte. pois as lojas eram "lojas de fazendas sêcas e molhadas", e o armazém era o depósito dos gêneros, sal, açúcar. As lojas eram mais na rua da Passagem das Tropas ouComércio (Souza Pereira) e rua das Flôres (mons. Soares),algumas ná rua Direita e na de São Bento. Uma de São Bento, era de Antônio Bernardo de Azevedo Camelo, tronco dosMascarenhas, vindo de Campanha do Rio Verde. Na rua dasFlôres, por exemplo, as de Américo Antônio Aires e o alferes João Nepomuceno de Souza. Antônio ,Lopes de Oliveirajá estava no seu sobradão do pátio que tomou nome dos Lopes popularmente, hoje Ferreira Braga. Na esquina para arua das Flôres em pesadona casa térrea de taipa morava Manuel José de Matos, a quem já nos referimos. Continuou-lhe onegócio a corajosa viúva dona Maria José da Silva (Silva Branco, do atual Paraná) .Nas lojas as rendeiras deixavam as suas rêdes à venda.Custavam 5 mil réis. Em nossa infância, um século depois,trinta mil réis.Com o aumento de freqüência à feira e a liberação das tendas de ourives (em 1780 só havia um) que em 1816 foram também taxados para o Banco do Brasil, aumenta o seu número.São, por ora, apenas quatro mestres, fora oficiais e aprendizes.Um dêles, Tomé Antônio Pereira, parente próximo do padre Manuel Libório Pereira, viera da Cotia, e era músico.Após requerimento à Câmara, os ourives punham uma tabuleta. Os da prata trabalhavam muito o ano todo para os seleiros (estribos, guizos, cabos de rêlho e outras peças) .

Durante êste período, aprontou-se a capela da Penha, comum contrato em cartório em 1724, para ser a reconstrução feitapor André Domingues Vidigal e seu cunhado Timóteo de Oliveira. Pertencia a Sorocaba, no bairro dos Morros, mas passou aSão Roque e depois a Ibiúna, sem outra razão que a geografiafísica, para passar a linha pelas cumiadas. Até 1940 ainda nósa avistamos da praça Fajardo, a 2 léguas. Em baixo havia a casa grande do sítio, talvez do mesmo André, e que em 1900 maisou menos ainda era de dona Cândida Loureiro, viúva de Paulino Soares do Amaral, irmão de mons. Soares que aí brincavaem sua infância. Avista-se da Penha até Piracicaba (isto é, aserra de São Pedro) . Não tem moradores junto, senão nas ter- [Página 128]

go, residentes na esquina de baixo da rua Alvaro Soares. Aviúva resignou a protetoria por ser viúva, isso antes de 1800.Em 1767, o Visitador Diocesano padre Antônio José de Morais, escreveu no têrmo de visita:"Causa lástima ver a pouca devoção dêstes paroquianos, a qual se dá bem a. conhecer em sua igreja matriz,que se acha indecente para nela se celebrarem os ofíciosdivinos".Pela velhice do padre vigário José Manuel de Campos Bicudo, nomeou um diretor, José de Arruda, "homem de zêlo" -e união com todos os paroquianos, para receber os dinheiros e ,construir nova igreja de acôrdo com o vigário. De forma queao diretor e ao vigár:o incumbiu o bom gôsto do risco e altares que era de um maravilhoso barroco, nada rococó. A fachada ficou sem tôrre por falta de meios e morte do diretor, deforma que não teve a culpa pela falta de estética da tôrre, mais .tarde. O frontispício era em linhas barrocas nem tinha a louça azul que chegou, com as linhas retas do século passado, .até 1958.Era igual o interior a de Pôrto Feliz, principiada antes, com,os seus corredores e arcos no corpo central, servindo, em baixopara os altares laterais e em cima para as tribunas. Não faltavam os dois altares laterais de viés, entre o arco-cruzeiro c -essas paredes internas. Taipa grossa de pilão com pedregulho,madeirame do Mato Dentro. Cêrca de 1770 chegou a imagemnova de Nossa Senhora da Ponte, mas o Livro do Tombo só diz ,que são do Pôrto os resplendores de prata.Enquanto se construia a igreja, continuou a servir de cemitério o seu chão, sem falar no adro lateral e fronteiro. Em1778 Liberata Leme foi enterrada na matriz nova. Em 11 de•janeiro de 1783, provisão episcopal para bênção. dada em 9de fevereiro pelo vigário encomendado Domingos José Coelho,santista, que faleceu em 1806 como cônego do Cabido de São,Paulo. A 10, trasladação do Santíssimo Sacramento e imagensda matriz provisória Santa Clara então Rosário, a 11, a primeira missa. Nesse mesmo ano, a pedido da Câmara, iepetindoo de 1735, a paróquia ficou colocada, isto é, com vigáiro perpétuo nomeado e pago pelo Rei (200 mil réis por ano), mas o primeiro nomeado foi o sorocabano, licenciado Antônio Ferreira Prestes. Em 1789, vieram da Bahia as imagens do Senhordo Bom Fim, do Senhor dos Passos e Senhora das Dôres, e em1812, São José. Em 1819, o fabriqueiro Antônio Bernardo de: [Página 18 do pdf]

Azevedo Camelo, sendo pedreiro principal Joaquim Lustosa, santista, terminaram a tôrre. A Irmandade do Rosário dos Pretos, que estava na ma-triz, passou a construir a atual igreja do Rosário da praça Fer-reira Braga, e pilou os muros até uma altura, em 1812. Daí foi aboletar-se no já pronto em Santo Antônio e transformou-se na Irmandade de São Benedito. Desde 1805 as duas netas do falecido Sarataiá: dona Ma-noela de Santa Clara e dona Rita de Santa Inês construiam com esmolas o Recolhimento de Santa Clara ao lado da igre-ja do Rosário. Após muitas dificuldades com o Govêrno Real, que não queria conventos, tendo ido ao Rio e falado com as damas do Paço, conseguiram licença para um recolhimento e educação de meninas, e de fato recebiam meninas, muitas fu-turas freiras. Elas sabiam escrever. Portanto, no fim do sé-culo anterior, os pais de família rica ou remediada já faziam ensinar as filhas. O côro foi inaugurado em agôsto de 1811, com três religiosas e o próprio capelão do convento da Luz o santo frei Galvão, encaminhando as novas recolhidas. Em 1780 e por aí as reuniões da Câmara eram de nôvo em prédio próprio, talvez alugado. Em 1802 o inventário do Sa-rutaiá prova que foi êle quem dirigiu as obras da nova Câ-mara e Cadeia, no local da primeira, mas ficavam por acabar. Em 1805 já se fala nas vizinhas casinhas ou mercado. Por essa época principiou a nova Cadeia e Câmara que já em 1819 estava em reforma. Tinha grades de ferro, duas enxovias la-deando o corpo da guarda, escada. Em cima, salas da Câmara. Sacadas nas portas-janelas. (Continua) . ALUISIO DE ALMEIDA do Instituto Histórico e Geográfico de Sorocaba [p. 131]



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EMERSON


01/09/1965
ANO:64
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]