11 de dezembro de 2020, sexta-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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DEZ.
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HOJE NA;HISTóRIA
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A última vez que entrou em erupção o vulcão Cumbre Vieja, localizado em La Palma, Arquipélago das Canárias (Espanha), foi em 1971. Ele é o único vulcão que pode causar um tsunâmi tão catastrófico e anormal que devastaria o litoral do Brasil. Isso porque com seus 1.949 metros de altitude, ele possui falhas na estrutura da ilha que o sustenta, o que poderia causar o desmoronamento de mais de 500 toneladas de terra no leito do oceano Atlântico, gerando um terremoto que formaria um megatsunâmi que atingiria toda a costa leste das Américas, a costa oeste da África e o litoral da Europa ocidental.Fora isso, é praticamente impossível existir tsunâmi no Brasil, visto que o país está localizado no centro de uma placa tectônica, onde os terremotos podem até ocorrer, porém em proporções quase insignificantes.No passado, os tsunâmis eram confundidos com os maremotos, embora ambos tenham uma conexão por serem fenômenos que podem ser provocados por abalos sísmicos no assoalho oceânico ou por atividades vulcânicas, suas causas e efeitos podem também ser distintas. Os maremotos tendem a acontecer periodicamente, dependendo mais da posição da Terra relativa à Lua, o que determina a altura da onda a partir de sua força gravitacional exercida — por isso, as marés costumam subir muito durante as fases de Lua nova e cheia.Os maremotos também costumam acontecer em baías e regiões costeiras mais estreitas, onde o nível da água pode subir vários metros em poucas horas. Uma onda gigante consegue atingir 30 metros de altura, porém, para ser considerada tsunâmi, ela deve ser gigante em relação ao seu comprimento, atingindo até 100 quilômetros, em vez dos 100 metros que uma onda de um maremoto alcança.São Vicente submersaQuando a expedição do navegador português Gaspar Lemos, em 1502, chegou em São Vicente, atualmente um dos litorais mais famosos do estado de São Paulo, ela era batizada pelos indígenas como Ilha de Gohayó. O navegador Martim Afonso de Sousa, um católico fervoroso, foi o responsável por alterar o nome para São Vicente, em homenagem ao mártir Vicente de Saragoça, que foi canonizado e se transformou em um santo padroeiro de Lisboa.Levaram-se anos para que o assentamento da Vila de São Vicente, ocupado pela comitiva portuguesa, ficasse totalmente pronto. Domingos Pires e Pascoal Fernandes rumaram para uma região onde hoje é a praia de Itararé, construindo um oratório, o de São Jerônimo, o primeiro padroeiro do lugar.De acordo com um registro histórico feito pelo frei Gaspar da Madre de Deus no século XVIII, com base nas atas da Câmara, no final de 1541, um maremoto atingiu a Vila de São Vicente e causou a morte de alguns habitantes, dos cerca de 150 que moravam na região. “Hoje é mar o sítio [o local] onde esteve a vila”, relatou o frei em um dos arquivos preservados até hoje.No entanto, a escassez dos documentos dificulta a construção de uma linha do tempo dos fatos. As consequências do maremoto foram observadas na transferência da sede da Vila para o Porto, onde já existia uma capela construída por Luís Góes e dedicada à Santa Catarina, a segunda padroeira de São Vicente. O local teria ficado muito povoado depois do súbito cataclismo ter destruído as casas e inundado onde havia uma grande faixa de terra.Naquela época, não era difícil as casas serem devastadas, pois eram muito frágeis. Elas eram feitas de pau a pique ou de taipa de pilão com argamassa de terra preparada em forma de madeira e socada com pilão. Qualquer ressaca um pouco mais forte as levaria com facilidade.Tendo como base documentos deixados pelo espanhol Alonso de Santa Cruz, o historiador Mario Neme disse que a Ilha de Urubuqueçaba, perto da praia de José Menino (Santos), na verdade deveria fazer parte das terras marginais, mas foi coberta pelo maremoto. Isso comprova que o fenômeno também foi responsável por alterar a geografia de São Vicente, que talvez fosse diferente de como a enxergamos hoje.Mudanças históricasA Igreja Matriz, o maior prédio de São Vicente, e o pelourinho, ponto de referência onde as novas leis eram lidas para a população nos séculos passados, também foram afetados pela onda e ficaram submersos. O porto, que era a fonte de lucro e fazia a administração da economia do lugar, foi transferido para o norte da ilha, onde está até hoje. No entanto, de acordo com o historiador Marcos Braga, então coordenador da Casa Martim Afonso, em São Vicente, o porto não teve mais a mesma função devido ao assoreamento da baía.Em 1543, foi feito o primeiro resgate subaquático da história do Brasil. Membros da Câmara designaram Jorge Mendes e Jerônimo Fernandes para a tarefa de resgatar o pelourinho das águas sob a oferta de 570 réis, sendo que 300 réis seria para retirá-lo das águas, mais 20 réis seria para transportá-lo até um local seguro e os outros 250 réis para reerguê-lo. Além disso, Pedro Colaço teria recebido 50 réis para resgatar um sino de bronze da Igreja Matriz que também estava submerso.Em 1555, a Câmara ordenou que a nova Igreja Matriz fosse erguida a aproximadamente 300 metros acima do nível do mar e com os fundos voltados para o oceano Atlântico. A vila como um todo foi realocada e construída um pouco mais acima do nível do mar para tentar evitar possíveis maremotos no futuro.Ainda há uma curiosidade muito grande por parte da comunidade de história para saber o que exatamente aconteceu. O oceanógrafo Michel Michaelovitch de Mahiques sugere que a onda poderia ter sido provocada pelo enorme escorregamento de um talude natural (plano de terreno inclinado) para dentro do oceano. Contudo, as questões ainda são muitas e por isso talvez nunca saberemos a resposta exata.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]