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autor:04/11/2023 03:43:48
“Sorocaba e o Mosteiro de São Bento. Uma visão diacrônica”, 09.09.2009. Ruth Aparecida Bittar Cenci, Mestre e Doutora em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

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    9 de setembro de 2009, quarta-feira
    Atualizado em 24/10/2025 19:13:54
  
  
  
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SET.
09
HOJE NA;HISTóRIA
54

Balthazar Fernandes, filho do povoador Manuel Fernades Ramos e Susana Dias, também povoador como seu pai e seu irmão André Fernandes, foi casado com Izabel de Proença e entre suas grandes riquezas possuía doze sesmarias de uma légua cada uma, nos municípios de Sorocaba, Itu e Parnayba, que naquele tempo pertenciam somente à Parnayba.Em 1654 nas paragens do hoje município de Sorocaba, foi fundada uma Vila de nome Itavovú, que mais tarde passou à Vila de Nossa Senhora da Ponte, a pedido de Balthazar Fernandes.Para tanto, peticionou, na qualidade de povoador, em nome dos demais moradores – cerca de 30 (trinta) casais -, a S. Magestade representada pelo Administrador Geral da Repartição do Sul – Salvador Correa de Sá Ibenavid , que lhe permitiu levantar Pelourinho meia légua distante daquele levantado pelo antigo Governador – Dom Francisco -, em síto mais acomodado, dentro do mesmo limite, mudando desta forma a Villa para suas terras, atual cidade de Sorocaba. O pedido foi acolhido por Salvador Correa de Sá Ibenavid em 03 de março de 1661, ocasião em que o Administrador Geral nomeou provisoriamente até que se desse eleição, nos termos dos Foraes, para juízes: o próprio Capitão Balthazar Fernandes e Paschoal Leite Pais; para Vereadores: André de Zuniga e Claudio Furquim; para Prourador: Domingos Garcia e para Escrivão da Câmara: Francisco Sanches.

No mesmo ano de 1661, aos 21 de abril o Capitão Balthazar Fernandes doou a Igreja de Nossa Senhora da Ponte, hoje Mosteiro de São Bento, aos frades beneditinos existentes na Vila de Parnaiba.

Até os dias de hoje pairam dúvidas sobre o momento histórico em que foram doadas as terras de Sorocaba para os monges beneditinos. Tal confusão, em parte, se dá em razão de afirmações díspares entre historiadores que sobre isso escreveram.

No entanto, a escritura de doação cuja cópia autenticada nos foi confiada por Dom José Carlos Gatti, monge beneditino responsável não só pelo Mosteiro de São Bento de Sorocaba, mas também por seu restauro, deixa claro que a doação se deu em 1661.

Mas não é só, além desse documento que afirma que o ano de 1661 é a data correta para a fundação do Mosteiro de Sorocaba, de igual importância e fé publica, é a Pública Forma[1] do 4º Tabelião de Notas da cidade de São Paulo, que também coloca o ano de 1661 como data de fundação da casa de São Bento em Sorocaba.

Traz a referida Pública Forma os seguintes dados:

– foi lavrada pelo 4º Tabelião de Notas da cidade de São Paulo, cuja firma exarada é do Oficial Maior Eulalio Firmo da Silva em 29 de outubro de 1938, a pedido de Dom José Wolfgang, monge beneditino do Mosteiro de São Bento de São Paulo, quem apresentou os documentos das terras do Mosteiro de São Bento de Sorocaba ao tabelião;

– a Pública Forma reproduz um Instrumento Cível de 1828 no qual se contém todos os documentos das terras do Mosteiro de Sorocaba, bem como todos os termos e Autos Judiciais feitos para a demarcação dessas terras no ano de 1774. Isso, extraído de outro Instrumento cível, também em Pública Forma, dos autos de demarcação das terras do Mosteiro a requerimento do seu Presidente Frei Antonio de Sancta Maria Landim, arquivado pelo Tabelião Luis Pedroso d’ Almeida, no juízo da Vara de Sorocaba;

– mais um documento foi transcrito na Pública Forma de 1938, trata do processo judicial em que consta petição do Capitão Manuel Fernandes de Abreu, então morador da Villa de Sorocaba, requerendo ao juiz fosse realizado o traslado da escritura de doação que seu pai fez aos religiosos, a qual se encontrava em poder do Tabelião da Villa de Parnayba, o que foi determinado pelo juiz em 09 de abril de 1781;

– realizou-se, então, a pedido do juiz da Villa de Sorocaba, pelo tabelião Braz da Rocha do Canso, da Villa de Parnayba a transcrição da escritura de doação contida no livro de notas que em poder dele ficava, de tudo dando fé pública. O conteúdo da escritura de doação transcrita deixa claro que a doação se deu em 21 de abril de 1661.

Importante ter em mente que os traslados requeridos ao juiz da Comarca eram os meios pelos quais os proprietários das terras obtinham cópia do documento referente à sua propriedade, anotado nos Livros de Notas da época.

Também constam da Pública Forma de 1938, outros documentos referentes à demarcação das terras do Mosteiro, além da transcrição da sentença de demarcação das terras exarada pelo juiz Tenente Antonio Garcia Fontoura, aos 16 de setembro de 1774.

Os episódios transcritos na Pública Forma de 1938 se deram a partir da pendenga que se criou em razão da posse das terras doadas ao Mosteiro, por conta do filho de Balthazar Fernandes – Capitão Manuel Fernandes de Abreu – ter retomado ditas terras, contando com a ajuda da Câmara. Para tanto alegou que os frades beneditinos não haviam cumprido com as obrigações que constavam da escritura de doação das terras.

Essas obrigações diziam respeito à construção de um dormitório com quatro celas, despensa, cozinha e refeitório; a obrigação de estarem presentes na Igreja, e nela dizerem doze missas a cada ano, uma a cada mês e uma missa a mais no dia da Festividade de Nossa Senhora da Ponte, do dia da doação para todo o sempre; e por fim, que os bens móveis, os de raiz, as doze vacas, o touro, o Moinho e a Vinha pertenceriam sempre a casa e dela não poderiam tirar, ou alhear coisa alguma.

Das obrigações impostas, percebe-se pelos relatos históricos que os monges realmente tomaram posse das terras apenas em 1667, portanto, seis anos mais tarde. Quanto às construções, realizaram-nas parceladamente vez que não tinham recursos para tanto, já as outras obrigações, não se encontra relato algum, mas sabe-se que lá realizavam atividade missionária, catequizando os índios e pregando a palavra da salvação, além das aulas de latim e cantochão a todos os filhos dos moradores que quisessem estudar uma e outra coisa.

Ainda, celebravam missas, sacramentos e solenizavam as festividades. Também, a primeira escola de Sorocaba foi instalada no Mosteiro em 1667. Nela se ensinava canto, latim e português. Em 1816 os religiosos criaram um curso de filosofia e teologia para seminaristas e leigos que só parou de funcionar quando o governo proibiu a admissão de novos religiosos à ordem monástica – Lei Imperial de 1855 -.

Os historiadores relatam que por conta dessa querela da Câmara com os frades, por volta do ano de 1695 o Visitador ordenou aos religiosos que lá estavam que realizassem inventários dos bens do Mosteiro e retornassem para São Paulo, a notícia se espalhou, o que gerou por parte da Câmara, ameaças aos monges, inclusive de morte, caso saíssem, pois se encontravam pressionados pela população que queriam muito bem aos frades. Os monges saíram por pequeno espaço de tempo e retornaram.Por outro lado, é de se considerar as dificuldades de permanência dos frades no Brasil, especialmente lembrando que a legislação da época de D. Pedro II – 1855 – se opunha às Ordens Religiosas, pois os mosterios se esvaziaram por ocasião da lei da proibição dos noviciados. Em 1889, a Congregação Beneditina Brasileira estava se extinguindo quando em 15 de novembro foi proclamada a República e decretada a separação entre a Igreja e o Estado, deu-se, então, a salvação para a Ordem no Brasil.O Mosteiro de Sorocaba que era autônomo restou sem comunidade, com a decadência dos Mosteiros da antiga Congregação Beneditina Brasileira, no final do século XIX, por causa da perseguição feita pela política do segundo Império.Em 1903, Sorocaba perde sua independência com a centralização no Mosteiro de São Paulo, da mesma forma que os Mosteiros de Santos e Jundiaí. A independência do Mosteiro de Sorocaba durou de 1667 até 1903, se tornando após esse período Priorado dependente da Abadia de São Paulo.Dom Abade Miguel Kruse iniciou a restauração do Mosteiro de São Paulo em julho de 1900, ocasião em que se preocupou em salvar o Mosteiro e o patrimônio de Sorocaba, já que o antigo Mosteiro de Santana do Parnaíba tinha sido extinto e não restava senão poucas ruínas.Foi também Dom Abade Miguel Kruse quem teve a idéia de trazer as beneditinas missionárias de Tutzing para Sorocaba e no início as instalou no velho Mosteiro em ruínas, sendo que em 1905 fundaram o Tradicional colégio da cidade, o Santa Escolástica.Mais tarde Dom Kruse conseguiu que a escola teológica da Congregação Beneditina do Brasil viesse a funcionar em Sorocaba e foi ele quem convidou os jesuitas portugueses, expulsos de Portugal, para vir ao Brasil e foram acolhidos como professores em Sorocaba.

Em 1910, a Santa Sé enviou muitos monges alemães para Sorocaba, fazendo na cidade um noviciado para todos os Mosteiros do Brasil, inclusive o Mosteiro de São Bento de São Paulo que manteve seu noviciado em Sorocaba até 1929.

Depois da restauração do Mosteiro, a grande personalidade que deu vida ao Mosteiro de Sorocaba foi Dom Tadeu Strünck que ordenado sacerdote em 1929, foi logo em seguida enviado a Sorocaba onde viveu até a sua morte em 1975.

D. Tadeu se interessou em recuperar a autonomia do Mosteiro de Sorocaba em relação à Abadia de São Paulo, embora não tenha conseguido esse intento, dedicou toda a sua vida para fazer do Mosteiro de Sorocaba uma presença beneditina viva e atuante na cidade de Sorocaba.

Logo após a morte de Dom Tadeu foi enviado a Sorocaba Dom Policarpo Amstaldem, seguido por Dom Isidoro Oliveira Preto em 1984, que encontrou o Mosteiro e a comunidade de leigos que o frequentava, de forma bastante precária.

Dom Isidoro buscou incessantemente uma conveniente restauração do Mosteiro, seja em termos de comunidade ou de vida pastoral, durante cinco anos sucessivos, período em que aqui ficou.

Retornou ao Mosteiro de São Paulo em 1989 quando foi eleito Abade do Mosteiro de São Paulo, mas mesmo com as dificuldades encontradas pela assunção das novas responsabilidades, nunca deixou de estar presente no Mosteiro de Sorocaba enfrentando inúmeros desafios, mas pouco conseguindo para reavivar a comunidade.

Desde o ano de 2000 o Mosteiro de Sorocaba está sob a orientação e guarda de Dom José Carlos Camorim Gatti que tem trabalhado incessantemente pela comunidade e restauração do prédio do Mosteiro.Embora não exista uma comunidade beneditina residindo no Mosteiro de Sorocaba, este sempre recebe a assistência de um monge da comunidade paulistana. Os monges de São Paulo revezam entre si tal encargo, sem deixá-lo um só dia desabitado, orientando e auxiliando as atividades dos leigos, que prestam assistência às famílias carentes e formam diversos grupos de espiritualidade.Do escorço histórico, o certo é que, a assistência religiosa dos monges beneditinos aos sorocabanos tem sido mantida sem interrupção, até os tempos atuais, marcando de forma indelével a fé e a religiosidade do povo sorocabano. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALAMEIDA Aluísio de. Memória Histórica Sobre Sorocaba (ii). Separata do nº 61 da Revista histórica. São Paulo: Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba. 1965.Almanach Illustrado de Sorocaba, 1914: repositorio historico, literario e recreativo, com illustrações / organisado por Braulio Werneck. Ed. Fac-similar: Taquarituba, SP: Juracy Tenor, 2006, 270p. : il.Cezar, Adilson. Notícias históricas dos princípios desta cidade de Sorocaba em 1661, coligadas e anotadas por Manoel Joaquim D’Oliveira. Revista de Estudos Universitários nº 2 (7): 5-72, 1981.Del Negro, Paulo Sergio Barbaro. Dissertação – Universidade Estadual de Campinas –. O Mosteiro de São Bento de Sorocaba e a Arquitetura Benditina do Litoral Brasileiro e do Planalto Paulista nos Séculos XVII, XVIII, XIX – 2000.Documentos fornecidos por Dom José Carlos Gatti da Biblioteca Municipal do Porto.E. Taunay, Affonso de. A História Antiga da Abbadia de São Paulo. São Paulo: Typografhia Ideal, 1927.Folheto informativo das comemorações da Prefeitura Municipal de Sorocaba por sua Secretaria de Educação e Saúde, Serviço de Difusão Cultural, data estimada 1980.Wikipédia Enciclopédia Livre. Disponível em: pt.wikipedia.org/wiki/Bento_de_Núrsia – 39k. Acesso em: 16 maio 2009.WOODS JR. Thomas E. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. Tradução de Élcio Carillo, revisão de Emérico da Gama. São Paulo: Quadrante, 2008. [1] Pública-forma, nos dizeres do Dicionário Aurélio Eletrônico, é a cópia integral, exata e certificada, de um documento, feita por tabelião, e que pode substituir esse documento na maioria dos casos.



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EMERSON


09/09/2009
ANO:98
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]