as minas que ficaram para sempre um segredo do obstinadoaventureiro descendente do Caramuru.
De prata são ainda as serras resplandecentes dos sertões de Porto Seguro, e que se tornaram lendárias com o nome de Itaberabussu.
Eis como o historiador Gandavo nos conta a origem dessa famosa lenda:
“A esta Capitania de Porto Seguro, diz o citado historiador, chegaram certos índios do sertão a dar novas de umas pedras verdes, que havia numa serra muitas léguas pela terra dentro, e traziam algumas delas por amostras, as quais eram esmeraldas, mas não de muito preço; e os mesmos índios diziam que daquelas havia muitas e que esta serra era muito formosa e resplandecente...”.
Esta serra resplandecente que o gentio em sua língua dizia Itaberaba-oçu, e que a corruptela em lábios portugueses transformou em Taberaboçu e mais geralmente em Sabaraboçu, vai ser por todo o século seguinte o alvo das mais arrojadas expedições sertanejas conduzidas de São Paulo em direção ao vale do São Francisco, das quais não poucas vararam os sertões em busca de Porto Seguro ou do Espírito Santo, donde lhes vinha a longínqua tradição da Serra das Esmeraldas. lenda de Sabaraboçu vai ter larga repercussão entre os mamelucos de São Paulo.
Dr. Teodoro Sampaio. Memória lida no Instituto Histórico de São Paulo:
"Começa aqui esse período das pesquisas sertanejas, de que a expedição de 1602, do comando de Nicolau Barreto, é uma das primeiras e mais memoráveis, mas cujos feitos só se salvaram para a História nas notas de viagem de um aventureiro estrangeiro. Começa esse período das expedições longínquas para descerem índios para as lavouras ou para buscarem minas, cujos tesouros só um século depois de porfiadas tentativas se desvendam. Um século inteiro a bater os sertões atrás de uma quimera..."
A bandeira de Glimer, de que temos um roteiro em latim conservado na obra de Piso e Markgraff, seria decerto uma das primeiras organizadas e levadas a efeito no tempo em que fora nomeado Governador-geral D. Francisco de Souza e o fora com a recomendação da Corte de investigar as minas que se diziam existir no Brasil.
É provável que fosse ele quem promovesse essa expedição que teve lugar em 1602; sabe-se de outra parte que em 1599 o governador-geral esteve em São Paulo e aí teve notícia do que corria acerca da Serra de Sabarabussu (Saboroason de Markgraff) e suas minas de prata. Dela fez parte um holandês, Wilhelm Glimer, que vivia em São Vicente e cerca de oitenta portugueses.
A bandeira seguiu pelas margens de Tietê, tomou o Paraíba depois de descer um afluente deste, transpôs a Serra da Mantiqueira, e, depois de cortar vários rios, atingiu a região vizinha do Alto São Francisco. Gastaram-se nove meses nessa expedição, que foi de todo infrutífera.
Não era pouco, porém, haver-se já desvendado, com esta e outras aventuras que se seguiram, devidas ao gênio paulista, o segredo do sertão meridional, e em que vem afinal o descobrimento das minas compensar os sacrifícios anteriores.
Ouro! – foi afinal a exclamação desejada! Quais os itinerários mais seguidos nessas múltiplas tentativas de penetração do interior do Brasil? [Páginas 201 e 202 do pdf]
Diz um grande geógrafo, Peschel, que foi o ouro ou ailusão do ouro que povoou quase toda a América. Ascolônias francesas e inglesas do norte, no século XVI, desapareceram literalmente pela fome, e apenas o comércio de peles e otabaco no século seguinte salvou a civilização anglo-saxônica dainteira ruína na América.A tão rude destino não ficou sujeito o Brasil; bastaria a agricultura dostrópicos para alimentar a civilização até que o ouro fossedescoberto; todavia sempre foi a imaginação do precioso metal oalento que amenizava a melancolia dos expatriados.O tesouro, contudo, que foi o sonho de todas as gerações dosprimitivos colonizadores, só veio a revelar-se dois séculos depoisda conquista.
Um século antes do esperado milagre já se havia o governoaparelhado para assisti-lo. Foi de 1608 a 1617 separado do norte ogoverno do Sul, e o primeiro governador, D. Francisco de Souza,trazia o pomposo título de governador e intendente das minas.
Em Madrid elaborara-se já com grandes minúcias o Código mineiro, que havia de regular as fórmulas da especulação futura; játinha a corte espanhola experiência de iguais maravilhas comoas do México e Peru, que tanta ambição e tumulto despertaram. [Página 221]
Entretanto, anos, lustres e decênios decorriam marcados de contínuas decepções; entradas e bandeiras batiam as solidões sertanejastrazendo nossos minérios que provados à análise nada revelavamde preciosos.Em verdade, achou-se o ferro abundante em São Paulo e umpouco de ouro, raro, na mesma capitania; as lavagens do ouro daíe do Paraná, que foi logo por todos os recantos explorado, quasenada produziam e reclamavam sacrifícios que não eram compensados. Caíram, pois, em olvido.Tentativas, prenúncios e empresas de exploração dasminas houve muitas desde o descobrimento do país. Asentradas que já referimos a propósito de C. Jaques, MartimAfonso, o primeiro tentam de colonização do Norte (capitania de João de Barros) revela a uniformidade dessaaspiração.O caso mais famoso ou notório foi o de Gabriel Soares,o historiador, proprietário do engenho de Jeriquiriçá naBahia, que supôs haver descoberto ricas minas de prata emlugar desconhecido, e foi o ponto de partida de empresassucessivas de Melchior Dias, que mais ou menos determinara o itinerário daquelas minas para os lados de Itabaiana(Sergipe).
Os holandeses do Brasil também tinham notícia oficialde quatro minas de prata na região conquistada; em 1641Nassau fez partir do Recife uma expedição de 173 pessoasà cata de minas de ouro; dela era chefe um espírito de ação,Elias Herckmans, guerreiro, historiador e poeta, que narrouas peripécias da inútil jornada através das florestas ou dodeserto sertão até o morro misterioso de Copoaba. Outrasempresas sucederam, como a de Niemeyer, a busca das minas de Itabaiana, seguindo as pegadas de Melchior Dias, e repetidas outras no Cunhau, Rio Grande. Quase ao findaro domínio holandês, uma grande expedição dirigida por Mathias Beck, que dela escreveu um interessante Diário, velejou para o Ceará, onde se fizeram explorações regulares no Itarema e Maranguape, achando-se prata, mas em quantidade insignificante; a reconquista portuguesa em 1654, quando chegou a notícia da capitulação do Taborda, dispersou os expedicionários.
A esperança de novos descobrimentos fortaleceu-se com os primeiros e raros indícios, e vários decretos de 1670 e 1694 davam grandes promessas aos descobridores, títulos de nobreza e uma das três ordens de cavalaria, afora outras vantagens. Há ainda notícias de, pelos meados de século XVII, haver um certo Marcos de Azevedo subido um rio, que se supõe o Rio Doce, com um único camarada e ter trazido daquelas ínvias paragens muitas esmeraldas e prata; não querendo fazer revelações, teve que sofrer trabalhos, foi preso e morreu na prisão sem comunicar o segredo. O governo, reconstruindo o roteiro de Azevedo, por notícias vagas, comandou a Barbalho Bezerra uma expedição; mas Bezerra logofaleceu enquanto se discutia o empreendimento.
Um ricaço de São Paulo tomou a si a ração regular do interior; a ele se deve o conhecimento do vasto sertão das Minas Gerais, como ao depois se chamou. Era esse homem já muito maduro, [Páginas 222 e 223]
um desses homens encontra-se o exemplo de férrea e indomável vontade. Para Borba agora o mundo seria o prêmio da fortuna ou da audácia. O descobrimento das minas, se o fizesse um dia, traria a prescrição do hediondo de que fora cúmplice, senão principal causa. E na verdade pôde ele realizar essa grande esperança!
No lugar onde é hoje Sabará achou e explorou uma sede de jazidas e lavagens de então, trilhado pelos aventureiros, o local não oferecia segurança, e o criminoso debandou para os lados do Rio Doce, onde viveu da selvagem hospitalidade de uma tribo de índios, entre os quais foi quase rei.Vinte anos (1680-1700) tinham já decorrido da sua áspera expiação no deserto, e a nostalgia da pátria que a melancolia davelhice agravara tornara-se nele invencível. Pediu para São Pauloà família que reabilitasse o seu nome, e o governo fez-lhe a promessa de esquecer a grande falta se indicasse oslugares das minasdescobertas. Com grande regozijo Borba aceitou a promessa e feza revelação dos tesouros que havia descoberto, o que, além do esquecimento do crime, lhe valeu novas e grandes honras.Alguns anos antes do descobrimento das minas de Sabará, outras mais para o sul foram descobertas. Um paulista de Taubaté,Antônio Rodrigues Arzão, em 1693, havia explorado o Rio Doce edescera até Vitória do Espírito Santo, para onde levou amostrasde ouro, de três dracmas, das quais se cunharam duas medalhas,uma para o governador, e com a outra voltou ele a Taubaté, ondepouco depois morreu.
O seu cunhado, Bartolomeu Bueno de Cerqueira, continuou a obra encetada, levando-a ainda mais longe. Era este um bandeirante de grande fama, que já em 1670, numa expedição de resgate, havia penetrado até o íntimo sertão de Goiás; e bastava-lhe soerguer abandeira para à sombra dela acorrer a multidão de aventureiros do tempo. Em 1694 veio com grande companhia acampar nas [Páginas 226]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]