São Paulo na órbita do Império dos Felipes: Conexões Castelhanas de uma vila da américa portuguesa durante a União Ibérica (1580-1640)
José Carlos Vilardaga 2010, sexta-feira
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MENCOIONADOS
1º registro
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19 de outubro de 1526, terça-feira
O Navegador espanhol Sebastião Caboto chegou à ilha de Patos Sebastião Caboto batizou-a de Ilha de Santa Catarina. Há uma polêmica em torno da motivação desse nome. De acordo com uns, o nome homenageia a santa, enquanto para outros, faz referência a sua esposa Catarina Medrano.
Irala teria chegado no salto do Avanhandava às margens do rio Anhembi Assim, a coincidência entre as ações de Irala, de um lado - que teria chegado, em 1552, no salto do Avanhandava às margens do rio Anhembi (Tietê) para combater os grupos tupis alertando ao rei da necessidade de consolidar as conquistas do Guairá para barrar um possível avanço português.
7º registro
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26 de março de 1553, quinta-feira
Chegada a Kariesseba De qualquer forma, no trajeto, deveriam pesar, sobretudo, as ameaças indígenas.Somente com certa conivência ou anuência dos grupos indígenas, este percurso poderia ser utilizado com o mínimo de regularidade. As redes de alianças feitas com os índios nos primeiros tempos, tanto do lado tupi-português quanto do hispano-guarani, devem ter garantido certa paz, preservando a segurança dos viajantes. O espaço entre o Paraguai e a capitania vicentina era, de fato, mais um território indígena que coloni (...)
8º registro
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20 de julho de 1553, segunda-feira
Carta escrita por João de Salazar ao Conselho das Índias Por fim, cita o caso de um português que matara alguém em São Vicente e fugiu a pé para o Peru, onde recolheu certa quantidade de prata antes de voltar a Portugal. Essas notícias davam a certeza a Valdés de que era temerário que a capitania ficasse sob a jurisdição de um homem só, como o donatário Pero Lopes de Souza. Ela deveria, isto sim, por sua importância e riqueza, pertencer ao rei, que poderia “recompensar aquello en outra cosa antes que nada desto se entenda
Fundação de Ciudad Real or "El Guairá" Dois anos depois, em 1556, o novo governador da Província do Rio da Prata e Paraguai, Gonzalo de Mendoza, enviou Ruy Díaz de Melgarejo para fundar Ciudad Real del Guairá, na foz do rio Piquiri, também às margens do rio Paraná. A vila, situada a dez quilômetros de Ontiveros, foi povoada em 1557, com 100 colonos que acompanharam Melgarejo e pela população de Ontiveros, transferida para Ciudad Real. [Página 207]
A vila de São Paulo ficou completamente fundada e reconhecida, data da respectiva provisão Pretendemos, aqui, tão somente apresentar uma espécie de “radiografia” de São Paulo entre 1560 e 1580. Resultado tardio do colégio jesuítico erguido em 1554, esta vila nasceu formalmente no ano de 1560, depois que o governador-geral Mem de Sá ordenou o esvaziamento no núcleo inicial de Santo André da Borda do Campo e a transferência dos moradores para junto do colégio, no alto da colina situada entre o Tamanduateí e o Anhangabaú.
Pelo que se depreende das crônicas de época, morar em S (...)
Carta feita pelos oficiais da Câmara de São Paulo à rainha D. Catarina Também significativa foi a carta feita pelos oficiais da Câmara de São Paulo à rainha D. Catarina em 1561, na qual se alertava que portugueses haviam sido mortos por índios no caminho do Paraguai. ("SP na órbita do Império dos Felipes" José Carlos Vilardaga. Página 224]
Cerco de Piratininga ou A Guerra de Piratininga Em julho de 1562, uma reunião de índios que resistiam à presença portuguesa no planalto, somada a grupos já supostamente catequizados, e bastante insatisfeitos, promoveu violento ataque à vila, colocando, pela primeira vez, em xeque a rede de alianças costuradas pelos colonos com as lideranças indígenas locais.
Do lado dos padres e colonos, o cacique Tibiriçá, aliado de primeira hora, lideraria o exército defensor. Mas, ao final, ele mesmo seria abatido pelo inimigo que não poupou vít (...)
20º registro
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5 de novembro de 1562, segunda-feira
Os oficiais deram um ultimato para que os moradores terminassem os muros da vila Nas Atas dos anos de 1562 e 1563, encontramos a aflição dos oficiais que pediam, com recorrente urgência, para se “acabar os muros e baluartes”, “fechar as portas com cadeados” e “construir guarita”. Em 5 de novembro de 1562, os oficiais deram um ultimato para que os moradores terminassem os muros da vila.
(...) Em 5 de novembro de 1562, os oficiais deram um ultimato para que os moradores terminassem os muros da vila. Ainda em dezembro do mesmo ano, Salvador Pires, procurador e povoad (...)
Jorge Moreira é dono de terras num lugar chamado Urrutantan (Butantã) Jorge Moreira, este último um dos maiores potentados da vila nestes tempos. Segundo Leme, Moreira nasceu em Rio Tinto, Porto, e foi dono de datas de terras num lugar chamado Urrutantan (Butantã) e 1566 (...)
carvoeiro Apesar de desempenhar funções no concelho desde os anos 1570, em 1584 houve uma tentativa de impedir que Domingos Luis assumisse cargos na república, por “não haver entrado até agora em oficio”. Naquele momento, seu passado de oficial mecânico deve ter pesado contra ele. [p.84]
29º registro
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22 de junho de 1572, quinta-feira
“todo o povo da vila” recomendava que ninguém ajuntasse índios para serem levados ao Rio de Janeiro Nesta década de 1570, a ameaça mais imediata de ataques de índios inimigos parecia estar afastada, mas a preservação dos gentios aliados e de serviço na vila ainda era uma preocupação. Em junho de 1572, num auto de ajuntamento, “todo o povo da vila” recomendava que ninguém ajuntasse índios para serem levados ao Rio de Janeiro sob pretexto de irem à guerra ou prestar socorro, uma vez que nenhum pedido oficial deste tipo chegara a São Paulo. Dentre os que deveriam ser notificados estava Domingos d (...)
Afonso Sardinha aparece em Livros de Atas e de Registro da Câmara de São Paulo Afonso Sardinha aparece pela primeira vez em Livros de Atas e de Registro da Câmara de São Paulo, ao tomar posse como Almotacel. Na vila, foi almotacel, em 1575, vereador, em 1572, 1576 e 1582 e juiz ordinário, em 1587. Portanto, em 1592, quando foi nomeado capitão da gente de guerra da vila, já apresentava uma longa ficha de préstimos à governança local.
32º registro
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4 de fevereiro de 1575, terça-feira
Domingos Grou se dirigiu ao Rio de Janeiro O caminho para o Rio de Janeiro era também constante, como mostram as idas não só de índios recolhidos à revelia, como de moradores, raras vezes informadas à Câmara, a exemplo de Domingos Luis que para lá se dirigiu em fevereiro de 1575
Evidências de que Afonso Sardinha teria "descoberto" o “Araçoiaba” Segundo Carvalho Franco, Salvador de Sá, o velho, possuía notícias e mercês de minas desde 1578, ostentando, inclusive, o título de superintendente.479 Segundo os relatos de Knivet, talvez um tanto fantasiosos, uma carga de nove toneladas de prata, que seria enviada ao reino pelo governador, teria ficado em Pernambuco aos cuidados de Salvador de Sá, ele próprio possuidor de uma caixa com ouro puro. O fato é que, enquanto D. Francisco investigava as minas da capitania de São Vicente, Salvador con (...)
Expedição trata dos preparativos feitos na vila Segundo Carvalho Franco, 1581 também foi o ano da primeira grande expedição dos colonos da capitania à região do Paranapanema, alcunhada pelos castelhanos assuncenhos de Guairá. O capitão Jerônimo Leitão teria subido o Tietê e feito uma grande arregimentação de índios tupiniquins e carijós.
A única referência na Câmara sobre esta presumível expedição trata dos preparativos feitos na vila em 15 de novembro de 1580, quando “estavam os mancebos para irem a guerra a Paraíba...”. De qualqu (...)
39º registro
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9 de julho de 1581, quinta-feira
Mandato expedido por Francisco Duarte para que o capitão levasse albanires, ferreiros, carpinteiros e canteiros A preparação da viagem incluía ainda o embarque de engenheiros para a planificação e construção dos fortes do Estreito. Na lista de nomes para engenheiros, estava o sobrinho de Juan Baptista Antonelli, Cristovão, que residia na Catalunha, o próprio Juan Baptista, um genro seu, Tiburcio Spanochi, e Phelipe Terao, que vivia em Lisboa. Mais tarde, documentos fazem referência a um irmão de Antonelli, que assinava somente Baptista Antonelli. Estes engenheiros e oficiais deveriam compor fundamentalmen (...)
Armada de Valdez chega em São Vicente Diante das dificuldades, Valdés diz que resolveu voltar a São Vicente, ondechegou em 15 de abril de 1583, ocasião em que encontrou Higino. Depois de valorizar aprópria decisão de ter mandado as três naus a São Vicente - que resultou na vitória sobreos ingleses –, o almirante fala sobre a construção do forte da Barra Grande, em SãoVicente, que, segundo ele, teria sido solicitado pelos moradores locais e pelo capitão Jerônimo Leitão. “Y asi el contador lo comenzo a fabricar conforme la tra (...)
42º registro
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15 de jun. de 1583, quarta-feira
Os camaristas se queixavam da “grande tormenta de fome” ocasionada pela remessa de gado para a armada de “sua Majestade” Além do pitoresco caso criminal, outro fator de mobilização da vila em torno da armada foi desencadeado pela mais aguda solicitação de gado para o abastecimento das naus de Valdés. Em junho de 1583, os camaristas se queixavam da “grande tormenta de fome” ocasionada pela remessa de gado para a armada de “sua Majestade”. No dia 10 de agosto, registrava-se, nas atas, provisão do capitão-mor, Jerônimo Leitão, ordenando que os habitantes remetessem 200 reses para a armada, estacionada em Santos.
43º registro
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1 de agosto de 1583, segunda-feira
Carta de Diogo Flores Valdez* No quadro da viagem de Valdés, a capitania de São Vicente teve um papel bastante relevante. Segundo carta ao rei enviada em agosto de 1583, o almirante ressaltava a necessidade de que VM “no estime poco el Brasil”, pois apesar de pouco povoada, tratava-se de terra rica. A carta exaltava, recorrentemente, a importância de sua chegada num lugar que vivia sob clima de agitação e subversão, visto que a maioria das pessoas da terra era de gente vinda de Portugal e em quem não se podia confiar; (...)
Guerra de Jerônimo Leitão: expedição partiu de Santos para exterminar os Carijós Segundo Miriam Ellys, a entrada de Jerônimo Leitão ao Paranaguá, em 1585, teria também trazido algum ouro de lavagem da região ao sul. Lembremos, inclusive, que Afonso Sardinha, pai, participara desta entrada. De qualquer maneira, as suspeitas sobre a existência de metais preciosos na Capitania obedeciam a algumas informações concretas e outras tantas marcadas por expectativas e desejos.
Sardinha já havia participado de uma incursão de Leitão aos Patos, em 1585, e liderado entrada (...)
Villa Rica del Espírito Santo teve uma segunda fundação Por outro lado, Villa Rica del Espírito Santo, que teve uma segunda fundação em 1589, mantendo-se até 1632, parece ter atingido uma maior prosperidade. Segundo estudos de Claudia Parellada, baseados nos vestígios arqueológicos em Nova Cantu, atual Paraná, a cidade teria uma área total de 300.000 metros quadrados e seria cercada por chácaras. De acordo com o modelo codificado urbano da lei de 1573, o povoado era “enxadrezado de ruas retilíneas”. Possuía um centro com uma praça e terrenos ao red (...)
51º registro
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1589, domingo
Fundação da Usina de Ferro do Vale das Furnas O filho Afonso Sardinha, o moço, era nascido em São Paulo, residia em Emboaçava, junto do rio Pinheiros, e minerava em Jaraguá. Descobriu minas de ferro em Araçoiaba em 1589, segundo Azevedo Marques, e com seu parceiro, Clemente Alvares, minas de ouro no Jaraguá, Vuturuna (Parnaíba) e Jaguamimbaba (nas proximidades da Serra da Mantiqueira)
52º registro
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1 de abril de 1589, sábado
Armada partiu de Londres Naquele momento, a importância do Brasil ainda guardava a velha razão estratégica. Desde o início do século XVII, os embaixadores da monarquia em França davam conta dos preparativos de D. Manuel, filho de D. António, Prior do Crato, para “ir ao Brasil”. Tanto que, em 1603, o governador Diogo Botelho enviou carta ao rei comunicando que havia mandado fortificar Olinda para se defender do provável ataque que seria empreendido pelo tal D. Manuel.
D. Francisco foi nomeado substituto de Giraldes, tornando-se o sétimo governador- geral do Brasil, o terceiro escolhido já no contexto da União das Coroas substituto de Giraldes em 01/12/1590, tornando-se o sétimo governador- geral do Brasil, o terceiro escolhido já no contexto da União das Coroas. A escolha de Francisco de Souza como governador-geral do Brasil não foi fortuita nem acidental. Sua trajetória pessoal, de fato, o qualificava como um dos fidalgos “mais seletos e significativos” da corte portuguesa, ademais, sua experiência em armas também o tornava representativo de um perfil de fidalgos que assumiram postos no império português.
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As primeiras notícias que temos sobre a região de Mogi pelas atas da câmara Embora, no planalto, Sardinha tivesse organizado, nos meses de setembro e outubro de 1592, entradas punitivas e estabelecido um sistema de revezamento na vigilância do forte, exemplos de pedidos como os do castelhano João de Santa Anna, que solicitava à Câmara um “chão” no rocio da vila em 1592 por “ser muito necessário recolherem-se os moradores à vila e nela terem casas por respeito de estarmos em guerra”, 362 davam mostra de que a situação estava mesmo longe de apaziguar.
O rio Sapucaí foi descoberto pelo sertanista João Pereira Botafogo entres os municípios de Paraguaçu e Carmo do Rio Claro A informação corrente entre os historiadores é que o governador Francisco de Souza fora, efetivamente, atraído a São Paulo em função de certas notícias do ouro descoberto pelos Sardinha. Entretanto, Carvalho Franco sugere que o verdadeiro imã teria surgido de algumas amostras levadas por um mameluco que, desdobrado de uma entrada liderada pelo capitão-mor João Pereira Botafogo, chegara até a Bahia. Versão também difundida por Piso e Marcgrave, quando divulgaram os relatos de Willem Von Glimmer, (...)
Muitos anos havia que voava a fama de haver minas de ouro, e de outros metais na terra da capitania de São Vicente (...) e já por algumas partes voava com asas douradas, e havia mostras de ouro; o governador se partiu para baixo no mês de outubro de 1598, levando consig (...)
Retorno* A informação corrente entre os historiadores é que o governador Francisco de Souza fora, efetivamente, atraído a São Paulo em função de certas notícias do ouro descoberto pelos Sardinha. Entretanto, Carvalho Franco sugere que o verdadeiro imã teria surgido de algumas amostras levadas por um mameluco que, desdobrado de uma entrada liderada pelo capitão-mor João Pereira Botafogo, chegara até a Bahia. Versão também difundida por Piso e Marcgrave, quando divulgaram os relatos de Willem Von Glimmer, (...)
Em maio de 1598, os oficiais exigiam que não se levasse mais gado para Santos até a vinda do governador, pois poderia criar problemas de abastecimento. Além disso, cada um dos moradores deveria limpar e carpir seu chão de (...)
68º registro
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1 de out. de 1598, quinta-feira
D. Francisco partiu para o Sul Foi ainda sob o cumprimento dessa missão, já depois dos insucessos de Gabriel Soares no sertão do rio São Francisco, que o governador descambou para a parte sul da colônia, em outubro de 1598, deixando em seu lugar, na Bahia de Todos os Santos, o capitão Álvaro de Carvalho. Iniciava, assim, sua viagem rumo à capitania de São Vicente. Como já dissemos, fora para lá formalmente atraído em função das notícias de descobertas de ouro e prata nas minas de Jaraguá, Viraçoiaba e Vuturuna, nas cercanias (...)
D. Francisco chegou à vila de São Vicente* A informação corrente entre os historiadores é que o governador Francisco de Souza fora, efetivamente, atraído a São Paulo em função de certas notícias do ouro descoberto pelos Sardinha. Entretanto, Carvalho Franco sugere que o verdadeiro imã teria surgido de algumas amostras levadas por um mameluco que, desdobrado de uma entrada liderada pelo capitão-mor João Pereira Botafogo, chegara até a Bahia. Versão também difundida por Piso e Marcgrave, quando divulgaram os relatos de Willem Von Glimmer, (...)
73º registro
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27 de maio de 1599, quinta-feira
D. Francisco por uma provisão autorizava a todos a ir tirar ouro Uma das primeiras medidas de Francisco, ainda em 1599, foi autorizar que todos pudessem tirar ouro, na tentativa de aumentar e estimular os moradores envolvidos nas investigações e descobertas das minas.
A militarização da vila foi marcante a partir da chegada de D. Francisco que, conforme já assinalado, implantou o Regimento dos Capitães-mores de D. Sebastião e organizou as bandeiras, sob formato militar. Aos Proença, aliados de primeira hor (...)
Falecimento de Gaspar Fernandes em sua fazenda de Emboaçava O caso de Manoel Pinheiro Zurara, rapidamente esboçado no capítuloprecedente, merece um pouco mais de atenção aqui. Trata-se, sem sombra de dúvida, do mesmo que aparece na data de chão dada ao vigário João Pimentel, em São Paulo, no ano de 1607. Sabemos que, apesar de ter sido identificado como Miguel Pinheiro Azurara e castelhano por alguns autores, era, de fato, português e seu primeiro nome Manoel. Conforme seu depoimento dado em Assunção, era “avencidado” há mais de trinta anos no reino de (...)
78º registro
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1600, sábado
Fundação do Mosteiro de São Bento em São Paulo D. Francisco também foi o grande incentivador do estabelecimento e consolidação dos beneditinos em 1600, que, juntamente com os carmelitas recém-instalados (1594), ajudaram a quebrar o até então monopólio religioso dos jesuítas na vila. Em suma, a presença do governador foi marcante para o desenvolvimento da polis paulista, ordenando espaços, regulando a vida cotidiana e organizando famílias e futuros clãs.
79º registro
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25 de jan. de 1600, terça-feira
D. Francisco nomeia Antonio de Proença Na relação específica aqui apresentada, a presença física e circunstancial dogovernador pode ter criado uma nova configuração. Ele fez valer sua vontade e a Câmara foi obrigada a aceitar a nomeação de um juiz dos índios. Portanto, no que pode ter sido o primeiro braço de ferro com os interesses locais, em torno de tema tão sensível como a mão de obra indígena, D. Francisco levou a melhor, sem contudo - e isto é importante- ferir demais o orgulho dos moradores contrariados; afinal o escolhido foi (...)
80º registro
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15 de abr. de 1600, sábado
Os oficiais da Câmara ratificaram, o que já havia sido feito por seus colegas, a Frei Mauro Teixeira D. Francisco também foi o grande incentivador do estabelecimento e consolidação dos beneditinos em 1600, que,juntamente com os carmelitas recém-instalados (1594), ajudaram a quebrar o até então monopólio religioso dos jesuítas na vila. Em suma, a presença do governador foi marcante para o desenvolvimento da polis paulista, ordenando espaços, regulando avida cotidiana e organizando famílias e futuros clãs.
Francisco de Souza escreveu ao donatário Lopo de Souza para comunicar-lhe da situação das minas Pelo menos numa ocasião, Francisco de Souza escreveu ao donatário Lopo de Souza para comunicar-lhe dasituação das minas. Referência em Atas da Câmara da Vila de São Vicente, 19/11/1600, Livro 11, MF 6745P, INTT.No Registro Geral da Câmara de São Paulo entre 1599 e 1601 abundam as nomeações. De um lado, os ofícios da capitania de São Vicente e atinentes ao donatário provinham de Roque Barreto; de outro, atrelados ao aparelhamento administrativo,jurídico e militar das minas, e alocados na vila de (...)
Preço da carne De fato, parece que o trato com o gado, atividade que tanto inspirou os primeiros colonos, não agradava muito a Camargo. No dia 07/04/1601, em sessão que contou com os “homens do governo”, votou-se pela elevação do preço da carne, visto a “criação ser pouca e o milho valer muito...”. Seus companheiros de viagem, Bartolomeu Bueno e Francisco Martins votaram pelo sim, salvaguardando seus interesses como criadores, já Camargo votou pelo não, na verdade, um dos poucos. O que nos leva a pensar que C (...)
86º registro
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jul. de 1601
D. Francisco partiu de São Paulo, com destino incerto* A capacidade de D. Francisco de “cariciar” os cidadãos, como dizia Frei Vicente do Salvador (1564-1639), nos parece evidente. Quando partiu de São Paulo, com destino incerto, em julho de 1601, Souza deixou expressa a vontade - transcrita no Registro Geral – de que a então vila: Com o divino favor há de ser cidade antes de muito tempo e (seus moradores) hão de ter grandes privilégios e mercês que lhe eu hei de procurar com sua majestade porque foi a primeira e principal parte donde mediante o f (...)
Nos limites desta capitania pela terra adentro obra de quarenta léguas estão as minas de ouro e prata que Dom Francisco de Sousa diz ter descobertas, as quais muitos anos antes se tinha notícia e por boa razão de philosophia esta região do Brasil deve ter mais e melhores minas que as do Peru por ficar mais oriental que e (...)
89º registro
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17 de outubro de 1602, quinta-feira
Cédula real A primeira cédula que tenta impedir o trânsito terrestre entre a América espanhola e o Brasil é de 26 de junho de 1595, na esteira das incursões feitas a partir de Santa Cruz de la Sierra rumo ao Brasil. Somente em 1602, no reboque da autorização temporária do comércio de Buenos Aires, é que se tenta proibir o trânsito pelo Guairá.
Contudo, estes pareciam ter mais a ver com a tal preservação dos monopólios comerciais, do que propriamente com um olhar atento às afinidades (...)
Martim entregou as peças para Damião, antes de partir, em bandeira, para o sertão As reservas efetivamente exploradas foram de ouro – principalmente de faiscagem - e ferro. A prata, tão sonhada e sondada, aparentemente não foi descoberta em grandes quantidades, apesar de algumas notícias e certa boataria em contrário. A expedição de André Leão, que possuía a declarada missão de buscar prata, parece ter apresentado, nesse quesito, resultados infrutíferos. Já o ferro de Biraçoiaba e o ouro de Jaraguá, Caativa, Vuturuna e Nossa Senhora de Monserrate eram de quantidade de duvidos (...)
E comunicavam que, se os moradores que estavam no sertão soubessem disso, se meteriam “no caminho do piquiri que he província do rio da prata”, o que reforça a hipótese de que o caminho foi trilha (...)
94º registro
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15 de agosto de 1603, sexta-feira
Após a descoberta do ouro em terras brasileiras, Portugal instituiu várias medidas de caráter fiscalizador com o chamado “Primeiro regimento das terras minerais” Estes regimentos só reforçam as expectativas e os investimentos feitos em torno das supostas minas. Segundo nos diz Taunay, baseado numa consulta de Salvador Correia de Sá e Benevides realizada pelo Conselho Ultramarino em 1677, o regimento de 1603 teria surgido em função das várias dúvidas existentes em relação às minas, em especial, depois das notícias da morte do tal mineiro alemão que andava com Francisco de Souza e dos boatos de que se fundia ouro do tamanho da “cabeça de um cavalo”. < (...)
95º registro
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15 de setembro de 1603, segunda-feira
Hernando Arias promoveu o primeiro grande ímpeto repressor, reembarcando 28 portugueses clandestinos residentes em Buenos Aires Mas foi no início do século XVII que o uso do caminho reapareceu explicitamente na documentação, tanto castelhana quanto paulista. Foi mais precisamente em 1603 que irrompeu o tema do “caminho de São Paulo”, o que parece ter derivado da política imperial castelhana em relação à presença de portugueses semlicença nos espaços coloniais do império. Foi na sequência da cédula real de 1602, que solicitava aos governadores a expulsão dos portugueses sem licença, que as medidas punitivas e investigat (...)
Hernando Arias estimula a ida de soldados de Villa Rica pelo mesmo caminho de São Paulo para estabelecer contatos Da disputa territorial, predominante no século XVI, passava-se a um processo que predispunha a cooperação entre as partes. Em novembro de 1603, com a presença, naquela altura, do ex-governador, chegaram à vila de São Paulo, e se apresentaram na Câmara, quatro “soldados” de Vila Rica del Espiritu Sancto, com ordens de Antonio de Añasco, lugar-tenente e cunhado do governador do Rio da Prata (o criollo Hernando Arias de Saavedra), para estabelecer e regularizar o caminho que ligava o mundo vicentin (...)
No dia seguinte, o capitão Pero Vaz de Barros, de São Paulo, acertou com o então ex-governador geral do Brasil, D. Francisco de Souza, a decisão de enviar de 12 a 15 homens pelo caminho:
Para verem a disposição da gente e os sítios e (...)
Ressalte-se que, em 1605, ou seja apenas um ano e meio depois dos “primeiros”contatos, o bispo do Paraguai, Reginaldo de Lizarraga, falava em “doceintas léguas por terra poblada y no mal camiño”.
Em 1605, Diogo de Quadros voltou a São Paulo, depois de sua missão emCastela, como provedor das minas e com a licença de construir dois engenhos para“fabricar todo o ferro necessário para este estado”. Quadros fez um levantamento do que havia de aproveitável nos almoxarifados do Rio de Janeiro e São Vicente, encontran (...)
103º registro
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1606, domingo
D. Francisco voltou a Portugal, e, depois, a Valladolid, para onde havia se transferido a corte de Felipe III Para tanto, algum tempo após o fim de seu mandato, em 1606, voltou a Portugal, e, depois, aValladolid, para onde havia se transferido a corte de Felipe III, aproximando-se ali doDuque de Lerma, o todo poderoso valido do novo rei. Foi neste contexto que conseguiua divisão da colônia, o consequente novo ofício de governador da Repartição Sul e ogoverno e administração das minas, com amplas mercês, nos mesmos moldes dasobtidas por Gabriel Soares de Souza décadas antes.Nos preparativos para o que se (...)
104º registro
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20 de ago. de 1606, domingo
Provisão Em relação às minas existentes, além da mina do Jaraguá, de Afonso Sardinha, e que, segundo Taunay, enriquecera também Braz Esteves Leme, e Vuturuna, próxima a Santana de Parnaíba, existiam as chamadas “minas do Geraldo”, no caminho para o morro do Jaraguá.
Estas minas são comprovadas numa carta apócrifa, e sem data, inserida na publicação do Livro Segundo do Governo do Brasil. Provavelmente direcionada a Francisco de Souza, o sujeito relatava, nesta carta, que, depois de quase ter (...)
105º registro
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16 de setembro de 1606, sábado
Minas Em relação às minas existentes, além da mina do Jaraguá, de Afonso Sardinha, e que, segundo Taunay, enriquecera também Braz Esteves Leme, e Vuturuna, próxima a Santana de Parnaíba, existiam as chamadas “minas do Geraldo”, no caminho para o morro do Jaraguá.
Estas minas são comprovadas numa carta apócrifa, e sem data, inserida na publicação do Livro Segundo do Governo do Brasil. Provavelmente direcionada a Francisco de Souza, o sujeito relatava, nesta carta, que, depois de quase ter (...)
Novo Regimento das Minas de São Paulo após o testemunho ocular de Clemente Alvares Este regimento, supostamente inspirado em D. Francisco, de que fala Clemente, já causou certa dúvida na historiografia quanto à sua efetiva aplicação em São Paulo. Eschwege dizia que ele ficara perdido na Espanha por 50 anos, sendo de fato registrado em São Paulo e Rio de Janeiro apenas em 1652. Varnhagen, por outro lado, afirmava que ele havia sido registrado em Iguape já em 1605.
Em 1606 – estimada data da carta apócrifa - Clemente compareceu à Câmara de São Paulo para registrar algumas (...)
108º registro
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1607, segunda-feira
O ferro era extraído das chamadas minas de Tambó, perto da mesma Vila Rica Para reforçar a importância do metal no contexto regional, vale lembrar que a moeda de ampla circulação no mundo paraguaio, em especial no Guairá - também usada para resgate com os mesmos carijós -, era a chamada cuña, pequena peça de ferro fundida.
A cuña supria a carência de moeda na região e, apesar de sua larga utilização no século XVI, foi pouco a pouco abandonada em troca dos frutos da terra. Em 1607, foi difícil encontrar alguém em Vila Rica que soubesse precisarquantos reale (...)
Carta de Hernando Arias ao rei, sugeriu que pelo menos seis padres da Companhia de Jesus partissem de São Paulo, pela via proibida, para atuar no Guairá Portanto, num primeiro momento, entre os anos de 1603 e 1607, o caminho esteve bastante frequentado e facilitado, como atesta inclusive a quantidade de clérigos que o utilizaram tanto para se ordenar em Assunção quanto para assumir os vicariatos de Ciudad Real e Villa Rica, que contavam, ambos, com religiosos de São Paulo. O próprio Hernando Arias sugeriu que pelo menos seis padres da Companhia de Jesus partissem de São Paulo, pela via proibida, para atuar no Guairá. [página 234]
João de Santa Ana? dois desaparecidos Além destes, outros nomes podem ter vindo na armada de Valdés, como João de Sant´Anna, castelhano morto em bandeira de 1608, cujo testamento revela um homem cheio de dívidas; o galego Jorge de Barros Fajardo, parceiro de Camargo em negócios e vereança; o albañil Marcos Lopez, natural de Malága e provável dono da primeira loja de comes e bebes criada para receber a comitiva do governador Francisco de Souza nos anos 1590; o piloto da Nau Saint Nicholas e natural de Triana, Gonçalo Conqueiro, homôn (...)
Mineiro Manoel Azurara apareceu em processos judiciais em torno da erva mate em Maracayu, onde estabeleceu negócios Entre 1609 e 1612, apareceu em processos judiciais em torno da erva mate emMaracayu, onde estabeleceu negócios. Do ouro ao mate, Pinheiro parecia ter umabússola apontada para os bons negócios. Não podemos assegurar se ele realmente usou algum ouro de São Paulo como capital inicial, apenas deduzir, visto que, em seu processo, reclamou, diante das desconfianças gerais, que o ouro de São Paulo não era beneficiado como se deveria e que ele mesmo tinha seus salários atrasados. [Página 181]
115º registro
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1609, quinta-feira
A presença desta ordem no Guairá se deu entre 1609 e 1610, quando os padres José Cataldino e Simon Maceta organizaram a primeira redução de Nossa Senhora de Loreto A presença desta ordem no Guairá se deu entre 1609 e 1610, quando os padres José Cataldino e Simon Maceta organizaram a primeira redução de Nossa Senhora de Loreto. Contudo, o ápice ocorreu entre 1622 e 1628, já sob a direção do Padre Antonio Ruiz de Montoya, quando onze reduções foram então organizadas. A década de 1620 foi marcada por uma forte expansão das reduções jesuíticas, o que significou a incorporação de grande população guarani. Este processo atingiu em cheio as vilas guairenhas, cada (...)
116º registro
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1609, quinta-feira
Governador Jerônimo Almeida propõe mudar a busca do ouro para Angola Efetivamente, Felipe II transferiu quase todo o aparato administrativo das sonhadas minas africanas para o Brasil, embora as demandas pelas minas do Monomotapa tivessem continuado ainda no reinado de Felipe III, inclusive pelos caminhos angolanos, como propuseram o governador João Rodrigues Coutinho,entre 1601 e 1606, e Jerônimo de Almeida, em 1609.
117º registro
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1609, quinta-feira
A divisão do Brasil se efetivaria A suposta riqueza da capitania de São Vicente e suas conexões com o mundo castelhano do interior do Paraguai desdobrar-se-iam em políticas e ingerências diretas e indiretas por parte de Madri. A administração civil e eclesiástica na Bahia, como vimos, foi uma das influências mais visíveis da presença castelhana no período, e a luta contra os inimigos da coroa, nesse contexto, resultaria na maciça fortificação das costas brasileiras. Por fim, a divisão do Brasil se efetivaria em 1609.
“semear muito trigo”, pois a compra do vinho de fora causava prejuízo à vila; “muito bom trigo quase sem nenhuma indústria” e sentia a falta de moinhos Em 1610, os oficiais conclamavam os homens bons de vila a deliberarem sobre a hipótese de se obrigar os moradores a plantar bacelos e “semear muito trigo”, pois a compra do vinho de fora causava prejuízo à vila. Neste mesmo ano, o padre Jacome Monteiro,visitando São Paulo, afirmava que havia “muito bom trigo quase sem nenhuma indústria” e sentia a falta de moinhos, “que já se vão levando”, ou seja, assistia in loco a instauração das moendas em São Paulo. [p.155]
Sugestão do vice-rei do Peru, Marques de Montes Claros, ao rei E comunicavam que, se os moradores que estavam no sertão soubessem disso, se meteriam “no caminho do piquiri que he província do rio da prata”, o que reforça a hipótese de que o caminho foi trilhado continuamente desde a segunda metade do século XVI [19/07/1603].
De fato, a contiguidade entre os territórios era evidente. Diego Flores sugeriu que o rei tomasse a posse da capitania de São Vicente, vislumbrando as relações que área tinha com o interior paraguaio. Em 1610, o Marques de Mo (...)
123º registro
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5 de abril de 1610, segunda-feira
Degredo de João Rodrigues de Almeida O degredo comutado foi o de João Roiz de Almeida. ACVSP, 05/04/1610 - Cf carta do rei ao governador Gaspar de Souza, Além disso, vinha com o direito de comutar degredo, o que parece ter usado largamente, pois, apesar de as Atas conterem apenas um caso, uma carta do rei ao governador Gaspar de Souza, em 1613, refere certo uso generalizado da comutação por Francisco e seu filho Luis no Rio de Janeiro. [p. 166]
Clemente Alvares está no sertão com sua tenda de ferreiro Três anos depois, Clemente Alvares montou sua tenda de ferreiro em Pirapitingui, no salto do Tietê, provável lugar do “piassava”. [31/10/1610] Neste mesmo ano, Diogo de Quadros, o provedor das minas, organizou uma entrada para o sertão, gerando protestos da Câmara que pedia que ninguém o acompanhasse. De todo modo, os carijós eram já abundantes em 1615, tanto que, no retorno de uma bandeira do próprio Quadros, eles foram matriculados e partilhados entre 78 moradores.
Epidemia que atingia a vila de São Paulo / D. Francisco está no Sertão As Atas se calam. Por elas sequer sabemos quando exatamente ele morreu. E não sabemos, ainda hoje, onde foi enterrado. Por aproximação, estima-se que tenha morrido entre 10 e 11 de junho de 1611, em meio a uma epidemia que atingia a vila.
128º registro
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10 de jun. de 1611, sexta-feira
O triste destino de D. Francisco de Souza, fundador do Itavuvu e 7° Governador-Geral do Brasil As Atas se calam. Por elas sequer sabemos quando exatamente ele morreu. E não sabemos, ainda hoje, onde foi enterrado. Por aproximação, estima-se que tenha morrido entre 10 e 11 de junho de 1611, em meio a uma epidemia que atingia a vila. Ou seja, não sabemos bem quando, nem onde e muito menos de quê morrera o governador.
As versões dão conta mais das ansiedades de cada um do que de uma informação legítima. Até mesmo nas versões de sua morte o governador foi apresentado de diversas ma (...)
129º registro
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11 de setembro de 1611, domingo
Baltazar Gonçalves avisa que vai ao sertão, às minas de Caativa, com “o alemão mineiro” Por outro lado, nas Atas de 11/09/1611, Baltazar Gonçalves avisa que vai ao sertão, às minas de Caativa, com “o alemão mineiro”, por ordem de Diogo de Quadros. A despeito da proibição dos moradores irem ao sertão, os oficiais dizem que “em matéria de minas não se metiam por não ser de sua jurisdição”, o que reforça a ideia da jurisdição paralela. De qualquer modo, o misterioso mineiro alemão parece ainda estar vivo depois da morte de Francisco de Souza, que ocorrera em junho daquele ano. [“Sã (...)
Na demanda atrás desses índios, ele teria encontrado índios que seguiam o tal Preto e conseguiu trazer alguns deles de volta, para serem reduzidos à aldeia de Piquiri, distante oito léguas (38,6 km) de Ciudad Real.
A questão interessante (...)
132º registro
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19 de dezembro de 1612, quarta-feira
Carta de Bartolomeu de Torales a Diego Marin Negron De fato, não era só com o uso da violência que os índios, em especial os carijós, foram descidos e levados a São Paulo. Os métodos persuasórios eram amplamente utilizados: faziam-se promessas de variados tipos, promovia-se a reunião de parentes e formavam-se redes de alianças. Sobre estes métodos, ver: MONTEIRO, John. “Os Guarani e a História do Brasil Meridional” In: CUNHA, M. História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1982. p.475-498.
As proibições diretamente relacionadas ao caminho iniciaram depois de 1612, quando as queixas às entradas dos “portugueses de san pablo” aumentam de tom O quanto essas conexões foram estabelecidas conforme um possível projetoadvindo de Castela, para fomentar um espaço trans-fronteiriço mais amplo sob o mantodo império, é coisa de difícil aferição. A documentação oficial - emanada dos conselhosreais – parece indicar o sentido inverso, qual seja o de impedir estas conexões As proibições quanto ao uso do caminho de São Paulo são, de modo geral, um subproduto das proibições deentradas de estrangeiros e gente sem licença pelo porto de Buenos Aires e (...)
135º registro
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1616, sexta-feira
“Processo obrado en la Villa rica del espiritu santo, contra el capn. Franco. Benitez, por haver metido três portugueses por la via de San Pablo” A mina de ferro e a fundição devem ter gerado ferramentas e material de consumo local, bem como produtos para trocas e resgates com índios. As minas de ferro eram chamadas de Tambó, e aparecem muito ocasionalmente na documentação. Em pelo menos um dos processos para averiguar gente que entrava no Paraguai pelo caminho de São Paulo, menciona-se um português que teria se dirigido para as ditas minas. Segundo testemunho, um tal Enrique Vaz Platero teria chegado em Villa Rica mas, como ninguém lhe d (...)
136º registro
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21 de jul. de 1616, quinta-feira
Salvador Correia alegou que estava averiguando as minas e que havia muito ouro, que a cada dia se descobria mais Numa carta do avô de 21/07/1616, citada por Carvalho Franco, Salvador Correia alegou que estava averiguando as minas e que havia muito ouro, que a cada dia se descobria mais, mas que os ministros reais teriam empenho em esconder as descobertas, já que atingiam suas jurisdições. De fato, Salvador Correia chegou a encarregar o filho Gonçalo de empreender uma devassa na vila para apurar a suspeita de que moradores estavam induzindo testemunhas a relatar que não havia ouro algum. [Página 173]
137º registro
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19 de abr. de 1621, segunda-feira
Peabiru Todas estas personagens, e mais outras dezenas delas, revelam um trânsito que não era só de desgarrados e aventureiros solitários. Benitez, por exemplo, concentrou sua produção no vinho, principal produto paraguaio, junto com o trigo, até o início do século XVII. Ambos os produtos foram substituídos pela erva em tal dimensão que, já em 1630, não conseguiam nem sequer abastecer o mercado interno. De todo modo, Benitez era um homem voltado para a atividade comercial, conforme atesta uma permissão (...)
138º registro
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1624, segunda-feira
“Libro de los sucessos del ano de 1624” Estes regimentos só reforçam as expectativas e os investimentos feitos em torno das supostas minas. Segundo nos diz Taunay, baseado numa consulta de Salvador Correia de Sá e Benevides realizada pelo Conselho Ultramarino em 1677, o regimento de 1603 teria surgido em função das várias dúvidas existentes em relação às minas, em especial, depois das notícias da morte do tal mineiro alemão que andava com Francisco de Souza e dos boatos de que se fundia ouro do tamanho da “cabeça de um cavalo”. < (...)
Os espanhóis que vivem nesta cidade são aproximadamente cinqüenta homens, filhos da boa gente que veio de Espanha para o Paraguai, e se consideram muito ricos porque se contentam com sua pobreza. A roupa ordinária é de algodão tingido e raras vezes conseguem alguma roupa de Espanha. Não existem lojas de mercadores e não se encontram of (...)
Saíra de Vila Rica uma força sob o comando do capitão Lourenço de Villalva Conforme seu depoimento em 1631, em que alega ser de idade de 49 anos. “Testimonio de autos hechos em la Villa Rica del Espiritu Santo desde el 21 de Julio al 12 de agosto de 1631 contra el capitan Francisco Benitez.”[p.230]
Independente de uma rivalidade ou oposição “nacionalista” entre castelhanos e portugueses, o que nos parece realmente importante é comprovar um forte processo de partidarização que teria ocorrido n (...)
Carta de Manuel Juan Morales ao rei Filipe IV (1605- 1665), “O Grande” Em 1636, aquele que pode ter sido um dos maiores produtores do planalto, edono de dois moinhos, o mineiro Manuel João Branco (ou Manuel Juan de Morales),falava ao rei da abundância e da riqueza de São Paulo na produção do trigo. John Monteiro, autor do trabalho mais importante sobre o tema, revela as íntimas filiações entre a expansão desta lavoura no planalto e a crescente organização das bandeiras de apresamento. Ao coincidir os dois tópicos, ele mostra, firmemente, como os indígenas capturado (...)
Documento Um último tema seria ainda agregado aos paulistas, todavia de maneira mais irregular. A identificação dos moradores com os mamelucos, curiosamente, aparece pouco nas missivas jesuíticas deste tempo. De modo geral, nestas, remete-se aos “portugueses” e “tupis” como seus asseclas. Já o governador do Paraguai, Martim de Ledesma Valderrama, em 1637, afirmava com todas as letras as “insolencias y atrevimentos de los portugueses mamelucos del puerto de San Pablo que en desacato de S magestade desde el (...)
152º registro
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16 de setembro de 1639, sexta-feira
O rei espanhol Felipe IV exigiu que Raposo Tavares fosse caçado a qualquer preço e colocado à disposição do Tribunal da Inquisição Em 16 de setembro 1639, numa Real Cédula se lamentava que “a província del Paraguay esta arriesgada pues de quatro ciudades que tenia le faltan las tres y solo a quedado la Assumpcion”. Recomendava-se, naquela ocasião, a prisão e o envio para Madri dos portugueses Antonio Raposo Tavares e Federico de Mello Coutinho, principais responsáveis pelo despovoamento da região. Entretanto, nesta cédula, surgia também uma rede de cúmplices que atingia, além dos clérigos Juan de Campo Medina, Franci (...)
153º registro
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10 de julho de 1641, quarta-feira
Confisco dos bens de Pedro Boeça e castelhanos 6 Os documentos que dão conta das notícias de confisco estão em: AHU-Espírito Santo, cx. 01 doc. 17 A. “1642, Abril, 12, Espírito Santo. Bens de Marcos Monsanto e D. Diego Ximenes de Vargas.” AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 126. “c.1641. confisco dos bens de Pedro Boeça e castelhanos”. AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 8. “1641, Julho, 10; notícias da Bahia do sequestro dos bens dos castelhanos”.
154º registro
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1647, terça-feira
Publicado o livro de Gaspar Barléus (1647), elaborados por George Marcgrave, integrante da Comitiva Nassoviana A informação corrente entre os historiadores é que o governador Francisco de Souza fora, efetivamente, atraído a São Paulo em função de certas notícias do ouro descoberto pelos Sardinha. Entretanto, Carvalho Franco sugere que o verdadeiro imã teria surgido de algumas amostras levadas por um mameluco que, desdobrado de uma entrada liderada pelo capitão-mor João Pereira Botafogo, chegara até a Bahia. Versão também difundida por Piso e Marcgrave, quando divulgaram os relatos de Willem Von Glimmer, (...)