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Jornal Correio Paulistano
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26 de abr. de 1936, domingo ver ano



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A banda "7 de Setembro" tomou parte na recepção do Imperador Pedro II, quando da sua segunda visita a esta cidade, em 1875. Deu-se, até por essa ocasião, o seguinte:

como a comitiva imperial demorasse chegar, os músicos, exceto Maurício Garcia e o bumbeiro João de Mello, se afastaram do lugar onde se achavam reunidos na hoje praça Dr. Fajardo, e foram beber "canninha" numa vendola que havia onde hoje é a Igreja do Rosário (isso em 1936, hoje é o Colégio Santa Escolástica). Eis que, inesperadamente, surge próximol á ponte sobre o rio Sorocaba, o grupo de cavaleiros, tendo á frente d. Pedro II, elegante e risonho.

Foi um alvoroço na massa humana que o esperava e um momento nervosíssimo para os dois músicos, alí sozinhos. Mas á passagem dos visitantes Maurício, sem se perturbar, ergueu o pistão e rompeu o Hyno Nacional, com João de Mello, no bumbo, a fazer o "baixo". Ao imperador não escapou a cena e a notou num sorriso, mas o povo nunca perdoou á "7 de Setembro" o receber D. Pedro II com um pistão e um bumbo.

Ao fallarmos, na chronica anterior, da banda “7 de Setembro”, esquecemo-nos de mencionar os mais apreciados — ouverture; “Valet chambre” — ouverture; “Nabuchodenosor” — phantasia; “Nathalia” — valsa; “Cateretê brazileiro”; “Ernani” — marcha; “Aida” — phantasia; “Conde S Bonifacio” — ouverture.

A “7 de Setembro” tomou parte na recepção do imperador Pedro II, quando de sua segunda visita a esta cidade, em 1875. Deu-se, até, por essa occasião, o seguinte: — como a comitiva imperial demorasse chegar, os musicos, excepto Mauricio Garcia e o bumbeiro João de Mello, se afastaram do lugar onde se achavam reunidos na hoje praça Dr. Fajardo, e foram beber “canninha” numa venda que havia onde hoje é a igreja do Rosario. Eis que, inesperadamente, surge proximo á ponte sobre o rio Sorocaba, o grupo de cavalleiros, tendo á frente d. Pedro II, elegante e risonho.

Foi um alvoroço na massa humana que o esperava e um momento nervosissimo para os dois musicos, alli sozinhos. Mas á passagem dos visitantes Mauricio, sem se perturbar, ergueu o pistão e rompeu o Hymno Nacional, com João de Mello, no bumbo, a fazer o “baixo”. Ao imperador não escapou a scena e a notou num sorriso, mas o povo nunca perdoou á “7 de Setembro” o receber d. Pedro II com um pistão e um bumbo.Mauricio Garcia, em 1876, da “7 de Setembro” foi convidado a substituir Manuel Alves Lobo na regencia da chamada “banda dos allemães”, composta de operarios allemães da E. F. Sorocabana, aos quaes, nas horas vagas, se distrahiam com a musica. Como, porém, modestos trabalhadores, não pudessem pagar convenientemente o professor, houve necessidade de transformar-se o conjunto numa banda que locasse seus serviços para dar-se a Mauricio um ordenado relativamente compensador.

Surgiu, então, a “Eutherpe Artistica Sorocabana”, da qual faziam parte: Adolpho Lippert (pae), Olympio, Florentino e Emygdio Garcia Vieira, Germano e Roberto Wey (tios de Otto Wey, director de um dos grandes jazz-band’s dessa capital); Manuel, José e Augusto Fontão, João Carlos Grohmann, Felippe de Paula Bauer, João Exel, João Signe, Antonio Bauer, An-Antonio Wanderley e João Baptista Grohmann.Teve tambem a “Eutherpe”, grandes dias, mas passou por phas de accentuado desanimo, reaparecendo depois, sempre sob a mesma direcção e com quasi todos os antigos elementos e mais Manuel Ambrosio de Oliveira e Fernando Luiz Grohmann, para se extinguir em 1883, por ter Mauricio Garcia retirado residencia para a Capital.Entretanto, amigos das tocatas, quasi todos os rapazes da “Eutherpe” logo se reorganizaram na “Lyra Artistica Sorocabana”, sob a batuta do apreciado maestro Fernando Luiz Grohmann, o conhecido “Nhonhô Pica-pau”, aquella sympathica figura de velho que, ás tardes, não faltava ao “cavaco” da praça da Cathedral, na prosa com os amigos.A “Lyra” existiu de 1884 a 1916 e teve, durante esses trinta annos, além de quasi a totalidade dos antigos componentes da “Eutherpe”, mais os seguintes: Adolpho Lippel (filho), Julio Demetrio, Julio Garcia, João Osse, Joaquim dos Santos (Nhô Quim Banana), José Fontão, Pedro de Mello Pacheco (Pedrinho Veneco), Francisco Marcellino Pacheco, Miguel Prestes, Antonio de Assis Pacheco, João Mendes Prestes, José de Camargo, Antonio Demetrio, Christiano Antunes Fogaça, Alypio Pinheiro, João Maria, Anacleto de Togni, Benedicto Quintino, Benedicto de Moura, irmãos Lucchesi, Benedicto Madureira, José de Moura, Francisco Lombardo, José e Augusto Grohmann e Jesurino Rogick. Este Jesurino, antigo escravo que tomou o nome da família do senhor, popularizou-se extraordinariamente em nossa terra, com uma valsa que compôz.Valsinha lenta, monotona mesmo, facil de ser guardada de memoria logo á primeira audição e de motivo que se prestava a mil variações, “Irapó” mereceu uma letra dos rapazes folgazões da cidade, uma dessas letras que exprimem mais talento do povo! Isso mesmo, caco no gosto do povo.E em toda parte onde a “Lyra” apparecia choviam os pedidos em altos vozes: — Toca o “Jesurino compoz uma valsa...”O negro ria-se contente de Nhonhô, ante a insistencia dos pedidos, dizia sempre esta mesma phrase: — Jesurino, entô que v.ê. E no estribilho toda gente cantava:O Jesulino compoz uma valsa,Que se chama — IrapóNão é nadaRapaziada,Tudo isso é efeito d’agua braba”.Até hoje se ouve ainda, de vez em quando, a popular producção do Jesurino. E contam que pouco depois do epidemia de grippe, em 1918, estando o nosso população muito abatida pela tristeza, alguem teve a lembrança de pedir ás orchestras de cinema e ás bandas de musica que tocassem, o mais possivel, — Irapó —, como meio de conseguir o conseguir o combater o desanimo geral. Nunca suppoz, por certo, o Jesurino, que a sua valsinha iria ser de utilidade e necessidade publica!E’ do tempo da “Lyra” este outro episodio, — certa noite, depois do ensaio, Nhonhô preveniu seus homens:— Levem os instrumentos para casa, preparem-nos bem porque amanhã nos reuniremos, á tardinha, no largo da Matriz, afim de fazermos uma surprêsa ao sr. Antonio Augusto de Andrade, um dos grandes amigos de nossa banda e que, como sabem, festeja anniversario.E assim fizeram. O bombeiro, levando ás costas a pesada caixa, desceu a travessa da Matriz e, na esquina do largo do mesmo nome, deu com o cel. Andrade á janella de sua residencia e que interrogou:— Olá, Fulano, para onde leva esse trambolho?Homem, coronel, o sr. lembrou bem. Um trambolho é pesado. O sr. me dá licença para guardal-o aqui no corredor de sua casa?— Pois não.— Assim me fica mais facil, continuou o bombeiro, quando daqui a mais uns reunirmos aqui no largo.— Reunem-se aqui? para que?— Não sei bem, coronel, mas Nhonhô disse que é para virmos fazer uma surprêsa ao sr.O repertorio da “Lyra” foi vastissimo, com peças de fina execução, marchas religiosas, quadrilhas, além das musicas que seguem, todas da lavra do maestro Grohmann: — dobrados: “Ilha de Monte Christo”, “Conde de Monte Christo”, “A mão do finado”, “Adamastor”, “Candongueiro”, “Gybert”, “Pirolito”, “Querer é não poder”, “24 de Setembro de 1906”; “Milra nas platas”, “Fino a pé”, “Noite da encrenca”, Valsas: — “Gosto del la”, “No me esqueças”, “Villa gratias”, “É só por ti”, “Tenho saudades”, Polkas: — “All que alluvio”, “O lá-lá”; Tiro e cavallo da chuva.“La negrita”, “O que foi”.De 1893 a 1898 tivemos a “Liberdade”, corporação musical composta de homens de côr e regida, primeiro por Pedro de Mello Pacheco e depois por Martiniano D. de Lima, tendo como musicos, entre outros, Antonio Faria Ferreira, Martinho Ferreira, Benedicto e Antonio Abbade, e Raymundo Cordeiro.Em 1900 fundou-se, para durar poucos annos, a “15 de Novembro”, com Martiniano Damasceno de Lima á testa.Até o começo de 1914, quando se extinguiu, a “7 de Setembro” guardou o mesmo nome, muito embora viesse através dos annos e como era natural, modificando todo o seu pessoal. Mas a 28 de julho de 1914 organizou-se a “Corporação Musical Santa Cecília”, considerada a successora daquella, da qual conserva grande parte do archivo. A “Santa Cecília”, a princípio com 13 figuras e hoje com 33, é dirigida pelo maestro Francisco Dimas de Mello, filho de Pedro Rodrigues de Mello, o maestro fundador da “7”, da qual o Chiquinho de Mello era o “menino do triangulo”.Em 1915 existiu, com vida breve, a “Banda de Cacchiarro”, sob a direcção de Francisco Cacchiarro.Ainda em 1915 os operarios da E. F. Sorocabana fundaram a “6 de Janeiro”, que proporcionou boas audições a Sorocaba e foi regida, em épocas diversas, por Oscar Teixeira, José Carmine e, por fim, Nhônho Picapau. Desapparecendo, substituiu-a com parte de seu instrumental e de seus musicos a “S. Vicente de Paula” regida pelo sargento Pedro dos Santos, depois por Hermano de Fabbris e em 1923 por Alexandre Paschoal, antigo discípulo do maestro Antão Fernandes, da F. P. do Estado, e até seus ultimos dias por Benedicto Pacheco, appellidado o “Quatro-paus”.

Nos bairros temos tido conjuntos musicaes apreciaveis taes como as bandas de Apparecida, Piragibú e do Salto de Pirapora, todas orientadas por João Mendes Prestes.

Nos dias que correm, Sorocaba possui seis bandas de musica e são as seguintes, com os respectivos maestros:— “Santa Cecilia”, Francisco Dimas de Mello; “S. Luiz”, José Borba, fundada e mantida pelo popular “curador” João de Camargo, que lhe deu o vistoso fardamento que enverga, com penachos e dragonas; a “Carlos Gomes”, João Negrini, constituida de antigos elementos de tres corporações musicaes de S. Roque, vindos para aqui com a transferencia das officinas da E. F. Sorocabana, na qual trabalham; a da villa industrial de Santa Rosalia, Antonio Carcagnolo, a da Villa Industrial de Votorantim, Santos Pregnolato e a do “7.º Batalhão”, sargento Benedicto Pereira de Castro.No momento, o Benedicto Camargo Cesar cuida de organizar outra banda, no Salto de Pirapora.26—4—1936.JOÃO SOROCABANO.




Correio Paulistano/SP
26/04/1936
18/02/2026 00:59:33
  
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LUCIA26/04/1936
ANO:74
  


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