O Dicionário foi originalmente publicado em 1845, pelo militar francês Milliet de Saint-Adolphe. Uma das primeiras obras a ultrapassar o recorte provincial e oferecer uma descrição geral e circunstanciada de todo o Império brasileiro, fornece um panorama do estágio de desenvolvimento de cada província, cidade, vila e aldeia do país. No âmbito da geografia, traz o nome e a descrição dos rios, lagoas, serras e montes. [Milliet de Saint Adolphe]
E a primeira referência concreta sobre Apiaí, foi traçada pelo sociólogo ehistoriador francês, Saint Adolphe, que entre fins do século XVIII e inícios dacentúria seguinte residiu por vinte e seis anos consecutivos no Brasil, percorrendodiversas paragens de suas províncias, coligindo a origem e a história de cada umade suas cidades, vilas e aldeias. Sua informação é curta porém proveitosa: “APIAHY - Villa pobre e pouco povoada da província de São Paulo, naquarta comarca, e sobre a estrada de Curitiba, aos 24 graus e 22 minutos de latitude.No ano de 1600, alguns indivíduos assentaram vivenda nas nascentes do Iguapé, nasmargens do rio Apiahy, para extrair ouro em minas que foram mais ou menos rendosasno decurso dum século; porém, à proporção que o ouro ia diminuindo, diminuía tambéma povoação deste lugar; assim foi em vão que se deu o título de paróquia à igrejadedicada a Santo Antonio de Lisboa, com o fim de ali se reter os habitantes;continuaram as emigrações mesmo em 1770, quando esta população foi elevada àcategoria de Villa pelo governador D. Luiz Antonio de Souza Botelho” [Santo Antonio da Minas de Apiahy (09/1993) Rubens Calazans Luz p.24]
Apiahi - Vila pobre e pouco povoada da província de São Paulo, na quarta comarca, e sobre a estrada de Curitiba, aos 24 graus e 22 minutos de latitude. No ano de 1600, alguns indivíduos assentaram vivenda entre os nascentes do Iguape, nas margens do rio rio Apiahi, para extrair ouro em mais que foram mais ou menos rendosas no decurso d´um século; porém, á proporção que o ouro ia diminuindo, diminuía também a povoação deste lugar: assim que foi em vão que se deu o título de paróquia á igreja dedicada a Santo Antonio de Lisboa, com o fim de ali reter os habitantes; continuaram as emigrações mesmo em 1770, quando esta povoação foi elevada á categoria de vila pelo governador D. Luiz Antonio de Souza Botelho.
Achando-se então ouro em certa montanha que ainda não tinha sido explorada, um raio de esperança animou os habitantes de Apiahi, mas esgotada esta mina, volverão ao antigo estado de miséria. O distrito d´esta vila é um deserto montanhoso, e pitoresco entre a cordilheira que acompanha o mar, e o rio Paranapanema. Avalia-se a população a 1800 habitantes derramados em 2 ou 3 léguas quadradas de terra; o restante do distrito é habitado por nativos bracos, chamados Bugres. Alguns habitantes criam gado vacum que levam a vender ás cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro; outros não cultivam senão víveres de que hão mister, e canas de açúcar de que fazem aguardente.
Ribeiro Apiahi - Na província de São Paulo; nasce das cordilheiras fronteiras ao mar, junto ao nascente do rio Iguape, mas corre em sentido oposto, rega a vila a quem dá o nome, e no cabo de muitas voltas vai se lançar no rio Paranapanema pela margem esquerda. [Páginas 61 e 62]
Araçoiaba - Grande serra da província de São Paulo, no distrito de "Soracaba". (V. Guaraçoiava). A palavra nativa Araçoiaba significa cobre-sol, e os naturais do país deram este nome á serra, por isso que esconde em sombra grande extensão de terra, especialmente quando o sol entra no signo do cancro, que é o inverno da América meridional. [Página 68]
Avanhandava-Açú - Trigésima-sexta cachoeira que se encontra descendo pelo rio Teité. Transportam-se por terras e fazendas e embarcações obra de 370 braças. Este salto ou queda tem a altura de 6 braças pelo menos, e acha-se meia légua abaixo da cachoeira Avanhadava-Mirim, e 2 léguas acima da Escaramuça. [Páginas 91 e 92]
Baurú - Vigésima quarta cachoeira do rio Tietê. Podem subir por ela e descer as embarcações sem serem aliviadas. Acha-se esta cachoeira entre a de Itapuiá e a de Baruriú-Mirim, distância de meia légua umas das outras. [Página 134]
Biraçoyava - Serra da província de São Paulo. (V. Araçoyava, Guaraçoyava e Quiraçoyava). [Página 144]
Caheté, ou Villanova-da-Rainha - Antiga vila da província de Minas Gerais, 3 léguas a sueste de Sabará, e 18 ao nordeste de Mariana, em 19 graus e 54 minutos de latitude. Seu nome primitivo é derivado das palavras nativas caá, que significa montanha, e eté, mata espessa. Debe esta vila a sua origem ao paulista Leonardo Nardez, que em 1701 descobriu abundantes minas de ouro nas matas de Caheté. Diversos aventureiros se estabeleceram numa planície onde o ouro se achava á flor da terra, e ali formaram uma povoação que se aumentou rapidamente.
Cahetés - Nome genérico do idioma nativo que significa mata espessa, e que foi aplicado a diferentes tribos de nativos que viviam nas embrenhadas para se subaltrairem á guerra cruel que lhes faziam outras tribos. [Páginas 193 e 194]
Caijurú - Povoação no distrito da vila de Caheté, na provincia de Minas Gerais, com uma igreja da invocação de N. S. da Conceição, filial da freguesia de Santa Bárbara. [Página 195]
Cajurú - Freguesia da província de São Paulo, no distrito da vila de Franca. Um decreto da assembléia geral, de 13 de outubro de 1831, instituiu nesta freguesia uma escola de primeiras letras, e outro de 16 de agosto do ano seguinte elevou á categoria de paróquia a sua igreja com a invocação de São Bento. [Página 198]
Cananéa - Pequena vila marítima da província de São Paulo, agradavelmente situada no extremo d´uma ilha da bahia Tarapandé, vulgarmente chamada Cananéa. Em 1554, o jesuíta Pedro Correa, discípulo do Padre Anchieta, batizou neste sítio um "sem número" de nativos Tupis, e fez-lhes fazer paz com os Carijós, já aliados dos Portugueses. Quinze anos depois, os naturais de São Vicente descobriram minas de ouro nos montes da cordilheira que fica paralela ao mar, que foram lavradas muito tempo com sucesso. Ignora-se quem fosse o fundador d´esta vila, que teve príncipio em 1587. Sua igreja foi dedicada a São João Batista, e gozou largo tempo das prerrogativas de matriz. No século seguinte, o conde da Ilha do Príncipe quis apoderar-se d´uma parte das concessões disputadas pelos herdeiros de Martim Afonso e de Pedro Lopes de Souza, e com efeito o conseguiu em 1653, apossando-se das vilas de Cananéa e de Paranaguá, antes por força que por ordens régias; porém o marques de Cascaes, a quem estas vilas pertenciam, lh´as tirou três anos depois, e as guardou em seu poder até o ano de 1709, em que elas tiveram a mesma destinação que as capitanias de São Vicente e de Itanhaén, que foram compradas para se fazer a capitania ou província de São Paulo. [Páginas 225 e 226]
Cana-Verde. Nova e pequena vila da província de Minas Gerais, a 3 léguas da vila de Tamanduaí. Sua igreja dedicada ao Bom Jesus, foi largo tempo filial da freguesia de São Bento d´esta vila. Porém por um decreto da assembléia geral de 14 de julho de 1832, passou a igreja a sêl-o da povoação do Amparo, ereada paróquia pelo mesmo decreto, até que a assembléia legistaltiva provincial conferiu a esta povoação no ano de 1839 o título de vila. Encerra o distrito de Cana Verde obra de 3000 habitantes entre agricultores e criadores de gado. [Página 228]
Cangueira - Primeira cachoeira que se encontra no rio Tietê quando se desce da vila de Porto Feliz, e meia légua antes de chegar á cachoeira Jumirim. A corrente é rápida, e demanda muita atenção da parte dos que governam as embarcações que descem por este rio. [Página 229]
Carijós - Nação nativa assás numerosa que dominava nas costas da província de São Paulo, ao sul da bahia de Cananéa, até as vizinhanças da lagoa dos Patos. Eram estes nativos afáveis, porém suspeitosos e pusilânimes. Em 1585, os naturais de São Vicente penetraram neste país em procura de minas, e porque quisessem obrigar os nativos a ajudarem-nos em suas explorações, ou por outro qualquer motivo, foram quase todos mortos. Os habitantes da capitania de São Vicente, indignados com este acontecimento, pediram licença á câmara da vila de São Paulo para fazer guerra aos ditos nativos, que foram a final subjulgados e reduzidos á escravidão; porém algumas das tribos mais valerosas se recolheram no interior das matas. No século seguinte um sem-número de paulistas se derramaram pela parte do sul e do oeste do país, e os Carijós que viviam nas matas se retiraram para o sertão; porém encontraram nas margens do rio Guacúhi uma cabilda d´eles que não tiveram mais que o tempo necessário para fugirem com suas armas e alguns objetos que estimavam, deixando nas aldeias as mulheres decrepitas, que entendiam não tinham forças para executarem os trabalhos a que os portugueses sujeitavam aos que d´entre eles caiam em suas mãos, e d´ai veio o nome de Rio das Velhas dado a este Rio. Esta nação está hoje extinta ou confundida com outras tribos reduzidas igualmente a mui poucas famílias. [Página 245]
Caúcaia - Antiga aldeia nativa na província de Ceará. (v. Soure, vila) [Página 257]
Cayacanga - Grande cachoeira do rio Curitiba, 5 léguas depois este rio atravessa a estrada que vai da vila das Lages á de Sorocaba. Retidas as águas por enormes penedos, salvam por cima deles despenhando-se noutros, e correm depois com extrema impetuosidade. Interrompe esta cachoeira a navegação deste rio que é um dos afluentes do Paraná. [Página 261]Cubatão - Dão este nome os nativos de São Paulo á parte da cordilheira dos Órgãos que se estende ao longo do mar, desde a vila de São Sebastião até o sul da província de Santa Catarina. Muitos ramos da mesma serra tomam, segundo os diferentes rumos que seguem, diferentes nomes. Abras feitas pelas torrentes servem de caminho para se passar d´uma província noutra.
Cubatão - Dão este nome os naturais de São Paulo á parte da cordilheira dos Órgãos que se estende ao longo do mar, desde a vila de São Sebastião até o sul da província de Santa Catarina. Muitos ramos da mesma serra tomam, segundo os diferentes rumos que seguem, diferentes nomes. Abras feitas pelas torrentes servem de caminho para se passar de uma província noutra.
No decurso do século XVIII. os jesuítas, com o pretexto de que eram sem cessar atacados pelos nativos e mestiços da vila de São Vicente, fizeram abrir uma estrada calçada nesta cordilheira quase direita, e com tão somente aquelas voltas que o declívio da montanha requeria. Mem de Sá, então governador general do Brasil, ficou tão encantado de ver este trabalho executado com tanta perfeição, que ainda hoje dizem que se deixara subjugar pelos padres, a cujas instâncias conferiu a este estabelecimento o título de vila, com o nome de São Paulo de Piratininga, e suprimiu a vila de Santo André, fundada por João Ramalho. Dá-se frequentemente o nome de Cubatão não somente á serra onde esta estrada se acha praticada, mas também ao ribeiro que d´ela desce ao porto de Santa Cruz, d´onde se transportavam para a vila de Santos os gêneros e produtos do país com a enchente da maré. Atualmente vai-se da cidade de Santos á terra firme por uma estrada. [Páginas 308 e 309]
Cunhambeba [Página 316]
Dourada ou Encantada - Lagoa situada nas matas virgens da cordilheiras dos Aimorés. Na estação das chuvas as suas águas engrossam o Piauhi, afluente do Jequitinhonha. Dá-se por certo que é a lagoa Vupabuçú que Sebastião Fernandes Tourinho descobriu em 1573. (v. Vupabuçú, lagoa). [Página 339]
Escaramuça - Trigésima sétima cachoeira do rio Tieté, na província de São Paulo. Fica 2 léguas abaixo do salto Avanhadava-Açú, e 3 acima da cachoeira Utupanêma. Passa-se com as embarcações carregas, mas com custo por causa do grande número de voltas que faz ali o rio entre os arrecifes. [Página 346]
Geribatiba - Povoação de pouca importância da província do Rio de Janeiro, no distrito da cidade de Campos, assentada á boda do canal Furado, ao noroeste do Olho d´Água, no termo da freguesia de Capivari. [Página 385]
Guaianazes - Nação de nativos assaz numerosos que eram mais pacíficos que os Tamoyos, e dominavam na província de São Paulo, antes da fundação da capitania de São Vicente. Na chegada de Martim Afonso obedecia esta nação a dois chefes por nome Tebiréça e Cahi-Obi; o primeiro dos quais havia dado uma de suas filhas a João Ramalho que dizem naufragaria naquelas costas. [Página 415]
Guaraçoyava - Serra da província de São Paulo, originalmente apelidada indiscriminadamente Araçoyava, Biraçoyava e Quiraçoyava. Tem esta serra 3 léguas de comprimento com proporcionada largura, é regada pelo rio Ipanema, e jaz a 3 léguas da vila de Sorocaba, a cujo distrito pertence. Em 1590, Afonso Sardinha, natural da capitania de São Vicente, estando ocupado em extrair ferro de algumas minas que ali se achavam, deparou com uma de prata.
Tomou-a imediatamente o governo por sua conta, e desemparou-a depois, sem tirar d´ela o menor proveito. É rica esta serra em minas de ferro, e tem tamanha altura que a sombra d´ela se estende sobre grande parte das terras adjacentes, e subsidie muito tempo depois do nascer do sol. [Página 425]
Guaranis [425 e 426]
Itacolomi - Cume o mais elevado da cordilheira da Mantiqueira, na província de Minas Gerais, que é um ramo da serra d´Ouro Preto. Acha-se 799 braças acima do nível do mar, e por conseguinte tem menos altura que o cume do Sorate no Perú, na cordilheira dos Andes, que se avalia em 12,700 braças. Deriva-se o nome de Itacolumi de duas palavras nativas: itá, pedra, e corumi, mancebo, de que por corrupção se fez Columi.
Itacolumi - Montanha da província de Minas Gerais, perto da cidade de Mariana. Há uma estrada nesta montanha que é muito menos alta que a do mesmo nome na serra d´Ouro Preto que é muito menos alta que a do mesmo nome na serra d´Ouro Preto. [Páginas 480 e 481]
Itanhaen - Quarta cachoeira que se encontra no rio Tieté ao descer, a qual jaz meia légua abaixo da de Araranhanduba e outrotanto acima da de Tiririca. Sobe-se e desce-se sem custo. [Página 492]
Jacobina - Vila considerável da província da Bahia, e cabeça da comarca de seu nome. Deve o principio aos exploradores paulistas, que descobriram as minas que encerravam as suas terras e d´elas extraíram ouro no tempo em que os holandeses se iram apossando das vilas marítimas do Brasil. Estabeleceu-se naquele ponto uma fundição d´ouro para a arrecadação do quinto e os habitantes quase no mesmo tempo edificaram uma igreja a Santo Antonio, que serviu longo tempo de paróquia, dado que não obtivesse legalmente este título senão no decurso ao ano de 1677, que foi como tal instalada por procuração do primeiro arcebispo do Brasil que então residia na Bahia. [Páginas 511 e 512]
Jaguarí - Monte da província de São Paulo, entre os rios Una e Itanhaen. Seu cume é coberto de vastos arvores no melhor estado de vegetação que dar-se pode, e que parecem tanto mais soberbos quanto a sua base é nua, descalvada, tisnada com o volver dos anos, e sem cessar batida das ondas; o que oferece aos olhos dos navegantes um painel digno de retratar-se.
Jaguarí - Ribeiro aurífero da província de São Paulo, que correndo para o ocidente, se vai lançar no rio Parahiba, perto da vila de São José. [Página 518]
Ora, onde seria essa povoação de Nossa Senhora del Popolo de que não pudemos achar notícia, povoação do distrito de Sorocaba e que desapareceu, dando origem á cidade de Tatuhy?
Cada vez mais intrigados, por informações tão vagas e sedentos de descobrir a origem mais remota do nosso berço natal, continuamos as nossas pesquisas e fomos deparar, no dicionário Geográfico de J. C. R. Milliet de Saint Adolphe, com o seguinte:
TATUHÚ - Freguesia da província de São Paulo, no distrito da cidade de Sorocaba. Um sítio agreste, chamado Tatuhú, achava-se ermo de gente e de casas, no principio do século em que estamos. Tendo-se fundado a fábrica de ferro de São João do Hipanema, alguns indivíduos se determinaram a ir residir para aquele sítio, resolutos a se entregar á agricultura. Passados sete anos, uma ordem régia proibiu toda a espécie de agriculturação nas terras dadas á fabrica de ferro, e pelo mesmo teor todo o gênero de negócio e de cortes de madeiras por serem destinadas exclusivamente para alimentar as fornalhas da dita fábrica. Todos aqueles que não eram empregados nela foram obrigados a deixar aquele sítio e a maior parte deles se agregaram aos primeiros povoadores de Tatuhú. Informado o bispo de tal disposição régia, assentou que deveria despojar do título de paróquia a igreja de um estabelecimento particular e transferi-lo a uma capela que o povo havia erigido á sua custa, no sítio e povoação de Tatuhú; em consequência dessa determinação, foi a sobredita Igreja condecorada em 1818 com o título de paróquia, com o nome de São João do Bemfica!!
EMERSON
01/01/1845 ANO:57
testando base
Sobre o Brasilbook.com.br
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]