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Organizando a História

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Afonso d´Escragnolle Taunay
1876-1958
*S. Paulo nos primeiros anos: 1554-1601 (1920) Affonso d´Escraqnolle Taunay
1920, quinta-feira ver ano



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36 S. PAULO NOS PRIMEIROS ANNOSmercês os officiaes “mandassem alevantar a forqua ás custas de quem de direito”. Em 1576 se constatava que esse instrumento de justiça estava desde bastante tempo “no chão todo cahido.”Decidiu se reerguel-o com o primeiro dinheiro que o concelho pudesse obter, não se sabendo a que procurador do concelho tocava a responsabilidade de tal desidia.Não dizem as Actas quando se levou a effeito semelhante “melhoramento.” Passados muitos annos, a 30 de maio de 1587, requeria o procurador Affonso Dias que o escrivão da Camara lhe désse fé como “a forca da villa estava alevantada fóra da villa, junto do rio Tamendoati”, declarando o digno funccionario que tal era a pura expressão da verdade. Ainda naquelle dia elle alli a vira. Transportaram-na, porém, — é de suppor — para o outeiro da Tabatinguéra, mais perto do centro, pois, na sessão de 28 de novembro de 1598, transmittia o procurador do concelho aos seus collegas um pedido dos Carmelitas para que a transferissem dalli. Aos bons religiosos desagradava a eventualidade de avistar de suas janellas a “arvore do pomar de Luiz XI”, sobretudo quando tivesse de fructificar.Accedendo ao pedido, decidiu-se então que o sinistro e salutar madeiro fosse removido para o outeiro “defronte da cruz que estava no caminho de Ibirapueira”. [p. 36]

S. PAULO NOS PRIMEIROS ANNOS 47o povo se compromettiam a fazer " o corpo da hygreja ", como a isso eram obrigados.Tudo andava, porém, com extrema lentidão, nos bons tempos de antanho. Só a 5 de junho seguinte é que se reuniram novamente povo e Camara para tratar do assumpto, decidindo-se que a matriz seria edificada entre as casas de Diogo Teixeira e André Mendes.

Aqui

Todos " a uma boz " reiteraram o modo de ver anterior. " Era ben aver viguayro e hygreja ".A 1 de maio de 1589 escreviam os officiaes da Camara de S. Paulo uma carta ao governador geral do Brazil tratando do momentoso assumpto:" Passava a villa de cento e cincoenta moradores e ia em augmento, (1) assim de gente como de rendimento dos dizimos e direitos de Sua Majestade; já estava o povo fintado e muito desejoso de se effectuar tão boa e santa obra. Assim fizesse s. s. mercê de lhe mandar e nomear ordinarios para o vigario que lhe fosse dado, com as cousas pertencentes ao culto divino, ornamentos e sino, ordenando aos officiaes de Sua Majestade que lhe fizessem casa ".Governava o Brasil a Junta trina presidida pelo bispo d. frei Antonio Barreiros. Entenderam os governadores não despachar o requerimento do bom povo de S. Paulo, que, passado anno e meio, reiterava as suas reclamações do modo mais eloquente, na carta de 1 de janeiro de 1591.(1) Computa Machado de Oliveira, para esta época, em 2.500 o numero dos civilisados da Capitania de S. Vicente.[p. 47]

Os anos sucederam aos anos e, apesar de já ter vigário, não podia São Paulo gabar-se de possuir uma matriz. Afastaram-se os projetos já antigos e os desejos veementes dos seus habitantes para o plano do dificilmente realizável. Um decênio decorreu sem que se concretizasse a aspiração revelada pela ata de 1588.

Afinal decidiu a Câmara de 1598 acabar com esse "statu quo" desagradável para os brios municipais. Convocou-se ajuntamento a 30 de maio de 1598 e deste "meeting" desceu o "auto de concerto que fizeram os oficiais da câmara com Domingos Luiz e Luiz Alvares" para fazerem "corpo e igreja" e capela matriz.

Obrigaram-se esses empreiteiros a executar "obra de taipa de pilão a razão de quatro reais o taipal, com tal condição que os taipais fossem de cutelo ou de pedaço para serem também contados."

Severa, como se vê, prometia ser a fiscalização municipal, a menos que tão formal injunção não nos autorize a fazer algum juízo temerário da honorabilidade dos construtores, capazes de "carregar a mão" na conta dos taipais construídos.

Comprometeram-se os empreiteiros a começar a obra, logo que acabassem as casas que estavam edificando para Antonio Vaz e as que Domingos Luiz construía para si. Dai se depreende quanto eram movimentados os negócios do seu "escritório de engenharia"...

Forneceriam cumieiras, batentes e portais que lhes seriam pagos "conforme valessem as peças que pusessem".

Dinheiro era coisa que em São Paulo quase não havia. Surgiam nos cofres do concelho esquivos tostões de vez em quando. Assim, pois, comprometeram-se os construtores a aceitar a proposta da Câmara. Receberiam a paga dos serviços por quarteis, parte em espécie e o resto em gêneros da terra: cera, couros e algodão, tudo pelos preços correntes, no, mercado. E como a Câmara se irrogava duvidar da lisura de suas contas, exigiram a declaração de que não abririam crédito á municipalidade "sendo feita a dita obra a pagua na mão!" - formula pitoresca da época, que a nossa gíria moderna poderia traduzir de inúmeros modos. Aceita essas diversas cláusulas, hipotecaram os empreiteiros os bens ao concelho, "obrigando suas fazendas". Assinou então o contrato entre eles, o juiz Estevam Ribeiro Bayão Parente e os vereadores Diogo Fernandes e Antonio Raposo. Era a empresa de tal magnitude, porém, que a Câmara não a quis levar avante sem a ratificação popular. A 14 de junho desse mesmo 1598 convocaram-se os paulistanos para que ouvissem o público pregão de que se pagariam quatro reais por taipal da igreja.

"Se houvesse quem fizesse mais barato, fizesse que era caro o dito preço", apregoou alto e detidamente o meirinho.

Como ninguém protestasse, passou-se á eleição dos "fintadores", pessoas encarregadas de cobrar as contribuições precisas para a conclusão das obras, sendo escolhidos Jorge Moreira, Fernão Dias e João Soares, "por levarem mais vozes sobre todos os mais".

Quarenta dias mais tarde, novas duvidas se "dirimiam", convidando a Câmara as pessoas de prestígio a discutir a questão da localização definitiva da igreja.

Decidiu-se que a fizessem "onde estava começada, pelo bem que podia haver por estarem já ali defuntos e estar no meio da vila".

A 14 de novembro de 1598, declarava a Câmara que sabia pensarem os empreiteiros abandonar a obra, intimando-os a que "dela não largassem sob pena de multa de seis mil réis". Não se lhes marcava mais prazo, e a construção caminhava de modo mais moroso.

A 29 de abril de 1600 estava atrasadíssima, a ponto da municipalidade cientificar a todos os moradores da necessidade de fornecerem escravizados "para as taipas da igreja", sob pena de dois mil réis de multa. "Não se achavam nativos para correr com a obra!" alegava o procurador do concelho.

A 3 de junho denunciava este oficial o impatriotismo de vários moradores abastados que haviam sido "reveis", não mandando trabalhar nas taipas paroquiais os seus escravos. Assim requeria e obtinha a condenação de "Gaspar Conqueiro y João Roiz e seu genro e Clemente Alves, Diogo Muniz Malheto y Custodio dagiar y sua sogra". [P. 51, 52, 53, 54]

S. PAULO NOS PRIMEIROS ANNOS 53Diogo Fernandes e Antonio Raposo. Era a empresa de tal magnitude, porém, que a Camara não a quiz levar avante sem a ratificação popular. A 14 de junho desse mesmo 1598 convocavam-se os paulistanos para que ouvissem o publico pregão de que se pagariam quatro reaes por taipal da egreja." Si houvesse quem o fizesse mais barato; dissesse que era caro o dito preço ", apregoou alto e detidamente o meirinho.Como ninguem protestasse, passou-se á eleição dos " fintadores ", pessoas encarregadas de cobrar as contribuições precisas para a conclusão das obras, sendo escolhidos Jorge Moreira, Fernão Dias e João Soares, " por levarem mais vozes sobres todos os mais ".Quarentadiasmaistarde,novasduvidassedirimiam, convidando a Camara as pessoas de prestigio a discutir a questão da localização definitiva da egreja.Decidiu-se que a fizessem " onde estava começada, pelo bem que podia haver por estarem já ali defunctos e estar no meio da villa ". A 14 de novembro de 1598, declarava a Camara que sabia pensarem os empreiteiros abandonar a obra, intimando-os a que " della não largassem sob pena da multa de seis mil réis ". Não se lhes marcava mais prazo, e a construcção caminhava do modo mais moroso. A 29 de abril de 1600 estava atrasadissima, a ponto da municipalidade scientificar a todos os moradores a necessidade de fornecerem escravos " para as taipas da egreja ", sob pena de dois mil réis de multa. " Não se achavam indios para correr com a obra! " allegava o procurador do concelho. A 3 de junho denunciava este official o impatriotismo de varios moradores abastados que haviam sido " reveis ", não mandando traba-[p. 53]

82 S. PAULO NOS PRIMEIROS ANNOSTorna se muito difficil fazer-se uma idéa dos recursos monetarios das primeiras camaras paulistanas. Pelas allusões das “Actas” deduz-se que as contribuições das coimas ou direitos sobre o gado e a “renda do verde”, constituiam as duas principaes bases do orçamento municipal paulistano quinhentista.Moeda era cousa que quasi não existia na villa. O dinheiro da terra vem a ser “mantimentos e carnes, e cera, e couros, e gado, bois e vaccas e porcos, porquanto não ha outra fazenda”, allegava a camara de 1575 ao fechar um contracto.Quando a Camara precisava de recursos, lançava fintas, distribuindo a importancia do total a arrecadar entre os moradores, naturalmente de modo equitativo, conforme as posses dos diversos cidadãos.Contribuições directas, talvez só as que acima citámos, as que lhe pagavam os “rendeiros”, ou arrendatarios da carne e do “verde”, nome que se dava ás multas ou “coimas” cobradas dos creadores de gado em contravenção de posturas.Pelo menos a ellas se referem as unicas allusões das “Actas” que dizem respeito ao regimen financeiro do primevo S. Paulo. Além de taes fontes de rendas só havia ainda as multas pagas por infractores do codigo municipal; é o que podemos deprehender da leitura das “Actas”.Quando em 1572, se reuniu a edilidade paulistana afim de, a mandado do Ouvidor Geral, votar uma contribuição para o estabelecimento do “Caminho do Mar”, obra realizada em commum por todas as villas da Capitania de S. Vicente, foi escolhido “um homem para fazer a justa com os enleitos que sahiram das outras villas”. [p. 82]

126 S. PAULO NOS PRIMEIROS ANNOSofficial, o primeiro em terras de S. Paulo. Estava para vir o Governador D. Francisco de Souza e era necessario, diz a acta de 19 de feverereiro, que na villa achasse “a gemte q. comer em hua casa serta.” Propunha-se Marcos Lopes a aceitar a incumbencia. Deram lhe posse aos Santos Evangelhos para bem servir o cargo que elle aceitou “prometendo fazer verdade”. De tudo que lhe entregassem para vender “haveria dez reis assi de carne, beijus farinhas e outras cousas.”E assim surgiu em S. Paulo o primeiro hotel, genero de estabelecimentos que até passada a época da Independencia seria installado em verdadeiras espeluncas, consoante o testemunho dos viajantes do seculo XIX como Saint Hilaire. Imagine-se o que poderia ser a taberna de Marcos Lopes onde se vendiam carne e beijús, farinha e marmelada...Legislou-se tambem contra os individuos que deixavam seu gado invadir alheias terras, ou plantavam em terrenos municipaes, ou ainda, matavam animaes achados em suas propriedades em vez de os recolher ao curral do conselho. Fudo isto na sessão de 25 de fevereiro de 1595, em que se ameaçou aos deliquentes com o terem de “paguar conforme o direito.”O despovoamento dos rios provocado pelo processo barbaro e rudimentar do envenenamento das aguas com os timbós e tinguis levava a Camara, em 1591, a proceder contra os selvagens pescadores, useiros e vezeiros em taes methodos. O porteiro Francisco Leão, “em altas vozes lansou preguão que ninguem mãdase nen dese tingui no rio tamendoati cõ pena de quinhentos reis.” Eis uma preoccupação civilisada que se não diria coetanea do S. Paulo quinhentista. Era o espirito do branco civilisado a reagir contra[p. 126]

Merecem as posturas relativos ao ofício de ferreiro acurada atenção ás Câmaras quinhentistas, o que vem se compreende, tratando-se de assunto interessando diretamente a civilização mais do que qualquer outro, esse do trabalho dos metais.

Dai o extenso regimento concedido ao meste Bartholomeu Fernandes, o Tubalcaim paulistano, relativo ás foices roçadeiras "calçadas e descalçadas", enxadas, machados e cunhas de resgate "pregos de solhar, de costado e de cinta, pernetes, verdugos de engenho" cotados por diversos preços, vintenas e dezenas de réis, conforme se fornecesse o ferro, o aço ou carvão.

Tudo quando se lhes pedia era alguma caixa "de seis palmos de comprido com o seu escaninho, coisa para três cruzados" e alguma mesa de seus palmos "com seus pés bem acabados", o que valia seus seis tostões; alguma "cadeira rasa", do preço de seis vintens.

Os "boules" do tempo vinham a ser "as cadeiras de estado, como agora se costumam", avaliadas por um preço de reflexões: "duzentos e cinquenta réis"...

Uma das grandes fontes de rena desses artificies era a confecção de caixas de marmelada, que se vendiam a trinta réis: a sacaria da época, pois n marmelada, residia o principal artigo da exportação paulista antecessora primeva do café.

Não se deve esperar que as "Actas" se refiram ao exato cumprimento das posturas e regimento dos ofícios. No Brasil quinhentista a dóse de tolerância precisava ter alentadas proporções.

Subiram os abusos ao ponto, porêm, de provocar a intervenção municipal. Na sessão de 15 de abril de 1588, chamava o procurador do conselho, Gonçalo Pires, a atenção de seus colegas de vereança para os abusos cometidos pelos mesteirais: "O povo clamava da pouca justiça, mórmente se agravava da grande carestia e desordem do mestre ferreiro", motivo pelo qual mandou a Câmara ao almotacel Antonio de Saavedra que abrisse severo inquérito.

A 28 de maio seguinte, era de novo a questão ventilada; intimava ao ferreiro, Domingos Fernandes, que mandasse seus aprendizes á vila, sob pena de mil réis de multa "para com eles fazer o concelho certas diligências".

Nesta mesma sessão queixou-se novamente Gonçalo Pires, de irregularidades de que ele próprio fôra, no ano transacto, vítima. Funcionava como juiz do ofício dos carpinteiros, quando na sua ausência os vereadores, violentamente, lhe haviam invadido a casa e retirado os padrões de aferimento, entregando-os a Bartholomeu Bueno, que então revelara a mais completa inépcia ao tentar exercer o cargo.

"Aferindo ele uma vara, a não soubera aferir, que lhe não fizera nê a bara nê terças nê sesmas. sóomente marcava nas cabeças". Indignados resolveram S. Mcês á vista de tanta incompetência e filáucia que o aferido intruso restituísse imediatamente e sob graves ameaças os padrões subtraídos ao juiz do ofício.

No inquérito a que procederam sobre as acusações levantadas ao mestre ferreiro verificaram quanto realmente abusara.

Relataram os aprendizes que não só não obedecia ás posturas estabelecidas pelo poder municipal como ainda tivera o desplante de mandar colocar pregão oficial num esteio tão alto que ninguém podia ler. Se alguém lhe fazia reparos, fanfarronava a molejar que os interessados arranjassem escadas para o atingir.

Não dizem as "Actas" como acabou o incidente. Com certeza continuou o Tubalcaim e exorbitar e a blasonar sem que ninguém lhe pusesse cobro aos abusos e desaforos. Era uma avis rara que não podia molestar. Que sucederia á vila se acaso se visse privada do seu único ferreiro? Dava-se provavelmente o mesmo em relação aos demais mestres de ofícios, homens tratados com o maior carinho por indispensáveis e, sobretudo, insubstituíveis. [Páginas 132, 133 e 134]

Haja vista a importância de que se revestiu o convite da Câmara a oleiro Christovam Diniz em 1575 para que viesse residir em São Paulo, e trabalhasse para cobrir de material refratário os telhados paulistanos, até então de sapé.

(...)

Apenas sabemos que muito mais tarde, a 5 de junho de 1593, em Câmara compareciam todos os oficiais mecânicos ali estabelecidos, Bartholomeu Bueno e Pedro Leme, carpinteiros; Clemente Alves, ferreiro; Pedro Martins e André Gonçalves, alfaiates; Diogo de Lara e João Cerano, tecelões; Balthazar Gonçalves, sapateiro; Fernando Alvares, oleiro. [p. 134 e 135]

178 S. PAULO NOS PRIMEIROS ANNOSA 16 de janeiro de 1600 novo arrendatario surgia, Domingos Luiz, cuja contribuição para o conselho foi fixada em meio tostão, pago cada sabbado.Não melhorava o negocio, porém, pois o proponente apenas pretendeu fazer um ensaio, pedindo que o prazo de exploração do contracto durasse uns tres mezes: "até o entruido".Do littoral, onde não havia pastagens, constantemente solicitavam a remessa de boiadas e este transito de rebanhos immenso prejudicava a conservação do "Caminho do Mar". Dahi as prohibições repetidas da Camara para que se não levasse gado a Santos.A carestia do sal, objecto exclusivo de importação, fazia que a 20 de maio de 1600 subisse o arratel de carne de porco de 14 a 25 réis, quasi dobrasse.Provocara esta elevação uma postura da Camara desejosa de proteger a industria nascente das "carnes sequas e salgadas".Aliás, desde 26 de janeiro de 1598 que a edilidade paulistana decidira o levantamento geral dos preços dos mantimentos, "que na terra davam e se vendiam visto o crescimento da gente e menoscabo do gado".De anno para anno tomava a villa aspecto mais civilisado, mais orgauisado.A 19 de janeiro de 1599 resolvia, afinal a Camara "que se fizesse uma casa para açougue onde se talhasse a carne", para que esta não andasse a vender-se pelas ruas, de casa em casa, como era costume, e exposta a todas as contaminações. [p. 178]

O mais antigo trilho que ligava os campos piratininganos ao altiplano, era aquele que imemoravelmente se serviam os nativos. Por ele subiu Martim Afonso de Souza quando em 1532 visitou o planalto em companhia de João Ramalho.

Em 1553 rasgava-se nova estrada feitos pelos nativos sob a direção de Anchieta. Mandado preferir ao primeiro, por ordem de Mem de Sá, diz Azevedo Marques, teve por muito tempo o nome de Caminho do Padre José.

Em 1560, relata o Padre Antonio Franco, na vida de Manuel da Nóbrega, mandou este celebre evangelizador abrir novo caminho de Piratininga para São Vicente através de áspera montanha porque no outro eram os transeuntes assaltados pelos Tamoyos "inimigos cruéis do nome Portugues".

Por agencia de dois irmãos leigos "engenhosos, se abriu com grande trabalho este caminho, de que todos receberam grande segurança e proveito".

Em 1585 na sua "Informação para Nosso Padre" assim exprime Anchieta sobre o Caminho do Mar: "Vão lá (a Piratininga) por umas serras tão altas que dificultosamente podem subir os homens com trabalho e ás vezes de gatinhas por não despenharem-se e por ser o caminho tão mau e ter tão ruim serventia padecem os moradores e os nossos, grande trabalho. Quando ao transito de cargueiros declarava o evangelizados que por tal estrada "podiam subir nenhum animal". [p. 179]

180 S. PAULO NOS PRIMEIROS ANNOSmente se serviam os indios. Por elle subiu Martim Affonso de Souza quando em 1532 visitou o planalto em companhia de João Ramalho. Em 1553 rasgava-se nova estrada feita pelos indios sob a direcção de Anchieta. Mandado preferir ao primeiro, por ordem de Mem de Sá, diz Azevedo Marques, teve por muito tempo o nome de Caminho do Padre José. Em 1560, relata o Padre Antonio Franco, na vida de Manuel da Nobrega, mandou este celebre evangelisador abrir novo caminho de Piratininga para S. Vicente atravez de aspera montanha porque no outro eram os transeuntes assaltados pelos Tamoyos “inimigos crueis do nome Portuguez”. Por agencia de dous irmãos leigos “engenhosos, se abriu com grande trabalho este caminho, de que todos receberam grande segurança e proveito”.Repetem-se os termos em que surgem os protestos contra os estragos feitos nas asperas veredas, rasgadas no dorso do Cubatão, pela passagem das pontas de gado destinadas ao littoral.No trilho angusto, cortado de resvaladouros, homens e animaes frequentemente arriscam a vida. Era ao tempo em que a serra se galgava com o auxilio das mãos — e quiçá dos dentes — na expressão pittoresca de velho chronista que a subira agarrado ás hastes dos arbustos, num dos mais penosos exercicios de alpinismo.Em 1585 na sua Informação para Nosso Padre assim se exprime Anchieta sobre o caminho do Mar: “Vão lá (a Piratininga) por umas serras tão altas que difficultosamente podem subir os homens com trabalho e ás vezes de gatinhas por não despenharem-se e por ser o caminho tão mau e ter tão ruim serventia padecem os moradores e os nossos, grande trabalho. Quanto ao[p. 180]

transito de cargueiros declarava o evangelisador que por tal estrada “podiam subir nenhums animaes”.Em 1597, desejando ir a S. Paulo, estudar a questão capital da mineração e da devassa dos sertões, escrevia Dom Francisco de Souza ás Camaras vicentinas ordenando-lhes que tornassem transitavel o “Caminho do Mar”.Reunidos em ajuntamento Camara e povo de S. Paulo, a 19 de outubro, lia-se a carta de s. exc.Decidiu-se então “fazer-se dito caminho pois era tanto proveito das villas da capitania”.Executadas fossem as obras “de mão commum”, fazendo cada qual “o que lhe coubesse por sua repartição”. Seria a estrada dividida “por braças, declarando os moradores estarem prestes a cumprir o que os senhores Officiaes por virtude de provisão fizessem”.Em março de 1598 renovava-se o ajuntamento para levar a bom termo as obras, decidindo-se que nellas se empregasse o “favor dos indios christãos”, o que ia admiravelmente de accôrdo com os processos da raça branca, entre parenthesis.Quem não tivesse escravos concorresse com “ajutorio e dinheiro e outras cousas para os indios”.Rejeitou-se o alvitre de abertura de concorrencia publica para a execução das obras e decidiu-se que o serviço seria atacado em principios de abril seguinte pelo systema da “mão commum”.Nesta mesma occasião encarregou a Camara a Gaspar Colaço de “falar aos indios” requisitados para tal trabalho.A 14 de novembro não chegara ainda o governador geral reconhecendo a municipalidade que alguns passos do “Caminho do Mar” estavam intransitaveis, o [p. 181]




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Luciano Araújo Jr.Avenida Juscelino KubitschekData: 1976Atualizado em 07/06/2026 02:45:35Créditos/fonte: Malu Casagrandehttps://brasilbook.com.br/i.asp?id=1133



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