Sobre a fundação de Corrientes, que interessa particularmente à introdução do gado no Rio Grande do Sul, diz Hernandárias:
«... foi à Povoação das Corrientes para a qual moveu e levou muitos soldados à sua custa provendo-os de todo o necessário e levou por terra para a dita povoação muitos apetrechos de guerra, cavalos, éguas e vacas que foi de muita importância, no qual e no abrir o caminho se ocupou três meses, passando grandíssimos trabalhos, e assistiu um ano na dita povoação a entradas e descobrimentos que se ofereceram com grandíssimos e excessivos gastos e perigos por ser dos naturais da gente mais belicosa que há nas ditas províncias.»
49 ) Kelaeión Histórica, de autor desconhecido, precioso Cod. da Colecção de Angelis,
50 ) diz que foi trabalho insano a conservação dos animais de serviço como bois, cavalos e éguas, em Corrientes, e cuja guarda era confiada a pessoas de imediata confiança dos fundadores para sua segurança contra os ataques dos índios e dispersão provável de tão preciosos elementos para a defesa e conquista das regiões circunvizinhas. E a mesma coisa se dava com a pequena ponta de gado destinado ao sustento da população e à propagação da pecuária. Ficara ela também confiada a pessoas de responsabilidade, sob a direcção das quais se fez um repartimento de índios para custodiá-la. E tal era a importância que se dava a esse primeiro gado que povoou os campos de Corrientes que, quando foi necessário extrair couros para prover às necessidades de guerra, lançou-se mão de gados alçados já existentes então no outro lado do rio Paraná. «Usavam os espanhóis», diz a Relación Histórica, «de armas à usança antiga, como viseiras, cotas de malha, quilotes para precaver suas pessoas e cavalos, de flechas, dardos e outras armas próprias a seus inimigos, e para os cavalos usavam selas cobertas e guarnecidas de ferro, armas e esporas do mesmo. Para reparar a deterioração de umas e prover em parte aos que não tinham se valeram de couros de gado vacum para o que acordaram despachar a outra banda deste rio, terra dos Matarás, aonde tinham notícia haver já gado chimarrão, a matar 300 reses para esse efeito, ficando encarregados um regedor e o escrivão e alguns soldados de tomar as marcas para. que, sabido o dono, se satisfizesse o seu valor oportunamente». Constava essa resolução do Acto Capitular de 17 de Março de 1593. 5i )