naturais, escritos por José Barbosa de Sá, em 1769, a partir de Vila Real do ... Senhora da Ponte de Sorocaba: Nosa Senhora da Candallaria de Itú, Jundialy.Felino. Gigantes, pigmeos e outras semelhantes cousas, nunca ouverão no mundopor naturesa quero diser por gerasem continuada de pais a filhos, só sim porcasuallidade como nasce qualquer informe que disemosmonstros e se os primeirosescriptores das cousas da America escreverão que virão gigantes, pigmeos, biformes,pes virados, amasonas e outrascousas semelhantes; foy a imitasam dos tempos maisantigos quando aquelle que mais fabulava era o mais sabio; o que se não acha nos quehoje escrevem que só a verdade procurão para asumpto de seus desvellos. E ainda não diseis tudo do que esses historiadores escreverão, que ouverão tais quefiserão os pobres indios filhos da terra sem progenitor da especie de Adam e acreditarãomuitos fundados na opinião de Avicena, lb. 1 de peripatetice quese 1. que afirmapoderem se gerar animais da primeira expexie, sem progenitor. Como refere BorelioCatalago regum cap. 43 n. 3.Outros os fiserão da especie brutina disendo era mestisos de gente humana e brutos,e como tais disem que os comião fasendo delles chacina como de porcos ou outrosanimais, pello que escrevem muitos dos historiadores espanhoes, e estrangeiros; maseste facto de matados para comer como a brutos, salvão os espanhoes com diserem foraarguido pella mordacidade dos ereges invejosos, dever os augmentos da monarchiaespanhola neste novo mundo e propagasam da fe que nelle se hia estendendo; porahinda que os espanhoes usavão com elles muitas tiranidades em quanto aos intesesesdo seo serviso como afirma e tras por estenso o doutor Solosano, nunca devemosacreditar que os chegasem a comer; e que esta fama nasceo verdadeiramente damaldicta heregia, inimiga do Christianismo. Sahio Oviedo na historia das Indias que escreveo, com a novidade do capitam JoãoPeres maldonado que intrando por hum rio na terra dos Andes que he hoje a provinciados Charcas nos dominios do Perú; acompanhado de huma boa esquadra; achara que aope de humas altas montanhas hum gigante que para o render foy nesesario duas cargasde mosqueteria, a cujos eco responderão os companheiros nas montanhas com vosesigoais ao estrondo da mosqueteria. Tirou sem duvidas Oviedo este conto doacontecimento de Ulises com os Siclopes. A lembransa de se achar na America humlugar chamado Andes em Mantua segunto Callepino; asim parece me, que deste he quefallou Oviedo e não do Andes da America, e se no Andes de Mantua forão vistosgigantes forão ideados por Virgilio, que Oviedo quer introdusir no Andes da America. Afirmarão outros que os patagoens, e quirinquiaens do Cabo Dorne erão gigantes,mandados esplorar por el rey Filipe 4 e que forão examinados e por tais conhecidos.Pois forão reconhecidos por gigantes naquelles tempos, medirão-nos aos covadosnaquelles tempos em que se andava apapalpa dellas na America, hoje que está toda ellavista, e examinada, não se vem estas cousas, nem se achão. Escreverão outros que virão pigmeos chamados goagasis, outros que virão hunschamados matuyos que tinhão os pes as avesas com os calcanhares virados para diante.Os chamados charuas que deitados de costas com hum pe levantado fasião reparo achuva; o que tudo he falso que tais cousas nunca se virão na America nem em partealguma do mundo enquanto por gerasam, e só sim por casualidade ou ero da naturesase he que se pode chamar ero, que o mais serto he seremm obras da omnipotencia,segredos da divina sabedoriaQuerem alguns apurar esta sortesa com exemplos dos que se tem visto, o quenenhum exemplo fas Dom Salvador Mainer no seo anticheatro contra Feijoo com os 4que forão levados da Groellandia a el rey de Dinamarca, que não pasará de 4 palmos dealtura; querendo aseverar serem os groellandios verdadeiros pigmeos; o que nãojustiffica haver no mundo tal geraram nem que seja a Groellandia patria delles; porquepara semelhantes presentes sempre se procurarão cousas, escolhidas e singulares; comoforão aquelles mestisos, filhos de huma negra e pai bogio do rey de Quiloa, que ogovernador da India Francisco Bareto quis comprar para levar de presente a el rey DomSebastião, por donde se moverão arufos que pasarião a discordias entre os portugueses eo rey por mandar este esconder os mestisos afim de que não fosem ao rey portugues;como contão as historias daquelles tempos. Aquelle outro filho de mono e de huma negra caboverde que conta o padre Simãode Vasconcellos vira em caixeo que não pasava de palmos de alto, que tudo que se lhedisia entendia mas não fallava. Aquelle outro que levarão de presente ao rey godoAtaulfo que tinha de altura 3 palmos, e teve abellidade de dar com o punhal no amo;perguntem se nascerão estes de gerasão ou por casuallidades. Hum que veyo das ilhas dos Asores remetido a Ayres Saldanha governador do Riode Janeiro, chamado Dom Pedro que tinha 3 palmos e meyo de altura com cara e barbade qualquer homem ordinario; a quem o dito governador teve consigo algum tempo noRio de Janeiro, e depois inviou para a cidade de Sam Paulo de presente ao general Cesarde Meneses e este o impos a Dom Lourenço de Almeida governador das Minas Gerais,e este para sua terra rico de dádivas dos ditos fidalgos e esmollas que todos lhe davão,dadivas pello usar dansar com huma violla nas maos que era cousa de muito gosto;corendo todas aquellas estasoens metido em hum sesto as costas de hu negro compostosempre de casaca, cabelleira, espada a sinta. Hum que vi no termo da villa de Sorocaba na capitania de Sam Paulo paisano, e alymorador que tinha 4 palmos de altos, com grosura e cabesa de qualquer homem; erãoestes por ventura gerasoens de pigmeos ou casuallidades? Querem outros aourar asertesa dos pigmeos com a Sagrada Escriptura Exequiel cap. 24 : Pigmei: qui erantinturibustuis plaretras tuas tuspenderunt inmuris tuis pergirum dis que os quedefendião os muros de Tiro erão pigmeos; sendo comun quando queremos significargente fraca de fectura, e debil de termos he hú pigmeo.
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]