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autor:23/10/2023 02:27:46
Volta para casa

mencio ()

    31 de outubro de 1554, domingo
    Atualizado em 05/11/2025 05:48:58
  
  
  


OUT.
31
HOJE NA;HISTóRIA
72

Em 31 de outubro de 1554, o aventureiro alemão Hans Staden, que havia passado nove meses preso em poder dos tupinambás do litoral oeste do atual estado do Rio de Janeiro, zarpou da Baía de Guanabara rumo à França, à bordo do navio francês Catherine de Vatteville. Chegando na Alemanha, Staden fez imprimir, em 1557, em Marburgo, o livro "História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens, Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com essa Impressão", narrando as suas aventuras no Brasil. No livro, Staden relata que o porto do Rio de Janeiro também era chamado de "Niterói" pelos índios. [2]

COMO SE CHAMAVAM OS COMMANDANTES DO NAVIO, DE ONDE ERA oNAVIO O QUE AINDA ACONTECEU ANTES DE PARTIRMOS DO PORTO,E QUE TEMPO LEVÁMOS EM VIAGEM PARA A FRANÇA . CAPUT LIII.O capitão do navio se chamava Wilhelm de Moner e opiloto Françoy de Scbantz. O navio tinha o nome de Catharina de Wattauilla, etc. Apromptaram o navio para voltar aFrança, e um dia de manhã emquanto ainda estávamos noporto (Rio de Jennero chamado), aconteceu chegar um pequeno navio portuguez, que queria sahir do porto depoisde ter negociado com uma raça de selvagens, que tinham como amiga e que se chamava Los Markayas, cujo paiz limita directamente com o dos Tuppin Ikins, que são amigos dostrancezes. As duas nações são grandes inimigas. — 112 —Era pequeno o navio (como já contei,, ^f^J ^me comprar dos selvagens e pertença a um facial chamadoPeter Rcesel. Os francezes apromptaram seu bote com algumas armas de fogo e partiram para aprisional-o. Tinham-melevado comsigo, para eu fallar com elles que se rendessem.Mas quando atacamos o naviosinho, fomos repelhdos e algunsfrancezes foram atirados e outros feridos. Eu também fui mortalmente ferido por um tiro e muito mais que qualquer dosoutros feridos, que ainda viviam. Invoquei então nesta angustia o Senhor, porque só sentia a agonia da morte; e — H3 —pedi ao bondoso Pae que por ter elle me livrado do poderdos tyrannos me conservasse a vida para que ainda pudessechegar á terra christã e contar aos outros os benefícios queelle me tinha dispensado. E fiquei outra vez completamentebom, louvado seja Deus por toda a eternidade.No anno Domini de 1554, no ultimo dia de Outubro, partimos á vela do porto Rio de Jennero e fomos de volta para a França. Tivemos no mar sempre bom vento, de que os marinheiros estavam admirados e acreditavam (pie fosse umagraça de Deus tal tempo (como também o foi).Na véspera do Natal appareceram muitos peixes ao redorF.-Í5 — n 4 —do navio, dos que se chamam Meerschveine. Apanhamos tantos que os tivemos por alguns dias. O mesmo aconteceu detarde no dia dos Reis. Deus nos mandou grande fartura depeixes, porque não tivemos que comer senão o que Deus nosforneceu do mar. Mais ou menos no dia xx de Fevereirodo anno LV, chegámos em França, a uma cidade chamada Honflór (Honfleur), na Normandia. Durante toda a viagem devolta, não vimos terra alguma, em cerca de quatro mezes.Quando descarregaram o navio, ajudei-os. Acabado isso,agradeci a todos os benefícios recebidos e pedi depois umpassaporte do capitão. Elle, porém, teria antes querido queeu fizesse mais uma viagem com elle, mas quando viu que eunão queria ficar, arranjou-me elle um passaporte do MoensoralMiranth (Monsieur 1´amiral), Governador de Normandia. E meucapitão deu-me dinheiro para a viagem, Despedi-me e parti deHonflor para Habelnoeff e de Habalnoeffe para Depen.CAPITULO LIIICOMO EM DEPEN EU FUI LEVADO PARA A CASA DE QUE ERA DONOO CAPITÃO DO NAVIO BELLETE , QUE ANTES DE NÓS TINHADEIXADO PR.VSI L E AINDA NÃO TINHA VOLTADO. CAPUT 54 .Era de onde tinha partido o primeiro navio Maria Bellette no qual estava o interprete (que tinha recommendado aosselvagens que me devorassem) e no qual elle pretendia voltarpara a França. Neste navio estavam também aquelles quenão quizeram levar-me no bote, quando fugi dos selvagens, também o mesmo capitão do navio que, como me contaram osselvagens, lhes tinhao dado um portuguez para devorar porque tinham aprisionado um navio portuguez, como antesnarrei.Esta gente do navio Bellette ainda não tinha chegado como seu navio, quando eu cheguei ali, apezar de que segundo ocalculo do navio de Wattauilla (pie chegou depois delles e mecomprou, devia ter chegado lá trez mezes antes de nos. Assuas mulheres e os seus amigos vieram me procurar e me — ii 5 -perguntaram si eu nada sabia delles; eu respondi; «Sei bemdelles, ha uma parte de gente má no navio, estejam lá ondeestiverem», e contei como um delles, que esteve na terra dosselvagens e que estava a bordo, tinha aconselhado aos selvagens que me devorassem, mas que Deus todo poderoso tinhame preservado e contei como tinham vindo com o bote até ascabanas, onde eu estava, para fazerem permutas com os selvagens de pimenta e macacos, e que eu tinha fugido dos selvagens e tinha nadado até seu bote; mas que não quizeram receber-me e como fui obrigado a voltar de novo a terra liarao poder dos selvagens, que tinham me causado muito mal.Também tinham dado um portuguez aos selvagens para devorar, disse-lhes, e como elles não tinham tido compaixão demim. Por tudo isso, vi agora bem que Deus tinha sido tãobom para commigo que, louvado seja Elle, tinha chegado antesdelles, para vos dar noticias. Hão de chegar quando for possívelmas quero prophetisar que Deus não deixará sem castigo por maisou menos tempo tamanha inclemencia e tyrannia, como tinhammostrado para commigo. Deus lhes perdoe, porque era visívelque Deus no ceo tinha ornado os meus lamentos e se tinhacompadecido de mim. E contei-lhes mais como para aquelles quetinham-me resgatado dos selvagens, tudo tinha ido bem em toda aviagem, como era verdade. Deus nos concedeu bom tempo ebom vento, e deu-nos peixes do fundo do mar.Ficaram tristes e me perguntaram o que eu pensava e sielles ainda existiam; para os não desesperar disse eu então queainda podiam voltar, apezar de que todos e eu também nãopodíamos calcular sinão que tivessem perecidoDepois de todas estas conversas, despedi-me e disse quesi voltassem, contassem a elles que Deus me tinha ajudadoe (pie eu tinha estado aqui.De Depen parti em um navio para Lunden (Londres), emEngellandt (Inglaterra), onde fiquei alguns dias. Dalli partipara Seelandt e de Seelandt para Antdorff. Assim Deus todopoderoso, para o qual tudo é possível, ajudou-me a voltarpara a pátria. Louvado seja Elle eternamente. Amen. - n ó —MINHA ORACÂO A DEUS, O SENHOR, EMQUANTOEU ESTAVA NO PODER DOS SELVAGENS,PARA SER DEVORADOOh tu, Deus Todo Poderoso, tu que fundaste céo e terra,tu, Deus dos nossos antepassados Abrão, Isaac e Jacob, tu,que tão poderosamente conduziste o teu povo de Israel damão de seus inimigos através do Mar Vermelho.

A ti, que eterno poder tens, peço que me livres das mãos destes tyrannos, que não te conhecem, em nome de Jesus Christo, teu amado filho, que livrou os peccadores cia prisão eterna. Porem, Senhor, si e tua vontade que eu soffra, hei de soffrer uma morte tão tyrannica, destes povos que não te conhecem e que dizem, quando lhes falho de ti, que tu não tens poder de me tirar de suas mãos; então fortaleçe-me no ultimo momento, quando realisarem sua vontade sobre mim, para que eu não duvide da tua clemência.

Si tenho de soffrer tanto nesta desgraça, dá-me depois repouso e preserva-me do mal que horrorisou a todos os nossos antepassados. Mas, Senhor, tu podes bem livrar-me do seu poder; livra-me, eu sei que tu podes me auxiliar e quando tu me tiveres livrado não o quero attribuir á felicidade, sinão unicamente á mão poderosa que me auxiliouporque agora nenhum poder de homem pode me valer.

E quando me tiveres livrado de seu poder, quero louvara tua Graça edal-a a conhecer a todos as nações onde eu chegar. Amen. Não posso crer que alguém possa orar de coraçãoSem que esteja em grande perigo ou perseguição, Porque emquanto o corpo vive conforme quer, Está sempre contra o seu Creador.

Por isso, Deus, quando manda alguma desgraça,É prova que elle o quer ainda bem,E ninguém deve ter disso duvida,Porque isso é uma dádiva de Deus.Nenhuma consolação, nem arma, existe melhorQue a simples fé em Deus.Por isso, cada homem de devoção — II 7 -Nada melhor pode ensinar a seus filhosDo que a comprehensão da palavra Deus,Na qual sempre podem ter confiança.Para que tu, leitor,não julguesQue eu tive todo este trabalho para ter fama e honra,Digo que é para o louvor e honra de Deus,Que conhece todos os pensamentos do homem.A Elle, caro leitor, te recommendo,E peço que elle continue a me ajudar:Amen.



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EMERSON


31/10/1554
ANO:52
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]