4 de dezembro de 1893, segunda-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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DEZ.
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HOJE NA;HISTóRIA
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No dia 4 de dezembro de 1893 foi posto o livro "A Ilusão Americana" à venda nas livrarias de São Paulo. Vendidos todos os exemplares prontos nesse dia, foi às livrarias o chefe de polícia e proibiu a venda.
Na manhã seguinte a tipografi a em que foi impresso o livro amanheceu cercada por uma força de cavalaria, e compareceram à porta da oficina um delegado de polícia acompanhado de um burro que puxava uma carroça.
O delegado entrou pela oficina e mandou juntar todos os exemplares do livro, mandando-os amontoar na carroça. O burro e o delegado levaram o livro para a repartição da polícia. No mesmo dia a Platéa publicava o seguinte:
Uma entreviusta com o Dr. Eduardo Prado. – Como sabem os nossos leitores, apareceu à venda o novo livro do Dr. Eduardo Prado, A Ilusão Americana, de cuja aparição nos ocupamos no último número desta folha. Todos os exemplares postos à venda no sábado foram vendidos.
Soubemos nesse dia que a polícia proibiu a venda do livro. O nosso colega Gomes Cardim, por ir lendo num bonde a obra proibida, foi levado à polícia. O mesmo aconteceu com um cavalheiro, de cujas mãos, na Paulicéia, foi arrancado um exemplar por um polícia secreta.
Um redator desta folha foi procurar o autor para ouvir da sua boca as suas impressões relativas ao sucesso do seu livro e o seu parecer sobre a proibição. O Dr. Eduardo Prado recebeu muito graciosamente o nosso companheiro, e não pareceu dar muita importância nem ao livro nem à sua proibição.
Eis, mais ou menos, o que ele nos disse:
– Na minha infância, havia na rua de São Bento um sapateiro que tinha uma tabuleta onde vinha pintado um leão que, raivoso, metia o dente numa bota.
Por baixo lia-se: Rasgar pode – descoser não. Dê-me licença para plagiar o sapateiro e para dizer: Proibir podem, responder não. Quanto ao honrado chefe de polícia, penso que S. Exa lisonjeou-me por extremo julgando a minha prosa capaz de derrotar instituições tão fortes e consolidadas como são as instituições republicanas no Brasil.
Demais, S. Exa pode dizer-se que, só por palpite, proibiu o livro. Saiu o volume às quatro horas e, às cinco, foi proibido antes da autoridade ter tempo de o ler. Confesso que a publicação foi um ato de ingenuidade da minha parte. Não quero dizer que confi ei, e por isso digo antes que estribei-me no art. 1º do Decreto nº 1.565, de 13 de outubro passado, regulando o estado de sítio.
O vice-presidente da República e o senhor seu ministro do Interior disseram nesseartigo:
“Art. 1º É livre a manifestação do pensamento pela imprensa, sendo garantida a propaganda de qualquer doutrina política.” E com suas assinaturas empenharam a sua palavra nessa garantia.
Escrevo um livro sustentando a doutrina política de que o Brasil deve ser livre e autônomo perante o estrangeiro, e adoto o aforismo de Montesquieu, de que as repúblicas devem ter como fundamento a virtude.
O governo é contrário a essas opiniões, e está no seu direito. Manda, porém, proibir o livro! Onde está a palavra do governo, dada solenemente num decreto, em que diz garantir a propaganda de qualquer doutrina política?
A sabedoria popular diz: Palavra de rei não volta atrás. – O povo terá de inventar outroprovérbio para a palavra do vice-presidente da República.
dos outros países americanos; separado deles pela diversidade da origeme da língua; nem o Brasil físico, nem o Brasil moral formam um sistemacom aquelas nações. Dizem os geólogos que o Prata e que o Amazonasforam em tempo dois longos mares interiores que se comunicavam. OBrasil, ilha imensa, era por si só um continente. As aluviões, os levantamentos do fundo daquele antigo Mediterrâneo soldaram o Brasil àsvertentes orientais dos Andes. Esta junção é, porém, superficial; sãopropriamente suas e independentes as raízes profundas e as bases eternas do maciço brasileiro. Por isso não vem até as praias brasileiras asconvulsões vulcânicas do outro sistema.
Quando muito, chegam as vibrações longínquas, tênues e sutis que os instrumentos registram, mas que os sentidos não percebem. Conta o missionário jesuíta Samuel Fritz que, em 1698, uma terrível erupção andina transmudou o Solimões, o rio brasileiro, num “rio de lama”, e que, apavorados, os índios viam naquilo a cólera dos deuses. Parece que, na ordem política, tais têm sido as erupções espanholas revolucionárias que, afinal, conturbaram as águas brasileiras. A torrente, porém, não é só de lama, porque é de lama e é de sangue.
Estudem-se, um por um, todos os países ibéricos americanos.O traço característico de todos eles, além da contínua tragicomédia daditadura, das constituintes e das sedições, que é a vida desses países, é aruína das finanças.E na ruína das finanças o ponto principal é o calote sistemático,o roubo descarado feito à boa-fé dos seus credores europeus. Os ministros da Fazenda das repúblicas espanholas, por meio de empréstimosque não são pagos, têm extorquido mais dinheiro das algibeiras européiasdo que jamais a Europa tirou das minas de ouro e prata da América.Tomemos os fantásticos orçamentos destes países; e, no meio dos deficitspavorosos e das mais indecentes falsificações, na irregular contabilidadepública que conservam estes países, onde os dinheiros do estado sãogastos e apropriados pelos presidentes com uma sem-cerimônia de queé incapaz o Czar da Rússia, o que é que vemos? Lá está o celebérrimoorçamento da guerra a tudo devorar. Lá estão as dezenas de generais, ascentenas de coronéis e os milhares de oficiais.É a prova de que não existe fraternidade americana [Página 13]
temor da destruição da sua obra política, enquanto que os EstadosUnidos não podem ter esse temor.”9Em 1786, um jovem brasileiro, Maia, estudante de Montpelier, disfarçando-se com o pseudônimo de Wandek e rodeando-sede mil mistérios, tentou aproximar-se de Jefferson, então embaixador dos Estados Unidos em Versalhes. Aproveitando-se de uma viagem de Jefferson pelo sul da França, encontrou-se com ele em Nimes, e aí falou-lhe da independência do Brasil, com que sonhava, epediu-lhe o auxílio dos Estados Unidos. Jefferson desanimou-o,como se evidencia das cartas que o embaixador escreveu a Jay, Secretário de Estado, dando-lhe conta da entrevista que tivera com ojovem brasileiro. Em 1817, um emissário pernambucano foi aosEstados Unidos pedir auxílio; foi ludibriado, e o governo de Washingtonapressou-se em dar conta de tudo ao ministro português Correia daSerra. Por ocasião da independência do Brasil, não recebemos provaalguma de boa vontade por parte dos americanos, e só depois deoutros países reconhecerem a emancipação do Brasil é que os Estados Unidos reconheceram a nossa autonomia. Note-se que a célebre doutrina de Monroe data de 1823; foi na mensagem presidencialdesse ano que aquele presidente estabeleceu a não-intervenção daEuropa nas coisas da América. Ora, dois anos depois, em 1825, éque a nossa independência foi reconhecida por Portugal, pela intervenção inglesa, representada na pessoa de Sir Charles Stuart, depois Lorde Rothesay. Mais tarde é que os Estados Unidos celebraram com oBrasil um tratado de amizade, comércio e navegação. O ministro americano no Rio, Raguet, opôs grandes embaraços à nossa nascente nacionalidade, embaraços que foram só em parte removidos pelo seu sucessor, William Tudor.Para se fazer uma idéia do que foi a missão de Raguet bastapercorrer, rapidamente, a sua correspondência.10 Raguet acusa a nossa esquadra no rio da Prata de covardia (pág. 20); diz que com o povobrasileiro é inútil apelar para a razão e para a justiça (pág. 32); Raguetem termos grosseiros ameaça o ministro dos Estrangeiros de uma [Página 20]
espanholas do Centro-América. Na cláusula primeira deste tratado, os doisgovernos concordavam que nem um nem outro poderia ocupar, fortificar,colonizar, assumir ou exercer qualquer domínio sobre, Nicarágua, CostaRica, Costa dos Mosquitos ou qualquer parte da América Central.Em 29 de junho de 1850 o ministro inglês em Washington SirHenry Lytton Bulwer declarava que o governo inglês excluía daquelacláusula os estabelecimentos ingleses de Honduras, e a 4 de julho osecretário de Estado anuía numa nota admitindo que ficavam fora dotratado os estabelecimentos ingleses em Honduras.30Só em 1855 o ministro americano em Londres, Buchanan,solicitou que a Inglaterra abandonasse a ilha de Ruatan e outras de que aInglaterra se tinha apoderado na costa de Honduras, assim como o território entre os rios Sibun e Sarstoon, e que a possessão inglesa de Belise se limitasse à parte dos tratados anglo-espanhóis de 1783 e 1786, eque a Inglaterra abandonasse a Costa dos Mosquitos. Lorde Clarendon,ministro dos negócios entrangeiros da Inglaterra, respondeu com umaredonda negativa. E Monroe?31Quando se formou na Europa, com sede em França, a malograda companhia do canal interoceânico, que obteve uma concessão doCongresso colombiano, o governo de Washington saiu-se logo com adoutrina de Monroe, fazendo um terrivel escarcéu. O velho Lesseps, [Página 43]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]