3. MetodologiaA metodologia adotada para esta pesquisa consiste em reconstruir a significação toponímica apartir da análise histórica. De acordo com Lima e Pereira (2016, p. 2), a toponímia pode encontrarsuporte para chegar às conclusões que favorecem a motivação e o significado do topônimo com basenas informações adquiridas por meio da História e de outras ciências.Para isso, a revisão na literatura da história do município teve como foco principal o resgate dasseguintes informações: (i) o primeiro fundador da região, fato atestado pela Carta de Sesmaria (de1711), (ii) a oficialização da localidade como arraial, como distrito e município, (iii) os decretos queinstitucionalizaram as denominações anteriores e atual do município. Não estamos considerando aquia história da industrialização da cidade de Betim, bem como a sua história mais recente, entendendoque são fatos que ocorreram após seu processo de emancipação e nomeação atual.Outra análise que contribui para o entendimento da origem do antropotopônimo Betim se tratado estudo da genealogia desse sobrenome. O trabalho de Jacyntho José Lins Brandão, Um neerlandêsem São Paulo, de 1975, tem como objetivo comprovar a nacionalidade neerlandesa de GeraldoBetting, considerado o tronco de uma das mais ilustres famílias paulistas. Esse trabalho também atesta arelação de parentesco entre ele e Joseph Rodrigues Betim.Passemos, assim, para a discussão dos dados feita na seção 4.4. O topônimo BetimPodemos dizer que o estudo da história do município permite a análise da significaçãotoponímica, uma vez que, por meio das fontes consultadas, foi possível o resgate de informaçõesacerca da origem do nome investigado, bem como a reconstrução de denominações oficiaisanteriores.Do ponto de vista sincrônico, a origem do nome Betim se encontra apagada da memóriacoletiva. Assim sendo, esse nome, utilizado, atualmente, para fazer referência direta ao município deMinas Gerais, tem seu sentido etimológico opaco e esvaziado, fato que corrobora as ideias supracitadasde Dick (1990b, p. 6) e Seabra (2006, p. 1955-1956).Somente um estudo diacrônico permite evidenciar que a origem do topônimo está relacionadaao nome do sertanista Joseph Rodrigues Betim, o sesmeiro e, portanto, primeiro dono das terras quecompreendiam a região no século XVIII, o que faz desse topônimo um indicador da história dacomunidade. [p. 13 do pdf]
Outra análise que poderia ser feita com esses nomes é a da presença / omissão do elemento querepresenta o tipo de acidente geográfico (DICK, 1990b, p. 10). Nos decretos de 1754 e 1801,observamos que esses elementos se fazem presentes, sendo respectivamente formados pelos itenslexicais arraial e distrito. Nas denominações que sucedem esses decretos, percebemos a omissão desseelemento; todavia, o mesmo pode ser reconstruído por meio da história, sendo paróquia/freguesia nonome decretado em 1851 e município na denominação de 1938. Apesar de não encontrarmos essamesma informação para a denominação de 1923, a constatação desse fato permite levantar a hipótesede que a presença desse elemento poderia estar relacionada à intenção do nomeador de, naqueleperíodo, conferir certo status ao espaço geográfico que passava da condição de um simples povoado àcondição de arraial, e da condição de arraial à de distrito. Assim sendo, nos períodos posteriores, podeser que não se teria relevância a presença desse elemento e isso explicaria a sua omissão.Apesar das análises feitas aqui terem permitido apenas o levantamento de hipóteses, consideramosque, com base nas fontes pesquisadas, foi possível o resgate das suas denominações anteriores eprováveis motivações, mostrando como a Toponímia é “um imenso complexo línguocultural, em queos dados das demais ciências, como a História, se interseccionam necessariamente e, não,exclusivamente” (DICK, 1992, p. 119 apud LIMA; PEREIRA, 2016, p. 2).A seção seguinte, ainda destinada à continuidade da análise, dedica-se à investigação da origemdo antropônimo Betim.O antropônimo BetimFranco (1953, p. 71) registra o antropônimo Joseph Rodrigues Betim com uma alteração gráficaem seu prenome - José - e traz informações biográficas que permitem constatar a nacionalidadebrasileira do bandeirante, o fato de ter sido dono das terras que deram origem ao atual município deBetim, seu estabelecimento em Pitangui e nos revela a sua filiação:BETIM, José Rodrigues - Paulista, filho de Garcia Rodrigues Velho e de sua mulherMaria Betim, andou sertanejando nas Minas-Gerais, juntamente com Antônio PereiraTaques, tendo descoberto as minas de ouro chamadas do Betim, onde hoje fica a cidadede Capela Nova. Estabeleceu-se depois nas minas de Pitangüi e tomou partido dogoverno no levante de 1719, ao lado de seu sogro Francisco Bueno de Camargos [...].
No que concerne à filiação do bandeirante, Brandão (1975) informa que o genealogista Pedro Taques de Almeida Pais Leme cita Maria Betim como filha de Geraldo Betting. Esta foi casada com Garcia Rodrigues Velho e tiveram sete filhos, dentre eles Maria Garcia Betim22, esposa do bandeirante Fernão Dias Paes, e José Rodrigues Betim.
D. Maria Betim e Garcia Rodrigues Velho foram pais de Miguel Rodrigues Velho, Maria Garcia Betim (mulher do bandeirante Fernão Dias), Jorge Rodrigues Velho, Antônio Rodrigues Velho, Anna Maria Rodrigues Garcia, Coronel Garcia Rodrigues Velho, Custódia Dias e José Rodrigues Betim (BRANDÃO, 1975, p. 772-773, grifo nosso).
Portanto, esse trabalho atesta que Joseph Rodrigues Betim era neto de Geraldo Betting. Aprocedência estrangeira do ascendente-mor dessa família fez surgir hipóteses de que sua naturalidadeseria alemã ou neerlandesa. Um documento encontrado na década de 1970, localizado no arquivo dacidade de Doesburg (Esse documento, datado de 14 de dezembro de 1614, é uma procuração na qual Geraldo Betting autorizava a transferência de sua herança aos seus procuradores, Johan Stenderingh Lambers, Johan Dunsberch e Wolter Schaep._, segundo Brandão (1975, p. 770), “prova a naturalidade de Geraldo Betting: realmente ele é holandês, de Doesburg, na Gueldrie. O documento revela ainda que ele continuou,mesmo de São Paulo, a manter relações com seus conterrâneos - de outra maneira não se explica osseus negócios de lá.” O autor conclui essas informações a partir de uma carta particular enviada do sr.Van Petersen, na época, arquivista-chefe de Doesburg que também elucida: “Geraldo Betting era filhode Thoenis (ou Thonis) Bettinck, falecido em Doesburg a 29 de junho de 1584, e de Merrie”(BRANDÃO, 1975, p. 771).
Tendo por base essas informações, constatamos que a origem do nome Betim seja neerlandesa(ou holandesa) e seu étimo24 estaria ligado ao suposto sobrenome do pai de Geraldo. Assim sendo, aetimologia desse nome, ou seja, “o percurso entre o étimo ou a origem e a palavra investigada”(VIARO, 2011, p. 106) pode ser expressa da seguinte forma:(2) *Bettinck > BetimA fórmula indicada no exemplo (2) indica que o nome Bettinck, datado no século XVI, setransformou em Betim, nome encontrado na sincronia atual. A utilização do asterisco no étimoinforma que este se trata de uma possível reconstrução desse nome no passado, ou seja, uma hipótese. [Páginas 16 e 17 do pdf]
Sobre a vinda de Geraldo Betting para o Brasil, Franco (1953, p. 71) salienta que ele “veio paraSão Paulo [...] com o governador d. Francisco de Sousa, que o trouxe do reino com o fito de mandarconstruir engenhos de ferro na capitania”.Segundo Brandão (1975, p. 773-774), a data de sua chegada deve ser posterior a 1591, ano emque D. Francisco assume a posse do governo. Acredita-se que Betting tenha passado primeiramente aPortugal, com ou sem intenção de vir à capitania, esteve na Bahia (com o governador) até o ano de1600 e, depois, seguiu para São Paulo.
Fazendo menção à obra de Affonso d’Escragnolle Taunay, História Geral das Bandeiras Paulistas(1924), o autor confirma que os dois estavam acompanhados também de Jacques Oalte. Betting eraengenheiro prático e Oalte, mineiro; portanto, “eram os auxiliares indispensáveis para os planos que ogovernador tinha em mente: as pesquisas minerais.” (BRANDÃO, 1975, p. 774). Em 1602, terminouse o mandato de D. Francisco, mas Geraldo, já fixado na terra paulista, nela continuou o seu trabalho.Não existem referências a respeito do seu falecimento, mas acredita-se que tenha sido em São Paulo. Aseguinte passagem encontrada na obra de Taunay vem confirmar essas informações:
Trouxera o governador, grandioso como sabia ser, ‘hua companhia de soldados einfantes do prezidio da Bahía, e com o capitão deli a Diogo Lopes de Castro e seusofficiaes’. Também mo acompanhava o cirurgião José Serrão, médico… Doisespecialistas indispensáveis para a empresa angariara ‘hum mineiro alemão Jaques deOalte e hum engenheiro tão bem alemão Giraldo Betink, vencendo cada um deordenado 200$ por anno. (TAUNAY, 1924, p. 147 apud BRANDÃO, 1975, p. 774)
Sobre as grafias do nome do ascendente dos Betim, Brandão (1975) afirma que:Em diversos lugares encontramos Gibaldo, Giraldo, Geraldo; Bettink, Betimk, Betting,Beting, Betim. É natural que um nome estrangeiro seja aportuguesado, às vezes pelopróprio dono. No nosso caso, enquanto isso não ocorreu definitivamente, duas geraçõesmais tarde - transformou-se em Betim - flutuou entre as diversas grafias citadas.(BRANDÃO, 1975, p. 767, grifo nosso)Com base nessa passagem, é possível constatar variações gráficas tanto no prenome – Geraldo,Gibaldo, Giraldo – quanto no sobrenome – Bettink, Betimk, Betting, Beting, Betim – em decorrência deum possível aportuguesamento. Por outro lado, tendo em vista a naturalidade holandesa de GeraldoBetting, o documento de 1970, encontrado no arquivo de Doesburg, elucida também as grafiasestrangeiras Gerhart e Gerrit. [p. 18 do pdf]
Exemplificamos a ocorrência dessas grafias citando passagens da pesquisa de Brandão (1975).Com o intuito de explicar os envolvidos no processo de transferência das propriedades de Geraldo,Brandão25 faz uma citação do referido documento e apresenta uma ocorrência da variante Gerrit:conforme a citação, a venda da herança se deu em 1611, “por Peter van Belheeim, em nome domencionado Gerrit Bettinck, por uma certa soma de moedas nas mãos de Art Baerken e Evert VanMiddachten”. Em outra passagem, Brandão26, ao justificar a escolha da variante Geraldo Betting em suapesquisa, comprova que a variante Gerhart também é possível de ser encontrada: “Parece-nos aindaperfeitamente razoável que o nome holandês Gerrit (ou Gerhart) fosse traduzido pelo próprio donopara Geraldo; e que o sobrenome Bettinck, se modificasse em Betting, Pelo (sic) que adotamos essagrafia no presente trabalho”.
Considerando as informações genealógicas, podemos concluir que Joseph Rodrigues Betim eraneto de Geraldo Betting e, portanto, descendente de holandeses. O sobrenome que indica o nomedessa família sofreu variações gráficas, decorrentes, principalmente, de um possível aportuguesamento,até chegar à sua forma atual.
Considerações finais
Este trabalho se soma aos inúmeros trabalhos já realizados que permitem atestar o método depesquisa da motivação e significação toponímica baseado na análise de informações históricas. Comoexemplificado pela Carta de Sesmaria (1711), o nome do atual município de Betim está relacionado aosobrenome daquele que poderia ser considerado seu primeiro fundador, o bandeirante JosephRodrigues Betim.O trabalho de Brandão (1975) visa a comprovar a nacionalidade de Geraldo Betting e comprova,também, a relação de parentesco entre este e o bandeirante. Baseando nesse mesmo autor, assumimosque o nome Betim é de origem neerlandesa (ou holandesa) e seu étimo estaria ligado ao supostosobrenome do pai de Geraldo, Thoenis (ou Thonis) Bettinck.As denominações oficiais anteriores do atual município encontram motivação no nome peloqual a capela da cidade se tornou conhecida e preservam também, em suas estruturas, o sobrenome dobandeirante, excetuando-se a que foi decretada em 1923. Esse fato abre hipóteses para investigar se onome do bandeirante não teria, ao longo da história, caído no esquecimento da coletividade,emergindo daí com mais força a imagem da capela. Além disso, estudos futuros poderiam investigar se não houve uma imposição do topônimo atual por meio do decreto de 1938, assinado peloGovernador Valadare. [p. 19, 20 do pdf]
Imaginária Retabular Colonial em São Paulo. Estudos Iconográficos (2015) Maria José Spiteri Tavolaro Passos
Página 27 do livro "Baltazar Fernandes: Culpado ou Inocente?" Data: 01/01/1583 Créditos/Fonte: Sérgio Coelho de Oliveira 01/01/1583
ID: 5375
Página 23 do livro “Baltazar Fernandes: Culpado ou Inocente?”* Data: 01/01/1565 Créditos/Fonte: Sérgio Coelho de Oliveira Lopo Dias, seu pai faleceu com cerca de 100 anos (...) Suzana casou-se com Manuel Fernandes Ramos (...) o casal teve 17 filhos (...)"
ID: 5376
Nascimento de Suzanna Dias* Data: 01/01/1560 Créditos/Fonte: genearc.net/index.php?op=ZGV0YWxoZVBlc3NvYS5waHA=&id=ODgzMA== 01/01/1560
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]