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autor:21/10/2023 12:32:36
Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil

mencio ()

    9 de junho de 1892, quinta-feira
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  


JUN.
09
HOJE NA;HISTóRIA
53

Em 9 de junho de 1892, partiu do Rio de Janeiro a comissão composta por 22 técnicos, entre eles, astrônomos, médicos, farmacêutico, geólogo, botânico, mecânico, auxiliares e militares com destino a Uberaba pela linha férrea da Companhia Mogyana. A partir daí, a comissão viajaria em lombos de cavalos, burros e mulas para o Planalto Central, servindo-se de podômetro, bússula e aneróide para determinação e orientação dos trajetos. Em 29 de junho, a comissão deixa a cidade de Uberaba com destino a Pirenópolis.Em 11 de julho chegaram as margens do Rio Paranaíba, entrando em território goiano. Aos 14 de julho, chegam em Catalão. Daí rumam para Piracanjuba, chegando somente em 29 de julho e aos 1 de agosto de 1892, chegam em Pirenópolis.Em Pirenópolis, devido a uma grande discordância entre os geógrafos sobre a altitude exata dos Picos dos Pireneus, a comissão decide verificar sua altura e conta-nos em seu relatório um pouco da história da geografia das grandes altitudes brasileiras: A opinião generalizada na época era que o Pico dos Pireneus estava a cerca de 3.000 metros de altitude. Referência publicada pelo Padre H. R. Des Genettes, erudito e morador de Pirenópolis, que em 1873, descreve este monte estando a 2.932 metros do nível do mar, desbancando, até então, os picos do Itacolomi, Itambé e o Itatiaia. Sendo então considerado o ponto mais alto do Brasil.Ledo engano. A comissão, já como primeiro importante cálculo para a geografia brasileira, corrige a cota e verifica, através de barômetros e aneróides, a cota de 1.385 metros, ainda usada atualmente.

Os Pireneus de Goiás

Em 7 de agosto de 1892, a comissão inicia a subida da serra em direção aos Picos dos Pireneus. Destaca, em seu relatório, as Minas do Abade, já em ruínas, e afere sua altitude: 998 metros. A partir daí, a subida acindentada os leva a um ponto distante 5 km do pico e cuja visão é de 4 picos, em um terreno que fica quase ao nível da base dos picos. Por essa descrição, podemos crer que a turma subiu pelo vão do Rio das Almas em direção ao antigo curral do Inácio Lobo e nascente do córrego Barriguda, avistando o pico na altura da vila dos becos, próximo ao portal do parque. Pois é o único local que dista de 5 km quando, ao tombar a serra, se avista os 4 picos. Os outros pontos estão mais próximos e o quarto pico não é avistado.

Pernoitaram num acampamento mais próximo do pico, de onde só era possível avistar 3 picos e cuja altitude era de 1.123 metros. Pela descrição e altitude, eles só poderiam ter acampado próximo ao córrego Arruda, pois é a única área abaixo dos 1.200 metros de onde se pode avistar os picos e há água abundante.No dia seguinte, dia 08 de agosto de 1892, empreeitaram a subida do pico e aferiram por fim sua altitude: 1385 metros. Concluindo, tiraram as seguintes deduções:Pirenópolis: 740 mMinas do Abade: 998 mAcampamento: 1.123 mBase do Pico: 1.318 mPireneus (cume): 1.385 mNo alto do pico eles deixaram encerrado numa caixa de metal um documento com os seguintes dizeres:"Ascensão ao Pico dos Pyreneus - Alto do pico mais elevado, em 8 de Agosto de 1892 - As 12 horas da manhã do dia 8 de Agosto de 1892, 4º da República dos Estados Unidos do Brazil, chegou-se ao alto deste pico, o mais elevado dentre os dos Pyreneus, a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brazil e aqui fez observação para determinar com a maior precisão as coordenadas desta posição.E, para attestar em qualquer época a sua presença, lavrou este documento que é por todos assignados e que depois de convenientemente lacrado, fica depositado no alto do próprio pico.Assignaram: - L. Cruls. - Antonio Pimentel. - H. Morize. - Tasso Fragoso. - Pedro Gouvêa. - A. Abrantes. - Alipio Gama. - Hastimphilo de Moura. - P. Cuyabá. - Henrique Silva. - Paulo de Mello."Caixa esta que, infelizmente, não existe mais. Se existe, está guardada em algum lugar inacessível ao público por um cidadão avarento.

A demarcação do Quadrilátero Cruls

Ao retornar para Pirenópolis, no dia 9 de agosto, a comissão se prepara para partir em busca do almejado quadrilátero de 14.400 km2. Luis Cruls determina a formação de 2 turmas: uma, chefiada pelo próprio Cruls, que seguirá à cidade de Formosa via Serra do Urbano (Urbano do Couto Menezes) ou das Divisões (saída ao norte pelos divisores de águas); e outra, chefiada por H. Morize, que rumará à cidade de Formosa via Corumbá, Santa Luzia e Mestre D`armas (saída a leste).De Formosa, a comissão se divide em 4 turmas, uma para cada vértice do quadrilátero. É notável a intenção de Cruls em formar o quadrilátero inserindo neste a região dos Pireneus. Segundo Cruls, o quadrilátero deveria conter as cabeceiras dos rios que vertem para as bacias do Tocantins, São Francisco e Paraná. Também se destaca no texto do relatório a dificuldade técnica em determinar com precisão as longitudes.Foram determinadas às turmas que estas retornariam e se encontrariam, com todos os dados do trajeto e as coordenadas dos vértices, em Pirenópolis no mais tardar até o dia 10 de novembro de 1892.A turma do vétice NW, chega em Pirenópolis no dia 16 de novembro de 1892. A turma do vértice SW, chefiada por Cruls, chegou em Pirenópolis no dia 17 de novembro. A turma do vértice SE chegou em Pirenópolis no dia 5 de dezembro. E a turma do vértice NE, que não fez a demarcação simultaneamente com as outras, voltou a Pirenópolis e somente no dia 18 de dezembro é que esta rumou para o vértice e de lá para Uberaba e Rio de Janeiro.O quadrilátero de 14.400 km2 era cerca de 3 vezes maior que os atuais limites do distrito federal e, apesar das grandes discussões posteriores a demarcação deste quadrilátero, houve um período de esquecimento, várias tentativas de instalação da capital no Triângulo Mineiro e até na Bahia, o trabalho da Comissão Cruls foi bastante decisivo tal a sua complexidade técnica e seriedade.De fato, o local escolhido detinha grandes méritos e a cidade de Pirenópolis foi peça chave na decisão. Pois, além de sediar a comissão, foi da vista dos picos a oeste pelo grande planalto, que foi descortinado o local escolhido para a área que iria sediar a futura capital. Local com grande salubridade, abundância de água boa e clima aprazível. Tivesse hoje o Distrito Federal as confrontações deste quadrilátero teríamos os picos dos Pireneus e a cidade de Cocalzinho dentro do Distrito Federal. Sorte ou azar, os Montes Pireneus ainda são Goiás.Algumas considerações interessantesSegundo Luis Cruls, pôde-se notar temperaturas muito frias nos meses de julho, chegando a 0º e a -2,5ºC, com vários registros de geada. Calculou-se também a temperatura média anual em torno de 19,5ºC. Coisa que hoje não se registra mais. A temperatura hoje subiu consideravelmente.Em relação às águas, Cruls cita a superioridade da qualidade das águas da região oeste do quadrilátero, como dos afluentes do Corumbá, sendo superiores às do Leste, como as do São Bartolomeu, e mais ainda àquelas dos rios do norte. A quantidade das águas são ainda comparadas às de outras cidades populosas, como Paris, na ordem de 300 para 1.000 litros por habitante.Quanto a topografia, Cruls embasa a localização com forte argumentação de que na região demarcada "se encontram planícies, entrecortadas de depressões pouco consideráveis com declividades suaves, se presta admiravelmente para a edificação de uma grande cidade".Outra coisa interessante notada no relatório foi a desmistificação e ratificação de histórias contadas no sul das características e situações que existiam em Goiás. Era idéia comum que o Planalto Central não serviria para a nova capital por se tratar de uma região quente, insalubre, cheia de doenças e perigos como indígenas antropófagos e animais ferozes. No entanto, todos os relatórios dos técnicos, entre eles médicos, geólogos, sanitaristas, farmacêuticos e botânicos, dedicaram vários parágrafos desfazendo boatos e desmistificando fatos. Impressionaram-se estes com o oposto do que esperavam, encontraram uma terra salubre, sem perigos, com clima agradável e ótima condição de vida. Em suma, corroboraram ótimas condições e seus estudos foram determinantes para a localização do novo Distrito Federal.Vale ainda ressaltar o valioso estudo que esta comissão fez sobre aspectos da fauna, flora, geologia, hidrologia e características sócio-econômicas da região ao final do século XIX, que resultou num extenso livro de 380 páginas.Fontes e referênciasRelatório da Comissão Exploradora do Planalto Central - Organizado por Luis Cruls - Rio de Janeiro, 1894 - Edição: Senado Federal, Brasília, 2003A Mudança da Capital - José Adirson de Vasconcelos - 2ª Edição - Gráfica e Editora Independência Ltda - 1978 - BrasíliaOperação Dom Bosco - Jarbas Silva MarquesCruls, A Missão que Marcou a Capital - série documental em 6 episódios feito pela Rede Globo do Distrito Federal por ocasião do 55º aniversário de Brasília em 21 de abril de 2015 - Episódio 1 | Episódio 2 | Episódio 3 (Pirenópolis) | Episódio 4 | Episódio 5 | Episódio 6.



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EMERSON


09/06/1892
ANO:48
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]