As Incríveis Aventuras e Estranhos Infortúnios de Anthony Knivet: Memórias de um aventureiro inglês que em 1591 saiu de seu país com o pirata Thomas Cavendish e foi abandonado no Brasil, entre índios canibais e colonos selvagens
A circunavegação fracassada circunavegação fracassada
Quando partiu de Plymouth, na Inglaterra, a 26 de agosto de 1591,com a intenção de dar uma segunda volta ao mundo, Thomas Cavendish (1560-92) pensava repetir a façanha que havia realizadofazia três anos. A essa altura, ele era a nova maravilha da navegaçãoinglesa, o terceiro a circunavegar o globo, repetindo o heróico feitode Francis Drake, e, a exemplo do preferido da rainha, tambémtrouxera para casa um riquíssimo butim, especialmente preciosasmercadorias orientais do galeão espanhol Santa Ana. Essa segundaviagem de volta ao mundo de Cavendish também tinha como objetivorecuperar as fi nanças do jovem navegador, que já tinha dissipado tudoo que conseguira na primeira. A essa nova empreitada se juntaraminvestidores privados e jovens de famílias nobres em busca de fortuna, como Anthony Knivet, um dos jovens embarcados no galeãoLeicester, comandado por Thomas Cavendish.
A exemplo de outras fi guras do século XVI, a biografi a de Kniveté um pouco nebulosa, mas tudo indica que tenha sido fi lho ilegítimode um nobre, sir Henry Knivet, que, por não poder legalmente herdaros bens do pai, seguira a carreira militar. A nova expedição do entãocélebre e festejado Cavendish era uma boa promessa fi nanceira para osjovens gentlemen nela engajados, pois somente aos homens dessa posição social era franqueada a pilhagem de navios e das cidades atacadas.Mas o começo promissor desembocou em um desfecho inesperado etrágico: Cavendish não conseguiu passar do estreito de Magalhães,perdeu quase todos os seus navios e seus homens e, voltando para aInglaterra, morreu no meio do Atlântico – após escrever uma amarga carta –, de desgosto, provavelmente por suas próprias mãos. Knivet,por sua vez, foi abandonado semimorto, com os pés gangrenados, emuma praia no litoral de São Paulo e passou quase dez anos no Brasilcomendo, digamos assim, o pão que o diabo amassou. Como escravo dafamília Correia de Sá, trabalhou em engenho de açúcar, foi escudeiro,mercenário, negociante de índios escravos, explorador do sertão, e viveu,quando conseguia escapar de seus patrões, vários períodos com índios,nu e perfeitamente adaptado entre eles. Condenado à morte váriasvezes, enfrentando perigos fatais ao desbravar sertões inexplorados elidar com índios canibais, além de atrozes castigos físicos e doenças,Knivet consegue sempre escapar, não milagrosamente, mas por seuspróprios meios, por sua inteligência e indústria.
Durante esses dez duros anos, planeja três fugas. A primeira quando a frota de Richard Hawkins passa pelo Brasil, a segunda quando consegue ir para Angola, de onde pretendia escapar para a Inglaterra, e a terceira quando se junta a outros ingleses habitantes do Rio de Janeiro. Mas a oportunidade só viria quando a família de Salvador Correia de Sá, em 1599, se muda para Lisboa levando Knivet, seu escudeiro inglês.
Ele não consegue a liberdade – pois seu conhecimento das rotas terrestres e marítimas do território brasileiro e das minas que se escondiam nos sertões tinha um alto valor estratégico, e não poderia ser transmitido aos ingleses –, mas, após trabalhar como intérprete para negociantes escoceses, consegue, com a ajuda de uma noviça inglesa de um convento de Lisboa, retornar à Inglaterra, em setembro de 1601, em um navio de comerciantes holandeses. A essa altura seu pai já havia morrido, e tudo leva a crer que foi através de seu tio, lord Thomas Knivet, um dos membros da Privy Chamber [Páginas 15 e 16]
ao não comer frutas e raízes venenosas que tantas vezes mataramseus companheiros; e sua espantosa resistência física diante dascondições mais extremas. Em resumo, sua impressionante capacidade de sobreviver no inóspito Brasil da década de 1590.
O Rio de Janeiro de Anthony Knivet e de Salvador Correia de Sá parecia organizar-se em torno de três eixos principais: a produção de açúcar, a obtenção de índios escravos e a busca por minas de ouro e pedras preciosas. Knivet trabalha em dois engenhos, desempenhando diferentes tarefas: carregando cana-de-açúcar, empacotando e transportando o açúcar para os navios.
Trabalha inicialmente como escravo, até suas roupas se desfazerem em farrapos, sob as ordens de um feitor espanhol que odeia ingleses, a quem pretende assassinar; anos depois, passa a ser remunerado e tratado com mais humanidade. Outra atividade do marinheiro inglês é entrar em contato com tribos indígenas que costumam vender como escravos sua própria gente ou prisioneiros de outras aldeias. A família Correia de Sá não está particularmente engajada na “guerra justa” pregada pelos jesuítas – que pretendiam salvaguardar os direitos dos povos nativos estipulando que só poderiam ser aprisionados se atacassem os colonos.
Knivet embrenha-se pelo sertão, por lugares nunca antes pisados por um europeu, entrando em contato com tribos desconhecidas e negociando escravos que serão usados nos engenhos e em trabalhos domésticos. Suas outras entradas pelo interior do Brasil, seguindo rotas indígenas e caminhos desconhecidos, são viagens de exploração em busca de minas de ouro e de pedras preciosas, que se incrementaram no governo de d. Francisco de Sousa. O que movia essas entradas era principalmente a recente descoberta da gigantesca montanha de prata em Potosí, na atual Bolívia, e também os mitos de indígenas brasileiros sobre uma montanha de metais preciosos, a lendária Sabarabuçu. Percorrendo o interior de Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, Knivet e seus companheiros deparam, em vários lugares, com pepitas de ouro, ouro em pó e uma grande variedade de pedras preciosas, como diamantes, rubis, safiras, e com a mitológica montanha resplandecente, segundo ele, tão brilhante que chega a cegar a vista dos viajantes, e tão alta que se perde entre as nuvens.
Knivet, no interior de São Paulo, sente-se na iminência de avistar Potosí, e os indícios de metais e pedras preciosas que encontra pelo caminho só fazem aumentar sua certeza. O Brasil que ele percorre é, verdadeiramente, o eldorado. Eram tantas as pedras preciosasque, conta ele, “recolhíamos pedras num dia para, no dia seguinte, jogá-las fora em vista de outras maiores e melhores”, e a região era tão rica em minas que “se os espanhóis conhecessem essa região, não precisariam ter ido até o Peru, pois não há lugar como estepara todo tipo de metal valioso ou pedra preciosa”.
Nessa época, a grande promessa de ouro e de pedras preciosas era o interior da capitania de São Vicente, atual estado de São Paulo – quase um século antes da descoberta do ouro em Minas Gerais –, para onde o governador-geral d. Francisco de Sousa se transferira de modo a coordenar viagens exploratórias, e onde já estava em atividade a mina de ouro de Jaguará. Em suas andanças pelo interior de São Paulo, Knivet não atinge o eldorado com queIntrodução21sonha, Potosí, mas, no fim de seu livro, ao elaborar um [Páginas 20 e 21]
bos historicamente aliadas aos franceses, ou, ainda, quando, ementradas pelo sertão, algumas aldeias faziam frente à chegadados colonos, entre outras práticas bélicas contra os índios. Orelato de Knivet descreve aldeias dizimadas e índios mortosna casa do milhar. Particularmente interessante é uma longa estadade Knivet entre os tamoios, expulsos para o interior após a conquista do Rio de Janeiro, que são convencidos por Knivet a voltar para olitoral e lá são massacrados pelos homens de Martim de Sá. Nessemomento da narrativa, temos a história de Abauçanga, o últimodos tamoios, de 120 anos, que morre em batalha, de forma suicida,mas com uma bravura que maravilha os portugueses. Abauçangapreferia morrer a ser escravo dos portugueses.Knivet se identificava especialmente com essa mentalidade. Emvários momentos diz que prefere ficar entre os “canibais” a voltarpara as mãos dos portugueses, de quem é escravo e por quem é tratado impiedosamente. Identifica-se tanto com os índios, que chegaa afirmar que o melhor amigo que já teve é Guaraciaba, um índio,foragido como ele: “Nunca um homem teve uma amizade tão sinceraquanto eu a dele.” Na parte final de seu livro, em que elabora umadescrição das várias tribos com as quais teve contato, muitas vezeselogia a civilidade, a gentileza e até mesmo características físicasdos indígenas, aproximando-os de ingleses e holandeses. Os portugueses, aqui, são as bestas feras, os selvagens, em contraposiçãoa algumas tribos indígenas, gentis, educadas. Sobre os molopaqueschega a afirmar: “Se esses canibais tivessem conhecimento de Deus,posso arriscar dizer, não haveria gente no mundo como eles. [Página 23]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]