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A FORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR EM SOROCABA 1880-1890

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    julho de 2005, sexta-feira
    Atualizado em 31/10/2025 01:44:15
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JUL.
01
HOJE NA;HISTóRIA
201

A FORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR EM SOROCABA 1880-1890Jorge Luís Cammarano Gonzáles - jorge.gonzalez@uniso.br - Universidade de Sorocaba - UNISOWilson Sandano - wilson.sandano@uniso.br - Universidade de Sorocaba - UNISO1. ApresentaçãoEste trabalho vincula-se à pesquisa “Fontes para a história da educação escolar de Sorocaba” , circunscrita ao período de 1850 a 1920, que é caracterizado, no âmbito da produção historiográfica correspondente à história de Sorocaba, como período de decadência do tropeirismo e de início da industrialização da cidade. A pesquisa envolve a localização e organização de acervos fundamentais sobre a educação escolar em Sorocaba e concentra seus esforços na elaboração de um guia preliminar de fontes sobre o tema.Consideramos que a localização, a organização e a descrição de fontes documentais para a produção de um “guia de fontes” representa uma referência para o adensamento do campo de produção historiográfica sobre Sorocaba e região, na perspectiva de investigar as dimensões filosóficas, históricas e políticas da educação (BUFFA, 2002) com base no estudo das instituições escolares.A natureza do acervo atualmente investigado circunscreve-se à documentação textual escrita por professores e inspetores, num universo constituído por ofícios, cartas, memorandos, livros de registros, estatutos, regimentos, relatórios, etc.. A documentação foi obtida por meio de fotocópia dos originais junto ao Arquivo Histórico do Estado de São Paulo.O trabalho, que apresenta resultados parciais da pesquisa, investiga o processo de formação do espaço escolar em Sorocaba, no período de 1880 a 1890, e tem como problematização norteadora da investigação: “que condições estão presentes no processo de formação da educação escolar em Sorocaba, no período de 1880 a 1890?”2. SorocabaEm recente artigo, quando tratamos da formação da educação escolar pública em Sorocaba, no período de 1850 a 1860, indicamos que Sorocaba, à época, era uma cidade pobre, ainda eminentemente agrícola, mas em processo de crescimento urbano e modernização (GONZÁLEZ e SANDANO, p. 56-57).Já, na década de 1880, a cidade continua se transformando. Há um aumento significativo do número de indústrias. Há uma racionalização do uso do espaço urbano.Em 1881, foi sancionada e publica a Lei nº. 24, que tratava do abastecimento de água potável em Sorocaba, graças à atuação do Dr. Ferreira Braga e do Tenente Cava¬leiros, na Assembléia Provincial (ALEIXO IRMÃO, p. 240).Neste mesmo ano, chega ao Brasil Francisco Matarazzo e, em 1883, funda em Sorocaba uma pequena fábrica de banha, além de açougue e armazém.Ambos os negócios prosperam e, em 1890, antevendo as possibilidades criadas pela política financeira de Rui Barbosa, como ministro da Fazenda do primeiro governo republicano, muda-se para São Paulo e investe numa casa importadora. Em 24 de março de [89] organiza a Companhia Matarazzo, embrião das bem sucedidas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. (SOUZA FILHO, p. 149)Em 1881, ainda, no mesmo local em que foram inaugurados os trabalhos da estrada de ferro, foi iniciada a construção da Fábrica de Fiação e Tecidos Nossa Senhora da Ponte , que foi a primeira do ciclo industrial têxtil da cidade. Esta fábrica foi inaugurada no dia 2 de dezembro de 1882, por ser data do aniversário do Imperador D. Pedro II (SOUZA FILHO, p. 151).. Somente usava algodão da zona sorocabana, “comprado a 2$000 por arroba”. (ALEIXO IRMÃO, p. 258)Segundo SOUZA FILHO,A compra do maquinismo foi confiada a Alexandre Marchisio, técnico inglês em fiação e tecelagem, nascido na ilha de Malta. Os equipamentos, adquiridos em Manchester , Inglaterra, chegaram em Santos a 12 de abril de 1882 e foram por ele montados. Dois meses mais tarde, os 45 teares, com dois mil fusos, estavam em condições de produzir. Em 5 de maio daquele ano, no primeiro “Diário de Sorocaba”, Manoel Januário de Vasconcelos noticia que no dia anterior, com o funcionamento da fábrica, “viu a primeira peça de tecido saída dos teares, isto é, o primeiro vagido da tão importante indústria no sul da província”. (SOUZA FILHO, p. 150)Por conta da estrada de ferro e da Fábrica do Fonseca, a cidade recebeu, por duas vezes, na década a visita da família imperial (ALMEIDA, p. 61).BADDINI assim resume as alterações ocorridas na cidade, no período:Na década de 1880, com as novas expectativas econômicas trazidas com a ferrovia em Sorocaba, os investimentos foram direcionados para outras atividades urbanas. Foram instaladas na cidade casas especializadas, tais como padarias, confeitarias, charutarias, depósitos especiais de produtos importados de outras províncias e da Europa, casas de comissões que lidavam com a expedição de mercadorias pela estrada de ferro. Também proliferaram, gradualmente, as manufaturas e fábricas, que aproveitavam a proximidade com a estrada de ferro para conquistar novos mercados e expandir a produção. Em 1864, havia quatro fábricas no município: uma de chapéus, duas de velas de cera e uma de tecidos (...). Em 1870, eram seis: duas de chapéus, duas de vela de cera, uma de fumo e uma de tecidos, pouco depois desativada. Em 1873, o Almanak da Província acusa apenas cinco: duas de chapéus, uma de velas de cera e duas de “seges e trolys” (...). Dez anos mais tarde, eram doze: duas de cerveja, três de chapéus, uma de vinagre, uma de licores, uma de pólvora, uma de tecidos, uma de velas de cera e duas de vinho (...). Em 1887, eram 18: três de cerveja, quatro de chapéus, duas de licores, duas de redes, uma de tecidos, uma de velas de cera, quatro de vinho e uma de vinagre (...). Nesta relação, ainda faltam duas fábricas de massas, uma de café em pó e uma de louças, organizadas entre 1885-87, e outras duas fábricas de vinho, que como as outras, utilizavam matéria-prima produzida na região. Somam-se, assim, 24 estabelecimentos industriais no final do Império.Estes demonstram o incremento do comércio urbano e acompanham as investidas de municipalidade para racionalizar os usos da cidade, inclusive o trânsito de animais. As posturas referentes à passagem e divagação de tropas pela cidade mostram empecilhos da urbanização. Embora a Câmara garantisse o trânsito e parada de animais em alguns pontos do centro urbano, postergando a “macadamisação” de ruas e largos utilizados pelos condutores, criava novas condições de uso desses espaços. (BADDINI, p. 183-184)As modificações na vida do sorocabano, são mostradas por ALMEIDA;A vida do cidadão sorocabano, que fôra a mais pacata possível, tirante os dois meses da feira, começou a modificar-se, entre 1870 e 1875, quando os cabriolés, espécie de carrinho com uma mola de pau entre o eixo e o assento único, os tílburis, carrinhos cobertos, de duas rodas, os carros de praça e os trolis deram de aproveitar o macadam para as suas desabusadas correrias.Pelas estradas municipais trafegaram os trolis, às vezes de dois assentos fora a boleia, e as senhorinhas, em bando, com seus grandes guarda-sois, viajavam para as chácaras e fazendas ruidosamente.A primeira cachoeira pública foi na atual rua José Bonifácio, antes rua da Amargura, então rua da Cachoeira. Os Nunes de Oliveira tinha hotel e empreza de carros de praça e trolis na rua do Bom Jesus. Os particulares, cavalheiros e amazonas que até aí montavam com grande empáfia em seus corcéis, abandonaram esta bela tradição em troco dos carros de quatro rodas. Aliás, antes de 1850 já havia coches apenas por luxo.Às 8 horas tocava a recolhida e saia à rua a patrulha. Noite, silêncio, serenatas de “Já tudo dorme”...Em Sorocaba não houve colonos italianos de fazendas e, sim, cidadãos negociantes, cocheiros, carroceiros, vendeiros, alfaiates, sapateiros mascates, os quais já davam à cidade um ar cosmopolita, por sinal que às vezes provocavam algum barulho, por mera distração...As colônias síria e hespanhola, à parte um ou outro caso isolado, não existiam antes de 1889. Numerosa, sim, era a colônia alemã, com os seus chapeleiros e cervejeiros. Mais numerosa a colonia portuguêsa, sempre recebendo novos rapazes caixeiros, futuros genros e sócios, troncos de importantes famílias.Em 1886, com o sanatório do médico Nicolau Vergueiro aumentou esse aspecto de cidade movimentada e garrida. (ALMEIDA, p. 50)É neste clima que está inserida a educação escolar.3. A educação escolarEm nosso artigo citado, registramos que havia, na década de 1870, havia duas escolas públicas primárias masculinas e duas femininas (GONZÁLEZ e SANDANO, p. 54). Havia, também, duas escolas particulares, uma para cada sexo e um colégio (ALMEIDA, p. 46).Na década que estamos estudando, a educação escolar estava muito valorizada.O Presidente da Província de São Paulo, em seu relatório anual à Assembléia Legislativa Provincial, no dia 13 de janeiro de 1881, assim se manifestava a respeito da educação:Penso que é tempo de fazer quanto se deva e possa para diffundir a luz do ensino por todas as camadas da população.É a obra mais meritória da actualidade. E quem, como eu, não possa, em sua passagem pelas regiões officiaes, por outro modo recommendar-se, terá adquirido direito ao reconhecimento de seus concidadãos se deixar marcos que indiquem haver trabalhado na grande obra de fazer com que a instrucção alcance a todos, despertando assim as intelligencias adormecidas, desterrando a ignorancia, e preparando paras as massas populares uma situação de verdadeira igualdade.A escóla pode resumir o elogia de uma administração, como sem a escóla a Provincia nunca terá a posição de proeminencia, a que aspira. (SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1881, p. 6-7).Outra manifestação a respeito do valor da educação, nos dá a Professora Januaria de Oliveira Simas:Convencida da summa vantagem da Instrucção Publica, baze fundamental da sociedade humana, conscia de que não ha paiz algum que se tenha elevado á todos os conhecimentos humanos, que não se tenha desvelado em dar acurada instrucção para o povo; assim, reconhecendo isto, applico todo o cuidado e desvélo, regendo esta aula com a maior assiduidade e empenhado esforço.Assim, com a educação sendo valorizada pela sociedade e, também, considerando as alterações ocorridas na sociedade sorocabana, a educação escolar teve um grande incremento.no número de escolas públicas e escolas particulares.A administração da educação escolar era feita pelo Inspetor de Distrito da Instrução Pública, subordinado ao Inspetor Geral da Instrução Pública da Província. A partir de 1884, com a reforma da instrução na Província, a sua administração passa a ser feita por “um conselho director e (...) conselhos municipaes constituídos, em sua maioria, por eleição, em que tomam parte as pessoas mais interessadas no desenvolvimento do ensino; (...) divisão da província em 12 disctrictos escolares, nomeando-se para cada um, mediante concurso, um delegado literario (...). (SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1885, p. 3)Em Sorocaba, foi designado Delegado literário o Sr. Antonio Gonzaga Sêneca de Sá Fleury, que foi substituído, por razões políticas, em 1885, pelo Dr. Coriolano d’Utra (ALEIXO IRMÃO, p. 291).Em documento de julho de 1885, o Inspetor de Distrito, Antonio Gonzaga Sêneca de Sá Fleury, assim informava à Inspetoria Geral da Instrução Pública sobre a eleição e indicação de membros para o Conselho Municipal:Em cumprimento ao ordenado pr. V. Sª. em circular nº. 312 de 28 de Maio ultimo, acompanhada do exemplar do Acto da Prezidcia. De 2 do mmo. Que reformou a instrm. Publca. d’esta Provcia., tenho a honra de participara V. Sª. que a 20 de Junho pp. publiquei edital, chamando os paes tutores e protectores do menores e orphãos, matriculados nas escolas Publicas e particulares, e seus respectivos Professores, de ambos os sexos, para comparecerem a 2 do corr. As 11 horas da manhã, (...) a fim de proceder a eleição dos 2 Membros do Conselho Mal. da instrm. Publca. d’esta cide. (...) Reunidos alguns dos eleitores, Professores, Publcós. E particulares de ambos os sexos, procedi com as solennidades legaes de eleição, obtendo o abaixo assignado 16 votos e Dr. Antonio Je. Ferrª. Braga 12 votos. Assim ms. o Dr. Je. Franco. Uchoa Cavalcanti, 2, e Mel. Nogrª. Padª. 2. Havendo votado 16 eleitores. A Camª Mal. em sesão de 5 elegeu o 3º Membro Dr. Oliverio Pilar. (...)3.1 Escolas públicasDas quatro escolas públicas mantidas pela Província, registradas no final da década de 1870, Sorocaba passa ter, no período estudado, 12 escolas públicas primárias, sendo 8 destinadas ao sexo masculino e 4 para o sexo feminino. Há um total de 556 alunos, dos quais, 438 são considerados freqüentes e 75 não freqüentes, além de 43 eliminados.Portanto, a freqüência dos alunos representava 78% dos matriculados, o foi um grande avanço em relação à freqüência dos alunos estudada nos períodos anteriores .As escolas primárias funcionam, ainda, nas casas alugadas pelos professores, para sua residência.As escolas continuavam com problemas quanto a existência de móveis e utensílios para o ensino – problema este detectado durante todo o período por nós estudado, a partir de 1850.Forão providas de moveis e utensilios as 1ª e 2ª cadras. do sexo masculº. em tempos idos, e a 3ª cadrª. quando foi installada; a 1ª e 2ª cadrª. do sexo femenino forão tambem suprridas de moveis e utensilios em épocha bem remota: pelo que estas 5 cadras. tem moveis e utensilios tão velhos e extragados que reclamão com urgencia outros p. o substituir ou augmentar seu nº. As outras 4 cadras. sendo a 3ª do sexo femenino, a das Capellas do Espírito Santo do Cerrado e de N. Srª. Apparecida, do sexo masculiº. e a do bairro Jundiaquára do sexo femnº., nunca receberão movel ou utensilio algum, a excepção desta ultima que recebeo seus livros para as meninas estudarem, e é um tanto edificante ver-se os menos. e as menos. assentados em tócos de pau, banquinhos, e de diversos tamanhos e modelos.Esta situação começa a ser resolvida no ano de 1883:Estão providas de moveis e utensilios, as 1ª, 2ª e 3ª cadras. do sexo masculº. desta cidade, as 1ª e 2ª do sexo femenº. Os moveis da 1ª e 3ª do sexo masculino a lem de velhos e estragados estão incompletos. O mmo. Acontece com os moveis da 2ª cadrª. do sexo femenino.A 4ª cadeira desta cidade, as das Capellas do Cerrado e Apparecida, e as dos bairros de Jundiaquara e do Sarapuhy, todas do sexo masculino, não tem movel nem utensilio algum.É pois de urgencia e de grde. necesside. serem providas de moveis e utensilios, as sete cadeiras descriptas, sendo 5 do sexo masculº e 2 do femenº.Os professores são bem conceituados junto ao Inspetor. Entre os professores, cujos nomes são nomeados nos documentos por nós consultados, há, apenas, um normalista. Encontramos, também, dois padres. A remuneração dos professores é feita por sua formação, sendo que o professor normalista tem remuneração maior.Com qto. pareça superflua a informação exigida no final do 2º periodo da circular nº 311, citada, pr. dever constar dos assentos d’essa repartição e ser firmados em lei os vencimtos. dos professores, cumpro o determinado pelo modo segte.:O Professôr da 3ª cadrª. Mel. dos Reis, que é normalista vence annualmte. 1:800$000; os professores da 2ª cadrª. Pe. Antº Augto Lessa e da cadrª do Cerrado Pe. Joaqm Glvs Pacco vence cada um annualme. a qtia. de 1:500$000. O Professor da 1ª cadrª Mel. Joaqm de Szª. Guerra, vence 850$000 e o da capla. da Apparecida João Pires de Lemos vence 650$000. As Professoras da 2ª cadrª. D. Januaria de Olª. Simas e a da 3ª cadrª. D. Gertrudes Pires de Almdª. Mello vence cada uma 850$000 pr anno, e as Professôras da 1ª cadrª. D. Vicentina Adelaide de Vascós. e da cadrª. de Jundiaquára, D. Zulmira Ferrs do Valle, vence cada uma pr anno 650$000.As escolas públicas tinham 5 horas diárias de funcionamento, assim divididas, no inicio da década:A primeira hora é reservada para o ensino da Calygraphia e da leitura de manuscripto; a 2ª e 3ª ao manuscriptos impressos; a 4ª de Arithmetica e Systema – Metrico; a 5ª para rever-se as lições passadas no dia passar outras para o dia contiguo. O ensino da doutrina é feito nos sabbados. Tanto antes como depois da aula costuma-se rezar Oração Dominical.Já, em 1889, as atividades eram assim indicadas pela Professora Escolástica Rosa de Almeida :Matriculei na minha escola de 7 de Janeiro a 1 de Junho do corrente anno, 72 alumnas. Foram eliminadas 10 por motivos diversos como estão indicados no mappa. Estas alumnas matriculadas e frequentes acham-se divididas em 3 classes do modo seguinte:1ª ClasseA 1ª Classe pertencem as alumnas que lêm expressivamente um impresso e manuscripto, analysam pequenos trechos e têm noção de sujeito e predicado. Escrevem cursivo e ditado, fazem exercicios sobre as 4 operações fundamentaes. Saem toda a Geographia do Brasil; de desenho linear conhecem até polygonos; sobre educação religiosa estão na segunda parte do cathecismo, finalmente de canto choral já conhecem figuras, claves, valores das notas, pausas e cantam exercicios faceis. A respeito de trabalhos de agulha já cosem soffrivelmente.2ª ClasseCompõe esta classe das alumnas lêm manuscripto e impresso, escrevem bastardo e bastardinho, sabem de cór a primeira parte do cathecismo, fazem addicção, subtração e multiplicação de numeros inteiros. Cantam somente em choro.3ª ClasseAs alumnas desta classe lêm somente impresso, escrevem traços na lusa algumas e outras no papel, etc.Em relação ao ensino secundário, não havia escola alguma, segundo o Inspetor do Distrito de Sorocaba:Não existe aula alguma de instrucção segundaria: e entretanto ella é mto. precisa e ouso pedir á V. Sª. q. se digne propôr isso a Assemblea Proval, ou ao Exmo. Dr. Conselhor. Prezide. desta Provcia., pr. qanto. perdeo esta cide. com a suppressão da aula segundaria aqui existente de que foi Profor. o findo. Luis Augto. de Vascos.Assim, a Câmara Municipal resolveu criar, em 1886 , o Liceu Sorocabano, sendo seu diretor e professor de todas as matérias (Português, Francês, Latim e Aritmética) o Professor Artur Gomes, que foi nomeado em 1887 e iniciou as aulas em 1888 (ALMEIDA, p. 46).No início das aulas, estavam matriculados 39 alunos. Por determinação da Câmara foram adotados os compêndios utilizados no Curso Anexo à Faculdade de Direito de São Paulo . Este foi o início de um envolvimento muito grande do governo municipal com a educação escolar, que perdura até os nossos dias.3.2 Escolas particularesEnquanto na década anterior tínhamos 3 escolas particulares, em 1883, o Inspetor de Distrito registra 5:Existem n’esta cide. 5 aulas particulares, das quaes 3 são mystas, e 2 do sexo masculº. das quaes uma é nocturna, e são as segtes.: = sexo masculino = Externato regido pelo cidadão Ignácio de Azevedo Coutinho, installado a 10 de 7brº pp. onde leciona 1as. letras grammatica Portugueza, arithmetica, Frances, e Hystoria Patria, pelo methodo simultaneo, existindo matriculados 22 alumnos: sendo 18 freqtes. Aula nocturna de N. Srª. da Ponte, sustentada por Manuel José da Fonseca, installada a 25 de Junho pp. e regida plo. Cidadão Germano de Pilar França somte. 1as. letras e para os empregados menores da Fabrca. de tecidos de N. Srª. da Ponte, na qual existem matriculados, 26 alumnos, sendo todos elles frequentes. = Mystas = D. Joaquina Genenbina de Oliveira, ensina 1as. letras e prendas domesticas, tendo 24 alumnos matriculados e frequentes sendo 20 do femenino e 4 do masculino.D. Maria das Dores de Araújo Pavão, somte. de 1as. letras, tendo 14 alumnos matriculados e freqtes.: sendo10 do sexo femenº. e 4 do masculino.D. Belmyra Cerqueira Leite – Religião Protestante – instalada a 1º de 8brº. pp. onde leciona Portugues, Frances, Ingles, Geographia, historia caligraphia, arithmetica e metrica. Existem 40 alumnos matriculados e freqtes. sendo 24 do sexo femenº e 16 do masculº.Existem pr. tanto nas 5 escolas particulares, matriculados 126 alumnos de ambos os sexos não sendo freqtes. 4. Nestes pertencem ao sexo masculº. 72, e ao femenº. 54 – sendo estas todas freqtes. e d’aquelles 4 não freqtes.Na relação de escolas particulares, podemos realçar:- uma escola noturna mantida por Manoel José da Fonseca, proprietário da Fábrica Nossa Senhora da Ponte, criada no dia da inauguração da Fábrica (ALEIXO IRMÃO, p. 258);- uma escola protestante.BADDINI faz referências a outras escolas, como conseqüência de associação da população urbana:A instrução particular foi outra modalidade de associação da população urbana. A primeira iniciativa foi da Loja Perseverança III em 1870, que organizou aulas noturnas de primeiras letras gratuitas para os moradores; no entanto, não foi duradoura. Na década de 1880, o Club Científico e Literário manteve, entre 1882 e 1885, uma escola noturna para alfabetização de adultos e crianças. Em 1882, também foi organizada uma aula noturna para os operários da fábrica de tecidos Nossa Senhora da Ponte, inaugurada naquele ano. Em 1888, foi reorganizada a escola noturna de primeiras letras mantida pela Perseverança. (BADDINI, p. 189)Já, Aluísio de Almeida faz referência à existência de 20 escolas particulares, em 1887 (ALMEIDA, p. 46). No entanto, estas escolas particulares tinham existência curta. À exceção das escolas ligadas às associações, o fato parece dar razão à afirmação de que os professores, que abriam estas escolas, “por não terem outro ofício, se aproveitavam da liberdade de ofícios e profissões estabelecida pela Constituição de 1824, e peregrinavam, de cidade em cidade, abrindo escolas (...)”. (MANOEL, p. 27).4. Considerações geraisO período estudado nos mostra Sorocaba em grandes transformações econômicas e sociais. A estrutura urbana se modifica. A cidade vai se tornando um centro urbano de expressão, como mostra a visita da família Imperial por duas vezes, no período.A educação passa, também, por mudanças. Há mudanças em relação à sua valorização pela população e há mudanças, especialmente, no aspecto numérico.Nas escolas mantidas pela Província, há um aumento considerável de seu número: de 4, no final da década anterior, chegamos a 12 na década estudada. O número de alunos passa de cerca de 150 a mais de 500. No entanto, esse atendimento, além de ser apenas referente à instrução primária, é feito de modo bastante precário, no que se refere às instalações para as classes. Não há, também, o atendimento aos candidatos à instrução secundário.O município procura suprir a lacuna deixada pela Província e cria um Liceu Municipal.A escola particular, precariamente e de modo intermitente, vai, também, suprir a falta de escolas necessárias à população.Verificamos, também, que, neste período por nós estudado, já há uma melhor organização e início de consolidação da educação escolar na cidade de Sorocaba.REFERÊNCIASALEIXO IRMÃO, José. 1969. A Perseverança III e Sorocaba. Vol. 1: da fundação à proclamação da república. Sorocaba: Fundação Ubaldino do Amaral,.ALMEIDA, Aluisio de. 1951. História de Sorocaba – II volume – 1822-1889. Sorocaba: Gráfica Guarani.BUFFA, Ester. 2002. História e filosofia das instituições escolares. In: ARAÚJO, José Carlos Souza & GATTI JÚNIOR, Décio (Organizadores). Novos temas em história da educação brasileira. Instituições escolares e educação na imprensa. Campinas: Autores Associados, Uberlândia: EDUFU.BADDINI, Cássia Maria. 2002. Sorocaba no império: comércio de animais e desenvolvimento urbano. São Paulo: Annablume.MANOEL, Ivan A. 1996. Igreja e educação feminina – 1859/1919 – a face do conservadorismo. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista.SÃO PAULO [ESTADO]. 1890. Exposição apresentada ao Dr. Jorge Tibiriçá pelo Dr. Prudente J. de Moraes Barros, 1} Governador do Estado de São Paulo, ao passar-lhe a administração no dia 18 de Outubro de 1890. São Paulo: Typ. Vanorden & Comp., p. 36-44. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1880. Relatorio apresentado á Assembléa Legislativa Provincial de S. Paulo pelo Presidente da Provincia Laurindo Abelardo de Brito no dia 5 de Fevereiro de 1880. Santos: Typ. á vapor do Diario de Santos, p. 57-71. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1881. Relatorio apresentado á Assembléa Legislativa Provincial de S. Paulo pelo Presidente da Provincia Laurindo Abelardo de Brito no dia 13 de Janeiro de 1881. Santos: Typographia a vapor do Diario de Santos, p. 6-40. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1882. Relatório apresentado á Assembléa Legislativa Provincial de S. Paulo pelo 1º Vice-Presidente da Provincia Conde de Três-Rios e apresentado no acto da installação da mesma Assembléa pelo 4º Vice-Presidente Dr. Manoel Marcondes de Moura e Costa. Santos: Typographia a vapor do Diario de Santos, p. 22-30. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1883. Relatorio com que passou a administração da Provincia de S. Paulo ao Exm. Presidente Barão de Guajará o Vice-Presidente Visconde de Itú. São Paulo: Typographia do Commercio, p. 11-14. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1884. Falla dirigida á Assembléa Legislativa Provincial de S. Paulo na abertura da 1ª Sessão da 25ª Legislatura, em 16 de Janeiro de 1884, pelo Barão de Guajará. São Paulo: Typ. Da “Gazeta Liberal”, p. 11-14. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1885. Falla dirigida á Assembléa Legislativa Provincial de S. Paulo na abertura da 2ª Sessão da 26ª Legislatura, em 10 de Janeiro de 1885, pelo Presidente Dr. José Luiz de Almeida Couto.São Paulo: Typ. Da “Gazeta Liberal”, p. 3-7. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1886. Relatorio apresentado á Assembléa Legislativa Provincial de S. Paulo pelo Presidente da Provincia no dia 15 de Fevereiro de 1886. São Paulo: Typographia a Vapor de Jorge Sckler & C., p. 3-14. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1887. Relatorio apresentado á Assembléa Legislativa Provincial de S. Paulo pelo Presidente da Provincia Barão do Parnahyba no dia 17 de Janeiro de 1887. São Paulo: Typographia a vapor de Jorge Seckler & Comp., p. 47-66. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1888. Relatorio apresentado á Assembléa Legislativa Provincial de São Paulo pelo Presidente da Provincia Exm. Snr. Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, no dia 10 de Janeiro de 1888. São Paulo: Typographia a vapor de Jorge Seckler & Comp., p. 11-22. (23/06/05).SÃO PAULO [PROVÍNCIA]. 1889. Relatorio apresentado á Assembléa Legislativa Provincial de São Paulo pelo Presidente da Provincia Dr. Pedro Vicente de Azevedo, no dia 11 de Janeiro de 1889. São Paulo: Typographia a vapor de Jorge Seckler & Comp., p. 55-75. (23/06/05).SOUZA FILHO, João Dias de (Sup.). 2004. Sorocaba 350 anos – uma história ilustrada. Sorocaba: Fundação Ubaldino do Amaral.DocumentosOfício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Januaria de Oliveira Simas, professora da 3ª cadeira do sexo feminino, da cidade de Sorocaba, em 31 de maio de 1881.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Venâncio José Fontoura, professor da 2ª cadeira do sexo masculino, da cidade de Sorocaba, em 4 de junho de 1881.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por João Dias Vieira, professor público da cidade de Sorocaba, em 28 de maio de 1881.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Gertrudes Pires de Almeida Mello, professora da 3ª cadeira do sexo feminino, da cidade de Sorocaba, em 1 de junho de 1881.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Gertrudes Pires de Almeida Mello, professora da 3ª cadeira do sexo feminino, da cidade de Sorocaba, em 1 de novembro de 1881.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Zulmira Ferreira de Mello, professora da cadeira do sexo feminino, do Bairro de Jundiaqura, da cidade de Sorocaba, em 1 de novembro de 1881.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Antonio Gonzaga Sêneca de Sá Fleury, Inspetor do Distrito da Instrução Pública de Sorocaba, em 14 de novembro de 1882.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Antonio Gonzaga Sêneca de Sá Fleury, Inspetor do Distrito da Instrução Pública de Sorocaba, em 25 de novembro de 1883.Ofício encaminhado ao Inspetor Geral da Instrução Pública, por Antonio Gonzaga Sêneca de Sá Fleury, Inspetor do Distrito da Instrução Pública de Sorocaba, em julho de 1885.Ofício encaminhado ao Diretor da Instrução Pública, por Escolástica Rosa de Almeida, professora da primeira aula do sexo feminino, da cidade de Sorocaba, em 1 de junho de 1889.Relatório do Lyceu Municipal de Sorocaba – 1888, apresentado pelo Professor Arthur Gomes. 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Três pessoas nasceram cegas
Data: 21/07/1886
Créditos/Fonte: Jornal A Província do Espirito Santo
(!)


ID: 234


Rua São Bento
Data: 01/01/1886
Créditos/Fonte: Julio Wieczerski Durski / Museu Histórico Sorocabano
(sca) Gabinete de Leitura. Atual Cel. Benedito Pires. Á direita Largo da Matriz. Segunda Câmara municipal e cadeia (pfp) (scm) durski (mhs) (kids)


ID: 280



EMERSON


01/07/2005
ANO:271
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]