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autor:22/10/2023 13:24:42
Comandante Saito tem bomba atômica nas mãos, diz Ronnie Von

mencio ()

    12 de abril de 2007, quinta-feira
    Atualizado em 30/10/2025 12:58:22
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ABR.
12
HOJE NA;HISTóRIA
48

Cantor conheceu o comandante na Escola Preparatória de Cadetes."Ele é um samurai", definiu Ronnie Von.Débora MirandaDo G1, em São PauloTamanho da letraA-A+Foto: Arquivo PessoalRonnie Von na Escola Preparatória de Cadetes(Foto: Arquivo Pessoal)Um dos personagens principais da atual crise aérea brasileira, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, é amigo de adolescência do cantor e apresentador de TV Ronnie Von. Os dois se conheceram em 1960, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (localizada em Barbacena, MG), e, graças aos encontros anuais da turma, nunca mais perderam o contato. LEIA TAMBÉM: Ronnie Von ia para shows pilotando avião próprioSaito ordenou a prisão dos controladores de vôo amotinados em Brasília, no último dia 30 de março, e acabou desautorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu negociar com os militares. Depois, Lula devolveu a Saito o comando das negociações. Em entrevista ao G1, Ronnie Von conta suas lembranças de adolescente ao lado de Saito, fala da personalidade "zen" do comandante e comenta o caos aéreo brasileiro.O primeiro contato que Ronnie Von teve com a crise, segundo ele, foi por meio do ex-chefe do Departamento de Controle de Tráfego Aéreo, Paulo Roberto Vilarinho. “Ele foi o primeiro a dizer o que ia acontecer [a crise aérea]. E, claro, tiraram ele do comando geral do ar e botaram num outro comando qualquer. É barra pesada mesmo. Eu vi com o Vilarinho e agora estou vendo essa maluquice que o Saito assumiu.” Veja, abaixo, trechos da conversa:G1 – Você e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, foram grandes amigos na década de 1960. Desde então, com que freqüência se vêem?Ronnie Von - Eu não estou com o Saito todo o tempo, mas anualmente a turma se encontra. E ele sempre foi figura imprescindível. É engraçado, mas o Saito-San, como a gente chama ele, é unanimidade. Não só na nossa turma, mas unanimidade na própria Força Aérea. É muito querido.G1 - Que lembranças você tem da época em que estudaram juntos?Von - Você imagina um bando de 200 garotos juntos, no que pode dar isso? É claro que a gente aprende a duras penas essa coisa da hierarquia, da disciplina. No começo é assustador. Mas tem muita coisa [boa] que me lembro, das brincadeiras, do primeiro vôo, da vibração. É uma época em que você não pode ver uma borboleta voando, porque tudo é avião, tudo é aviação. Coisa de garoto que lê livros de aventura, só que você está vivendo aquela aventura, embora demore muito para acontecer.G1 – Vocês e Saito estudaram juntos por quanto tempo?Von - Eu saí da Força Aérea no quarto ano, e ele continuou.Foto: Gustavo MirandaO comandante da Aeronáutica, Juniti Saito (Foto: Gustavo Miranda/Agência O Globo)G1 – Como soube que ele assumiria o comando da Aeronáutica?Von - Foi muito bonitinho. Começaram todos os colegas de turma, todos brigadeiros atualmente, a ligar. O primeiro foi o [Maximino] Mendes, que foi diretor do Suprimento Aéreo de São Paulo. Ele disse: "Olha, acho que o Saito foi". A gente já sabia que ele era o mais indicado. Muito tempo atrás, nós tivemos uma conversa sobre se alguém da nossa turma chegaria a ministro. Uma bobagem de criança, eu com 15 anos, o Saito com 17. Nós trocamos idéia, falamos de como era difícil. E aí, o texto do telefonema dele foi o seguinte: "Roni, um da nossa turma conseguiu". Isso foi muito bonitinho, eu fiquei muito emocionado.G1 – Quando recebeu a proposta, Saito já imaginava as dificuldades que poderia enfrentar?Von - Não sei se ele imaginava que fosse uma tarefa de tamanha magnitude. Ele pegou um rabo de foguete. O Saito é nissei, [filho] de pais japoneses. E eles têm uma coisa muito forte em relação à integridade e à honra. A resposta dele em relação a essa insubordinação é clássica, não só das Forças Armadas, mas fundamentalmente da Aeronáutica. A vida inteira em que estive na Aeronáutica, não conheci percalços maiores. Estava lá, cadetinho, garotinho, com a renúncia do Jânio, e me lembro que a posição da Força Aérea foi ligada à normalidade. Todo mundo quietinho, ninguém falava nada. É uma arma tranqüila. Mas tem esses princípios que aprendemos desde os 15 anos de idade, de hierarquia, de disciplina. Esse rolo que está acontecendo agora é muito em função disso [da quebra de hierarquia]. É barra pesada mesmo. Mas acho que o Saito assumiria [o comando da Aeronáutica] de qualquer jeito. Ele é determinado. Mas eu não imaginei que fosse uma coisa dessa magnitude, nãoG1 - E você acha que ele também não imaginou?Von - Ele sabia que ia segurar uma banana de dinamite com o estopim aceso na mão. Mas não uma bomba atômica. Eu imagino isso, não conversei com ele a respeito dessa história. As coisas estavam até calmas quando ele assumiu, a poeira tinha baixado um pouco.G1 - Você acha que Saito está sofrendo por ter de lidar com tudo isso?Von - Eu não diria sofrendo. Vou repetir: ele é determinado, aplicado, estudioso, ele é técnico. Não é de assustar, de se intimidar, de jeito nenhum. O cara é um samurai! Mas deve estar preocupado.Foto: DivulgaçãoO apresentador Ronnie Von em foto recente (Foto: Divulgação)G1 – Como você viu a ordem de prender os controladores de vôo durante a crise, no final de março?Von - Na academia militar, o currículo é o mesmo de uma faculdade de excepcional nível. Só que, além da educação fundamental, você passa a conhecer a Constituição e o regulamento interno do Ministério da Aeronáutica. Existe na Constituição, quando o assunto é ligado às Forças Armadas, essa história da insubordinação. A insubordinação ao superior se chama motim. Motim significa você se rebelar contra o seu superior, não acatar as ordens superiores. E isso é passível de punição. É complicado. Você não pode impor pela força, pelo pugilato, não existe isso. Quando vi no jornal esse episódio, não acreditei. Todo mundo que trabalha com aviação sabe que não existe no mundo profissão mais estressante que controlador de vôo. Mas na Força Aérea não se tem uma maquininha para imprimir dinheiro. Como ele vai fazer? Se aumenta o salário de um sargento [patente dos controles de vôo], ele vai ganhar a mesma coisa que um coronel. Essa é a batata quente que ele tem na mão. As Forças Armadas ganham muito mal para aquilo que eles intelectualmente representam. Um cara, para chegar aonde chegou o Saito, quatro estrelas, Comandante da Aeronáutica, você não tem idéia do que ele estudou na vida. E o salário dele também não é compatível com o cara que na vida civil tem o mesmo nível acadêmico.G1 – O que achou da atitude do presidente Lula ao desautorizar a ordem de prisão dos controladores amotinados emitida por Saito?Von - O presidente, com toda certeza, não sabia dessa hierarquia militar, que o subalterno não pode se rebelar contra o superior. Você pode entrar com uma representação na Corte Marcial, e ela decide quem tem razão. É questão de justiça. Mas se rebelar pura e simplesmente não existe.G1 - Acha que a desmilitarização do controle do tráfego aéreo é uma solução?Von - Se você quiser formar hoje uma equipe de controladores de vôo, isso demanda muito tempo. Você já entrou numa sala de controle de vôo? Dá para enlouquecer só de olhar. É uma barbaridade como uma mente humana tem a capacidade de gerenciar aquilo tudo. Para você preparar um profissional que chegue a esse nível, leva um tempo danado. Mas não há radicalização. Até porque o Saito não é radical, nunca foi. Ele é uma pessoa da paz, ele é zen.G1 - Você acha que o silêncio dele mostra o quê?Von - Bom senso e equilíbrio.saiba maisSaito nega existência de buraco negroRelatórios apontam falhas no sistema de tráfego aéreo de BrasíliaPires reafirma que crise é problema de "gestão"Oposição decide apoiar CPI do Apagão Aéreo no SenadoG1 - Você pretende falar com Saito?Von - Eu ia ligar para ele nesta semana, mas não quero aporrinhar. Eu não ligava para ele toda hora, porque eu vou ligar agora que ele é ministro? Eu posso dizer: "Estou do seu lado, gosto de você, força aí, campeão". É o que eu posso fazer. De qualquer maneira, eu queria muito saber como ele está atravessando este momento. Mas não vai ser fácil, ele tem um monte de coisas para resolver, não vai atender o amiguinho que quer saber se está tudo bem. Até porque não está, né?G1 - Você já ficou no aeroporto esperando um avião por várias horas?Von - Neste tempo de crise, não. Como eu não sou louco, adiei todas as viagens de lazer e vou seguir apenas com as que são de trabalho. Mas já estou preparado para encarar. Tanto que eu tinha uma convenção para fazer na Costa do Sauípe (BA), que era um almoço. Enchi tanto os caras que eles transferiram para o jantar, para dar tempo de eu chegar se acontecer qualquer coisa. É muito maluco. Minha vida inteira eu vivi em aeroportos. Já dormi em saguão de aeroporto muitas vezes. Mas era outra coisa, era problema operacional com relação à aeronave.



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EMERSON


12/04/2007
ANO:86
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]