30 de maio de 2019, quinta-feira Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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HOJE NA;HISTóRIA
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Caso RhuanOrigem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Saltar para a navegaçãoSaltar para a pesquisaCaso RhuanRhuan-maicon-da-silva-castro.jpgLocal do crime Samambaia, Distrito Federal. BrasilData 31 de maio de 2019Tipo de crime Homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, tortura, lesão corporal gravíssima, ocultação de cadáver e fraude processual.Vítimas Rhuan Maycon da Silva CastroRéu(s) Rosana Auri da Silva Cândido e Kacyla Pryscila Santiago Damasceno PessoaSituação Inquérito concluído pela Polícia Civil do Distrito Federal, aguardando julgamentoO caso Rhuan refere-se à morte do menino brasileiro Rhuan Maycon da Silva Castro, de nove anos de idade, esfaqueado e decapitado pela mãe, Rosana Auri da Silva, e sua companheira, Kacyla Pryscyla Santiago, na região administrativa de Samambaia, no Distrito Federal, na madrugada do dia 31 de maio de 2019.[1]O caso gerou repercussão no Brasil e no exterior, sobretudo diante da gravidade do crime e das circunstâncias cruéis que envolveram o assassinato, que incluíram mutilações do pênis de Rhuan. Ele levou uma facada enquanto dormia, que foi acompanhada de outras 11 e foi então decapitado ainda com vida;[2] a pele de seu rosto foi removida pela mãe, que pretendia fritá-la,[3] e outras partes do corpo do garoto passaram por tentativa de cozimento numa churrasqueira.[4][5] As declarações dadas pelas responsáveis à mídia também causaram repercussão pela frieza na descrição dos fatos.[6][nota 1]As mulheres envolvidas no assassinato da criança foram presas no Complexo Penitenciário da Papuda em celas isoladas. O delegado Guilherme Melo emitiu um inquérito solicitando condenação por homicídio qualificado, tortura, ocultação de cadáver, fraude processual e lesão corporal gravíssima para as responsáveis pelo assassinato. Elas foram denunciadas pelos cinco crimes, podendo levar pena que soma até 57 anos de prisão. Ambas aguardam julgamento.[7]O menino Rhuan foi velado no dia 12 de junho de 2019, no Cemitério da Morada da Paz, em Rio Branco. O corpo de Rhuan foi transportado por um avião comercial, o que foi custeado pelo governo e pela defensoria pública do estado do Acre.[7]Índice1 Antecedentes2 Assassinato3 Motivação4 Repercussão4.1 Nacional e internacional4.2 Uso político-religioso do caso4.3 Notícias falsas5 Ver também6 Notas7 ReferênciasAntecedentesRhuan Maycon da Silva Castro, de nove anos, nasceu em Rio Branco, no Acre e era filho de Rosana Auri da Silva (de 27 anos) e Maycon Lima, ele fora diagnosticado com um leve grau de autismo.[8][9][nota 2]O casal se separou e a mãe, Rosana, fugiu do estado com Kacyla Pryscila (de 28 anos), com a qual mantinha um relacionamento homoafetivo, enquanto ainda corria decisão sobre a guarda de Rhuan. O pai recorreu judicialmente e acabou ficando com a guarda do filho.[nota 3]As mulheres moraram com Rhuan e uma filha de Kacyla em diversas cidades de Sergipe e Goiás, até chegarem em Samambaia, DF, apenas dois meses antes do crime. Rosana confessou ter decepado o pênis de Rhuan em algum momento de 2017, alegando que o mesmo "queria ser uma garota"; o ato fora feito em procedimento caseiro, de forma rudimentar e sem anestesia.[7]A fim de encobrir o ocorrido, a ida do garoto ao sistema de saúde foi interrompida por pelo menos um ano. A mutilação foi confirmada por laudo da PCDF e pelo Conselho Tutelar, este também relatando que o garoto fora obrigado a manter relações sexuais com a filha de Kacyla, além de sugerir que ambas as crianças viviam em cárcere privado e sem cuidados básicos, como alimentação.[10] O avô da criança, Francisco de Chagas Castro, declarou ter procurado a criança, que fora sequestrada, por diversas cidades da região norte, ele também entrou com um processo por guarda judicial juntamente com o pai de Rhuan, mas a mãe fugiu com o garoto durante o processo. [11]AssassinatoRosana Auri da Silva Cândido e Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa.Um inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal revelou que Rhuan recebeu doze facadas de Rosana,[12] a primeira feita enquanto o garoto ainda dormia e as restantes com ele na posição de joelhos, ao lado da cama; exames periciais também concluíram que a cabeça da criança foi arrancada ainda com os sinais vitais presentes. Enquanto isso, a parceira da mãe, Kacyla, preparava uma churrasqueira para "amaciar" partes do corpo de Rhuan.[3]O corpo foi então movido pelas assassinas, tendo a perícia encontrado marcas de incineração post mortem, que confirmaram a versão fornecida pelas mulheres. O médico-legista Christopher Martins concluiu, por meio dos exames cadavéricos realizados, que a mãe chegou a arrancar toda a pele do rosto da criança para que ela não fosse identificada; posteriormente, constatou-se que a mãe tentou fritar a pele. “A autora ainda tentou retirar, com a faca, os glóbulos oculares de Rhuan.”[13]Christopher também relata outros detalhes de lesões anteriores à morte:[3]“Um marco anterior à morte, confirmado por meio do estudo de cicatrizes e de sequelas, foi a emasculação (remoção do pênis) e a castração (remoção dos testículos). Ambas foram feitas de forma artesanal e resultou em sérias consequências para o indivíduo (Rhuan) ainda em vida. Com a amputação do pênis, a uretra se retraiu e se formou uma fístula da uretra até a derme (pele) era por esse caminho muito estreito que o menino conseguia urinar durante este tempo. Ele só urinava sob alta pressão e isso retira a qualidade de vida, além de fazer do caso algo cruel e doloroso”[14]A investigação ainda foi capaz de montar a dinâmica do crime praticado pelas mulheres, onde elas teriam desistido de queimar ou cozinhar as partes do corpo da criança, voltando-se a distribuir as partes restantes em duas mochilas infantis, uma qual foi jogada dentro do esgoto através de um bueiro, na quadra 425 de Samambaia. Os cômodos da casa foram lavados pelas assassinas após o crime, o que configura fraude processual no código penal brasileiro.[13]MotivaçãoEm depoimento dado à polícia, a mãe disse que matou Rhuan porque o filho seria um "empecilho para o seu relacionamento", já que ele a lembrava de seu antigo vínculo com o ex-marido; ela ainda se referiu ao ato como "necessário" e reforçou seu ódio e "nenhum amor" pela criança.[6][15]O investigador e agente da polícia civil Carlos André considerou que o caso conservava motivações vindouras de um fanatismo religioso exacerbado, assim como um profundo ódio pela criança, pois representava o passado afetivo da mãe e era considerada um “peso” na vida homoafetiva das envolvidas.[13] A demonstração de ódio da figura masculina como motivação também foi levantada pela Polícia Civil, que levou em consideração os maus tratos sofridos pelo garoto.[16] Durante a investigação do caso, as duas mulheres disseram ainda receber "revelações divinas", que influenciavam a rotina das crianças.[6]Eduardo Fraga, professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie também sustenta as ideias de motivação para o crime baseadas na misandria, argumentando que as mulheres também demonstraram delírio; "Num pensamento delirante, arrancar o órgão masculino seria uma forma de evitar que o garoto se tornasse um homem. Assim, elas supostamente poderiam salvá-lo, ou proteger a si mesmas”, avaliou.[9]Já para a psiquiatra forense e especialista em psicopatia Hilda Morana avaliou que o crime não parecia ter relação com o relacionamento homo-afetivo das assassinas; "Pela frieza do ato, a mãe só pode ser psicopata. Aliás, provavelmente ambas são psicopatas.", concluiu.[9]RepercussãoNacional e internacionalO crime foi amplamente discutido nas redes sociais e alcançou grande repercussão nacional. Na imprensa nacional, vários dos principais veículos de comunicação do país deram cobertura ao caso, como a Folha de S.Paulo,[17] G1,[18] UOL,[19] Correio Braziliense,[20] Zero Hora,[21] IstoÉ,[22] R7,[23], Época,[24] Extra,[25] Estado de Minas,[26] entre outros. O Correio Braziliense foi um dos primeiros a apresentar cobertura do caso. No blog assinado pelas jornalistas Ana Maria Campos, Helena Mader, Ana Viriato e Alexandre de Paula, o crime foi classificado como "o roteiro de um filme de terror" e a leitura do texto indicada a quem "tiver estômago", concluindo com "A história do pobre Rhuan é um escândalo." O jornal chamou atenção para a vida de maus tratos e torturas passadas pelo garoto, inferindo que o caso não deveria ser esquecido e nem tratado como mais um inquérito policial.[16]O presidente Jair Bolsonaro comentou o caso no Twitter, lamentando a crueldade do crime "[...] nos faz pensar que infelizmente nossa constituição não permite a prisão perpétua". Após um evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro voltou ao assunto, defendendo leis mais rígidas como aquelas medidas que, segundo ele, inibem esse tipo de ato e estão incluídas no "Pacote Anticrimes" do ministro Sérgio Moro.[27][28]Damares Alves, titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, foi até a região de Samambaia, no Distrito Federal, em atividade fora da agenda oficial. Ela declarou que fortaleceria as diretrizes dos conselhos tutelares para evitar mais violência contra crianças e adolescentes. Ela se declarou chocada com o ocorrido e disse: "Vamos trabalhar muito para que tragédia igual a essa não aconteça mais no Brasil".[29]O jornal diário britânico The Sun dedicou a primeira página de sua seção de "Notícias do Mundo" ao ocorrido, resumindo a investigação do caso e emitindo um aviso de sensibilidade no topo do artigo.[30] Os tabloides britânicos Daily Mail e Daily Mirror também noticiaram o ocorrido.[31][32]Uso político-religioso do casoVer artigos principais: Ideologia de gênero e Homofobia no BrasilAlgumas figuras públicas brasileiras, pastores evangélicos, jornalistas e políticos da base do Governo Jair Bolsonaro criticaram a cobertura da mídia brasileira sobre o ocorrido. O presidente Jair Bolsonaro relacionou o crime à "ideologização de gênero",[27] assim como fez seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, que publicou um vídeo onde também critica a "ideologia de gênero" e a suposta falta de cobertura da mídia sobre o caso.[33] As deputadas federais Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) apresentaram, em conjunto com Eduardo Bolsonaro, um projeto na Câmara dos Deputados com o objetivo de aumentar para 50 anos o tempo máximo de pena para criminosos. O texto leva o nome de "Menino Rhuan" e a pena também é prevista para mortes causadas supostamente pela chamada "ideologia de gênero".[34]Alguns religiosos protestantes também dirigiram críticas a cobertura da imprensa.[35][36] O pastor pentecostal Silas Malafaia criticou a mídia brasileira por "não dar destaque à barbaridade que essa dupla de monstros cometeram" e disse que "duas lésbicas cometeram um assassinato brutal contra um garoto" por conta da "ideologia de gênero".[37] O pastor evangélico e ex-senador Magno Malta também considerou o ato como "um crime de ideologia de gênero".[36]O jornalista Paulo Briguet, da Folha de Londrina, alegou que houve "silêncio" da mídia para sobre o assassinato e associou isto com a "simpatia" de jornais com o que também chamou de "ideologia de gênero".[38] O cantor Buchecha, por sua vez, questionou nas redes sociais a falta de posicionamento de organizações LGBT sobre caso, alegando que havia "indignação seletiva" quanto a morte do garoto.[39]O pretenso uso jurídico do termo "ideologia de gênero" foi criticado por especialistas da área. Rogério Sanches Cunha, promotor de Justiça de São Paulo, questionou o uso do termo quanto a sua adoção em lei. "Eu pergunto: o que significa ideologia de gênero? Esse é um conceito certo? É um conceito determinado? O Direito Penal só pode trabalhar em cima de princípios da taxatividade ou da determinação. Nós não podemos ficar com expressões vagas, ambíguas, genéricas, porque elas acabam sendo um campo fértil para abusos, para autoritarismo", concluiu Cunha.[34] Ariel de Castro Alves, advogado especialista em direitos da criança e do adolescente e conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), classificou a iniciativa de tentar incluir a "ideologia de gênero" no código penal como "oportunismo e demagogia". "Essa proposta é oportunismo e demagogia de quem só quer aparecer e tentar ganhar holofotes. Principalmente para marcar posição para os seguidores deles, que estão dizendo que o menino foi vítima da ideologia de gênero. Mas sobre as 32 crianças e adolescentes assassinados todos os dias (dados do Unicef), principalmente por héteros, inclusive por casais, outros por traficantes, e também por policiais, principalmente militares, eu não vi esse posicionamento. Querem fazer marketing e pirotecnia com a morte da criança", disse Alves.[34]O El País também afirmou que a polarização política no Brasil contribuiu para a disputa de narrativas em torno do caso, que foi associado à "ideologia de gênero" por vários políticos de direita. O assassinato do menino ganhou ampla repercussão nas redes sociais e passou a ser usado para criticar políticas de diversidade de gênero. De acordo com o sociólogo Ignácio Cano, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), "o que é prejudicial não é repercutir um caso como este, mas usá-lo como centro do debate sobre as políticas públicas". "Não dá pra planejar uma política efetiva com base em casos individuais. Isso evidencia muito mais essa disputa pela narrativa ideológica do que gera impacto sobre alguma política pública", conclui.[40]O jornal Folha de S. Paulo classificou as críticas dirigidas a imprensa no caso Rhuan como "um coliseu ideológico insustentável" e resumiu a controvérsia como algo vindo da "direita bolsonarista". Sobre a repercussão mais tímida do caso na grande mídia, argumentou que o crime se deu em um final de semana, quando as equipes jornalísticas estão reduzidas, e numa região distante dos polos jornalísticos, na periferia do Distrito Federal, o que obrigaria um maior deslocamento de profissionais para buscar as informações, comparando-o com os casos ocorridos em metrópoles, como o Caso Isabella Nardoni ou o Caso Richthofen. O fato da mãe ser do Acre também dificultou a apuração de informações por veículos de imprensa de outros estados. O artigo também citava o clima de polarização política atual como outra razão para a repercussão inicialmente pequena entre as equipes alocadas em Brasília. Além disso, o texto também cita o fato de que ambas as mulheres foram presas e confessaram o assassinato logo após o cometimento do crime, o que dispensou uma ampla cobertura de um processo judicial, como acontece quando os acusados se declaram inocentes.[41]Notícias falsasEm 16 de junho, o G1 e o jornal O Estado de S. Paulo emitiram notas desmentindo os boatos que repercutiram nas redes sociais de que as acusadas haviam sido absolvidas.[42] O Estadão desmentiu o boato através da sua plataforma Estadão Verifica, no entanto não publicou nenhuma outra notícia relacionada ao caso.[43]Em 27 de junho, o blog Aazios colocou em manchete: "Mãe admite que matou filho de nove anos pois ele queria se tornar uma garota"; o site também incluiu a notícia em sua seção de homicídios contra a comunidade LGBT. Após citar o pai da criança, o artigo também afirmou que Rhuan teria sido "aparentemente" o "resultado de um estupro",[44] informação que foi rebatida pela falta de coerência com as circunstâncias do caso e contestada por especialistas.[9][nota 4] O artigo foi parcialmente copiado de um semelhante publicado inicialmente pelo Daily Mirror, outro influente tabloide britânico que reportou o caso; na publicação original constam as mesmas informações contestadas contidas no blog Aazios, com algumas informações adicionais sobre o caso. Diferente dos concorrentes The Sun e Daily Mail, o Daily Mirror manteve sua manchete com a palavra "acusada" em referência a assassina, apesar de Rosana já ter confessado o crime semanas antes das notícias alcançarem o exterior.[38][32]
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]