Ex-policial do Bope dava treinamento para chefes do tráfico por R$ 1,5 mil a hora, segundo a Polícia Civil. g1.globo.com 22 de maio de 2025, quinta-feira Por Felipe Freire, Bette Lucchese, RJ2 Segundo a Polícia Civil do Rio, Ronny Pessanha de Oliveira, preso há dois meses, tinha relação próxima com criminosos da Penha e da região de Rio das Pedras. O ex-policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Ronny Pessanha de Oliveira, é investigado por supostamente treinar chefes do tráfico em técnicas de combate e tiro ao alvo. Segundo as investigações da Polícia Civil, ele cobrava até R$ 1, 5 mil por hora de instrução. As informações reveladas pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) apontam que ele atuava em parceria com o Comando Vermelho. As investigações fazem parte da Operação Contenção da Polícia Civil, que tem por objetivo desarticular as quadrilhas que disputam territórios na Zona Oeste da cidade. Ex-Bope e miliciano Pessanha, expulso da Polícia Militar em 2022, foi preso pela primeira vez em 2020 por ligação com a milícia. Segundo o delegado Jefferson Teixeira, o ex-agente migrou para o crime após atuar em grupos de extorsão e grilagem de terrenos na Zona Oeste do Rio, principalmente nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema. "Ele inicialmente ingressa na milícia da Zona Oeste, comunidades de Rio das Pedras e Muzema, no sentido de extorsão e grilagem de terrenos", afirma Teixeira. Após sair da prisão em 2022, Ronny Pessanha se aliou ao tráfico de drogas na sua região de origem, Rio das Pedras e Muzema. "Como aquele território já estava conflagrado pelo tráfico de drogas, ele vê uma janela de oportunidade e ingressa no tráfico de drogas", comenta o delegado. "A gente tem informações de que cada treinamento de uma hora gira em torno de R$ 1 mil e R$1, 5 mil por hora", completou Teixeira. Áudios revelam proximidade Tudo o que Ronny Pessanha aprendeu na Academia da Polícia Militar e na tropa de elite da corporação, ele fez questão de repassar a bandidos, de acordo com os investigadores da Delegacia de Roubos e Furtos. Como aliado do Comando Vermelho, ele passou a dar treinamento tático para chefões do tráfico. Investigadores identificaram mensagens e áudios nos quais Pessanha detalha sessões de treinamento com traficantes como William Sousa Guedes, o Corolla, preso em 2023, e Manoel Cinquine Pereira, o Paulista, líder do tráfico no Complexo da Penha e atualmente foragido. Em um dos áudios, Pessanha reclama do cansaço após um treino com Corolla, que apareceu em vídeos da polícia correndo em uma esteira, usando colete à prova de balas e portando fuzis. "Hoje fui na casa do Corolla. Porr*, cheguei lá em cima morto, cara, morto. Isso não pode acontecer, não. Vai que preciso incursionar, fazer algum bagulho, eu vou morrer. Eu sou referência nessa questão de combate", dizia o ex-Bope. Carros de luxo de aluguel Além dos treinos, Pessanha alugava carros de luxo para traficantes através da sua empresa de segurança. Um McLaren avaliado em R$ 2 milhões foi alugado por R$ 460 mil ao traficante Paulista por um mês. Mensagens entre os dois mostram cobranças por mais atenção nos treinos e queixas sobre dores musculares, com o ex-policial justificando-as como "ácido lático". "Irmão, muita dor no braço. Muita mesmo. Pegou pesado", diz o traficante. "Isso é normal, confia. São os ácidos láticos", respondeu o ex-Bope. O Ministério Público denunciou Pessanha, Corolla e Paulista por associação ao tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Novos mandados de prisão foram expedidos, mas Paulista segue foragido. A defesa dos acusados não foi localizada para comentar. Paulista, segundo os investigadores, é um dos maiores fornecedores de armas que alimentam a guerra em comunidades como a Muzema, Itanhangá, Gardênia Azul e Rio das Pedras, por exemplo. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos citados. lentemp:3-2-14 TOPO
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||