de recitar o Credo dos Apóstolos e de fazer o sinal da cruz, qualquer estrangeiro era bem-vindo no Brasil colonial. O frade iaa bordo a fim de investigar a ortodoxia do indivíduo do mesmomodo como hoje a raça e a saúde do imigrante são examinadas. Portanto, desde o regime do padroado passando pelo pacto colonial(COSTA; MELLO,
1996, p. 37)2 até a proclamação da independência do Brasil em1822, constata-se um quadro de dominação da Igreja Católica no campo religiosoinibindo qualquer ameaça ao seu status quo. No campo do desenvolvimentoeconômico, o país esteve mergulhado num processo de atraso, uma vez quetodas as riquezas eram transferidas para as mãos dos conquistadores na Europa. O Brasil, portanto, estava envolvido num processo de fechamento em torno desi, seja pelo viés da religião, seja pela administração política, que não viabilizavao desenvolvimento econômico e industrial do país. Sobre esse aspecto, Freyre(1993, p. 27-28) nos oferece informações que facilitam nosso entendimentodo quadro de fechamento do país ao indicar algumas medidas proibitivas queinviabilizavam o desenvolvimento do país em outras áreas, conforme se podedepreender a partir dos seguintes pontos:Carta régia de 01 de março de
1590, proibindo a plantação ecultura de vinhas; Alvará de 15 de agosto de
1603, obrigando osvassalos a abandonarem as minas descobertas; Alvará de 29 desetembro de
1649 e 21 de fevereiro de
1667, intimação de 19de junho
1578, feita à câmara de São Vicente, proibindo que oferreiro Bartholomeu Fernandes, único no lugar, ensinasse seuoficio aos da terra; Lei de 18 de março de
1606, que estabeleciao isolamento do país ao contato com toda e qualquer nação domundo que não fosse Portugal; O aviso Régio de 5 de janeiro1785, mandando acabar com todas as fábricas de manufaturano Brasil; Carta Régia de 26 de abril de
1730, proibindo correiopor toda terra do Brasil; Alvará de 16 de dezembro de
1794, proibindo o despacho de livros e papéis para o Brasil; e aviso de18 de julho de
1800 ao capitão-general de Minas, repreendendoa Câmara de Tamanduás por ter instituído uma aula de primeirasletras. Todo o quadro de isolamento só começa a dar sinais de abertura paratransformações e contato com o mundo externo a partir de
1810, através doTratado de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação, com a Inglaterra. Accioly (1948, p. 69) aponta que o tratado previa, entre outros aspectos “quea inquisição não seria, para o futuro, estabelecida nos meridionais domíniosamericanos da coroa de Portugal”. Além disso, previa ainda o referido tratadoque não deveria haver perturbações, inquietações, perseguições por razõesreligiosas aos vassalos da sua majestade britânica, aos quais seria asseguradaliberdade de consciência e licença para o serviço religioso tanto no âmbito desuas residências, como nas suas igrejas e capelas, desde que essas, externamente, fossem semelhantes a casas normais de habitação. Segundo Ribeiro (1973, p. 17), Passaram os ingleses, desde então, a celebrar o culto protestantea bordo de seus navios de guerra que ancoravam no Porto doRio de Janeiro ou em residências particulares. Em 3/8/1812desembarca no Rio R. E. Jones, inglês, ministro eclesiástico daInglaterra. Em
1816 desembarca o capelão anglicano, Rev. Robert Grane; em
1817, Jeremiah Flyn, clérigo, de Londres; em1819 inicia-se a construção do templo, sujeita às restrições dotratado. Em
1820 os cultos passam a realizar-se dominicalmente, nesse templo. Reúnem-se ali estrangeiros protestantes de línguainglesa: funcionários de embaixada, comerciantes, marinheiros, viajantes de passagem pela cidade. É uma capelania, e não umacongregação. O referido tratado oportunizou uma “abertura religiosa”, entretanto, não se deve acreditar que tenha sido representativa ao ponto de se poder afirmarque o protestantismo estaria se instalando no Brasil, até porque “quando seproclamou a Independência, contudo, ainda não havia Igreja protestante no País. Não havia culto protestante em língua portuguesa. E não há noticia de existir,
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