intervenção dos deuses, ou seja, da Palavra. 179 A retórica, o poderpersuasivo da linguagem tem por isso toda uma especial conotaçãopara os nativos, afirma Maria Leonia C. de Rezende. 180Dando mostras de sua percepção antropológica quandobusca descrever os ritos dos indios guarani, o Pe. Antonio Ruiz deMontoya em sua Conquista Espiritual ressalta que muitosindígenas se enobrecem com a eloquência, isso devido aimportância que dão à sua língua, pois “é com ela que agregamgente e vassalos”. A relação do jesuíta com a cultura guarani eprincipalmente a admiração que possui pela língua nativatransparece quando afirma que ela é digna de louvor e encontradestaque entre as mais famosas. 181Reconhecendo que a conquista espiritual se faz com o usoda palavra, os jesuítas não dão início à empresa evangelizadorasem antes dominá-la. É o caso do Pe. Montoya que, ao serchamado para apresentar o cristianismo à parcialidade indígenaque ele identifica como gualachos, toma como primeira iniciativaaprender a língua. 182
182 - Assim considera Montoya sobre a importância em se aprender primeiro alíngua dos gualachos antes de inicar o trabalho evangélico:“Desde el Taiaova a los campos de los Gualachos havra como quatro dias de camino. Enbiaron a llamar al P. Antoniopara que los reduxese, estando actualmente ocupado con los Taiaovas y no pudiendo dexar luegoaquella reducción, para hazer a dos manos començo a aprender la lengua de los gualachos que esmuy diversa de la general de todas las demas naciones del Paraguay. ”CORTESÃO, Jaime. (org). Manuscritos da Coleção de Angelis. Op. cit. 255
[Índios e jesuítas no Guairá: A Redução como Espaço de Reinterpretação Cultural (século XVII), 2003. Oséias de Oliveira. Tese de Doutorado apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP como requisito para a obtenção do título de Doutor em História. Páginas 136 e