Revista Renascença 1905 A’ empresa de colonisação e engenho de Santa Catharina tinha Pero de Goes associado um negociante de Lisbôa, Martim Ferreira que n’ella aventurou capital avultado, como se collige de cartas do donatario. Tal foi a primeira tentativa de colonisação da capitania do Parahyba do Sul. Depois que os donatarios abandonaram a terra, vieram-n’a occupar, de varios pontos, aventureiros que a tornaram conhecida. Até onde alcançam memorias, sabe-se, que existiram os primeiros nucleos de povoação no pontal do sul da barra do Parahiba*, foz do Managé** ou Itabapoana e enseada dos Pargos. Francisco do Espirito Santo, em 1630, levantou n’aquelle pontal a capella de S. João. Martim de Sá concedeo a diversos capitães "toda a terra inculta que se achasse no rio de Macahé até o de Iguaçú, além do Cabo de S. Thomé para o norte, correndo pela costa e para o sertão até o cume da serra". Foram esses capitães conhecidos na chronica pelos sete heréos: Miguel Ayres do Maldonado, Miguel da Silva Riscado, Antonio Pinto Pereira, João de Castilho, Gonçalo Corrêa de Sá, Manuel Corrêa e Duarte Corrêa. Eram quase desconhecidos os campos dos Goytacazes, gentio que campeava a terra, ao sul do Itabapoana, até o cabo de S. Thomé, avisinhando, pelo norte, os Tabayaras e Tupinanquis, e pelo sul, os Tamoyos de Cabo Frio. Corrêa vaga noticia da existencia de ferteis campinas para além do litoral ao sul do Parahyba, rio que parece ter occupado o lugar onde se encontra a lagoa Feia e mudando o leito para a esquerda, recuou até ás terras altas do Sertão do Nogueira. Toda a terra do sul do Parahyba e entre o Macahé e esse rio é de campinas, conhecidas como Campos da Praia; e para o interior, succedem-se outras, parallelas á costa. N´uma d´ellas, o Campo Limpo, houve o primeiro curral dos Campos. Na ilha do Araçá, em 1680, levantou outro Matheus da Silva Riscado. A 1 de Agosto de 1636 deo Martim de Sá, para a missão do gentio de Cabo Frio e Goytacaz, os campos entre o Maquié (Macahé), por costa, rumoParaiba—etymol. varia—arvore Simaruba versicolor S. Hil aut Leguminosa. Aliis: agoa clara. Milliet. (Gloss. Ling. Bras. ) von Martius. *Rio de Managé é o nome que se vê nas cartas e roteiros dos seculos XVI e XVII. 246[p. 246]do sul, até Ipébussú (Itapebussú) com o rio de Cetipe (Iriti-no das Ostras) e todas as mattas e para o sertão os que correspondessem á dita demarcação. D´esta sesmaria teve posse o jesuita em 20 de novembro. A 19 de abril de 1629 immittiram-se na sua os mencionados capitães. (L. Reg. da Camara de Campos — 1796–1801, fl. 15). Por 1648, Salvador Benavides, voltando de Lisbôa, com despacho para o 2º governo do Rio e no posto de capitão general de Angola, ajustou com outros a exploração dos campos dos Goytacazes, mediante uma partilha amigavel das terras. Tomaram parte no accordo os capitães que ainda assistiam na terra ou seus mecessores e mais os religiosos de S. Bento, Carmo, Reitor dos Jesuitas, Duarte Corrêa Vasqueanes, Pedro de Sousa Pereira e o general Benavides, n´uma escriptura publica a 9 de março d´aquelle anno. (L. Cam. Campos. 1796—1801). N´esse ou no seguinte anno, edificou Benavides em S. Salvador um oratorio ou capella que foi até 1635 administrado pelos benedictinos. Por iniciativa popular levanta-se, em 1652, a primeira villa nos campos. Os seus moradores representaram ao governador geral, Conde de Attouguia (D. Jeronymo de Ataide) e ao ouvidor do Rio de Janeiro, João Velho d´Azevedo, pedindo a confirmação da villa. O ouvidor, n´uma carta aos officiaes, approvou a eleição que tinham feito. Na vereança de 1 de janeiro de 1653 tomou o escrivão juramento ao official mais velho, em mão de quem prestaram os demais vereadores o seu (L. 1. Acc. da Cam. Campos. 1653). Assignam o termo, redigido pelo escrivão Diogo Martins, os officiaes: Manoel Ribeiro Caldeira, Alvaro Lopes Vidal, João Gonçalves Romeiro, Gaspar Dario d´Alvarenga, Miguel Gonçalves, o escrivão e o meitinho (Manoel Soares); deixando de ser empossado o vereador Adriano de Aguiar Tavares, por ausente da terra. NA ROÇAA 25 de janeiro de 1656, o governador geral transmittia para Lisboa estas occorrencias. N´uma carta, a 24 de novembro de 1657, o seu successor, general Francisco Barreto, era favoravel ás aspirações campistas. Insistia a côrte em pedidos de informações, e contra o reconhecimento empenharam-se os proprietarios, residentes no Rio, entre elles José DATA:01/01/1905 https://brasilbook.com.br/imagensx/VERAS
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lentemp:3-2-15
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