Jornal O Paiz 24 de ago. de 1913, domingo
Não deixarão de ser interessantes os episódios que se deram na iniciação dos trabalhos para a exploração de um tão importante e utilíssimo mineral, qual seja o ferro, constituindo uma inesgotável fonte de vantajosas compensações. Descobertas as minas de ouro de Jaraguá, Apiahy e Paranapanema, voltaram-se as atenções para as de Araçoyaba, por existirem veeiros de prata. Pelo governo da metrópole, em 1681, foi mandado para o seu descobrimento o mineralogista Frei Pedro de Souza, de cujas explorações e exames nada consta; sendo certo, porém, que regressando a Portugal, os paulistas Paschoal Moreira Cabral, Manoel Fernandes de Abreu e o capitão-mór Martim Garcia Lumbria, que tinham acompanhado aquele nas explorações, tomaram a si a empresa de custear a fábrica e dar-lhe o devido desenvolvimento, o que consta das cartas régias de 2 e 5 de maio de 1682 e de 20 de outubro de 1698, elogiando ao último dos empresários pelos serviços prestados; sendo certo, porém, que alguns anos depois, as minas de ferro estavam abandonadas. (Azevedo Marques). Essas minas foram descobertas em 1589, por Afonso Sardinha e se acham situadas á margem do riacho que lhe dá o nome (Ipanema). Não desconhecendo o seu descobridor a importância do mineral encontrado, vencendo grandes dificuldades, conseguiu construir ai um forno de sistema usado na Catalunha, para o preparo do ferro; chamando-se então engenho de ferro. Em 1600, foi cedido o engenho ao governador geral das capitanias do sul, D. Francisco de Souza, que não obstante as tentativas feitas, não conseguiu desenvolve-lo. Passando, por sua morte, a propriedade do engenho, a seu filho D. Antonio, que, em 1619, associou-se a Francisco Lopes Pinto e a Diogo de Quadros, não puderam desenvolver a fábrica, abandonando a ideia. Em Saboó e Voturuna, município de São Roque, também está verificado que existem minas do mesmo metal, cujos depósitos são de fácil exploração por estarem quase á superfície do sólo, segundo se vê dos trabalhos mineralógicos do finado conselheiro Martim Francisco. [Jornal O Paiz, 24. 08. 1913. Página https://brasilbook.com.br/imagensx/11648
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