Salvador Romeiro (45 anos) foi levado à presença do Visitador Apostólico, amedrontado, qual “cordeiro” há muito esperado. Foi admoestado a cooperar com a justiça inquisitorial, para “desencargo de sua consciência e salvação de sua alma” 14 de julho de 1594, quinta-feira
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Após alguns dias, a 14 de julho de 1594, Salvador Romeiro (45 anos) foi levado àpresença do Visitador Apostólico, amedrontado, qual “cordeiro” há muito esperado. Foiadmoestado a cooperar com a justiça inquisitorial, para “desencargo de sua consciência esalvação de sua alma”. Apavorado, confessou quesendo ele moço de 18 anos, em Lisboa, um frade que já é morto, o meteu na sua celae com ele fez pecado de molície [. ] ambos procurando um ao outro com suas mãose que isso foi por aquela vez somente. E que depois disso, [há] 20 anos, sendo eleainda solteiro, estando na Ilha de São Tomé, fez o mesmo pecado a que diz quechamam punheta, da maneira sobredita, com um moço, cristão-novo, cujo nome nãosabe [. ] 3 ou 4 vezes, em dias diferentes (ibid. fls. 22-23). Por esses pecados Romeiro foi preso na Ilha de São Tomé, pelo juiz Diogo de Salema, e enviado ao cárcere do Limoeiro em Lisboa. Lutou na inglória armada de D. Sebastião e, emseguida, foi solto. Passado um tempo, rumou para o Brasil. Trabalhando como feitor emPernambuco, na fazenda de Bento Dias Santiago. Certa noite, tentou praticar molície com ummoço de uns 17 anos, chamado Lomba, enquanto o rapaz dormia numa rede, mas o jovem serecusou. Há 7 anos, em Lisboa, casou-se com Lucrécia Nunes. Entretanto, numa vigem, conheceu Pero Marinho Lobera, o convenceu a ficar em sua companhia por 12 dias, “agasalhados numa estalagem”, e a todos dizia que o jovem era seu sobrinho. Dormindoambos na mesma cama, praticaram molícies e, em seguida, o pecado nefando, alternadamente. Apaixonando-se pelo rapaz, Romeiro largou a esposa e embarcou para o Brasil na companhiado “sobrinho”. Contudo, se desentenderam ao que Romeiro fez juramento de nunca maispecar no nefando com Pero Marinho e retornou a