40% dos jovens de Sorocaba bebem, VALMIR DENARDIN, DA AGÊNCIA FOLHA, EM SOROCABA 5 de janeiro de 1995, quinta-feira
Pesquisa realizada em Sorocaba (SP) apurou que 40, 7% dos adolescentes entre 13 e 17 anos da cidade costumam consumir bebidas alcoólicas. Este é o índice dos que beberam ao menos uma vez nos 30 dias anteriores à pesquisa. Segundo o levantamento, feito pela prefeitura e o Ipeso (Instituto de Pesquisa e Estatística de Sorocaba), 18, 8% bebem apenas uma vez por mês. Mas 11, 4% dos entrevistados afirmaram ingerir álcool todo fim-de-semana. A cerveja é a bebida preferida por 33, 8% dos adolescentes em Sorocaba (87 km a oeste de São Paulo). Não foi apurada a quantidade consumida. Foram entrevistados 526 adolescentes de todas as classes sociais. Pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas e pela Escola Paulista de Medicina apurou que na rede escolar de 1º e 2º graus, em dez capitais brasileiras, 18, 6% dos alunos fizeram "uso frequente" de bebida alcóolica (pelo menos seis vezes no mês anterior à pesquisa). Este índice variou de 14, 8% em Fortaleza a 23, 9% em Belo Horizonte. Em São Paulo, 19, 7% dos alunos fizeram uso frequente de álcool e, no Rio, 17, 8%. "Os dados apresentados em Sorocaba são alarmantes, porque um adolescente que bebe é meio caminho para um adulto alcoólatra", disse o psiquiatra Antônio Salvador, 54. Para a promotora da Infância e Juventude de Sorocaba, Mara Sílvia Gazzi, 36, "o que mais preocupa é que ficou constatado que a maioria deles ingere álcool com a conivência dos pais". Segundo a pesquisa, 61, 2% dos entrevistados que bebem regularmente afirmaram que seus pais "sabem e nem ligam". Com base nestas informações, a Secretaria Municipal da Criança e do Adolescente decidiu incluir o álcool em um programa de combate ao uso de drogas entre adolescentes. O programa deve ser lançado este mês. Prevê atividades educativas com pais e adolescentes e a criação de um serviço público de tratamento de jovens viciados. A pesquisa mostrou que 24, 3% dos adolescentes da cidade já iniciaram sua vida sexual e 24% destes não usam qualquer método para evitar a gravidez ou o contágio de doenças como a Aids. lentemp:3-2-82 TOPO
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