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Ficção geográfica de um governador aficionado por geografia e cartografia
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Denise Aparecida Soares de Mouraadministração unificada para garantir a defesa da Colônia do Sacramento e do Rio Grande de São Pedro. 41 Poucos mais de dez anos depois, as ideias de d. Luis completariam essas suas por meio de um plano de mapeamento sediado em São Paulo e encarregado de sertões descobertos e conquistados. Essa percepção de continuador das realizações de um estadista de renome na geopolítica portuguesa para o Centro-Sul da colônia seria demonstrada na compilação de um atlas feita pelo próprio governador e em homenagem a Gomes Freire. 42

A gota d’água para a reabilitação da autonomia administrativa da capi-tania de São Paulo, com consequente nomeação do governador d. Luis e implementação de um plano oficial de mapeamento dos sertões minerais do sul, foi a representação de um sertanista, o coronel Francisco Pinto do Rego, juntamente com seus sócios, o capitão-mor da vila de Sorocaba, José de Almeida Leme, e João da Cunha Franca, morador da comarca de São Paulo, tratando dos sertões minerais do Sul, assunto esse tão presente na correspon-dência de Gomes Freire de Andrade com o secretário de Estado na época.

O peso dessa representação sobre uma decisão de governo pode ser lido em um ofício trocado entre d. Luis da Cunha e o Marquês de Pom-bal. O plano de explorações dos sertões do Tibagi escrito por d. Luis e a estratégia política de manobra dos sertanistas começaram justamente com a evocação dessa representação: “Foi Sua Magestade [. ] servido ouvir as representações que lhe fez o coronel Francisco Pinto do Rego e outros Paulistas em o ano de 1764, propondo penetrarem os matos de Guarapuava até a Serra de Apucarana, mandando o mesmo Sr. expedir as ordens, que se contem na carta escrita ao Conde da Cunha de 26 de janeiro de 1765, que recebi por copia nas minhas instruções, em que o mesmo sr. declara que não podiam aquelas representações chegar a sua Real presença em tempo mais oportuno para lhes deferir e que o sobredito plano oferecido pelos Paulistas não somente era muito útil pelo descobrimento dos haveres, que nele se con-sideravam, mas que hoje se fazia indispensavelmente necessário”. 43Esse coronel, com seus sócios, queria “com risco de suas vidas e de suas fazendas penetrar o inculto e vastíssimo sertão dos matos e campos de 41 Bellotto, 2007, p. 25. 42 Cartas topográficas do continente do Sul. 1775. 43 Ofícios de D. Luís de Souza para o Conde de Oeiras. 1768. [p.

DATA:01/01/2024 fontes


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