*Pioneiros & Empreendedores, FEA/USP pioneiros.fea.usp.br 2019, terça-feira
Francisco MatarazzoCompartilheImagem:Fachada do Moinho Matarazzo. A imagem do industrial moderno surgiu em São Paulo com o conde Francisco Matarazzo. Antes de sua chegada, no início da grande migração italiana, havia pioneiros capazes de abrir fronteiras agrícolas e lançar estradas de ferro, grandes empresários do comércio e das finanças, senhores de fortunas imensas feitas com o açúcar e café. Mas raros se interessavam pela indústria e eram, praticamente todos, nascidos e criados na elite tradicional. Matarazzo começou sozinho numa terra estranha. Sua trajetória vertiginosaveio demonstrar, pela primeira vez, que, graças à indústria, em São Paulo, todos poderiam ser artíficies do próprio sucesso. ConferênciaO Professor José de Souza Martins em conferência no auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José MidlinLinha do tempoNasceu na Itália. Em 1881, casado e com dois filhos, Francesco Matarazzo migrou para o Brasil. Teve treze filhos. Instalou-se em Sorocaba, naquela época o maior centro brasileiro de comércio de gado, onde abriu uma venda. Teria começado a fazer fortuna por meio de uma economia feroz: dizem que comia apenas pão seco e bananas. É considerado o pioneiro da grande indústria no Brasil. Atuou no comércio, na indústria, na navegação e no setor financeiro. Alguns empreendimentos Fábrica de banha, montada em Sorocaba em 1883. Logo abriu uma segunda unidade em Capão Bonito do Paranapanema, na mesma região; Comércio, instalado em um modestíssimo box do velho Mercado de São Paulo, ou Mercado Caipira, em 1890. Tempos depois, mudou-se para um escritório num prédio da rua Direita; Moinho Matarazzo (1900), o primeiro moinho de farinha de São Paulo; - Fábrica de tecidos Mariângela (1904); - Banca Italiana del Brasile (1905); - Banco de Nápoles; - Fábrica de tecidos Belenzinho (1911); - Sociedade Paulista de Navegação Matarazzo Ltda. (1919); - Fábrica de Rayon Viscoseda (1926), depois Fábrica de Rayon Matarazzo; Núcleo industrial da Água Branca;Fundação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) (1928);Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Os herdeiros de Matarazzo não conseguiram dar continuidade às Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, que, em seu tempo, formaram o maior império industrial da América Latina. Ações1883: Monta em Sorocaba uma fábrica de banha; logo abre uma segunda unidade em Capão Bonito do Paranapanema. Em 1898, quando os Estados Unidos se envolveram na guerra entre Cuba e Espanha, Matarazzo intuiu que a exportação da farinha americana iria diminuir e rapidamente fretou um navio carregado de farinha, vinda da Argentina, para prover o mercado brasileiro. E, de fato, durante algum tempo, ele foi o único importador com farinha disponível no País. As indústrias Matarazzo seguiam a estratégia de integração vertical, isto é, os negócios eram integrados uns aos outros, de modo que uma empresa aproveitava recursos secundários de outras como matéria-prima. Evitava burocracia e papelada, preferindo negociações diretas: raramente escrevia ou ditava uma carta, muito menos usava o telefone. Conservou até o final da vida a filosofia segundo a qual é mais importante comprar bem do que vender pelo maior preço: assim, ele mesmo fazia todas as compras de matérias-primas necessárias nas fábricas. Em 1898, quando os Estados Unidos se envolveram na guerra entre Cuba e Espanha, Matarazzo intuiu que a exportação da farinha americana iria diminuir e rapidamente fretou um navio carregado de farinha, vinda da Argentina, para prover o mercado brasileiro. E, de fato, durante algum tempo, ele foi o único importador com farinha disponível no País. Em 1900, foi à Inglaterra e comprou um moinho de grandes proporções, numa época em que a maior parte das indústrias era modesta. Por causa dos imigrantes italianos, a farinha era muito utilizada na alimentação. 1900: Assume a Presidência do Banco de Nápoles, que detinha o monopólio das transferências de dinheiro dos italianos. 1900: Cria o Moinho Matarazzo, o primeiro moinho de farinha de São Paulo. 1904: Inaugura a Fábrica de Tecidos Mariângela. 1911: Constrói a fábrica Belenzinho, produtora de tecidos leves. 1915: Forma o Núcleo Industrial de São Caetano, primeira tentativa brasileira de articulação de diversas indústrias em um conglomerado. 1919: Começa a investir na importação de trigo da Argentina por meio de sua própria frota de navios. 1926: Entra na área da indústria química com a Fábrica de Rayon Viscoseda, depois Fábrica de Rayon Matarazzo. Produz também formicida à base de sulfureto de carbono. 1932: A Fábrica Nacional de Munições colabora com a Revolução Constitucionalista, produzindo 160 mil cartuchos de armas. Instala a primeira indústria de óleo de semente de algodão em São Paulo, o óleo Sol Levante. Moderniza e diversifica a indústria de óleos de babaçu, de rícino, de linhaça, de uricuri e de amendoim. Fabrica sabão, velas, latas, móveis de madeira e artigos de cozinha. Expande e diversifica suas atividades tradicionais: no Paraná, constrói dois novos moinhos de farinha, em Antonina e em Paranaguá, e um grande frigorífico, em Jaguariúva.
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