Memória Histórica de São Sebastião 30 de março de 1958, domingo Da mesma opinião é Cândido Mendes, em suas Notas para a História Pátria, quando diz serem os nomes dados a certos pontos, "resultante do estylo adoptado, isto é, mediante o almanack". A acrescenta: "Assim deu-se á ilha de São Sebastião (referindo-se a expedição de Vespucio) o nome deste santo por isso que sua descoberta fez-se a 20 de Janeiro, assim como o de rio de São Vicente, á embocadura formada pelas aguas que cercam a ilha do mesmo nome, onde fundou-se a vil- la de igual denominação, e depois a cidade de Santos, por isso que a fróta alli chegára a 22 de Janeiro de 1502". João Mendes, em seu Diccionario Geographico da Provincia de São Paulo, diz ser o referido vocábulo de origem tupi, "como consta de um documento de 1602”, sendo corruptela de Ciri-bas, apartada, separada. "De ciri, apartar, separar, mar participio". bas (breve) para for- Em uma carta de sesmaria concedida por Gaspar Conqueiro, loco-tenente de Pero Lopes de Souza, a Diogo de Unhate e João de Abreu, em setembro de 1608, lê-se a seguinte frase: "que estava na dita ilha de S. Sebastião. de Ce- reiba e ia dar em outra paragem chamada T. aque- mirim" (10), conforme o original que tivemos ocasião de verificar no próprio livro existente no Arquivo Público. Segundo Hans Staden, à mesma ilha chamavam os indígenas de Meyembipe (11). Convém ainda acrescentar a opinião do Dr. Teodoro Sampaio, que, como se sabe, é considerado como sendo das maiores auto- ridades no conhecimento da língua tupi. Diz êle, em seu volumoso trabalho, O Tupi na Geografia Nacional, ser "Serehyba, corruptéla de ciri-yba, a arvore dos siris, porque das folhas amarellas cahidas dessa planta se nu- trem os siris e carangueijos". Como dissemos, Hans Staden assegurou que os indígenas de- nominaram-na Meyembipe. (10). (11). Sesmarias, Livro 1. 0 (1602-1642), pág. 22. Varnhagem, com. à História do Brasil de Gabriel Soares, in Revista do Ins- tituto Histórico e Geográfico, pág. 341, vol. 14. [p. 205] e necessidades, recebendo em seu corpo muitas flexadas e feridas de que o dito Diogo de Unhate ficára manco e aleijado do braço e mão direita, e derramára seu sangue muitas vezes sem ter tido remuneração alguma; e porque a 15 leguas desta villa de Santos, na ilha de São Sebastião, na terra firme defronte della e toda a costa até o Rio de Janeiro eram todas as terras deshabitadas e devolutas, e ainda que eram tão longe pediam para: ambos dois pedaços de terras de mattos bravos que começavam defronte da ilha de São Sebastião nos arrecifes que estão juntos de uma praia que chamam Piraqui-mirim, que estão da banda da terra dos Iguaramimis para o Nordéste e que d´ahi vão cortando pela terra adiante ao longo do mar salgado, passando outros arrecifesque estão defronte da ilha ao longo da costa, e d´ahi iria pela mesma praia que se chama Saranambitú e por ella ao diante irá cortando até chegar ao porto das canôas que chamam Ibapitandiba, e deste porto correria direito á serra e pelo cume della iria cortando até. ondecomeçou a partir, e toda terra que houver dentro desta demarcação, aguas vertentes para o mar, entrarão nesta data. E outro sim mais uma legua de terra de mattos, maninhos e capoeiras antigas dos gentios, que estavam devolutas, para plantações de canaveaes, algodoaes e mantimentos porque esta terra firme a queriam para criações a qual terra partiria do capinsal que estava na di-ta ilha de São Sebastião que era. de ciryba e juá a dar em outro Paraíiquê que chamam mirim até a enciada a que chamam dos Inglezes, e que a dita legua de terra fosse em quadra. Despacho: — Concedo. Santos, 26 de Janeiro de 1608. — Gaspar Conqueiro, capitão mór”, Estabelecendo-se com suas famílias nas terras que lhes foramconcedidas “na ilha de São Sebastião, na terra firme defrontedella”, ou melhor, na parte do Continente, defronte da ilha de São Sebas-tião, Diogo de Unhate e João de Abreu, deram princípio ao povoa-do, so qual, de então por diante, outras pessoas também foramreunir-se. Pouco a pouco, com a concessão de novas datas foi aumentando o pequenino núcleo, até que, a 16 de março de 1636, sendo regular o número de habitantes, era ele ereto em vila pelo capitão- mór e alcaide da Capitania de São Vicente, Pedro Mota Leite (36° Capitão- mor da Capitania de São Vicente) e Provisão do Conde de Monsanto, desmembrando-se o seu território do município de Santos, a que pertencia. [p. 211] Quanto ao nome do seu fundador, divergem vários historiadores, dizendo uns, como Pedro Taques Pais Leme, em sua Genealogia Paulistano, terem sido Francisco de Escobar Ortiz e sua mulher d. Inês de Oliveira Cotrim; outros, como José Jacinto Ribeiro, citam os nomes de Diogo de Unhate e João de Abreu. Com quem a razão? De um auto lavrado no ano de 1636 e que se encontra, segundo documento oficial, à fôlhas 2 do livro do tombo existente na Igreja local, a povoação já era existente havia 30 anos, asserção que é confirmada com o extrato de duas cartas, kle sesmarias concedidas em Santos pelo Capitão-mor Gaspar Conqueiro, loco-tenente de Lopo de Souza, a 20 de janeiro de 1603 e 16 de junho de 1609. Essa asserção, da existência da povoação trinta anos antesde 1630, — muitos anos, aliás, — encontra sua confirmação nãosó nas referidas sesmarias concedidas pelo loco¡-tenente GasparConqueiro a Diogo de Unhate e João de Abreu, como em outrasmais, que tivemos ocasião de verificar no livro original por nósencontrado no Arquivo Público, de onde se julgava ter desaparecido. Assim é que, a fôlhas 52 dêsse valioso volume, vem registradoo seguinte: Traslado de uma carta de dada de terras de sesmaria de Diogo Rodrigues e José Adorno, que lhes deu o Capitão Jeronymo Leitão na praia além da Bertioga, até Toque-Toque. Jeronymo Leitão capitão e Governador por sua Magestade desta capitania de São Vicente costa do Brasil de que é capitão e governador Pero Lopes de Sousa por. faço saber a quantos esta minha carta de dadade terras virem e o conhecimento della com direito pertencer que a mim me enviou a dizer por sua petição Diogo Rodrigues e José Adorno moradores tempo nesta capitania com mulheres e filhos ou parte della da. dita Izabel de Gambôa desta capitania do senhor Pero Lopes de Souza me pedia que em nome do dito que a elles supplicantes tem por sua carta empossada em nome de Antonio Rodrigues de Almeida como capitão que era da dita dona Izabel de Gambôa respeito a serem moradores antigos e sustentarem a terra e terem mulheres e filhos sua petição declarada na verdade e havendo respeito dos supplicantes e passar tudo na verdade a petição dos supplicantes capitania de muito tempo de terem mulheres e sustentar a terra nas guerras della tudo á sua custa lhe dou toda a terra que achar estar e ser desta capitania que estiverem de d. das demarcações de sua carta que tem de da. PNI por Antonio Rodrigues de Almeida aos supplicantes assim e da maneira que em ella se contem a qual lhe dou pelospoderes que para isso tenho do senhor Pero Lopes de Souza que estão nas camaras destas villas com as condições da sesmaria com todalas entradas e sahidas e logradouros forras de todolos tributos sómente dizimos a Deus para elles e seus herdeiros ascendentes e descendentesdeste dia para todo sempre mando a todalas justiças a que o caso com direito pertencer os mettam “de posse e as deixem roçar. ditas terras e esta carta será registada. do tombo do dito senhor para a todo o tempo constar como foram dadas. pa nnD nego. registada a carta atraz. nesta provedoria e feitoria a folhas 128 do dito livro errar escrivão da provedoria e feitoria e alfandega nas capitanias de São Vicente. de que passei a presente certidão de registo por mim feita e assignada em esta villa do porto de Santos hoje aos vin-te e quatro dias do mez de Fevereiro de mil e quinhentos e oitenta e seis annos (24 de fevereiro de 1586) — Francisco Casado. pagou nada fica registada esta carta de dada de terras no livro dos registos que. o senhor Pero Lopes de Souza as folhas quarenta e três e quarenta e quatro bem e fielmente sem cousa que duvida faça por mim escrivão das dadas por mim assignada aos vinte e sete dias do mês de Fevereiro de mil e quinhentos e oitenta e sete annos pago nada. cciccccerecccccrrerserasesrera A qual carta de dada de terras de sesmaria acima e atrazescripta eu Diogo de Unhate escrivão da fazenda de SuaMagestade desta capitania de São Vicente fiz aqui trasla-dar a requerimento de Diogo Rodrigues sem embargo deconstar que já foi registada. O livronem o logar certo onde foi registada PRE PENprqbria carta origina] entreguei ao dito. Rodrigues e este traslado vae certo e verdadeiro e o con-certei com o tabelião aqui commigo assignado em estavilla do porto de Santos aos vinte. de mile seiscentos. cciciciccccsccrrrccerrarera sarroRegistada por mim escrivão da fazenda de Sua Magestade. Diogo de Onhatecrer Ra a o o o rar na a a a rs 0 en 4PR E REAntonio Rodrigues de Almeida. Santo. Amaroe da Gua. pela senhora. Cc. de Gambôacapitõa e governadora. por el-rei nossoSenhor mulher que. do senhor Pero Lopes de Souza. etc. faço saber a todosos juizes e justiça e officiaes e pessoas da. capitania que esta minha carta de dada de terras de ses-maria de hoje este dia para todo o sempre virem e o conhecimento della com ;direito pertencgr. por Diogo Rodrigues e José Adorno petição dizendo em ella entre. que elles havia muitos annos que viviam na capitania. MartimAffonso de Souza. defendendo-as amboscom suas pessoas. +. terem terras suas na capitaniado dito. +. por terem todas dadas se deter-minarem tanto. tempo de seu logar passarem-se à dita capitania de Santo Amaro a faserem nella suasfazendas. pediam lhes desse um pedaço deterra que está. indo da Bertioga para a ilhade São Sebastião. a saber de um logarque se chama Guaraty pa. com terras de Domingos Guarracho correndo por costa até onde dizem Itaco-Toque que está aquem da dita ilha de São Sebastião partindo com Braz Cubas e juntamente com umas ilhas que se chamam de Bois-Sucanga que fasem a maneira deponta no meio da dita terra etc. cc. cc. Além dessa, que divisava com o lugar denominado Itaco-To-que (Toque-Toque) em São Sebastião, e que, como vimos, lheshavia sido concedida no ano de 1586, outras existem como as deSimão Machado, 1608 onde ainda se lê: ". lhe fizesse mercê dar-lhe um pedaço de terraque é nesta costa indo de aqui. São Sebas-tião onde chamam Ipianameima que começa a partir doPirai que das ilhas de Boiguassucanga estava na terrafirme e iria acabar na ponta do Toque. ”. Outra de Gonçalo Pedrosa, ainda no ano de 1608: “ na terra firme de. te da ilha de SãoSebastião que está nos mattos. lograr eaproveitar o qual pedaço de terra começará da ponta doToque-Toque onde acaba. Cerca que tem Diogo Rodrigues e Antonio Adorno que Deus tem. ”. Outras mais, como as que foram concedidas a Diogo Dias, aDiogo de Unhate, — “defronte da ilha de São Sebastião” — a Jácome Lopes, etc. Do exposto, claramente se vê que, embora elevada à cate-goria de vila a 16 de março do ano de 1636 (17), teve a mesma(17). — Azevedo Marques, em seus Apontamentos Históricos da Província de São Paulo, A. Moreira Pinto, no Diccionario Geographico do Brasil, J. Jacinto Ribeiro, em sua Chronologia Paulista, dão o dia 26 de março como data da fundação, en- [p. 213, lentemp:4-3-118 TOPO
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