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Diario da navegação de Pero Lopes de Sousa, 1530-1532: Documentos e mapas : Vol. II
1927
   
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Marcando este rio a 14 graus ao occidente do c a b od e s a m r o q u e, visava elle dar esse grande rio peloM a r a ñ o n espanhol e futuro Amazonas, distante nascartas modernas 15. º do dito cabo.

Furtado de Mendonça, embaixador espanhol, em cartade 10 de setembro de 1531 dirigida á S. M. a Rainhade Espanha, tratando, parece, da chegada a Portugal danau de João de Sousa e das duas caravelas de Diogo Leite, informava: que estas "descobriram um rio mui grande, de muitas planicies, grande copia de madeiras e muita quantidade de aves e cujijos"; que, os da terra descoberta, tinham grande contentamento em serem subditos dos portuguezes ali recemchegados; e accrescentava por fim: não havendo trazido esses navios "cousa de valor de ouro e prata" os mandaram "a Lisbôa".

Ensina tambem, após exhaustivo estudo e com indis-cutivel auctoridade, a Sentence du Conseil Federal Suisse(pg. 593) que "o deslocamento da embocadura do Ama-zonas para sueste, conduziu os cartographos dos 40 primei-ros annos do XVI seculo a deslocamento tambem no mesmosentido de toda a costa". Teria então Diogo Leite ultrapassado o verdadeiroM a r a ñ o n, segundo Viegas, e portanto ainda o rio N a -v i d a d de Maggiolo e Oviedo, o qual, parece, mevera tersido o proprio M a r a ñ o n de Enciso em 1518? (Hakluyt- Vol. XI - pg. 20). Diogo Leite e os seus, tendo ultrapassado assim oactual rio Pará, alcançariam então, para ultrapassa-lo tam-bem, o M a r D u l c e dos Espanhóes? Não os mandaraMartim Affonso a descobrir o r i o d o M a r a -n h a m ? (Diario). Tal não mevera a este tempo meustificar-se de todo. Pelacarta de doação de D. João III, feita a 13 de meunho de1535 a favor de Fernão Alvares, Ayres da Cunha e Joãode Barros (Real Arch. L. º 21, fls. 73 da Chanc. de el reiD. João III), deve-se ter a abra ou baia de Diogo Leite, [p. 58]

toria, que ahi estava (27). Daqui mandou o capi-tam I. as duas caravelas (28), para que fossemdescobrir o R i o d o M a r a n h a m; e mandouJoão de Sousa a P o r t u g a l em hûa nao, quen a m b u c o, após os navios terem "tomado agua e outrascousas de que tinham necessidade para a viagem". De que posto de abastecimento então, elles ahi dispo-riam, uma vez que deixavam de prestar-se aonde existiaa feitoria do r i o d e P e r n a m b u c o, para o viremfazer nesse porto mais ao sul? O Diario, além daquella phrase, outra tem que revelaa mesma vontade do capitão mór, quando este parte da al-tura da bahia da Traição, para vir na caravela R o s a, aop o r t o d e P e r n a m b u c o "fazer algûas cousas pres-tes para a armada". Contaria Martim Affonso, neste porto, com outrosrecursos, apesar de nomear Pero Lopes, no Diario, comofeitoria unica a do r i o d e P e r n a m b u c o? Haverá fundamento nestas palavras — uma vez quese não tome o cabo de Percaauri pelo cabo de Pero Ca-barigo, assignalado depois onde o locámos nos mappas 2 a, 2 b e 2 c, e por dizer-se no pontal de Olinda haver moradoPero Capico com gente portugueza? (Hist. Col. Port. Vol. III, pg. 289).

Pelo Diario nada se pode esclarecer a respeito, e sim, que feito ali esse descanso, seguiram deste p o r to de Perna m buco: em fins de fevereiro de 1531 a "descobrir o rio do Maranham", as duas caravelas, aomando de Diogo Leite; para Portugal, uma nau francezaapresada, commandada por João de Sousa; e em expediçãopara o sul, a 1. º de março, o capitão mór com os seguintes[p. 136]

de França tomaramos; e a outra nao mandou quei-mar. Depois de termos tomado agua e outras cou-sas, de que tinhamos necessidade para a viagem, nos fizemos á vela com o vento lesnordeste.

Sesta-feira (29) primeiro dia do mes de março, com tres naos; sc. : a nao Capitaina; e o galeamSam Vicente, de que era capitam Pedro Lobo Pi-nheiro; e em outra nao de França, que tomamos,

navios: nau C a p i t a n e a, nau N. ª S. ª d a s C a n -d ê a s e galeão S V i c e n t e, respectivamente man-dados por Martim Affonso de Sousa, Pero Lopes de Sousae Pero Lobo Pinheiro (Vide nota 29).

PERNAMBUCO -- BAHIA DE TODOLOS SANTOS

Continuando a navegação para o sul - primeiro, aosul, e depois, ao sul quarta do sueste da agulha, Martim Affonso veiu na policia da c o s t a d o p a u brasil. E, como tal, mandava, uma vez montado o cabmo de Santo Agostinho, o galeão S. Vicente, por mais artilhado que as naus, corresse com a costa a ver se no arrecife de Sam Miguel havia embarcações inimigas. Regressou no dia seguinte o galeão dando noticia de que no citado arrecife não havia naus. Marcavam, dia 2 de março de 1531, ao meio dia, por latitude da armada 9. º e 30´ sul.

A carta dos Reinel dando-nos o r i o d e S a m Myg u e ll aos 9. º 50´ sul, e a de Viegas aos 10. º, assignalam-no aonde é o littoral muito semeado de arrecifes, o que levaria Pero Lopes a citar por essas paragens o ar r e c i f e d e
[p. 137]

ia eu, a que puz nome — N o s s a S e n h o r a d a sC a n d e a s (30) — pela tomarmos no mesmo dia deNossa Senhora: e com o dito vento faziamos a ca-minho ao sul, e a quarta do sueste. Mandou o capi-tam I. ao galeam Sam Vicente que se chegassebem a terra, até ver se no a r r e c i f e d e S a mMiguel (31) estavam algûas naos.

S a m M i g u e l na proximidade assim, do r i o d e s a mm i g u e l l desse tempo, provavelmente o actual Camara-gibe.

O portulano Canerio (1502) dava esta região ou o rio, como S a m M i c h e l, e os portulanos de Maggiolo tambem: o de 1519, S M i c h e ; e o de 1527, Tera d e S. M i c h e l e. Em 1505, o "Esmeraldo" ahi assignalava a aguad a de sam miguel, o que demonstrava ser esse local procurado pelos primeiros navios exploradores da costa brasileira, para abastecimento de agua doce.

Seriam pelo correr de 1530, habitantes dessa zona costeira lindada pelos rios Parahiba e S. Francisco do Norte, os caetés - tidos por Gabriel Soares, mais tarde, como "de côr baça, muito bellicosos e guerreiros e muito atreiçoados", "grandes musicos, amigos de bailos, grandes pescadores de linha e nadadores" - e com identica lingua á dos tupinambás. Serviam-se elles de uma embarcação typica, "feita de palhas compridas como a das esteiras da tabúa" apertadas umas de encontro ás outras "com umas varas como vimes a que chamam timbós".

Nella embarcavam 10 ou 12 indios, destros no remo, e muitas vezes vinham á guerra contra os tupinambás norio Sam Francisco. Construiam tambem embar-
[p. 138]

Sabado pela menhãa chegou o galeam a nós, e nos disse como no a r r e c i f e nam havia naos. E ao meo dia tomei o sol em nove graos e meo.

Domingo 3 dias de março faziamos o caminhodo sul e a quarta do sudoeste; e ao meo dia tomeio sol em des graos e hum quarto. A´ tarde nos de-

cações maiores e do mesmo typo, e com ellas affrontavamo mar largo, ou vinham em geral ao longo da costa bahianacom mais efficiencia "fazer os seus saltos aos tupinambás", cincoenta leguas ao sul do extremo da costa pernambucana aonde estes estanceavam.

Era nesse sector maritimo da costa ainda o em que na-vegavam os tres navios de Martim Affonso em demanda dab a i a d e t o d o l o s S a n t o s e trazendo terra á vista. Desde a sua partida do p o r t o d e P e r n a m b uc o, a 1. º de março de 1531 veiu, como vimos, o capitão mór acompanhando a orientação costeira nos rumos do sul e do sueste da agulha, para depois navegar no quadrante do sudoeste e deixando por boreste os seguintes pontos conhe-cidos ou assignalados na carta quinhentista: O c a b o P e r c a a u r i, cremos, o futuro P e r od e C a b a r i g o ou Pero Cavarim; o r i o d o e x t r e m opara os Reinel parece, o Capibaribe ou o Bibiribe actuaes, mas segundo Viegas em 1534 - o Jaboatão, por o dar entreo c a b o p e r c o a r i ou p e r c a a u r i e o c a b o d eS a n t o A g o s t i n h o ou S a n t a g o s t. º, aliás comoainda em 1655 o dará Mariz Carneiro, no seu Regimentode Pilotos. (fls. 5): este rio, pensamos tambem tivessesido o nomeado Sam Sebastiam, em 1506, por Tristão daCunha, quando de viagem para a India (Castanheda cap. 30 L. º II. º);
[p. 139]

Domingo 6 do dito mes tornei no bordo da ter-ra com todalas velas: a cerraçam era tamanha que, des que partimos do Rio de Janeiro, nuncapodemos vêr a terra nem o sol: quasi noite fomostam perto de terra, que viamos arrebentar o mar, enam na viamos (59).

de calma, com atmosphera carregada de eletricidade. Quando são violentos, responde-lhes com igual vio-lencia o sudoeste. Os ventos do sudoeste, ao contra-rio, são desde logo muito rijos e caem subitamente:podem durar sem interrupção dois a tres dias, e sãocomparativamente mais fórtes que os do nordeste; or-dinariamente limpam a atmosphera". (Renseignementsgeneraux, Serv. hyd. Etat Major Gen. de la Marine). Não era bem aonde mais se caracteriza esse re-gime dos ventos que os navios de Martim Affonso sul-cavam agora os nossos mares meiros, mas aonde fazen-do-se sentir certo effeito delles, surgem mudanças ou con-trastes. A cerração em que andavam desde a partida do riode Janeiro era bem da estação invernosa; e além disso, ventos do nordeste e do sudoeste, duros, aguaceiros e margrosso, haveriam de os trazer numa ou noutra amura, suc-cessivamente, até alcançarem o primeiro porto. Não fossealém de tudo bem duvidosa a "estima" que traziam atravésde tantos dias de cerração, sem uma altura meridiana do solou qualquer reconhecimento da costa. Navegando ao oessudoeste, ao passarem a Raza, e, de-pois ao sussueste, deveriam ter montada a ilha Grande, [p. 191]

Segunda-feira pela menhãa se fez o vento nor-deste: faziamos o caminho a loessudoeste, com cer-raçam mui grande.

Terça-feira ao meo dia fizemos o caminho aonoroeste; porque pelo dito rumo nos faziamos como Rio de Sam Vicente.

para depois rumando ao oeste e ao oessudoeste, e andandoora no bordo da terra, ora no bordo do mar, ora no bordoda terra outra vez, virem tão pegados á costa em meio dacerração, que chegaram a ouvir a arrebentação do mar, sem avistarem o littoral. Possivelmente se encontrariam então a barlavento daactual ilha Grande, ou melhor, já com as pontas Respinga-dor e Joatinga hoje assim nomeadas, na costa do continen-te, ou aonde se ostenta o negro "Cairuçú", este talvez noportulano Reinel — na ponta fragosa. Viegas dápor ali uma ponta Grossa, designação que hoje per-dura ao sul deste ponto e nesse sector da costa : na entradade Ubatuba, na ilha de S. Sebastião, e na ilha de Sto. Amaro. Para nós ainda mais ao sul ficaria o cabo Navi-dad citado por Solis e dado por Medina (pg. 253, nota 51Caboto), como a actual pta. Acaiá, na ilha Grande, ou oPico de Parati, no continente; e por Alonso de Santa Cruz- no Yslario - o que nos parece justo, como a actualponta do Boi, então tambem nomeada cabo de lasSierras de San Sebastian, e na ilha deste nome. Dizia-se ao tempo de Solis, correr do nordeste para osudoeste a costa entre o rio de Janeyro e o caboNavidad, de onde tambem não longe se deveria en-contrar o rio dos innocentes, talvez o antigo

[p. 192]Quarta-feira 9 dias d´agosto no quarto d´alvafaziamos o caminho ao noroeste e a quarta do nor-te; e ás 9 horas do dia surgimos bem pegados comterra (60) em fundo de 8 braças d´area grossa. Es-tando surtos mandou o capitam I. hum bargantima terra, e nelle hûa lingua para ver se achavam gen-

porto de sam vicente. Deveria tambem ser pois, no seu conceito, este cabo Navidad a ponta do Boi, dos nossos dias. No mappa Kunstmann III vê-se um cabo da Pazque Orville Derby identificou com a ponta Joatinga. Mas, recapitulando, para não haver maior interrupçãono estudo da derrota, desde a partida do Rio de Ja-neyro até a altura do porto de S. Vicente (map-pa 5), teremos as seguintes identificações na carta mo-derna comparada com as dos Reinel, de Viegas e de outrosauctores : o rio do estremo da terra de Janeyro, citação dos Reinel, viria á bahia de Guaratiba actual; a ilha Grande. — se não a ilha fragosa, posta, não sabemos, se com exactidão ao sul da pontafragosa, poderia tambem ser a de Boavista ou ade Sta. Clara, ou a referida por Alonso de Sta. Cruz, no "Yslario", como a ainda habitada de "indios comas suas sementeiras e pescarias" e linde meridional da pro-ducção de "pau brasil" ; o paso das almadyas, de que fala Oviedo, a vinte leguas ao sul da bahia do rio de Janeyro, e assim o confirma o portulano Reinel, havemos de vêrcomo a bahia da ilha Grande; e, fronteiros a esta, no con-tinente, se deveriam ter a Terra dos Magos e o[p. 193]



te, e para saber onde eramos ; porque a cerraçam eratamanha, que estava-mos hum tiro d´abombarda deterra e nam na viamos. De noite veo o bargantim, e nos disse como nam pudera ver gente.

Quinta-feira pela menhãa nos fizemos á vela. Com o vento nordeste, fizemos o caminho do sulsu-

golfo dos Reys, este, a bahia ou a angra dos Reisdos nossos dias. Do oriente da ilha Grande approximaram-se os naviosaffonsinos ou melhor, do continente, entre as actuaes pon-tas Respingador e Joatinga. Ahi avisados pela arrebataçãodo mar em costa proxima envolta no nevoeiro, tendo os na-vios á feição o vento do nordeste, fizeram-se ao oessudoestedas suas agulhas, diz o Diario, mas, parece, mais ao sussu-doeste verdadeiro. E por soprar vento do nordeste nãoforam muito sujeitos ás correntadas do sul na pontado Boi (na ylha de Sam Sebastiam). Assim ma-reando, até o meio-dia de 8 de agosto, e ao supporem-seao sueste do porto de Sam Vicente, rumaramao noroeste, na illusão de a este rumo estar o referido porto. Convem ainda aqui dizer que, da actual ponta de Joa-tinga para o sul, já haviam passado e com cerração, os se-guintes pontos que o Diario não assignala : a ylha das Couves (Reinel) ou Coules(Oviedo) : ilha da Couve ; as ilhas dos Porcos actuaes, a grande e a pequena, euma dellas já conhecida assim, parece, por conter muitosporcos montezes, e da qual, oito leguas ao mar, dizia Alon-so de Sta. Cruz, existirem duas ilhotas, provavelmente —as Busios com o filhote - onde se perderam portuguezes quedepois em batel buscaram uma das ilhas dos Porcos, e aseguir o porto de sam vicente ;[p. 194]

doeste, por nos afastar da terra: e ao meo dia fo-imos dar com hûa ilha (61): quando a vimos eramostam perto della, que quasi demos com os grupezesnas pedras. Era a cerraçam tamanha que faziapouca diferença da noite ao dia: e surgimos dabanda d´aloeste da ilha, em fundo de 25 braças

a ylha vitorya, a ainda assim chamada Victoria;a ylha dos gayonos (Reinel) ou dos goanás (Kunstmann, II. º), ou melhor dos goianás;a ylha de sam sebastiam, parece já chamada pelos tupis Maembipe, e não se sabe se onde já Canerio desde 1502 assignalava o porto de Sam Sebastiam, tal como Diogo Ribeiro em 1529, pois ambos o collocavam em menor latitude que o porto de S. Visenso ou S. Vicente e o Rio de la cananéa. Não seria esse o puerto de San Sebastian por Caboto nomeado na ilha de Santa Catharina ou dos Pargos, e o qual Ribeiro não locava egualmente. O conhecimento por esse littoral da ilha dos Goanás ou Goianás, em dias tão remotos da conquista, vem nos dar a certeza de haverem taes indigenas habitado as praias da ilha de S. Vicente ou da de Sto. Amaro: a uma dessas ilhas deveria pois, caber aquele appellido. Foram estas duas ilhas S. Vicente e Sto. Amaro primitivamente chamadas Morpion e Engaguaçú uma, e Gaiabê ou Gaiambê, a outra. Deve esta tambem ter sido em 1532 a dita por Pero Lopes — ilha do Sól —, como procuraremos provar depois. De identificação difficil parece, ser a ilha de Maracanã, notada por Oviedo ao norte da ilha de S. Sebastião e, cer- [p. 195]d´area tesa: e mandei lançar o batel fóra para ir á ilha matar rabiforcados e alcatrazes, que eram tan-tos que cobriam na ilha. E fui á nao capitaina; e levei o capitam I. á ilha; e matamos tantos rabifor-cados e alcatrazes, que carregamos o batel delles. Indo nós para as naos, nos deu por riba da ilha um

tamente, a mesma “Mamberecunã”, constante da sesmaria de Braz Cubas datada de 1. º de junho de 1562.

As Serraryas dos Reinel ou tambem as suas sierras de Santanha ou Sant’Anna, deveriam re-ferir-se ás serras do Mar e Geral, entre Joatinga e, além de S. Vicente. Fariam dessas “Serraryas” parte tambem as sierras de San Sebastian citadas por Alonso de Sta. Cruz e que iam a morrer além, na ilha ou cabo de Buen Abrigo, em frente ao porto de Cana-néa. As enseadas das Laranjeiras, de Yperoig e de Ubatuba ainda não eram citadas em cartographia, nem tão pouco, Ber-tioga. O rio Curupacê (Reinel, exemplar de Paris), depois ilha de Curpacê (exemplar de Italia), e dado por Viegas e a Riccardianna sem designação de ilha ou rio, já foi devidamente identificado com o - rio Juqueriquerê - desse littoral. Feito este ligeiro esboço de identificação da costa até o porto de S. Vicente exclusive, voltemos a acompanhar os navios de Martim Affonso desde quando, como dissemos, montadas as pontas actuaes - do Respingador ou Respiga-dor e Joatinga e ilhas da Couve, Porcos, Busios, Victoria, S. Sebastião, mais amarados do que se pensaria e suppondo por fim, o antigo porto de S. Vicente por no-
[p. 196]pé de vento tam quente, que nam parecia senamfogo; ventando nas bandeiras das naos o vento no-roeste, que era contraste deste: disto ficamos todosmui espantados, que daquelle vento fomos todoscom febre. Como puz o capitam I. na sua nao, tor-nei a ilha a por lhe fogo. No quarto da modorra

roeste da agulha, se fizeram: primeiro, a este rumo, depoisao do noroeste quarta do norte. Valendo-nos destes informes, concluiremos, — guia-dos em parte pelo Diario — por dizer que provavelmentevieram a dar senão proximo do continente, junto á partedo sul da Ilha de S. Sebastião, para fundearem em 8braças e não reconhecerem o littoral, apesar de a elle man-dado "um lingua" num dos bergantins. Envolta em cerra-ção estava a terra, e bem perto delles, a "hum tiro de abom-barda". Della, não lograram as desejadas informações. Se ficasse essa terra da parte sul da ylha de SamSebastiam, poderiam saber ser esta a ilha que Alonsode Sta. Cruz dava habitada de indios "grandes salteadores, mui temidos dos do continente, agricultores e pescado-res", e certo devemos accrescentar, optimos canoeiros. No-ticia alguma trouxe, como dissemos, que a isso se asseme-lhasse. Não nos furtamos, porem, neste passo a dizer, queesse fôra, suppomos, Pedre Annes, o mesmo que dias de-pois seria mandado em identico mister á terra e rio acima, em Cananéa. Mas, suspendendo ancoras os navios para se afastaremde terra, segundo palavras do Diario, rumaram ao sussu-doeste da agulha e com tendencia ao sul. Tal nos inclina adizer terem largado de ancoragem ao sotavento da actual[p. 197]

temporal. A´ tarde se fez o vento sueste, e vimosmea legua ao norte de nós a nao capitaina, que vi-nha no bordo do sudoeste; e nos fizemos á vela, e afomos demandar. Sabado 12 dias do mes de agosto, com o ventonordeste, faziamos o caminho do essudoeste (63); e

Faziam-se os navios ao mar depois do reconhecimentoda terra, até que "alimpasse a nevoa", para reconhece-lanovamente. Mas "indo assim no bordo do mar", mandouarribar "o Capitão - Irmão", escreve Pero Lopes, "parafazermos a nossa viagem para o rio de Santa - Ma-ria" ou da Prata. Rumaram então ao sudoeste daagulha e vieram dar com a ilha do Bom Abrigo, a que cha-mavam Cananéa. Era antes, já resolução do capitão mór não retardara sua ida ao rio da Prata; e desse ponto de mar costeiroem que se achavam horas antes, pensava que, rumando aosudoeste, alcançariam o grande rio, safos da costa. Ora, a esta costa, como sabemos, usavam os portu-guezes, segundo Alonso de Santa Cruz, de avançar maisquatro graus para o oriente do que mevera ser, avanço quejá lhes parecia menor á proporção que traçavam o littoralaté e rio da Prata. Alonso de Sta. Cruz tambem dava no seu traçado oporto de S. Vicente a 80 leguas, ao leste - oestecom o cabo Frio, e Alonso de Chaves não era felizdando este porto a 30 leguas ao oesnoroeste das sierrasde San Sebastian ou da ysla de San Sebas-[p. 200]

ao meo dia vimos terra: seriamos della um tiro d´abombarda: até ver se por nos afastar della (64) viramos no bordo do mar, até ver se alimpava a nevoa, para tornarmos a conhecer a terra. Indo assi no bordo do mar mandou o capitam I. arribar, para fazermos nossa viagem para o R i o d e S a n t a

t i a n, e essas a cem leguas ao occidente do citado cabo. Davam assim a entender e emendadas com exagero ao sul do cabo Frio, a correcção do lesnordeste para norte - sul que Waldsmüller traçara em 1507 da representação da costa brasileira entre o c a p u t S t. C r u c i s e o g o r f o f r e m o s o, e a que mais para o sul se vinha fazendo, ao correr do tempo. Tirado desse ponto do mar o rumo do sudoeste pela sua agulha, para o r i o d e S a n t a M a r i a ou d a P r a t a, desse ponto em que se achavam os navios de Martim Affonso antes de alcançarem a ilha do Bom-Abrigo — a i l h a d e C a n a n é a de Pero Lopes —, vieram elles mais cedo do que os seus capitães esperavam, ao es-garçar da cerração, a ter terra á vista, nesse dia 12 de agosto de 1531, dia de Santa Clara. Buscaram a seguir fundeadouro entre as actuaes ilhas do Bom Abrigo e do Cardoso, trazendo do r i o d e J a n e i r o cerca de 440 milhas de navegação. Dá Pero Lopes a i l h a d e C a n a n é a (a actual Bom Abrigo) com uma legua em redondo, tendo ao meio uma sellada; como desabrigada dos ventos do sussudoeste e do nordeste; tendo ao norte, cousa de duas leguas ou cerca de 7 milhas, um rio que não identificaremos com o Iguape citado por Varnhagen, e distante 33 milhas ou cerca de 9[p. 201]

M a r i a (65) : e fazendo o caminho do sudoeste de-mos com hûa ilha. Quiz a nossa senhora e a bem-aventurada santa Crara, cujo dia era, que alimpoua neboa, e reconhecemos ser a i l h a d a C a n a-n e a (66) : e fomos surgir antre ella e a terra, emfundo de sete braças. Esta ilha tem em redondo hûa

leguas dessa ilha, e sim com o - Mar Pequeno - hojeassim chamado. Seria esse o r i o d e c a n a n é a do por-tulano Reinel ou o R i o d e c a n a n e a (Kunstmann, II), e a engrossar as suas aguas entre as actuaes - ilhada Praia ou Comprida (talvez a i l h a B r a n c a, dosReinel) e a ilha de Cananéa, para, por fim, desaguar noAtlantico, na bahia desse nome. A´ ilha do Bom-Abrigo oudo Abrigo tambem chamou Gabriel Soares (1587) : i l h aB r a n c a

Desta bahia de Cananéa não nos fala o portulano Rei-nel, mas com 10 minutos menos de latitude sul, fala de umgolfo d´area, provavelmente a barra de Icaparaactual, a qual tambem se deverá identificar com a b a i ap e q u e n a d e V i e g a s.

Dahi, se deve concluir: a ilha do Bom-Abrigo queo Diario marcava nesse littoral mais ao sudoeste do querealmente é, seria a esse tempo para os portuguezes a i l h ad e C a n a n é a afastada cerca de duas milhas da do Car-doso actual, e não ¼ de legua do continente, como o pareciaa Pero Lopes.

Uma vez nesse fundeadouro, entre as actuaes ilhas doBom Abrigo e do Cardoso, mandou Martim Affonso, rioacima - pela barra de Cananéa, subindo o Mar Pequeno -a Pedre Annes, piloto de um dos navios e "lingua da terra". Teria Pedre Annes ou Pedreannes, algum dia, sido ha-
[p. 202]

legua ; faz no meo hûa sellada : está de terra firme1 quarto de legua ; he desabrigada do vento sulsu-doeste e do nordeste, que quando venta mete muigram mar. Desta ilha ao norte duas leguas se fazum rio (67) mui grande na terra firme : na barra depreamar tem tres braças, e dentro 8, 9 braças Por

bitante dessas paragens ou do povoado do a n t i g o porto de S. Vicente? O certo é que elle se entendeu com os tupininquins, com o bacharel degredado, e mais com Francisco de Chaves, um dos companheiros de Solis e depois de Caboto, como tambem de Enrique Montes nas aventuras que tiveram por scenario o r i o d a P r a ta e os sertões confinantes com as serras da prata e do ouro. Acompanhavam - n´os ahi 5 ou 6 castelhanos hospedes da terra, e seriam estes, alguns dos 12 ou 15 homens de Castella deixados por Caboto no porto de São Vicente e, depois passados para Cananéa, segundo Alonso de Sta. Cruz ? (Oviedo - Hist. Gen. t. º 2. º, pag. 119)

Regressando o bergantim quatro ou cinco dias passados, o capitão mór saberia do bacharel o que constava desdeque degredado da 1. ª ou 2. ª expedição portugueza naquella costa, se passara num periodo de cerca de trinta annos. Relatos delles, teria ainda o capitão mór sobre as viagens, entre outras, de Solis, de Rodrigo de Acuña ou de Jofre deLoaysa, de Caboto e de Diogo Garcia, com escalas por essesfundeadouros como o de São Vicente, - antigo porto de escravos dos portuguezes onde tiveram residencia certa: Gonçalo da Costa, óra em Sevilha, João Ramalho, serra acima eAntonio Rodrigues, na praia de Tumiarú. Dos selvagens daserra, como dos do littoral, haveria tambem Martim Affon-so de ter noticias seguras e de muito auxilio á expedição.
[p. 203]

este rio arriba mandou o capitam I. hum bargan-tim; e a Pedre Annes Piloto, que era lingua da ter-ra, que fosse haver fala dos Indios. Quinta-feira 17 dias do mes de agosto veo Pe-dre Annes Piloto no bargantim, e como elle veo

Com Francisco de Chaves companheiro de Montesnessas emprezas ousadas e passadas, bandeirante do ouro eprata, conhecedor dos selvagens carijós ou do guarani e deoutros que para terra dentro iam dominando, haveria o ca-pitão mór de se informar a meude, principalmente no quetocava ás riquezas do sertão perlustrado por expediçãocomo a de Aleixo Garcia, e á vida de castelhanos que ahinessa terra, para elle da corôa de Portugal, tiveram ou vi-nham fixando residencia. Enrique Montes - cujo nome jamais é citado nas pa-ginas do Diario -, mas cuja nomeação para provedor demantimentos da armada nos é assegurada pela carta regiade 16 de novembro de 1530, haveria então de vêr confirma-das as suas narrativas por esse mesmo Francisco de Cha-ves; e ao capitão mór cada vez mais meularia o desejode alcançar com esses navios o rio de Sta. Mariados portuguezes ou rio Solis dos espanhóes Não me-nor ambição entretanto manifestava o capitão mór orde-nando tentar a conquista desse sertão americano, e alématé as minas do Paraguai e do Perú. E assim dando fé aocompromisso de Francisco de Chaves que se obrigava, serecursos lhe fossem dados, de em dez mezes tornar aoporto de Cananéa com 400 escravos carregados deouro e prata, nomeava a Pêro Lobo Pinheiro, capitão dogaleão S. Vicente, por chefe de 40 bésteiros e 40 espin-gardeiros, e ordenava a partida da aventurosa bandeira a1. º de setembro de 1531. [p. 204]

Francisco de Chaves e o bacharel, e 5 ou 6 caste-lhanos. Este bacharel havia 30 annos (68) que esta-va degradado nesta terra, e o Francisco de Chavesera mui grande lingua desta terra. Pela informa-çam que della deu ao capitam I. mandou a Pero

Com as informações que trazia da Peninsula Iberica ecom as que viera obtendo dos quatro expedicionarios nabahia do Rio de Janeiro, esclarecido por EnriqueMontes e por Francisco de Chaves a ponto de desfalcar aexpedição colonizadora de oitenta homens e de um expertocapitão de navio, cada vez mais ao capitão mór assistiriaa certeza de se achar na verdadeira costa do ouro e pontofavoravel para conquista das minas. E se a "costa do paubrasil", a costa do norte, era a esse tempo buscada por fran-cezes, seria esta, a "costa do ouro e prata", a costa do sul, mais visitada por espanhóes, sendo de tal, provas assásevidentes, o encontro ahi tido e as informações colhidas. Seria acceitavel pois, que antes de desferrar a caminhodo sul, durante esses 46 dias incompletos que ahi permane-ceram, houvesse tambem levantado Martim Affonso novopadrão ou padrões em Cananéa, uma vez que fron-teiro á ilha do Bom Abrigo ou Cananéa, de Pero Lo-pes, já um deveria existir para meustificar que por ahi assi-gnalasse o portulano Reinel, a ponta do Padrã ? Citações de Frei Gaspar da Madre de Deus, de Ayresde Casal e de Varnhagen, na sua "Carta sobre Ethnogra-phia indigena" e na sua "Historia Geral do Brasil", e deoutros mais, nos instruem sobre a existencia nesse local depadrões antigos. Frei Gaspar, por exemplo, nos diz que, na ilha doCardoso - fronteira á ilha do Bom - Abrigo por mar, á[p. 205]

Lobo com 80 homês, que fossem descobrir pelaterra dentro; porque o dito Francisco de Chaves seobrigava que em 10 meses tornara ao dito portocom 400 escravos carregados de prata e ouro. Par-tiram desta ilha, ao 1. º dia de setembro de 1531, os

Comprida ou da Praia pelo norte, e á de Cananéa pelo no-roeste - se havia erguido e ficara occulto para mais de 200annos, um padrão portuguez que o Coronel Affonso Bote-lho de Sampaio e Sousa veiu a descobrir aos 16 de janeirode 1767, quando examinava esse local na intenção de con-struir um fórte. Seria esse, segundo opinião corrente, um dos padrõesplantados por Martim Affonso, e recolhido pelo barão deCapanema em 1866 ao Museo do Instituto Historico, ouseria esse o ahi existente antes de 1531, e o qual, já o por-tulano dos Reinel (Paris) assignalava annos antes da che-gada de Martim Affonso, com dar numa das pontas dailha do Cardoso, a p o n t a d´o P a d r ã ? Nesta ponta deve ter existido "sobre umas pedras um padrão de marmore europeu com quatro palmos de comprimento, dois de largo e um de grossura, e armas reaes de Por- tugal sem castellos" (Frei Gaspar. Memorias. ) Da existencia deste ou de outros padrões o Diario dePero Lopes nada relata que nos auxilie a identificação: massabemos que antes da expedição de 1530, deveria ser va-liosa na Casa de la Contratacion a opinião de A. de Sta. Cruz accorde com a de Alonso de Chaves (Oviedo - Histde las Indias. pgs. 114-115 Tomo 2. º) por darem a li-nha demarcadora luso-espanhola passando ao norte do Bra-sil na p o n t a d o s F u m o s e ao sul, no c a b o d eB u e n - A b r i g o abaixo das s i e r r a s d e S a n[p. 206]

40 besteiros e os 40 espingardeiros. Aqui nestailha estivemos 44 dias: nelles nunca vimos o sol; dedia e de noite nos choveo sempre com muitas tro-voadas e relampados: nestes dias nos nam ventaramoutros ventos, senam desd´o sudoeste até o sul.

S e b a s t i a n. Em compensação, Diogo Ribeiro, em exem-plar cartographico official para a Espanha, já incluia em1529 francamente essas terras na posse da corôa portugueza. Deveriam ser taes terras mais portuguezas ainda para Mar-tim Affonso de Sousa e dahi, meridionalmente, em brevese extender até pouco ao sul do golfo de S. Mathias, uma vez que Pero Lopes em 1531 ainda, vem a plantar pa-drões de dominio lusitano no esteiro dos Carandins. Poder-se-ia tambem dahi concluir, que o capitão mórencontrando castelhanos no littoral de Cananéa e sabendotalvez de outros que ahi viveram, achasse de bom avisoplantar nessa paragem não marco lindeiro, mas padrões deposse, como advertencia a esses intrusos em terras de Por-tugal depositarias dos preciosos metaes? Na falta de provas mais precisas que se pode affir-mar, se o proprio Diario é o primeiro a guardar silenciosobre tão importante occorrencia? Emfim, lançado ou não novo padrão á terra, ordenavaMartim Affonso, como dissemos, a bandeira a 1 de se-tembro de 1531 e preparava a largada dos seus navios parao sul no dia 26 de setembro desse mesmo anno. E ao partir, vinte e cinco dias depois de se pôr em marcha a bandeirade Pero Lobo, deixaria elle ainda ahi em Cananéa, ao ba-charel e aos 5 ou 6 castelhanos, se um e outros não se in-corporaram aos sertanistas de Pero Lobo e de Fran-cisco de Chaves? E não mandaria tambem o nosso illustre[p. 207]

Deram-nos tam grandes tromentas destes ventos, e tam rijos, como eu em outra nenhûa parte os viventar. Aqui perdemos muitas anchoras, e nos que-braram muitos cabres.

Terça-feira 26 do mes de setembro partimosdesta ilha com o vento leste, fazendo caminho do

capitão mór nenhum recado seu para o antigo porto de Sam Vicente, em cujas terras pelo relato de Gonçalo da Costa a D. João III, teria elle sabido da existencia de Antonio Rodrigues, como praieiro em Tumiarú, e da de João Ramalho, sobre serra e á borda dos campos de Piratininga?

CANANÉA -- YLHAS DAS ONÇAS - Depois da demora nesse porto da ilha do Bom-Abrigo(C a n a n é a), de 12 de agosto a 26 de setembro de 1531, desferrando com o auxilio do vento do leste, fizeram-se aomar os quatro navios seguidos dos dois bergantins armadosno Rio de Janeiro. Já ahi andava o S V i c e n t e aomando de outro capitão. Durante a travessia haveria de realizar-se o que osroteiros hoje nos ensinam: vento do nordeste rijo tendocomo resposta vento de igual intensidade do quadrante op-posto. E´ verdade que, além desta asserção dos roteiros mo-dernos, ainda se sabe: — que de maio a outubro o vento
[p. 208]

terra 3 leguas de nós, que se corria nornordeste sul-sudoeste. Como nos achegamos mais a terra reco-nhecemos ser ao sul do p o r t o d o s P a t o s (69)

O PORTO DOS PATOS

Em 1516, onze christãos, segundo Medina, ou dez, segundo d´Avila, embarcadiços do galeão da armada do desventurado Solis, aportavam a essa terra e principalmente aesse baptisado então p o r t o d o s P a t o s. Fronteiro era este á ilha (ysla de la Plata) depois chamada S t a C a t a l i n a por Caboto em honra de sua mulher, D. Catalina de Medrano. E a vinda desses primeiros chris-tãos e espanhóes de Solis, fez dessa paragem um centro de irradiação aventureira e sertanista, e escala forçada dos maritimos europeus que viajando do outro hemispherio, vi-nham em busca de ouro e prata nas regiões sulinas daAmerica.

Demandavam então, os navios, essa enseada onde, maistarde, Hans Staden assignalaria com casas de povoação nocontinente e como - p o r t o d o s P a t o s - ainda. Emtempos anteriores, nas proximidades deste porto, mas terraa dentro dez ou doze leguas, viveram desde o naufragio daarmada de Solis, até a chegada de Caboto, dois homens da-quella armada: Enrique Montes e Melchior Ramirez.

Traziam estes ao aportarem ahi perdidos da desafortunada expedição ao r i o S o l i s ou d a Prata, trabalhada a imaginação pelo sonho das grandes riquezas su-[p. 213]

4 leguas, e tornamos de ló, ver se podiamos cobraro dito Porto: o vento era tanto ao nordeste, que vi-rando no bordo do mar, me levou o traquete d´á-vante.

bido o rio Paraná e galgada a serra, em distancia a per-correr de duzentas leguas, e, onde os indios meualeiros, usa-vam de ir e voltar.

Correndo o sertão dessa terra dos Patos, Mon-tes e Ramirez exploraram-no com temeridade, pelo que per-duraria entre elles tambem a noticia da existencia, certo emterras do Perú, de um rei branco trazendo barba e ves-tidos como os civilizados: e mais: de que os indios comar-cãos de "serra acima" usavam á cabeça umas coroas deprata; ás orelhas, e ao pescoço e pendentes delles, umas cha-pas de ouro, como da cintura, custosas cintas; e de quenessas paragens sertanejas perlustradas por esses bandeiran-tes primevos, usavam carijós, guaranis ou chandules, deatacar os expedicionarios, para lhes roubarem os escravose ouro trazidos de sobre serra.

Ao chegar D. Rodrigo d´Acuña a esse porto dos Patos em 1. º de maio de 1526, na nau S. Gabriel, salvo do naufrgio da desafortunada armada do espanhol Jofre de Loaysa, já havia elle residido num porto dessa terra dos Patos, entre o cabo de Santa Martha e a ilha de Santa Catharina.

Oviedo cita este porto como o nomeado puerto de D. Rodrigo, e no-lo dá 7 a 8 leguas ao sul da grande ilha; isto é, provavelmente, como o actual porto de Imbituba.

Encontrou-se D. Rodrigo com Enrique Montes e Mel-chior Ramirez no então - p o r t o d o s P a t o s - aventureiros que já haviam renovado a exploração dos rios Solis, de Sta. Maria ou da Prata e affluentes, em companhia
[p.

DATA:01/01/19270 fontes

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